sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Praças da minha vida (12) - The end


Não é uma praça fascinante, mas escolhi-a porque, quando fui viver para Londres, morava lá perto ( na Queensway) e muitas vezes me sentei naquela relva  em amena cavaqueira, ou simplesmente a ler um livro e a comer um cachorro ou um hamburger. 
Ao contrário da maioria das praças, não nasceu com essa condição. Numa praça se transformou ao longo do tempo.
Com Cleveland Square encerro a minha parte desta rubrica, tendo a certeza de que muitas outras praças que fizeram parte do meu percurso de vida, também aqui deviam estar.
A partir de segunda-feira, dia 3, começarão aqui a aparecer, de 2ª a 5ª feira às 9 horas da manhã, as fotografias das praças enviadas pelos leitores. Eu, que já as vi, ( não todas, porque sei que até dia 2 ainda vão chegar mais algumas...) posso garantir-vos que vale a pena passarem por cá diariamente. 
Agradeço, desde já,  a todos os leitores que aceitaram o desafio. 
Mais lá para diante revelarei uma alínea que não estava no regulamento, mas que decidi criar tendo recebido, para o efeito, a anuência do conselho de administração do crónicasontherocks. 
Até logo...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Moisés estava pedrado?



“Moisés estava pedrado”
Era este o título de uma notícia que, em 2008, me deixou embasbacado e obrigou a escrever um post no CR. Recupero-o, por causa desta notícia que li ontem no Expresso on line.
 Um estudo divulgado em Israel, concluiu que os Dez Mandamentos não foram fruto da inspiração divina, mas sim do efeito de drogas. De acordo com o investigador israelita, Moisés teria ingerido alucinogéneos extraídos da casca de uma acácia, quando gravou os Mandamentos numa pedra do Monte Sinai.
Ao que parece, os líderes religiosos israelitas estão indignados, o que me aprece normal.
Já  o presidente israelita deverá estar de consciência tranquila. Provando-se que o 6º Mandamento (“ Não Matarás”) não resultou da inspiração divina, mas sim de uma “pedrada” de Moisés, sentir-se-á mais legitimado para continuar a chacina dos Palestinianos e confiante para se apresentar diante de Deus no dia do Juízo Final.
Poderá sempre alegar, em sua defesa, que acreditou no investigador e considerou as ordens para “não matar”, ou “não cobiçar as coisas alheias”, ideias malucas de um toxicodependente.  
Que Deus me perdoe!

Praças da minha vida (11)


No início dos anos 80, a Place du Tertre ainda era relativamente calma. Por ali paravam alguns músicos e pintores, mas era possível tomar calmamente uma bebida numa esplanada, depois da visita ao Sacré Coeur e de uma foto tirada nas escadarias, tendo Montmartre como pano de fundo.
Hoje, torna-se mais difícil encontrar um lugar numa esplanada, onde possamos relaxar enquanto apreciamos os edifícios que a envolvem. Conseguir um bom  ângulo para tirar uma fotografia que realce a sua beleza, é tarefa ciclópica. Mas ir até à Place du Tertre ao final da manhã, ou ao cair da noite, continua a ser obrigatório em cada ida a Paris.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Não há coincidências? Ai não, que não há...



A putativa escritora Margarida Rebelo Pinto (digo putativa porque para mim continua a não ser um dado adquirido que uma pessoa possa ser considerada escritora só porque publica livros) está esta semana no centro das atenções da blogosfera e das redes sociais.
Em causa uma crónica em que ela denigre as mulheres “gordinhas”, com aquela “finura” de escrita que toda a gente lhe conhece: suficiente para um blog, sofrível para cronista, medíocre para escritora.
Ora acontece que a crónica que tanta polémica levantou ao longo da semana foi publicada em 2010! Interrogo-me, por isso, qual a razão de ter agora vindo à liça e gerado tantas reacções inflamadas nas redes sociais, na blogosfera e até na imprensa.
Penso que o ressurgimento desta crónica foi uma bem engendrada operação de marketing, com efeitos mediáticos muito semelhantes aos provocados por e-mails falsos que inundam as nossas caixas de correio. Era preciso dar-lhe visibilidade e, como um novo livro talvez já não seja suficiente, repescou-se uma crónica ao estilo Saraiva, para que dela se falasse.
Margarida Rebelo Pinto provoca-me as mesmas reações eróticas  dos seus livros  no Continente: nem com laçarote a servir de brinde a alguns produtos me seduz. No entanto, aqui estou a escrever sobre ela. O que  significa que foi uma boa operação de marketing. E isso é que me encanita!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Férias na Jamaica



