quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mozart na Rua Augusta



Há já uns meses que Mozart mora na Rua Augusta. Porque os tempos estão difíceis e a música erudita já não dá para ganhar para o sustento, vai fazendo pela vida deixando-se fotografar a troco de umas moedas. Que não pede explicitamente, mas que nenhum turista rejeita na hora de captar um momento da sua passagem por Lisboa.
Há dias, deambulando pela cidade sem destino certo, demorei-me algum tempo a observá-lo. Os turistas afluíam a bom ritmo e as moedas tilintavam. Ele agradecia.
A determinada altura, aproximou-se uma portuguesa. Pediu para o fotografar. Ele acedeu com o mesmo sorriso que dispensa a qualquer turista. A senhora, idade pós-reforma ainda recente, fotografou-o de vários ângulos.  Afastou-se para ver na câmara digital o resultado do seu trabalho, que mostrou ao homem que a acompanhava. Recebeu um aceno aprovador. Dirigiu-se novamente ao Mozart  e perguntou-lhe se podia tirar uma fotografia com ele. A anuência foi imediata. Um, dois, três, olhó passarinho! click… já está. Só mais uma.
A senhora afastou-se para ver o resultado. Aprovado. Acenou ao Mozart em jeito de despedida, murmurou um obrigado e seguiu em frente, rumo ao Terreiro do Paço.
Mozart continuou impávido. Já deve estar habituado a dar borlas aos tugas.

24 comentários:

  1. Acho que faz um trabalho magnífico. Em Portugal os artistas de rua são marginalizados e não há essa cultura.

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  2. E precisa pagar para tirar uma fotografia com um busto?!? Oops, já preguei uns quantos calotes... :)))

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  3. Olha daquilo que estou isenta porque não pago mesmo. heheh, gosto de fotografar mas não de ser fotografada.

    Beijinho e uma flor

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  4. Já lhe tireu também uma foto, mas coloquei moeda, rrsss

    Aliás , como faço sempre que tiro fotos seja em que cidade seja

    Bons sonhos, maigo meu

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  5. Só se for o Mozart para nos dar umas borlas, Carlos :))

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  6. Somos muito incultos, é o que somos!Temos cem anos de atraso em relação aos suecos ou aos dinamarqueses em termos de educação e cultura. E depois queremos comparar-nos com eles...

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  7. Pois para mim esta actitudenão refelete apenas falta de cultura , mas muito especialmente o desprezo pelo esfoorço que os outros fazem para ganhar a vida.A tal srº pós-reforma recente nunca deve ter trabalhado , ia ao emprego como a maioria dos portugueses. Ando muito azeda nas minhas apreciações , vou tentar retomar orumo normal:)Bom fim de semana .

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  8. Acho um espetáculo esses artistas, mas confesso que deve ser torturante ficar o dia todo numa posição e com o corpo pitado.
    Beijinho

    Lucia

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  9. CARLOS, ao ler o título de sua crônica, cheguei a pensar que estivesse se referindo a Rua Augusta, de São Paulo.Uma das ruas principais daquela imensa cidade.Mas.vejo que também existe o mesmo nome de rua,em Lisboa. É muito comum este tipo de fotos.

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  10. Olhei de frente e lado ... e custa-me a crer que a imagem que ilustra o post seja a duma estátua humana, mas a ser, está sublime e merecia mais respeito por parte da dita "senhora" e de todos.
    A verdade é que os portugueses dão balúrdios para ir à bola, ver os pimbas, etc...
    Triste, mas verdadeiro.

    Bom fim de semana
    Um beijo

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  11. Tenho que ir a Lisboa...e partilharei a minha moeda com tamanho encanto....
    Bom fim de semana e gostei do seu novo espaço.:))

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  12. Há anos que não passo pela Rua Augusta em Lisboa, por isso, ainda não tive a oportunidade de me encontrar com o Wolfgang.

    Como o Carlos sabe, o nosso Woferl foi sempre um homem de mãos largas, daí acabar numa vala comum.

    O mundo está povoado dos que gostam de dar e dos que gostam de receber.

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  13. Rostos "sem rosto", mas com alma, infelizmente ignorados.

    Beijos.

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  14. Sabes que sábado passado estive uns bons minutos a apreciar uma "estátua" idêntica a essa do Mozart, Carlos?

    Pois, mantive a dúvida se seria real, até que uma pequenita ao deitar a moeda no recipiente que se encontrava no chão, e tão bem disfarçado que nem dele me tinha apercebido, o fez levantar os olhos.
    Só aí fiquei com a certeza que era uma estátua humana!
    Incrível a imobilidade de expressão que conseguem manter durante tanto tempo.
    Aqui a tua amiga também sentiu vontade de o fotografar mas, vá-se lá saber porquê, faltou-lhe a coragem.
    Depois de deixar o meu contributo para compensar tão penoso trabalho, virei costas sem para ele olhar.
    Não consegui!
    Depois de ler esta tua crónica, fiquei a pensar que preciso consultar um psicanalista...

    Ano passado foste lá ao meu canto deixar-me um beij, Carlos, este ano trago-to eu...atrasado!
    Beijinho.

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  15. Idade pós-reforma ainda recente ?!!!! : ))))

    Só depois de ler alguns comentários é que me apercebi que se estava a referir a uma estátua humana. É preciso ter paciência para tal postura durante horas a fio! : )

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  16. Carlos
    Aqui em BH a gente vê estatuas humanas que ficam paradas por um tempão. Fico encantada pois nao conseguiria fazer este trablho.
    Gostei da cronica sobre esta estatua de Mozart.
    Me deu vontade de ouvi-lo.
    com amizade Monica

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  17. E a vida não está para borlas :)
    Há séculos que não vou à baixa :)

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  18. Amigo Carlos:
    Sabe que me faz aflição ver estátuas humanas, eu como sou incapaz de estar dois minutos quieta admiro aquela concentração mas fico apreensiva, não sei porquê.
    Assim ele não vai longe :)

    beijinhos

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  19. Só pode mesmo ser uma Tuga...
    Nem sabes como me sorri...!

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  20. Tenho um grande apreço pelos artistas de rua, especialmente os músicos. Confesso que as estátuas humanas me fazem alguma confusão, embora já tenha visto algumas bem originais e fantásticas.

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  21. Vejo a estátua humana como uma forma de expressão artística (aliás penso que a maioria das pessoas a vê deste modo)mas dá-me tristeza porque tenho interiorizado que essas pessoas sofrem física e mentalmente.
    Fico confusão ao pensar na mendicidade misturada com a arte, não devia ser necessário.

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  22. Mesmo sem foto ponho SEMPRE a moeda, acho as estátuas uma arte, e sobre pôr dinheiro, quando os meus amigos ingleses estiveram a última vez em Lisboa, o rapazinho de dois anos foi "convidado" pela mãe e pelos avós a pôr lá a moedinha, outras culturas...

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