terça-feira, 31 de julho de 2012

Matraquilhos


Grandes torneios ao sábado à tarde no Palácio de Cristal e mais tarde na Feira Popular em Lisboa em vésperas de exames.
Em miúdo também tinha um pequenito para ir treinando mas, apesar disso. nunca fui grande mestre nesta arte futeboleira...

From London with love (2)



Foi há 42 anos ( cumpridos no dia 27 de Julho).
Estava em Londres a estudar, as aulas tinham acabado e fui até ao bar da Universidade, para uma amena cavaqueira com uns colegas sul americanos, antes de mergulhar no estudo, para um exame no dia seguinte. Preparava-me para as despedidas quando entraram dois colegas - um marroquino e outro argelino- visivelmente satisfeitos. Dirigiram-se a mim e abraçaram-me efusivamente, enquanto repetiam: "Congratulations, congratulations!".
Disse-lhes que deviam estar enganados porque não fazia anos, mas eles riram-se e deram-me a notícia: "Salazar is dead, Portugal is free!"
Manifestei-lhes as minhas dúvidas quanto à hipótese de a morte de Salazar significar o regresso imediato da Liberdade a Portugal, mas a crença deles era enorme. Bebemos uma garrafa de champagne, brindamos, falamos muito sobre as ditaduras portuguesa e espanhola e praticamente já não estudei para o exame do dia seguinte. Vá lá, ainda consegui passar...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Figuras de praia: o banheiro




O banheiro foi, durante muito tempo, uma figura incontornável nas praias portuguesas. Competia-lhe explicar aos veraneantes "os segredos" do mar e da praia e, não raras vezes, era ele quem dava os  banhos - que consistiam em dar "mergulhos" de acordo com as instruções dadas pelas mães. Cinco mergulhos, por exemplo, equivalia a ser agarrado  na cabeça  pelo "banheiro" e ser mergulhado na água cinco vezes seguidas, vindo à tona só para respirar- e pouco....
Muitas crianças aprenderam a nadar com o "banheiro", figura que acumulava  funções com a de nadador-salvador e, às vezes, de montagem das barracas.
O "Banheiro" do meu tempo nada tinha a ver com a figura do nadador -salvador de hoje. Era um homem do mar, normalmente rude, em nada semelhante com as figuras das Marés Vivas que a imagem reproduz... mas como não tenho fotos dos "banheiros" do meu tempo, fica esta que é bem mais agradável... 
Eu, pelo menos, não me importava nada que ela me salvasse e fizesse respiração boca a boca!

domingo, 29 de julho de 2012

A obsolescência das almas




À medida que envelhecemos tornamo-nos mais tolerantes em relação a certas coisas. Passamos a gostar de sopa ( o Dr Emílio Peres, acérrimo defensor da sopa como dieta alimentar de excelência, disse- me um dia  no final de uma brilhante palestra em Évora, que quando as pessoas começam a  perceber que gostam de sopa estão a ficar velhas... Disse-o meio a brincar, meio a sério, mas nunca mais esqueci aquela frase, porque eu já tinha começado a gostar de sopa, embora ainda não tivesse chegado aos  50).
Damos menos importância ao vestuário, deixamos de nos empolgar com as novidades promovidas pela sociedade de consumo e até admitimos que a morte de José Hermano Saraiva foi uma grande perda para o país ( Um ponto a meu favor, porque a morte de um fascista que  chamou a Salazar ditador Santo, reprimiu os estudantes quando foi ministro da educação e se celebrizou a contar estórias sobre a História, tentando convencer-nos que eram grandes verdades, não me causou qualquer mossa).
Embora fiquemos mais intolerantes em relação aos políticose à política ( pelo menos eu...) tornamo-nos mais tolerantes com os malucos que andam pela estrada; com as diatribes das criancinhas; com a displicência de alguns jovens em relação à vida; com as mulheres que gostam de passar a tarde a fazer compras;com as reprimendas da mãe que pensa que ainda temos 18 anos.
O corpo, porém responde de modo  difrente. 
As viagens transatlânticas começam a ser mais penosas; se o pouparmos durante dois ou três dias a longas caminhadas de pelo menos 10 quilómetros, reage com lamúrias quando o cérebro o obriga a retomar os movimentos cadenciados da passada; ser sujeito a comida espanhola durante duas semanas é algo que não tolera de bom grado e, piegas,  começa a reclamar comida mais saudável e sem gorduras; deixa de apreciar a sesta e faz birras como se fosse um miúdo; deixa de estar tão disponível para longas tardes de sexo porque, coitado, ao fim de uma hora está cansado. 
A obsolescência do corpo é mais acelerada do que a obsolescência da  alma? A minha experiência responde afirmativamente. Começo a sentir que o meu corpo não responde com o mesmo vigor àquilo que a alma lhe pede e, às vezes,exige. E isso, acreditem, é uma grande chatice!

