quinta-feira, 30 de julho de 2015

Das utopias

AVISO:  Este post  é longo, mas não é sobre política, embora dela seja obrigado a falar brevemente



Há dias tive  uma salutar troca de opiniões na caixa de comentários, com a minha querida amiga Teresa. Desde logo pensei escrever um post e ela incentivou-me, o que desde já lhe agradeço.  O tema em discussão gira em volta de utopias e liberdade . Um tema recorrente no meio académico do meu tempo, que certamente muitos leitores debateram em animadas tertúlias estudantis em que se (des)inquietavam as mentes de jovens mais ou menos preocupados com a vida na “polis”, como era o meu caso. 
Lembro-me de passar tardes e noites no Pio XII (  lar onde predominavam filhos maus de famílias boas)  a perorar sobre  esta questão, enquanto discutíamos os acontecimentos de maio de 68 em Paris e  ouvíamos os Doors, ou o primeiro disco dos Pink Floyd, trazido clandestinamente de Londres pelo meu saudoso amigo João Filipe Barbosa, jornalista e melómano,  que   prenunciava o sucesso da banda, muitos anos antes de vir a  ser consagrada  com álbuns como The Dark Side of the Moon ou Wish You Were Here.
Nesse tempo em que as utopias emergiam do pavée das ruas de Paris,  ou dos livros conseguidos clandestinamente em alfarrabistas, quase todos acreditávamos que a liberdade era algo atingível através da luta política, mas alguns havia defendendo que a liberdade era uma busca interior permanente, sendo os sistemas políticos apenas  instrumentos que nos permitiam ( ou não) aceder a ela. 
Sobre estes temas nunca houve, ou haverá, conclusões nem consensos. Não só porque a liberdade é  um conceito subjectivo  e conflituoso na sua essência, mas também  porque é utópico.
E foi aqui que começou a minha conversa com a Teresa. Neste post eu  confessei a minha utopia,  ao escrever “Espero, por isso, que a comunidade científica anuncie, com a brevidade possível, a descoberta de um planeta habitável, cujos habitantes  em nada se pareçam com os terráqueos.  Um planeta onde reine a paz e a concórdia, o dinheiro não seja adorado como divindade e a Natureza seja respeitada como o bem supremo que todos estão empenhados em preservar”.   


Eu sei que é uma utopia, mas a utopia está umbilicalmente ligada ao “direito a sonhar”  e  não abdico desse direito, que considero  uma forma  de resistência  numa sociedade avassaladoramente animalesca, onde os valores  foram  espezinhados e os direitos  humanos pervertidos ou aniquilados por imposição do todo poderoso mundo financeiro e empresarial. 
Ainda há dias, Ferreira Fernandes escrevia uma belíssima crónica sobre três cientistas que estavam a fazer estudos sobre o oceano polar e acabaram por ser vítimas  de acidentes estranhos poucas semanas depois. Um caiu das escadas, outro foi atingido por um raio e a terceira foi atropelada. Um outro cientista, que acusou o lobby das empresas petrolíferas de terem provocado as mortes dos seus colegas, foi vítima de uma tentativa de homicídio quando o seu carro foi empurrado por um camião.  Deixemos de lado a teoria da conspiração, aceitemos que se tratou de trágicas coincidências e passemos à razão que me levou a invocar a crónica de FF.
Estes três cientistas investigavam os efeitos da acção das petrolíferas sobre o oceano polar, com o intuito de provarem que esses efeitos estavam a provocar a destruição do planeta. 
Alguns leitores dirão que a luta pela defesa do ambiente é uma utopia, pois os interesses económicos  sempre se sobrepõem aos interesses ambientais. Admito que estejam certos, mas isso não invalida que os cientistas tenham usado a sua liberdade ( de investigar) na tentativa de contribuírem para um mundo melhor. Terão pago com a vida a sua audácia. Ou sido vítimas de um conjunto de trágicas coincidências…
Chegamos então ao ponto fulcral da discussão. Escrevia a Teresa na caixa de comentários do referido post que é uma pessoa livre de utopias e que a liberdade não tem preço.
Minha querida amiga:
A crónica de FF insinua que a liberdade tem um preço. Eu diria que a liberdade absoluta é uma utopia. Daí que, ao contrário do que pensa, não se tenha libertado dela  ( o que eu francamente saúdo) . A única liberdade que existe é a nossa paz interior. Quando enfrentamos o mundo, a liberdade deixa de existir e nem a ideologia no-la devolve em estado puro, por mais que acreditemos na ideologia que professamos. Estamos condicionados em todos os actos da nossa vida ( por mais simples que eles sejam) pelo sistema político, pela publicidade,pela família, pelo círculo social em que nos movemos, pelos padrões de consumo, pelas nossas crenças e, desde o momento em que nascemos, pela educação que os nossos pais nos deram. Apenas seríamos livres se pudessemos eliminar as referências que nos enformaram.
Em ditaduras, ou em democracias, ter ou defender uma ideologia, não é apenas uma forma de liberdade, é opção (de vida). Como quando escolhemos gelado de chocolate e preterimos o de baunilha. Mas lá por gostarmos mais de chocolate, isso não nos dá o direito de dizer que os gelados de baunilha não prestam, ou deviam ser banidos. O importante é conseguirmos explicar a razão de preferirmos o chocolate, não é verdade, Teresa?
Agradeço-lhe ter contribuído para me libertar desta preguiça que me invade desde que regressei de férias, antes que ela se convertesse em entropia. Será obviamente um prazer continuar o debate na caixa de comentários. Consigo e com todos os leitores que nele queiram participar.
Em tempo: se há 10 anos eu escrevesse aqui que em breve seria possível ir à Lua e vir no mesmo dia, muitos diriam que isso era uma utopia. No entanto, uma das notícias que ontem correu mundo, foi a  da criação de um foguete que permite ir da Terra à Lua em apenas  4 (quatro) horas. Quem diria...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Un homme et une femme



