sábado, 25 de Outubro de 2014

Porque hoje é sábado

 Picnic
Julius Leblanc Stewart
Pintor norte americano (1855-1919)


De tarde

Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

O mundo mudou!

Desde o dia em que nasci muita coisa mudou!



O Capuchinho Vermelho  é uma  psicanalista de sucesso e vive com o Lobo Mau. Mas ainda não conseguiu concordar com nenhuma das   154 765 interpretações que já fizeram da história


 A Branca de Neve trocou os 7 anões por um marido e uma catrefa de filhos

 A Bela Adormecida  não quer nem ouvir falar de Príncipes Encantados...


 A Barbie engordou

 O Super homem  ganhou barriga

 Estes dois continuam a divertir-se, mas agora num asilo
 O Homem Aranha  está ligado à máquina



A Gata Borralheira divorciou-se e  passa a vida em bares, à espera que alguém lhe pague um copo

E eu?



 Nunca fui personagem de banda desenhada, nem de contos infantis, adquiri finalmente  o estatuto de sénior, mas continuo à espera da reforma. Enquanto não chega, vim para aqui passar uns dias.  É uma forma de aproveitar os descontos nos transportes....

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Obrigado, ACP!

ACP: a servir os automobilistas desde 1903


Sou sócio do ACP desde um dia de Janeiro, de um qualquer ano da década de 90. Estava de passagem por Lisboa e fui apanhado por um temporal desgraçado. A intensidade da chuva e a imperícia de uma condutora deixaram o meu carro atascado na Rainha D. Amélia. (Nos anos 90, apesar de António Cosat ainda não ser presidente da câmara,  já havia inundações em Lisboa, imaginem só!)  Foi o ACP que me socorreu e tirou de apuros. Como o tem feito diversas vezes, desde que regressei a Portugal. 
Tenho uma grande dívida de gratidão pelo ACP. Pelos serviços que presta, pela prontidão com que me tirou de apuros, sempre que precisei de recorrer ao seu reboque, pela simpatia do pessoal que lá trabalha.
Este ano  tive de revalidar a carta. O mais provável era ter-me esquecido de  o fazer, não fosse ter recebido em Maio ou Junho uma carta do ACP, alertando-me para cumprir essa obrigação e disponibilizando os serviços para me prestar o apoio nessa tarefa. 
Por estes tempos, o IMT é uma balbúrdia pegada, ainda pior que uma Repartição de Finanças. A culpa não é dos funcionários, mas sim de quem teve a ideia de tornar os serviços quase inoperacionais, com a desculpa habitual da necessidade de os rentabilizar  e  tornar mais eficazes. 
Como aconteceu noutros serviços, o resultado foi transformarem o IMT num pandemónio.
Foi por isso, com grande alívio e sem a mínima hesitação, que decidi aceitar a “oferta”do ACP.
Marquei por telefone o exame médico para uma manhã de Julho. Poucos minutos depois da hora marcada era atendido por um médico simpático que me observou e fez alguns testes, para ver se estava apto para conduzir. 
Aprovado nos testes, os serviços administrativos comunicaram-me que a nova carta seguiria para minha casa mas avisaram-me, desde logo, que se em meados de Outubro não a tivesse ainda recebido deveria contactar com o ACP.
No dia 20 de outubro, poucos dias antes do meu aniversário, telefonei a informar que ainda não havia vestígios de uma carta de condução renovada na minha caixa do correio.  Disseram-me, então, para ir a uma qualquer delegação do ACP e pedir uma guia de substituição, porque o IMT ainda não tinha emitido a carta. Aproveitei a hora do almoço e fui à Av da República onde, mais uma vez, pessoal solícito e disponível me emitiu uma guia que me permite conduzir até Abril de 2015. 
Resumindo: com toda a comodidade tratei das burocracias inerentes à renovação da carta de condução. Sem filas de espera e com celeridade. Se tivesse optado por ir ao IMT, teria perdido horas em filas e levaria na mão um atestado médico, confirmando a minha capacidade para conduzir, pelo qual teria de desembolsar umas dezenas de euros. O ACP tornou-me a vida muito mais fácil e por isso lhe agradeço. 
Lamento é que o IMT, outrora um serviço de qualidade, se tenha transformado, graças à acção destruidora deste governo, num embaraço para os cidadãos que querem cumprir os seus deveres.   

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Às vezes passam-me estas coisas pela cabeça Deve ser do calor!

Pegando no exemplo dos juizes do Supremo Tribunal Administrativo, que reduziram o valor de uma indemnização, alegando que a lesada, tendo já mais de 50 anos e dois filhos, não tinha  muitas necessidades sexuais, lembrei-me que o princípio pode ser aplicado a outras situações.
Apenas um exemplo:
Um homem ( filho) que matou uma velhinha (mãe) de 80 anos para a roubar, pode ver a sua sentença reduzida, se o juiz  alegar que aos 80 a vida já não tem o mesmo sabor...