sábado, 28 de julho de 2012

Porque hoje é sábado

"Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, o pai admoestou-o. Roubo a caixa do sr. Esteves da mercearia, o aí pô-lo na rua.
Voltou 22 anos depois, com chófer fardado.Era director-geral da Polícia. O pai teve um enfarte"
( Mário Henrique Leiria- Contos do Gin Tónico)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

From London with love (1)


Decorrerá hoje a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. Para assinalar o evento criei uma nova rubrica no Crónicas do Rochedo que espero seja do vosso agrado. Por aqui - durante o período de duração dos Jogos- contarei algumas histórias mais ou menos picarescas que me ligam a Londres e ao período em que lá vivi.



Foi a primeira cidade estrangeira onde vivi, primeira escala na minha vida de andarilho. Dela guardo inúmeras recordações da minha juventude mas agora, quando lá vou, sinto que perdeu a magia da década de 70 e deixou de ser a cidade de referência para os jovens europeus. Apesar de ter funcionado na minha vida como uma espécie de talismã, também foi madrasta, estando associada à morte de alguém que me era muito querido.
Será por isso um episódio mais ou menos caricato que vou partilhar convosco.
Em Dezembro de 2002 fui lá fazer a passagem de ano. Tencionava passar a meia noite na rua, em Trafalgar Square, mas ao final da tarde do dia 31 começou a chover copiosamente. Um casal amigo convenceu-me a ir jantar à casa do FC do Porto em Londres. Apesar de ser fervorosamente Dragão, era o último sítio onde me apetecia passar a meia noite, por isso avisei logo que iria jantar, mas depois me pirava para um pub em Chelsea.
Lá fui. O jantar prolongou-se mais do que seria desejável, com mais bebida do que comida e quando dei por mim faltavam poucos minutos para a meia noite. Não querendo correr o risco de entrar em 2003 dentro de um táxi ou nos transportes públicos, bebi o tradicional champagne e comi as passas rodeado de fervorosos adeptos do FC do Porto. Pediram-me para fazer um brinde, na qualidade de adepto a viver em Portugal. Claro que brindei aos sucessos do nosso clube. Nessa altura, alguém propõe uma aposta: o FC do Porto venceria a Taça UEFA nesse ano. Mais eufórico e optimista do que me é habitual, subi a parada, apostando na vitória na Liga dos Campeões em 2004.
Ninguém aceitou a aposta, atendendo ao facto de eu estar um pouco toldado. Tive azar… não é que o FC do Porto ganhou mesmo a Taça UEFA e a Liga dos Campeões, coisa em que nem eu, em estado sóbrio, acreditava?