- Então que tal as tuas férias na Jamaica?
- Ai, querida, foram óptimas! Uma semana fantástica, longe daqui, desta pasmaceira
- Não apanhaste o tufão?
- Oh querida, ali não há tufões! Só furacões como nos Estados Unidos!
- Está bem, mas não estavas na Jamaica quando passou lá um furacão?
- Estava, estava. O Dean por acaso foi um bocado chato...
- ?....
- Imagina tu que no dia a seguir a lá chegarmos estávamos cansados da viagem e só estivemos para aí meia hora na piscina. Depois, no dia seguinte, estava um dia óptimo e tomámos uns banhos que nem imaginas (ai aquelas águas!) que maravilha. E à noite o “reggae”? Oh querida só visto! Aquilo é Bob Marleys por toda a parte...
- Não estás muito queimada, acho que andaste mais nas noites do “reggae” do que a gozar a praia.
- Pois...logo no terceiro dia disseram-nos que vinha um furacão e já nem pudemos ir à praia porque nos avisaram que a qualquer momento nos iam transportar para um hotel mais seguro. Só deu mesmo para comprar umas bugigangas numas tendinhas ao pé do hotel, porque à tarde levaram-nos para outro. Fantástico, minha querida, nem te passa pela cabeça aquela loucura. Só piscinas eram quatro e restaurantes contei pelo menos sete.
- Bem, pelo menos gozaste as piscinas, deixa lá...
- Não... não pudemos ir à piscina por causa do tempo. Estivemos dois dias quase sem sair do quarto e no dia em que o Dean passou por lá só comemos umas rações que os hotéis lá já estão habituados a preparar para os turistas em dias assim. No dia seguinte voltámos de manhã para o nosso hotel, mas o tempo ainda estava muito mau e o hotel tinha ficado muito afectado. E ao fim da tarde do outro dia viemos embora. Olha lá e tu onde passaste as férias ?
- Bem, eu não saí de Lisboa. Fui um dia ou outro com os miúdos até à praia, mas esteve sempre bastante vento...
- Ó querida, coitada! Ficar em Lisboa de férias com este tempo horrível que tem estado! Não consegues convencer o teu marido a oferecer-te umas férias decentes?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Praças da minha vida (10)

Barcelona tem Jardins e Parques  maravilhosos ( o Guell é talvez o mais fascinante) e também algumas belas praças. Optei pela Praça da Catalunya - renovada em 2008-  porque provavelmente muitos leitores não a conhecerão nesta nova versão.
Optei por esta foto por dar uma visão panorâmica, mas o que torna a praça mais atractiva são os pormenores. Desde os edifícios que a rodeiam às esculturas - embora não tão majestáticas e belas como as da Cibelles em Madrid.
Aviso: o prazo de envio das fotografias para o passatempo expira às 0h01m do dia 2 de setembro. As fotos começarão a ser divulgadas aqui no dia 3.

domingo, 26 de agosto de 2012

Cenários de café


Ontem fui àquele cafezinho de S.João do Estoril onde passámos tantas horas falando de Borges, das ruas de Palermo que calcorreámos juntos, daquela bodega de La Boca onde "turista não entra", ou das novidades literárias que sempre encontrávamos na Corrientes.
Já lá não entrava há anos. A última vez foi num dia 9 de Março - dia do teu aniversário. Encontrei-o irreconhecível. Perdeu o ar de café de bairro de província. Aburguesou-se. Tornou-se igual a tantos outros, cheio de madeiras cheirando a plástico, balcões assépticos, onde estacionam doces e salgados numa orgia gastronómica série B.
Na esplanada, já não corre o vento que punha em alvoroço os teus longos cabelos negros e atiçava as minhas alergias primaveris, porque uns tabiques envidraçados protegem agora aquela esquina.
Também já não há jovens. Apenas algumas velhotas bebericando chá e lamentando a carestia da vida, quarentões adiando a hora de regresso a casa a pretexto de coisa nenhuma, um casal  fazendo contas à vida, uma mulher solitária de idade indefinida e olhar vazio consultando o relógio a cada dois minutos ( desesperando por um encontro adiado?), o empregado a ler “A Bola”,  um bêbado emborcando cervejas pelo gargalo da garrafa e eu, que ali fui não sei porquê, nem para quê.
Os jornais estão em cima da mesa, porque não tenho vontade de os ler. Veio-me à memória uma tarde em Península Valdez ( bem mais ventosa do que a de hoje aqui) onde não apreciávamos a cor do mar, nem esperávamos avistar uma baleia, porque só tínhamos olhos e palavras para os corpos lançados de helicópteros, que os tarados ditadores do teu país mandavam lançar ao mar, como punição por não se conformarem com o regime brutal que vos oprimia. 
Voltei para casa. À noite, fiz um brinde em tua memória. Lá no sítio onde estiveres, um anjo te terá ido dizer que não me esqueci que dia é hoje.
Passei a noite a olhar o céu, à espera que me viesses saudar. Vi-te – já madrugada alta-  na forma de uma estrela cadente.  Pedias desculpa por teres partido tão jovem, deixando um vazio imenso na minha vida. Um dia destes vou ter contigo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Porque hoje é sábado