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

O lado B da violência doméstica



A violência doméstica tornou-se um tema comum dos noticiários.
As notícias mais relevantes e que mais inflamam a opinião pública,  centram-se essencialmente em mulheres assassinadas pelos maridos ( Embora, nos últimos tempos, tenham sido frequentes as notícias sobre crimes que atingem também as/os filhas/os, que saíram em defesa das mães).
A violência doméstica, porém, não se restringe à violência entre marido e mulher, tendo quase sempre como móbil o ciúme ou a rejeição.
Há outro tipo de violência doméstica que nos deve fazer pensar maduramente sobre o modelo de sociedade que estamos a construir. Refiro-me à violência exercida por filhos contra as mães.
Normalmente são homens que, em idade adulta, continuam a viver com as mães, por uma questão de comodidade ou puro egoísmo/oportunismo. Conheço alguns casos.  
Muitas destas relações entre filhos e mães são vidas de violência permanente. Tudo começa quando os filhos assumem a predominância  da relação, exercendo  partir de determinado momento, uma impiedosa chantagem  emocional sobre as mães. Tudo começa com insultos e ameaças. Depois, estas situações evoluem rapidamente para a violência física, sempre escamoteada pelas mães que tendem a tudo perdoar. 
Só este ano. lembro-me de três casos em que os filhos assassinaram- ou feriram gravemente-as mães. O móbil dos crimes foi sempre o dinheiro.
A comunicação social não dá o devido relevo a estas situações e também não vejo/ouço/ leio comentadores a abordarem estes casos, com a profundidade que mereciam. No entanto eles existem e estão a aumentar. E não se culpe apenas a crise. O modelo educacional e civilizacional que construímos nas últimas décadas, em que a criança passou a ser o centro do mundo, é o principal responsável pelo desrespeito dos filhos em relação às mães com quem viveram numa família quase sempre monoparental.
As crianças têm direitos, mas desobrigá-las dos seus deveres, não me parece ser ajuizado. Quando isso não acontece, sucedem situações, logo na adolescência, que fomentam a criação de pequenos monstros.
Estou a lembrar-me, por exemplo, do caso do filho da porteira da minha falecida irmã. Estávamos nos anos 90, década do consumismo exacerbado, onde cada jovem já se impunha no seu círculo de amigos, pelo vestuário de marca ou gadgets da moda.
 Jovem que nunca ultrapassou os problemas da desestruturação familiar,  foi educado pela mãe, com quem vivia, mas teve sempre como ídolo o pai bêbado que batia na mãe , por razões fúteis como o ciúme, ou porque que o seu clube perdia.
Aos 19 anos surpreendeu  o prédio inteiro com uma algazarra. De faca em riste, exigia à mãe que lhe desse dinheiro para a entrada de um carro, senão matava-a. 
A intervenção pronta dos vizinhos evitou uma tragédia. Foi apresentada queixa à polícia. A mãe saiu em defesa do filho e tudo ficou sanado. Até ao dia em que, imitando o pai, o jovem puxou do cinto e deu uma tareia na mãe. Nesse dia a mulher foi parar ao hospital e a polícia agiu em conformidade.
Não são raros estes casos e não se restringem à classe média baixa. É muito mais abrangente, mas todos fecham os olhos. Basta , no entanto, ir a um supermercado e ver uma criancinha a fazer birra, porque a mãe lhe recusou uma gulodice ou um brinquedo, para vermos o futuro. 
Devíamos estar mais atentos, para evitar esse futuro.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Desbloqueador de conversa



Estes dias de calor são um excelente desbloqueador para conversas nos elevadores.  Foi isso que fiz quando entrei em casa ao princípio da tarde. Comigo subiu no elevador a vizinha do 9º andar, senhora de grandes atributos físicos. Acabara de sair da piscina e, contrariando as regras do condomínio, ia em biquini.
Cumprimentei-a como habitualmente mas, em vez de lhe perguntar "Como está" ( para que havia eu de perguntar se estava a ver que ela estava em excelente forma física?), disse sem pensar:
- Está um calor de ananases! Se tivesse tempo, também ia dar um mergulho.
Ela olhou para mim de sobrolho franzido e respondeu:
- Tem bom remédio. Basta ficar no desemprego como eu, que tem tempo para dar muitos mergulhos.
Embatuqiei, mas recompus-me rapidamente e derivei a conversa  para esse outro  tema quente que incendeia a sociedade portuguesa. Quando chegámos ao 9º andar e ela saiu, a temperatura baixou consideravelmente dentro do elevador.

O tempo das maçãs


Qual será a próxima?