O Despertar

Olá amigas e amigos!
Estou de regresso. Hoje o despertar foi violento mas, exceptuando os lamentos da minha vesícula fustigada por alguns pecados gastronómicos, o corpo reagiu bem. A alma é que nem por isso...
Obrigado por terem continuado a passar por aqui. Durante o fds passarei pelas vossas "casas"a cumprimentar-vos, embora suspeite que muitos estejam de férias.
A partir da próxima semana voltarão as passeatas por aqui. E não só...
Até já!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Corridas de automóveis

Quem nunca ouviu falar na Scalextric, não sabe o que são corridas de automóveis, nem conhece a encenação que se fazia à volta das corridas, a preparação dos carros, os motores queimados... Que loucura!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Viagem à Papua


Cheguei a Angoram ( Papua Nova Guiné) depois de uma extenuante viagem de sete horas num jeep do tempo da guerra, debaixo de um calor de sufoco. O objectivo da minha viagem até esta  outrora próspera  cidade  fundada pelos alemães,mas onde os sintomas de decadência são bem visíveis,era chegar aos Black Lakes  e explorar o rio Sepik.
Hospedei-me em casa de uma família local , pois o único hotel que existia na localidade- quase em ruínas-  estava ocupado por funcionários menores  da empresa Adam &Smith que faz a prospecção de petróleo na zona.
Fui recebido com extrema simpatia pela dona da casa que procurou providenciar-me as comodidades possíveis mas, mesmo assim,  muito abaixo de um parque de campismo europeu de terceira categoria.
À noite, como não havia onde jantar, a senhora ofereceu-me frutas e saladas  variadas e convidou-me a partilhar  alguns momentos com os filhos na sala de jantar.
A conversa não foi fácil. Apesar da simpatia, pressenti sempre alguma desconfiança em relação à minha presença por aquelas paragens, onde os turistas eram raros e os estrangeiros da Adam & Smith não eram notoriamente bem vistos.
Desde que entrara na sala que um volumoso objecto, tapado por um pano, me despertara a atenção. Parecia-me um televisor, mas achava  estranho que ninguém o ligasse por isso, ao primeiro pretexto perguntei se tinham televisão em casa. O sorriso dos filhos ( jovens com 18 e 16 anos) foi imediato e a miúda prontamente levantou o pano e mostrou, orgulhosa, um  aparelho de televisão antiquado, fazendo questão de referir que era um aparelho a cores.

Perguntei, então, o que gostavam de ver na televisão.
Neste momento não vemos nada”- responderam-me com um sorriso desconsolado.  “A televisão ainda não chega a Angoram”.
Mas está então para breve...- arrisquei
Na verdade, não sabiam. Há dois anos que o governo andava a prometer criar condições para que Angoram pudesse receber as emissões de televisão, mas até à altura nada.  A televisão estava arrumada naquele canto da sala, porque o pai deles era deputado e , numa prova de que o governo estava disposto a levar a televisão até Angoram, comprara um televisor  em Port Moresby durante a última campanha eleitoral para que as pessoas acreditassem que a  televisão estava mesmo prestes a chegar.
Mais tarde, já na cama, enquanto lutava  contra o calor que não me deixava adormecer,  pus-me a pensar  que já tinham passado dois anos desde as eleições. Ou o governo se apressava a levar  a televisão até Angoram, ou o senhor Buku deixaria de ser o deputado eleito pelo povo de Angoram, para o representar no parlamento  em Port Moresby.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Figuras da praia

O "Homem dos Barquilhos" era sempre recebido com uma grande saudação. Eu era azarado, por isso o meu irmão- bastante sortudo- era por vezes "obrigado" a partilhar comigo a sua sorte.

domingo, 22 de julho de 2012

Life goes on...