Só quem tem rotinas é que anda apressado.Será para fugir delas?
 Pensamento profundo este, que tive pela manhã, não vos parece?
Hoje deu-me para isto... devo estar  melhor da crise de parvoíce que me afectou nos últimos dias.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tá bem, abelha...mas eu sou um grande nabo!



Não sou eu, nem esta é a minha casa. Roubei a foto na Internet. Se o dono a reclamar, devolvo.

Há tempos, passeando pela blogosfera, aportei a um post onde  a autora afirmava que entre as várias tarefas domésticas, a que fazia com menos custo era passar a ferro. Justificava essa opção dizendo ( por outras palavras) que durante esse tempo conversava com ela própria, encontrava soluções para problemas intrincados e punha a criatividade à solta.
Embrenhado em trabalhos complexos, com prazos de entrega, sem grande espaço para desenvolver a criatividade para além do enquadramento dos trabalhos que me pediram ( dois deles, ironicamente, sobre criatividade...) decidi passar a ferro algumas peças de roupa que as férias da empregada deixaram para altura mais oportuna ( a do seu regresso).
O resultado foi catastrófico. Em vez da criatividade, cresceu a fúria e em vez de resolver os meus problemas, arranjei uma série deles: uma camisa comprada em saldos há 15 dias e umas calças de linho trazidas de uma recente viagem à China diretamente da tábua de passar a ferro para o caixote do lixo. Condenação sumária, sem direito a pena suspensa - que se poderia traduzir numa dádiva para alguém necessitado quando me fartasse delas.
Depois do acto consumado fui ler os comentários ( eu próprio tinha lá deixado um...) e constatei que as comentadoras partilhavam a mesma opinião da Maria João.
Tirei duas lições desta história:
1) Passar a ferro não é mesmo tarefa de gajo;
2) Antes de tentar por em prática alguns conselhos que leio nos blogs , o melhor é pensar um bocadinho em vez de me armar em parvo!
Bom fim de semana!

Praças da minha vida (9)


Não gosto muito de Bruxelas,mas a Grande Place é uma belíssima praça, bem como a zona envolvente.
E no 1º andar de um restaurantezinho/teatro que fica nas imediações, abro uma excepção e bebo umas cervejas belgas, porque normalmente por lá sempre encontro boa companhia. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Peixinhos da horta


-Isabelinha, vem ao Pai!
-Sim, papá...
-Porque é que  tiraste os peixes do aquário, os levaste para o jardim e depois  os cobriste com água a ferver?
-Queria fazer-lhe uma surpresa para o jantar...
- Que surpresa?
-O papá está sempre a dizer que gosta muito de peixinhos da horta…

 Adenda: Desculpem lá... continuo a ser inundado de ideias parvas, mas como a temperatura já começou a baixar, amanhã  devo estar curado.

Praças da minha vida (8)

 Nunca vos aconteceu  criarem no vosso imaginário a imagem de um local e, quando lá chegam, sofrerem uma decepção? A mim já. Em Times Square.
Pois eu sei que aquilo é icónico, blá, blá blá, mas foi uma decepção. A culpa deve ter sido dos filmes americanos...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A lógica da batata


Duas batatas encontram-se na cozinha. Uma delas pergunta:
- Porque é que os humanos estão sempre a dizer “é a lógica da batata”?
Responde a outra:
- Olha para ali para o fogão. Estás a ver o azeite a ferver?
- Estou
- Vês a faca que a cozinheira tem na mão?
- Vejo
-Então isso não te diz nada?
- Diz… Vamos virar batatas fritas.
- Pronto, estás a ver? Isso é que é a lógica da batata!

