sábado, 18 de Outubro de 2014

Porque hoje é sábado



Um camionista parou num restaurante para tomar o pequeno almoço. Pede uma sandwich, un café e uma fatia de bolo.
Quando a empregada lhe traz o pedido, entram três  motoqueiros “en blue jeans et blouson de cuir” que se sentam na mesa ao  lado.
Um come a sandwich, outro bebe o café e o terceiro abotoa-se com a fatia de bolo.
O camionista levanta-se sem dizer uma palavra e sai.
Um dos motoqueiros diz entre risos:
- Aquele gajo não é homem nem é nada!
Os outros acompanham-no na galhofa
Atrás do balcão, a empregada acrescenta:
- E também me parece que não é lá grande condutor. Vejam lá como ele passou com o camião por cima das vossas motos!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Cuidado com a língua!




Na semana passada uma amiga publicou algumas fotografias dela no FB. A cada uma respondi com um piropo.(Ela parece mesmo um helicóptero- é gira e... boa. Além disso, consta-me que é filha de um terrorista, porque é cá uma bomba!...)
Ainda bem que a proposta do Bloco de Esquerda para criminalizar o piropo  foi chumbada, senão já estava a contas com tantos processos, que  saía da cadeia directamente para o cemitério.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Aula de oftalmologia

Não fumava. Não bebia. Era tímido no contacto com as mulheres. Uma tarde, na Ateneia, deixou-se enfeitiçar pelos óculos pendurados num nariz protuberante. Casaram. Nasceram três dioptrias.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Excentricidades



Acabo de ir apostar no Euromilhões. A fila é grande. Há muita gente a tentar a sorte. Se ganhar, faz como eu. Vai receber o dinheiro, entrega  o quinhão legal à fulana que faz as contas do bordel e pira-se para um país decente, antes que a fulana chame o chefe do gang para confiscar a totalidade do prémio. 
A fila vai avançando a bom ritmo mas o fulano à minha frente tem uma surpresa reservada. Puxa de um maço de talões e pede à empregada que confira se têm prémio.  Começo a pensar numa alternativa mas já são quase seis da tarde e não há nenhum outro local por perto onde possa registar o meu palpite.
Decido aguentar firme. A operação prolonga-se por quase meia hora ( a empregada dir-me-á mais tarde que eram 96 os talões), a máquina regista prémios no valor de 127€.
 Há gente a bufar atrás de mim. Conferidos os prémios, segue-se a fase de registo dos boletins. Comparativamente, muito rápida No final, a empregada entrega-lhe um papel com a quantia a pagar. 
Lentamente, o homem mete a mão no bolso e saca de um maço de notas enroladas num elástico. Começa a contar o dinheiro em voz alta.  Paga. A custo não abro a boca de espanto, quando percebo a quantia que vai pagar Recebe o troco e vai à vida.
Deixo sair um suspiro de alívio. Entrego um boletim para registo no valor de 2€ e peço à funcionária que me dê mais uma aposta escolhida aleatoriamente pela máquina.
Saio do centro comercial e sigo pela rua a pensar que excentricidade era eu ganhar o Euromilhões com 4€, depois de o tipo à minha frente ter pago 3 mil!
(Ainda mais excêntrico era poder meter o boletim à hora a que acabo de escrever este post)

Vamos fazer amigos?


Ontem publiquei isto no FB mas, como ainda me estou a rir, pensei que valia a pena partilhá-lo convosco.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Em Parte Incerta...





Não classificaria o filme como um “thriller” e muito menos como um policial, como já por aí vi escrito. Até eu percebi, desde o início, que David Fincher me pretendia vender uma  “Gone Girl” ( título original) muito certinha, mas não me deixei ir na conversa deles.
“Em Parte Incerta” é um filme sobre a sociedade actual, onde as pessoas se deixam manipular pelos media e vertem as suas emoções em função do que eles nos querem vender. Nada melhor do que explorar a violência doméstica para “obrigar” as pessoas a tomarem partido pela vítima.  E se no argumento houver uma tontinha,  capaz de proclamar a amizada para disseminar a calúnia e  dar mais veracidade à história, tanto melhor.
David Fincher brinca com o espectador até à exaustão, trocando-lhe as voltas, de cada vez que  pensa ter descoberto a verdade.
Envolvido num permanente jogo de enganos, o espectador vai caindo nas ratoeiras que ardilosamente Fincher lhe coloca e só perto do final começa a perceber que foi “gozado”. É nesse momento que muitos pensarão no ditado “ Entre marido e mulher não metas a colher” e se arrependerão de ter seguido o caminho mais fácil, que lhes é sugerido. As aparências iludem mesmo!
Claro que Fincher tem em Ben Affleck um compincha de peso para a sua estratégia. Com aquele ar de sonso mal disfarçado, facilmente cria uma antipatia no espectador que não hesita em afirmar, inequivocamente “ Guilty!” , depois de "perceber" que o gajo é um escroque 
O ar ingénuo e delicodoce de Rosamund Pike contém, por outro lado, os ingredientes necessários para a tornar uma vítima apreciada e apaparicada pelos espectadores. Não me espantarei, se o papel lhe valer um Óscar…
Quando a maioria descobre o logro, já é tarde. David Fincher já os fez corar de vergonha, por terem feito juízos precipitados.  Quanto àqueles como eu, que  se julgam vivaços  e estão a rebolar-se de gozo na cadeira, murmurando entre dentes  a mim já não me enganas pá! Vi os filmes do Hitchcock todos e já sabia que isto ia acabar assim, também têm boas razões para se envergonharem e meterem a viola no saco. 
É que ainda faltam  20 minutos de filme e o maquiavélico realizador  de Se7en  tem mais uma surpresa reservada para eles. Este americano é tramado. As voltas que ele dá para nos dizer que o casamento é um contrato de risco e dá muito trabalho!
Em resumo: um filme que vale a pena ver, mesmo que já tenha lido o livro. Disse-me, quem o leu, que o final de Fincher nada tem a ver com o do livro de Gillian Flynn. E outra coisa não seria de esperar…