Ele ainda não tinha 30 anos quando entrou para a empresa. Trabalhava a recibo verde, como a maioria dos jovens da geração global. Ao fim de seis meses, o seu chefe reformou-se e foi substituído por uma senhora. Já tinha ultrapassado há muito os 40, mas mantinha-se vistosa, provocando torcicolos aos homens com quem se cruzava nos corredores.
Ele, com casamento aprazado para o final daquele ano, também não resistia a um olhar furtivo, que a sua condição de subordinado impunha. Quando ela o chamava ao gabinete para discutir qualquer assunto de trabalho, a sua pele clara não conseguia disfarçar o rubor da face, animada pela visão daquele corpo bem torneado, aprisionado num vestido justo que deixava a descoberto um belíssimo par de pernas.
Numa solarenga manhã de Março ela chamou-o ao gabinete. A discussão em torno de uma questão contabilística foi-se arrastando até ao princípio da tarde. Ela olhou para o relógio e propôs que continuassem a discussão ao almoço num restaurante próximo. Embaraçado, disse que combinara almoçar com a namorada, mas se fosse necessário desmarcava o almoço. Ela concordou que seria a melhor soluç
Durante o almoço não falaram de trabalho. Ela inundou-o de perguntas sobre a sua relação com a namorada, advertiu-o para o facto de ainda ser muito jovem para se comprometer e lembrou-lhe que, trabalhando a recibo verde, não tinha uma situação estável. Talvez devesse pensar melhor, sugeriu.
 Não consigo esperar mais”- respondeu ele. “Namoramos há tempo demais, precisamos de nos casar e fazer a nossa vida. Queremos ter filhos…”
“Má ideia”- respondeu ela com um sorriso enigmático. “Vivam primeiro um tempo juntos e quando você tiver uma vida mais estável pensem nisso”.
“Isso está fora de hipótese. A família dela nunca lhe perdoaria se ela saísse de casa para ir viver comigo.”
A conversa ficou por ali. Ela pagou o almoço com o cartão da empresa e regressaram ao trabalho para terminar a discussão interrompida ao final da manhã.
No dia seguinte ele pressentiu-a mal humorada e algo distante mas, dois dias depois, tudo voltara à normalidade. Na semana seguinte recusou polidamente o convite para almoçar, alegando ter de levar o pai a uma consulta. Nos dois meses que se seguiram teve que recorrer à imaginação para se furtar a novos convites. Entretanto, conseguiu apurar que ela era casada e tinha dois filhos, um dos quais quase da sua idade. A notícia deixou-o mais descansado. As investidas teriam tendência a diminuir.
Na véspera de partir para uma semana de férias estava em casa a ultimar os preparativos, quando o telefone tocou. Era ela. Estava ainda a trabalhar na empresa e tinham-lhe surgido umas dúvidas sobre uns papéis. Reclamava a sua presença. Contrariado, ele foi. Ela recebeu-o com um copo de whisky na mão e ele percebeu, na sua voz arrastada, sinais de embriaguez. 
Então que se passa, doutora?”
Sem dizer uma palavra, ela pousou o copo em cima da secretária, lançou-lhe os braços em volta do pescoço e beijou-o de forma arrebatada. Ele não ofereceu resistência. Sentia-se inebriado pelo perfume que exalava do corpo dela. Começou a despi-la. Primeiro lentamente, mas à medida que o vestido lhe descobria o corpo ,deixando entrever um seio nu, acelerou a tarefa ao ritmo do batimento cardíaco.
Olhou para ela, completamente nua, deitada no sofá do gabinete onde costumavam trabalhar, e pensou por um momento como tinha sido parvo em resistir-lhe. Afinal ela era casada, nunca lhe iria causar problemas. Quando finalmente a tomou nos braços e começou a beijar-lhe o bico dos seios, não reparou que ela mordia os lábios de onde se escapava um breve sorriso de vitória. Eram três da manhã quando ela o convenceu a ir para casa. Despediram-se num beijo prolongado. Ele saiu primeiro. Meteu-se no carro e acelerou em direcção a casa.
Custou-lhe a adormecer. Aquele corpo magnífico não lhe saía da cabeça. No dia seguinte, no aeroporto, lê na manchete de um jornal :
“Aumenta o número de mulheres vítimas de assédio sexual.”
Sorriu e dirigiu-se para o balcão do "check-in".

sábado, 21 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Laboratório de Fângios

Uma tábua ( das caixas de sabão), quatro rolamentos e uma corda. Era o suficiente para me sentir um verdadeiro Fângio! 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tinto de Verano



Tenho passado por aqui para ler os comentários daqueles que por aqui vão passando e deixam a sua marca.  Hoje, envio-vos esta foto tirada ao final da tarde de terça-feira no Bairro Gótico, em Barcelona, enquanto esperava que me trouxessem um "Tinto de Verano", para celebrar o meu último dia de férias.
Regresso dentro de dias, mas até lá ainda vou percorrer mais de dois mil quilómetros, porque o trabalho assim o exige. Mas não é trabalho pesado, bem pelo contrário...como vos contarei após o meu regresso.
Até lá, "Tchim tchim"