Praças da minha vida (7)

Regresso à Europa e aterro em Paris, onde não faltam belas praças. Por azar , não tenho nenhuma foto da Place Vendôme com esta perspectiva, por isso recorri à Internet.
Poderia ter escolhido outra praça? Poder, podia, mas não seria a mesma coisa, porque esta não podia falhar na galeria que seleccionei para os leitores do On the rocks

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Levante-se o réu


- O réu confessa ser o responsável pela morte da vítima?
- Sim, senhor doutor juiz, fui eu quem a matou, mas em legítima defesa
- Quais são as atenuantes que invoca em sua defesa?
- Se eu não matasse a sede, ela matava-me a mim, senhor doutro juiz!

Aviso: Peço desculpa aos leitores mas, fruto do calor dos últimos dias os meus miolos cozeram, entraram em ebulição e só consigo escrever posts idiotas com o máximo de 500 caracteres.
A última vez que isto me deu, durou vários dias, por isso, é melhor tomarem precauções adicionais.
Pelo sim, pelo não, apliquei a estes posts  a etiqueta "Mente Curta"...

Praças da minha vida (6)


Regresso ao hemisfério norte e dou um salto até Pequim.
"Conheci" a praça Tian an Men  naquela manhã fatídica de Junho. Vivia em Macau, um tufão reteve-me na pousada de Mong-ha onde ainda estava hospedado e fiquei a ver na CNN ( até a emissão ser cortada...) o desenrolar dos acontecimentos que deixaram o mundo em suspenso durante alguns dias.
Na Praça da Paz Celestial, pairava o espectro de uma tragédia de dimensões inimagináveis mas, desde esse dia, começou a crescer em mim a vontade de visitar a capital chinesa.
No ano seguinte concretizei o desejo e, ao entrar na praça de Tian an Men, então despojada de gente, senti-me esmagado por aquela monumentalidade a desaguar nas portas da Cidade Proibida. O mais esmagador era aquele silêncio, que permanecia imaculado nas longas filas que se formavam para visitar o mausoléu de Mao.
Voltei algumas vezes a Pequim e fui vendo a praça Tian an Men transfigurar-se. Hoje, testemunha a mudança que se registou na China nas duas últimas décadas. A monumentalidade permanece, mas não se sente já o esmagamento daquele tempo. Inúmeros grupos de turistas seguem guias empunhando bandeirinhas, há vendedores ambulantes por todo o lado e, a escassos metros, há grandes hotéis e lojas de luxo, fervilha o turismo de massas.
 No entanto, esta transformação não mudou a História. Quando lá chego, sinto interiormente a mesma sensação da primeira vez. Os sinais da tragédia que ali ocorreu em 1988, continuam para mim bem visíveis naquele empedrado de uma praça que continua a ser majestática. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Praças da minha vida (5)


Hoje atravesso o Atlântico, cruzo o Equador e vou até Buenos Aires. A Plaza Dorrego (San Telmo) é de visita obrigatória, apesar de já não ter o mesmo fascínio de há 20 anos. Sempre que vou a Buenos Aires, uma manhã de domingo- que por vezes se prolonga até ao final do dia- é dedicada a esta Praça, onde me encontro com velhos amigos.
Mas como podem constatar se lerem este post, há outras razões que me levam a San Telmo. É lá que adquiro o elixir da juventude. Ou será o caminho da perdição? O leitor decida, depois de ler o post 

