domingo, 13 de maio de 2012

Arrogância e boas maneiras




A senhora directora-geral, galardoada com vários títulos académicos, mestrada em falta de educação e empossada pela via horizontal  em tardes de fornicanço  passadas num hotel, com  factura paga pelo contribuinte, entrou no serviço que  inferiormente dirigia, batiam as quatro da tarde.
O segurança – trabalho das 13 às 21  retribuído com o salário mínimo- estava  embebido na leitura de um livro e não deu pela sua chegada.
“É assim que zela pela segurança do serviço?”- perguntou-lhe a directora geral do alto da sua superioridade
O segurança ruboresceu, desdobrou-se em desculpas e penitenciou-se pela falha que nunca ocorrera em  mais de 30 anos de trabalho.
“ Que é que está a ler?”- perguntou
O segurança pegou no livro para ler o título que não lhe ocorrera na ponta da língua.
“ Está muito culto! Qualquer dia ainda se inscreve  na Universidade da Terceira Idade, não?”- ironizou com o acento de tia de Cascais que se lhe colara à pele.
O segurança abriu a gaveta da secretária, tirou de lá um livro e respondeu:
“ Para a Universidade não penso ir, senhora directora, mas gosto muito de ler. A senhora directora já leu este?”
Quando leu o título, foi a vez de  a senhora doutora sentir o sangue assomar ao rosto. O livro era “O Manual das Boas Maneiras”.
Sem uma palavra, disparou para o gabinete. De tão habituadas, as secretárias não estranharam o seu rosto fechado revelando uma fúria incontida. Deixou escapar  um “boa tarde” entre os dentes e pediu a uma das secretárias que lhe ligasse para a empresa de segurança.
Entrou de sopetão no seu privado gabinete com secretária de mogno, aguardou a chamada e exigiu que lhe levassem aquela mercadoria e a trocassem por outra. No dia seguinte, porque não queria mais ver a cara daquele insolente.
(….)
No gabinete do chefe, o sr. Luís, 15 anos ao serviço da empresa, foi perguntado sobre a ocorrência. Contou tintin por tintin todos os pormenores sem se esquecer, inclusivé, de mostrar a capa do livro que exasperara a senhora directora.
O Chefe evitou a custo uma gargalhada, mas esboçou um sorriso de orelha a orelha,que deixou o sr Luís aliviado. Levantou-se, deu-lhe uma palmada nas costas e disse:
“Fizeste bem! Não te preocupes, porque nunca faltará trabalho para ti nesta casa”.

16 comentários:

  1. Dá um pau a um homem e verás do que ele é capaz.
    Infelizmente encontramos muita gente como esta, sem princípios e que se servem de tudo, e até da horizontalidade, para atingirem os seus fins. E hoje é recorrente. Não me admiro porque quanto maior é a pequenez da pessoa, maior é o julgar-se ser.

    Beijo

    Laura

    ResponderEliminar
  2. Teve sorte com o patrão, o Senhor Luís! Porque ele tantas diretoras-gerais e tantos diretores-gerais como a descrita!

    ResponderEliminar
  3. Teve sorte com o patrão o Senhor Luís! Teve sorte por o patrão não ser da índole da senhora diretora-geral...

    ResponderEliminar
  4. A imagem que escolheste ilustra na perfeição a mensagem que quiseste transmitir, Carlos.
    Penso que só boas maneiras não será suficiente - embora de extrema importância- no tratamento com os demais. O que falta a certas pessoas que ascendem a cargos de chefia, é o respeito por aqueles que ocupam postos subalternos, achando-se no direito de os humilhar.
    Isso tem a ver, no meu entender, com a mesquinhez e falta de carácter. Normalmente, no tratamento com outros,que ocupem cargos superiores, desfazem-se em salamaleques.
    Certamente que a arrogância nunca anda de mãos dadas com as boas maneiras.

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  5. Pessoas que não olham a meios para atingir os fins abundam por aí. Depois apanham-se no "poleiro" e toca a humilhar os subalternos. Perfeita a imagem escolhida.

    ResponderEliminar
  6. Ainda bem, a história teve final feliz. :)

    ResponderEliminar
  7. O que não faltam por aí são idiotas dessas! Vá que o patrão tinha sentido de humor... :)

    ResponderEliminar
  8. A arrogância demonstra a pequenez de quem a usa...

    Arrogância e boas maneiras são incompatíveis!

    Foto e texto em perfeita sintonia.

    beijos.

    ResponderEliminar
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  10. A prepotência e a má educação são atitudes que infelizmente andam de mãos dadas e grassarão sempre por todo o lado, mas, às vezes... vira-se o feitiço contra o feiticeiro.
    Abraço Amigo Carlos

    ResponderEliminar
  11. O normal seria o funcionário ser despedido...
    Mas felizmente, ainda há gente decente.

    ResponderEliminar
  12. Fico contente por verificar que o Carlos ainda se lembra bem de Macau :)))

    ResponderEliminar
  13. Carlos
    Uma estória muito mais comum do que parece.
    De facto há vária formas de conquistar um lugar ao "sol" e a incompetência torna-se em prepotência e depois...
    Abraço
    Rodrigo

    Grato pela sua assinatura.

    ResponderEliminar
  14. Atitudes muito frequentes em países “pequeninos”! : ) Com todo o respeito!

    ResponderEliminar
  15. Deliciosa esta estória, que se junta a várias outras ensinadoras, a quem não as tem, de boas maneiras...
    Vou colocar-te na vitrine de meu Blogue, Carlos...

    ResponderEliminar
  16. Assim mesmo deveria ser sempre, mas em condições normais o Chefe é outro igualzinho à Srª Drª Geral.
    Chefes, conheci-os sempre assim.

    Lamento deixar esta "mensagem" que explica minimamente a razão pela qual o faço e me ausento por algum tempo, que espero ser muito curto.
    Estou em preparação para uma intervenção simples aos meus olhos.
    Volto logo, verá.
    Beijinhos

    ResponderEliminar