Carrinhos a pedais

Ainda haverá exemplares destes à venda? 

terça-feira, 17 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hulla-Hoop


Foi uma verdadeira coqueluche nos anos 20 e 30, mas aposto que muitos de vós dançaram ( ou pelo menos tentaram...) o Hulla-Hoop. Aliás, foi pretexto para uma canção de relativo sucesso dos anos 60.Lembram-se?

domingo, 15 de julho de 2012

(In)felicidades


As duas senhoras sentaram-se no restaurante numa mesa paredes meias com a minha.
Uma delas pediu jaquinzinhos. O empregado disse que já tinham acabado e ela optou então pelas petingas.
Na altura da sobremesa, pediu uma maçã assada.
-Já acabou- respondeu o empregado
-Então traga-me uma tarte de amêndoa
Passados alguns minutos o empregado regressou para informar que a tarte de amêndoa também já acabara.
Entre consternada e resignada, a senhora exclamou:
- Se eu tivesse tido essa pontaria a escolher marido, tinha sido mais feliz.
Pim!

sábado, 14 de julho de 2012

Porque hoje é sábado

"D. Juan está realmente morto. Uma nova figura se ergue agora: Narciso, subjugado por si próprio na cápsula de vidro"
(Gilles Lipovetsky)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

(DES)encontros


Cumpro o ritual de tirar a última fotografia na Plaza de Mayo. Máquina aperrada e pronta a disparar, no último instante procuro um ângulo diferente e dou dois passos atrás. Embato num corpo e volto-me. Peço desculpa, recebo uma gargalhada de troco.Percebo que foi embate mútuo, porque ela também vinha a recuar, na procura de um melhor ângulo.
"Os turistas são um perigo!" arrisco.
Ri-se. Apresenta-se, Mari Carmen. É argentina, de Rosário, vive em Espanha desde 91, está pela primeira vez em Buenos Aires. Melhor ainda, chegou apenas na véspera.
Conto-lhe a minha relação com a Argentina, ela vai-me perguntando coisas sobre Buenos Aires. Olho para o relógio,explico que estou de partida, " Que lástima!"
Espera ai... onde vives em Espanha?
Perto de Huelva. Tenho um pequeno restaurante com os meus pais. Estende-me um cartão.
E tu onde vives? Em Lisboa, é perto... podes ir visitar-me... quando voltas? final do mês.
Nessa altura estarei longe. Que tal final de Junho? Combinado, telefona antes para te fazermos uma paella... combinadíssimo, que desfrutes... espero que sim, é a viagem da minha vida ( descubro-lhe um olhar molhado, adeus)...adeus, és simpático, até pareces argentino.
Quase corro até ao hotel que fica a escassas centenas de metros. Quando lá chego, avisto o carro de Laura a aproximar-se. Traz a minha afilhada. Hesito. Vou ficar mais uma semana, pelo menos?Não, desta vez não pode ser. Esta manhã o Pepe não se esqueceu da frase talismã (aqui.) Vou voltar.
Entro no carro reconfortado com a ideia. A Mercedes pergunta "porque te vás?"
"Que soy así, un poco loco!"- respondo-lhe, fingindo boa disposição. A Laura deixa escapar um sorriso forçado e diz: "quando voltares vou estar mais gorda".
O nó já se me atravessou na garganta e não respondo.
"Hasta la vista, mi Bunos Aires querida!"