Em 1965, Mireille Mathieu era a cantora favorita dos franceses e os críticos apontavam-na como a sucessora de Edith Piaf, mas só depois de uma aparição no Festival da Eurovisão se tornou mais conhecida na Europa
Porém,apesar de ter somado sucessos ao longo da sua carreira, não foi na Europa ocidental que teve mais popularidade, mas sim nos Estados Unidos e, paradoxalmente, também na União Soviética e países de Leste, com várias canções cantadas em russo e em grego.
Nos anos 70, tive oportunidade de testemunhar o prestígio que Mireille Mathieu tinha na Roménia e Bulgária, onde muitos pensavam que ela era azeri.
A canção que escolhi é a banda sonora de um filme que foi Palma de Ouro em Cannes: Un homme et une femme.
Interpretado por Anouk Aimée e Jean Louis Trintignant, o filme foi um grande sucesso e a canção esteve nos tops durante várias semanas.
Ao contrário do que é habitual, hoje deixo-vos duas canções, que mostram duas facetas desta versátil francesa.

E já agora, para quem não viu o filme, sugiro uma ida até ao You Tube...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Direito à preguiça


Devo confessar que ando com bastante preguiça e ainda sem grande disposição para escrever sobre a Rússia. Por isso, limito-me a deixar mais algumas fotos desta vez de S. Petersburgo, visto dos canais.


S Petersburgo- CBO



S Petersburgo

S Petersburgo - CBO

S. Petersburgo- CBO

S Petersburgo CBO



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Twins




Não, não vou escrever sobre a discoteca que em tempos fez furor no Porto e levava pessoas a deslocarem-se de Lisboa , ou voarem desde Barcelona ou Madrid, com o único propósito de aí passarem uma noite de fim de semana.
O meu intuito é escrever sobre outro Twin que  nos últimos dias entrou nas nossas vidas, despertando suspiros em muitos corações. Refiro-me ao 452b, um novo planeta descoberto por esse telescópio  espacial  que dá pelo nome de Kepler. 
Desde que iniciou a sua missão, em 2009, este telescópio sonda já anunciou, por diversas vezes, a descoberta de um planeta possivelmente  habitável, o que tem provocado ondas de histeria na comunidade científica  e não só.
Até eu,  que apesar de adorar geografia  não tenho por hábito andar na lua, mas por vezes gosto de sonhar acordado,   me entusiasmo com estas descobertas de novos planetas e ponho-me logo a pensar nas esbeltas alienígenas que poderão habitar esses planetas.
No entanto,  desta vez não senti aquele formigueiro do empolgamento, tão típico daqueles que sonham encontrar um dia  parceiros no espaço e pedir-lhes boleia numa nave espacial.  
A minha reacção pouco entusiástica não se deve apenas ao facto de  ter sido invadido pela descrença nos últimos meses, ou por estar cansado de ler sobre falsas promessas. A razão da minha descrença é bem mais prosaica: segundo li na imprensa internacional, o Kepler 452 b pode ser um planeta gémeo da Terra.  Ora, se assim for, não tem interesse nenhum, porque os seus habitantes não deverão ser muito diferentes destes monstros terráqueos que querem aniquilar o planeta onde vivemos e, como diz o outro, para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim. 
Espero, por isso, que a comunidade científica anuncie, com a brevidade possível, a descoberta de um planeta habitável, cujos habitantes  em nada se pareçam com os terráqueos.  Um planeta onde reine a paz e a concórdia, o dinheiro não seja adorado como divindade e a Natureza seja respeitada como o bem supremo que todos estão empenhados em preservar.   


domingo, 26 de julho de 2015

Et quand il arrivait, la foule s'écriait...





" Je vais vous raconter
Avant de vous quitter..."

Quem não se lembra desta egípcia poliglota, primeira vencedora de um Disco de Diamante, que fez furor nas décadas de 60 e 70 como modelo e cantora? 
Foram muitos os seus sucessos, mas pareceu-me apropriado escolher esta canção "avant de vous quitter".
Mesmo longe, vou andar por aqui...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ainda não acabou, mas...

Tinha escolhido esta canção para ser a última deste Verão musical em versão francesa. No entanto, acedi a mais um pedido de uma leitora que tem muitas boas razões para se sentir feliz quando ouve esta canção e antecipei-a para hoje.
Já arranjei outra para terminar a época, igualmente bastante apropriada. 
Faço votos para que dances mais sete vezes esta canção, querida Elisa.