domingo, 22 de julho de 2012

Life goes on...


Ele ainda não tinha 30 anos quando entrou para a empresa. Trabalhava a recibo verde, como a maioria dos jovens da geração global. Ao fim de seis meses, o seu chefe reformou-se e foi substituído por uma senhora. Já tinha ultrapassado há muito os 40, mas mantinha-se vistosa, provocando torcicolos aos homens com quem se cruzava nos corredores.
Ele, com casamento aprazado para o final daquele ano, também não resistia a um olhar furtivo, que a sua condição de subordinado impunha. Quando ela o chamava ao gabinete para discutir qualquer assunto de trabalho, a sua pele clara não conseguia disfarçar o rubor da face, animada pela visão daquele corpo bem torneado, aprisionado num vestido justo que deixava a descoberto um belíssimo par de pernas.
Numa solarenga manhã de Março ela chamou-o ao gabinete. A discussão em torno de uma questão contabilística foi-se arrastando até ao princípio da tarde. Ela olhou para o relógio e propôs que continuassem a discussão ao almoço num restaurante próximo. Embaraçado, disse que combinara almoçar com a namorada, mas se fosse necessário desmarcava o almoço. Ela concordou que seria a melhor soluç
Durante o almoço não falaram de trabalho. Ela inundou-o de perguntas sobre a sua relação com a namorada, advertiu-o para o facto de ainda ser muito jovem para se comprometer e lembrou-lhe que, trabalhando a recibo verde, não tinha uma situação estável. Talvez devesse pensar melhor, sugeriu.
 Não consigo esperar mais”- respondeu ele. “Namoramos há tempo demais, precisamos de nos casar e fazer a nossa vida. Queremos ter filhos…”
“Má ideia”- respondeu ela com um sorriso enigmático. “Vivam primeiro um tempo juntos e quando você tiver uma vida mais estável pensem nisso”.
“Isso está fora de hipótese. A família dela nunca lhe perdoaria se ela saísse de casa para ir viver comigo.”
A conversa ficou por ali. Ela pagou o almoço com o cartão da empresa e regressaram ao trabalho para terminar a discussão interrompida ao final da manhã.
No dia seguinte ele pressentiu-a mal humorada e algo distante mas, dois dias depois, tudo voltara à normalidade. Na semana seguinte recusou polidamente o convite para almoçar, alegando ter de levar o pai a uma consulta. Nos dois meses que se seguiram teve que recorrer à imaginação para se furtar a novos convites. Entretanto, conseguiu apurar que ela era casada e tinha dois filhos, um dos quais quase da sua idade. A notícia deixou-o mais descansado. As investidas teriam tendência a diminuir.
Na véspera de partir para uma semana de férias estava em casa a ultimar os preparativos, quando o telefone tocou. Era ela. Estava ainda a trabalhar na empresa e tinham-lhe surgido umas dúvidas sobre uns papéis. Reclamava a sua presença. Contrariado, ele foi. Ela recebeu-o com um copo de whisky na mão e ele percebeu, na sua voz arrastada, sinais de embriaguez. 
Então que se passa, doutora?”
Sem dizer uma palavra, ela pousou o copo em cima da secretária, lançou-lhe os braços em volta do pescoço e beijou-o de forma arrebatada. Ele não ofereceu resistência. Sentia-se inebriado pelo perfume que exalava do corpo dela. Começou a despi-la. Primeiro lentamente, mas à medida que o vestido lhe descobria o corpo ,deixando entrever um seio nu, acelerou a tarefa ao ritmo do batimento cardíaco.
Olhou para ela, completamente nua, deitada no sofá do gabinete onde costumavam trabalhar, e pensou por um momento como tinha sido parvo em resistir-lhe. Afinal ela era casada, nunca lhe iria causar problemas. Quando finalmente a tomou nos braços e começou a beijar-lhe o bico dos seios, não reparou que ela mordia os lábios de onde se escapava um breve sorriso de vitória. Eram três da manhã quando ela o convenceu a ir para casa. Despediram-se num beijo prolongado. Ele saiu primeiro. Meteu-se no carro e acelerou em direcção a casa.
Custou-lhe a adormecer. Aquele corpo magnífico não lhe saía da cabeça. No dia seguinte, no aeroporto, lê na manchete de um jornal :
“Aumenta o número de mulheres vítimas de assédio sexual.”
Sorriu e dirigiu-se para o balcão do "check-in".

5 comentários:

  1. Já vi o filme há uns anos e sinceramente não lhe achei grande piada!
    O Michael Douglas é que ainda tinha algum sexapeal. Quanto à Demi Moore c´um caraças a mulher era uma devoradora de subalternos...
    Pois, pois, chama-lhe assédio sexual...tadinha dela!

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  2. Esta história é diferente da do filme. Já conheço a do filme, sei como acabou. Como é que acaba esta?

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  3. Eu é que nunca fui assediado...!!
    Ora bolas!!

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  4. Ai essas «quarentonas»... atrevidonas e ... boas como o milho, não é?!...

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