O pião



Não tive tempo para vos deixar aqui a história de todos os brinquedos, brincadeiras e leituras desta galeria. Por isso, com o meu pedido de desculpas,a partir de hoje passo apenas a exibir as imagens. Deixo as palavras para vocês, na caixa de comentários. Se assim o entenderem, obviamente...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lego


O Meccano foi  o jogo de construções dos meus irmãos mais velhos. A minha geração foi a do Lego. Era um brinquedo caro e, não sendo eu nada habilidoso na matéria, foi com o Meccano que percebi que o meu futuro nunca seria a engenharia ou a arquitectura. Até porque essas profissões já estavam escolhidas pelos meus irmãos e eu não ia concorrer com eles, não é verdade?

terça-feira, 10 de julho de 2012

Os dias da Rádio

Não se trata propriamente de um brinquedo mas este aparelho, ou um muito similar, faziam parte da mobília   de casa e proporcionavam-nos momentos inesquecíveis. Quem não se lembra dos programas de discos pedidos e do célebre " Posso dizer a frase?" Ou, mais a sério, do "Em Órbita", 24ª Hora"  e "Oceano Pacífico"?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Brinquedos de praia

Todos os meninos gostavam de ter uma bola, mas a bola de praia era mais democrática e com ela brincavam meninos e meninas.

domingo, 8 de julho de 2012

Quando sali de Cuba




- Foste passar férias a Cuba? Que horror, querida!
- Eu até gostei...
- Bem, estive cinco dias em Varadero e a praia é óptima e os hotéis não ficam nada a dever aos do Algarve, mas ouvi dizer que há outra praia ainda melhor...
- Sim, Cayo Coco!
- Foi em "Cai o Coco" que estiveste? É giro?
- Só lá estive um dia, para ver como era. Estive a passear pela ilha durante uma semana e fiquei três dias em Havana.
- Ai, filha, aquilo é um horror! Estive lá um dia e detestei. Que pobreza! Tudo degradado! E as pessoas? Coitadas, vivem miseravelmente! Nem sequer sabem o que é um hamburguer ... E nem imaginas como olhavam para o meu telemóvel quando eu estava a tirar fotografias!
- É... mas têm um bom sistema de saúde e bom ensino, tudo gratuito...
- Coitados, não têm dinheiro para comprar nada. Aliás... eles não têm é nada. Deixei-lhes as minhas roupas todas, coitados. Se aquilo é assim na capital, imagina como será o resto. O Fidel é um bruto, já devia estar morto. As pessoas nem sequer podem falar, com medo de serem presas.
- Eu falei com muita gente. Algumas discordam de Fidel, criticam-no e querem vê-lo morto, como tu, mas encontrei muita gente que está satisfeita e quase venera o Fidel. Aliás, agora quem está a governar não é o Fidel, é o irmão Raul..
- Ó filha... tu acreditas nisso? Eles dizem bem porque têm medo de ser presos e torturados se forem apanhados a criticar o Fidel!
- Quando andei a passear pela ilha não me apercebi que isso fosse bem assim..
- Ilha? De que ilha é que estás a falar?
- De Cuba, evidentemente...
- Aquilo é uma ilha? Não sabia... Lá em Varadero a gente nem se apercebe disso!

sábado, 7 de julho de 2012

Porque hoje é sábado

"A verdadeira divindade do homem branco é o metal redondo e o papel forte a que chama dinheiro"
(Discursos de Tuiavii, chefe de tribo da Samoa in "O Papalagui")

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O mundo das bonecas

 Enquanto os rapazes se deixavam deslumbrar pelos carrinhos em miniatura...




as raparigas conheciam a Barbie que se transformou na boneca dos sonhos de todas as meninas.  Em 50 anos evoluiu da forma que a gravura mostra. Foi um dos maiores negócios de sempre no mundo dos brinquedos mas...


Mais tarde chegou a Cindy, criando-se uma rivalidade entre as duas, muito semelhante às da vida real. Como a Valérie e Ségolène, por exemplo...
Sobre a rivalidade entre a Barbie e a Cindy, podem ler o que escrevi aqui

quinta-feira, 5 de julho de 2012

If you were a sailboat


“(...)Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true(…)”
(Katie Melua)



