quarta-feira, 27 de maio de 2015

E agora?


Atendendo às manifestações de agrado dos leitores em relação à nova rubrica " Si Je chante" do On the rocks - e tendo em consideração o elevado número de canções que me têm vindo à memória-  decidi que esta rubrica passará a ser bi semanal. Aos domingos, como já vinha sendo habitual e, preferencialmente, também às quartas- feiras. 
Espero que continuem a apreciar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Cenas da vida de uma cusca e suas vítimas




Assinala-se hoje o Dia Europeu do Vizinho.
Aproveito a data para vos contar a história do meu primeiro contacto com os vizinhos do prédio para onde fui viver quando regressei a Portugal.
 Era solteiro e bom rapaz, regressava com a sensação de que, em quase 25 anos de regime democrático, a mentalidade dos portugueses se tinha alterado.
A maioria dos leitores do On the rocks deve saber o que significa instalar-se numa casa nova. Gente que entra trazendo mobílias, a senhora dos cortinados, aem pregada doméstica que tacteia os cantos e entra e sai várias vezes ao dia, porque é preciso comprar mais qualquer coisa, o electricista, o homem que vem trazer o televisor e a aparelhagem de som, mais o da máquina de lavar, do fogão e do frigorífico, gargalhadas de amigos que não víamos há muito e apareceram para dar uma ajuda, o barulho de pregar na parede ( sempre durante o dia e nunca ao fim de semana, porque respeito a Lei do Ruído…) quadros e fotografias que fixam memórias de países longínquos, caixotes que chegam com aquilo que se foi acumulando ao longo de anos, noutras paragens, enfim, uma parafernália de sons e ruídos que mexem com o quotidiano de um prédio, mas que são inevitáveis quando nos queremos instalar confortavelmente e dar início a uma nova vida.
Saía do elevador carregando as últimas malas, quando uma senhora que já vira várias vezes, me abordou nestes termos, sem sequer me dizer boa tarde:
- Olhe, eu sou uma das administradoras do prédio. O sr. está a mudar-se para aqui, não é?
-Bem, neste momento só me estou a instalar, parto outra vez no final da próxima semana e só volto daqui a três meses. Estou a tratar de tudo para, quando regressar definitivamente, estar tudo em ordem e não ter sobressaltos.
-Vai voltar para Macau, é?
Arregalei os olhos. Como é que uma fulana com quem nunca falara sabia que eu tinha andado por Macau? E como é que se atrevia a fazer uma pergunta tão desconchavada, no primeiro contacto que tinha comigo? Mesmo assim, numa atitude de boa vizinhança esclareci-a:
- Já saí de Macau há uns tempos, agora estou a viver na Argentina. É para lá que vou…
- Bem, mesmo assim, deixe-me avisá-lo já de uma coisa. Já percebi que vem para aqui viver sozinho e quero que saiba que este prédio é muito calmo, não estamos habituados a gente solteira, por isso, não queremos barulho. Os homens solteiros gostam de fazer festas, trazer amigas e depois é um reboliço durante toda a noite. Para evitar problemas, é bom que saiba desde já quais são as regras do prédio.
Fiquei sem fala durante uns segundos. Depois lá consegui perguntar:


-Desculpe, como é que sabe que vivi em Macau e que sou solteiro?
- Quando o senhor andava em negociações para a compra da casa quisemos saber tudo a seu respeito. Quem era, de onde vinha, por onde tinha andado.
- Bem, pelos vistos a informação que lhe deram está desactualizada, uma vez que já não estou a viver em Macau …
- Mas vem para cá viver sozinho, não vem?
-Porque pergunta?
-Como não usa aliança e não vi ainda nenhuma senhora a acompanhá-lo com ar de ser sua esposa, penso que seja solteiro ou divorciado…
Não acreditava no que se estava a passar. Comprara casa numa zona onde, supostamente, o nível sócio-cultural das pessoas era pouco dado a mexericos e conversas de vão de escada. Pedi desculpa e, alegando cansaço, despedi-me. Sosseguei a senhora- que aparentava ser mais ou menos da minha idade- dizendo que respeitaria o direito ao repouso dela e de todos os vizinhos. Entrei em casa a remoer a situação e a dizer mal da minha vida. Ainda não me instalara e já estava com vontade de mudar de casa.
Quando voltei, ao fim de cinco meses- e não dos três que planeara – meti as malas em casa e decidi ir falar com a vizinha. Tinha o discurso estudado. Dir-lhe-ia “cheguei, agora vou ficar de vez e espero que não espiolhe a minha vida, não queira saber com quem entro em casa , salvo se estiver interessada em fazer-nos companhia”. Assim, curto e grosso a fim de evitar mais conversas.
Quando ela abriu a porta, fez um ar de espanto e disse:
- Ah! Até que enfim! Tinha dito que só demorava três meses, até pensei que tinha decidido ficar por lá por Macau… Olhe seja muito bem vindo, esperamos que se dê bem e gostávamos de o convidar para um dia destes vir jantar cá a casa. Eu e o meu marido cultivamos a boa vizinhança, sabe... e como não temos filhos, gostamos de receber os amigos em casa.
A minha cara deve ter-se coberto de um carregado sorriso amarelo, mas ainda consegui dizer:
-“ Um dia mais tarde combinamos, agora não é oportuno. Acabo de chegar e tenho que organizar primeiro a minha vida.”
Até hoje. Eu já lá não moro a tempo inteiro, a  senhora também não, mas enquanto lá vivemos, sempre nos cumprimentámos educadamente. Mais convites para jantar é que, felizmente, não houve.
Hoje, moro habitualmente num prédio  com muitos casais jovens. Os contactos são poucos. Apenas com meia dúzia de pessoas me demoro alguns minutos a conversar. Não frequentamos as casas uns dos outros. Vivemos com a urbanidade possível – uma palavra que detesto- discutindo duas vezes por ano os problemas do condomínio.
Provavelmente, serão poucos os que saberão que hoje é Dia Europeu do Vizinho. Talvez uma reportagem num telejornal o lembre, para encher chouriços.
Já agora, uma pergunta de cusca: qual é a relação dos meus leitores com os vizinhos?


Those were the days (24)

Fotos de Carlos Barbosa de Oliveira


Fotos de Carlos Barbosa de Oliveira



Fotos  CBO


Fotos CBO


Fotos CBO

Fotos CBO


Fotos CBO



Fotos CBO

Ciudad de Las Artes ( Valência)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Livro da semana


Tinha-me escapado este livro  editado em 2000.
Felizmente a Quetzal decidiu reeditá-lo.
Adorei revisitar Goa pela "mão" de José Eduardo Agualusa. Um livro  que se lê com rapidez e emoção, principalmente para os apaixonados por Goa, como eu.

domingo, 24 de maio de 2015

Parece que foi ontem...




Esta semana fez 91 anos e, no início do mês, gravou um disco de originais.
O tempo parece não passar para este arménio de voz rouca que encantava novos e velhos nos anos 60. Parece que ainda foi ontem!

sábado, 23 de maio de 2015

Porque hoje é sábado

Justitia Mater 

Nas florestas solenes há o culto 
Da eterna, íntima força primitiva: 
Na serra, o grito audaz da alma cativa, 
Do coração, em seu combate inulto: 

No espaço constelado passa o vulto 
Do inominado Alguém, que os sóis aviva: 
No mar ouve-se a voz grave e aflitiva 
D'um deus que luta, poderoso e inculto. 

Mas nas negras cidades, onde solta 
Se ergue, de sangue medida, a revolta, 
Como incêndio que um vento bravo atiça, 

Há mais alta missão, mais alta glória: 
O combater, à grande luz da história, 
Os combates eternos da Justiça!

(Antero de Quental)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Amor

Amo-te.
Também te  amo.
Não mintas!
Tu é que começaste...

(Lido por aí)
Tenham um excelente fim de semana.
Ah e não se esqueçam que hoje é Dia do Abraço.
Um forte abraço para todos os que por aqui passam.