Mesmo não tendo de pagar a viagem- graças às milhas acumuladas na TAP – e ficando a dormir num barco em Riddar Holmen, perto do palácio real- uma ida à Suécia nunca é barata porque tudo, a começar pelo preço das refeições, é muito elevado (já não estou naquela idade de andar pelos Mc Donalds) e é preciso pensar duas vezes antes de nos sentarmos numa esplanada para tomar qualquer coisa e desfrutar da paisagem.
No primeiro dia, quando se aproximava a hora do jantar, decidi esquadrinhar as ruas, praças e vielas de Gamla Stan- a cidade velha- em busca de um restaurante barato. Quando lá estive, era a zona mais barata da cidade, mas o turismo fez disparar os preços e hoje os preços aí praticados são tão caros como os da maioria dos restantes locais da cidade. Verifiquei listas- iniciando a leitura sempre pela coluna da direita- e comecei a deitar contas à vida.
Percorria a Västerlangattan- rua principal da cidade velha- quando,junto a um pub irlandês, o meu olhar encontrou um pequeno restaurante, com uma esplanada de apenas três ou quatro mesas. Fui ver a lista e a coluna da direita agradou-me. Passei à coluna da esquerda e as minhas papilas salivares rebentaram em estrépito clamando, libidinosas, pela oferta daquela iguaria: um bife de chorizo ( de carne genuinamente argentina) por 140 coroas ( cerca de 14 €) pareceu-me dádiva irrecusável.
 Claro que imediatamente me imaginei, desiludido, a olhar para um prato enorme, onde repousaria um bife de 50 gramas emoldurado em duas rodelas de tomate mas, resoluto, decidi entrar. A partir daí, foi um acumular de surpresas. 
O restaurante estava cheio, havia apenas uma mesa junto à janela para duas pessoas. A um metro de distância, um velhote tocava tangos no seu bandoléon. O meu olhar deve ter denunciado a minha surpresa e alegria, porque o homem começou a tocar com mais entusiasmo.
O homem que me levara à mesa perguntou se queria a lista em inglês, sueco ou espanhol. Resoluto respondi: espanhol.
Foi então que me começou a falar num castelhano com iniludível sotaque argentino. Arrebitei a orelha e perguntei-lhe se era argentino. Confirmou e perguntou-me a minha nacionalidade. Quando lhe disse que era português, mas tinha vivido na Argentina e pensava para lá voltar, percebi os seus olhos humedecerem-se. Engoliu em seco e perguntou-me se estava com pressa. Disse-lhe que não e então propôs-me continuar a conversa depois do jantar, ao que acedi de imediato. 
Olhou-me de soslaio quando optei pelo acompanhamento de vegetais grelhados (coisa que um porteño nunca faria) e optei por vinho chileno.
O bife de dimensão avultada , acompanhado de uma generosa variedade de legumes grelhados, chegou perante o aplauso frenético das minhas papilas que, no entanto, torceram o nariz quando degustaram o vinho. Ingratas! De sobremesa um “dulce de leche” ( oferta da casa) e a rematar um “expresso” de boa qualidade. Enquanto comia, confirmei que os restantes comensais que haviam optado pelo bife de chorizo eram servidos de forma igualmente substancial, pelo que percebi não estar a ser alvo de tratamento especial.


Foi já ao balcão, tendo como testemunha um “Bushmills,” que fiquei a saber a razão de um argentino se instalar em Estocolmo: 1,80m de belezafeminina pura! Mas caramba, com tanta beleza espalhada pelas ruas de Buenos Aires, como é que este homem “licenciado” em tardes “tangueras” da “Confiteria Ideal”, com casa na Av. Santa Fé, a escassos 10 minutos do emblemático  Café Tortoni, "bon vivant” e boémio, se deixa embeiçar por uma sueca, ao ponto de trocar as cálidas noites “porteñas” pelo frio glaciar de Estocolmo?
A história, narrada pelo próprio, conta que deixou a Argentina para viajar pelo mundo. Percorreu os Estados Unidos de lés –a lés- durante dois anos, passou pelo Japão, Tailândia, Índia,Singapura e arribou à Europa. Pela Europa vagueou durante oito anos, até que um dia chegou a Estocolmo e se deixou perder de amores por Selma, trinta anos mais nova do que ele. Pensou ficar apenas um ou dois anos, mas foi-se acostumando e já está na Suécia há 15. Ou seja, ancorou aos 50, uma boa idade para ganhar juízo. Ou talvez não, quando nessa idade juntamos a nossa vida a uma mulher de 20…
Conheces Espanha? - perguntei
Não. Talvez um dia…
Quando saíste da Argentina?
 Em 1980, ou81 já nem lembro bem
Faço contas. Não quero fazer perguntas incómodas. Se calhar prefiro não saber de que lado estava este homem, que tão bem me acolheu no seu restaurante, durante a ditadura. Fico suspenso da resposta. Olho para o restaurante. Já só há uma mesa ocupada. O relógio marca as 11. Despeço-me, com a promessa de voltar.
“Amanhã estamos fechados”- diz Selma com um sorriso.
Saio para a rua. Ainda está dia claro. Caminho em direcção ao barco. Volto a fazer contas.
 Saiu da Argentina com 37 anos, quando a ditadura estava próxima do extertor. Pode ser um escroque, mas também pode ser uma vítima. Será que vou voltar lá para tentar saber? Dois dias depois, decidi que não voltaria. Prefiro ficar na dúvida. Na terrível e eterna dúvida. Parece-me ter percebido que ele preferia assim.

Carrinhos em competição

Após a segunda guerra mundial, aconteceu a explosão da sociedade de consumo e o brinquedo não escapou à voracidade da escolha múltipla.
Os meus primeiros carrinhos eram minúsculos canhestros de plástico mas, obviamente, também fui seduzido pelos carrinhos da época. A Dinky Toys
 Disputava o mercado com a Corgy Toys


 Mas a minha grande sedução era a francesa NOREV.
Por culpa da minha madrinha que, numa viagem a Paris, me trouxe um camião destes carregado de miniaturas.
Desde criança que estava "marcado" para ser um irredutível francófono, lutando contra a hegemonia das marcas anglo-saxónicas.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Io-io

Nos anos 20 era de madeira, depois passou a plástico e, actualmente, apresenta-se em formato psicadélico, com luzes no interior. O io-io é um brinquedo incontornável mas... os vossos filhos brincaram alguma vez com um desses objectos?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Leituras em BD

Creio ser abusivo afirmar que os jovens do meu tempo liam mais do que os de hoje. No entanto, não poderia deixar de incluir nesta rubrica algumas bandas desenhadas  que marcaram a minha geração. Compravam-se em fascículos semanais e era sempre uma excitação o dia da sua chegada .







Depois chegariam o Astérix, o Garfield,  e muitos outros.
Quais foram as leituras de BD que mais vos marcaram?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Brincadeiras de praia

Como hoje é segunda -feira, a rubrica é dedicada a brincadeiras de praia.
Nem desconfio quem terá sido o autor da ideia de pegar num prego e transformar aquilo num jogo ( Se algum dos leitores puder dar um contributo, agradeço...) com posições como palmas, costas, campainhas, flechas e outras que também já não recordo.
O jogo do prego era muito popular, especialmente entre as meninas e lembro-me de algumas que eram verdadeiras artistas na arte de o  manejar.


Eu preferia - como quase todos os rapazes-  manejar as sameirtas e prepará-las para disputadas corridas em pistas construídas na areia ( ou na rua....)



domingo, 1 de julho de 2012

Para grandes males...



Ele queria abrir uma janela no saguão da casa. Tinha que pedir autorização à Câmara? Então o mais provável é que a resposta fosse negativa ou nunca chegasse.
Decidiu avançar com a obra. Janela aberta, escreveu para a Câmara:
"Venho requerer a V.Exª autorização para encerrar uma janela no saguão de minha casa, sita na …. por ter necessidade de utilizar aquele espaço como arrecadação...(blá, blá,blá...)"
A resposta da Câmara veio dois meses mais tarde: Indeferido, por razões estéticas e ambientais.
Ele sorriu e subiu ao saguão. Sentou-se à janela a desfrutar a vista sobre o rio.