domingo, 19 de agosto de 2012

Uma aventura em Nathan Road




São quase cinco da manhã de um  sábado de Maio em Hong-Kong. Enquanto um qualquer politico luso  debita dislates numa televisão perto de si, sou o único português num grupo de sul-americanos que desce D’Aguillar Street (Lam Kwai Fong) rumo ao barco que nos há-de levar a  Kowloon, onde estamos hospedados.
 Àquela hora a rua ainda regorgita de gente subindo e descendo, entrando nas discotecas e bares, de onde saem, espraiando-se no ar, decibéis em doses generosas. A animação envolvente é contagiante, mas o  estridente ribombar de um panchão atravessando a noite,  aguça-nos o fervor revolucionário e descemos a rua entoando cânticos de apoio à revolução bolivariana, depois de um jantar de despedida que sempre nos une nestas ocasiões. 
A travessia corre animada, sem incidentes.
Quando desembarcamos em Kowloon, Carlitos quer tirar uma última fotografia de grupo, tendo HK como pano de fundo. Acedemos todos, sem hesitações.
Uma centena de metros  depois  entramos na Nathan Road ( mais conhecida por Golden Mile,por ali se encontrarem grandes centros comerciais e lojas de marcas de luxo). No passeio, dois vultos esbeltos, em pose oferecida, despertam a libido  de  Enrique e Carlitos.
Lanço o aviso:
Cuidao! Son maricones…
Na verdade não são, mas é a expressão que me sai. São  dois transexuais que ganham a vida na rua, com favores sexuais a turistas ocidentais, rendidos à sua beleza ( e talvez alguma coisa mais...).No Oriente chamam-lhes Ladyboys.
Carlitos reage com um esgar de espanto
“No es possible!”
O velho Enrique, apanhado pelo aviso no meio do jogo de sedução  perde as estribeiras.
Maricones? Seguro que son maricones?
Sem esperar  resposta apalpa-lhe o baixo ventre.
O caldo está entornado. Uma faca de ponta e mola salta, lesta, da mão da ladyboy ultrajada. Enrique recua, assustado. Carlitos está petrificado. Juanito e Luis observam a cena  e tentam acalmar os ânimos. O brasileiro Ruben reza a Nossa Senhora de Fátima,  Marcella e eu abordamos as ladyboys. Tentamos sanar o mal entendido. Levo um safanão. Conseguimos  a absolvição, mediante a oferta  de 100 HK dollars ( aproximadamente 20€)
Ânimos serenados, continuamos o caminho em direcção ao hotel. Há mais ladyboys no caminho, oferecendo o seu corpo. Algumas lançam-nos olhares lascivos. Os meus amigos sul-americanos olham-nas de soslaio. Quase a chegar ao hotel, ordem de paragem numa esplanada. Dez  Coronas fresquinhas para aliviar as tensões. Rimos, relembrando a história.
Simone fala das ladyboys tailandesas, que viu numa escala em Bangkok. A brasileira Carlota  aproveita a oportunidade para fazer um sermão e criticar o machismo.
O velho Enrique está em silêncio, com o  orgulho ferido. São oito da manhã quando chegamos ao hotel. Dentro de poucas horas vamos separar-nos. No próximo encontro, vamos todos rir desta cena, voltar a lembrar Che Guevara e  entoar cânticos revolucionários. Na esperança de que ainda  prometam amanhãs que cantam.

sábado, 18 de agosto de 2012

Apesar de hoje ser sábado

Não há a frase habitual. Também não há praças, porque o escriba de serviço foi esplanar para a costa Oeste, um bocadinho abaixo de Tróia e só deixou este post agendado.
 No regresso talvez vá jantar ao Museu do Arroz, se tiver a certeza que não tenho encontros imediatos do quarto grau. A última vez que lá estive encontrei o Relvas a amesendar com o Dias Loureiro ( não é tanga, infelizmente) e o jantar não me caiu muito bem. Talvez o melhor seja jogar pelo seguro e continuar a esplanar, à beira rio, jantando em Tróia. À noite logo se vê...
Tenham um bom fds e amanhã, preparem-se, porque vou contar aqui uma história tórrida ( ou não se passasse nos trópicos...) que podia ter tido um final trágico, mas acabou razoavelmente bem.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Os ínvios caminhos da Felicidade


O homem estava distribuir panfletos no Saldanha. Era apenas mais  um dos muitos que diariamente  desempenham essa tarefa. Normalmente não recuso, mas ia com pressa e passei por ele sem estender a mão para receber o rectângulo de papel. 
Por razões que não sei explicar, voltei atrás e recolhi o que aquele homem me estendia. Foi então que percebi que  escondia  um olhar profundamente triste no rosto por barbear. 
Retomei o meu caminho e comecei a ler:
Workshop “ Os princípios da Felicidade!” Sábado 1 de Setembro, das 16 às 20.
Pensei com os meus botões:
“Por que raio escolheram um homem tão triste para apregoar a Felicidade?”
Os meus botões responderam-me:
“Não percebes nada de publicidade!”

Praças da minha vida (4)

 Em qualquer cidade espanhola, por mais minúscula que seja, encontramos uma Plaza Mayor. Ainda espero trazer-vos aqui uma que me agrada especialmente, mas fica numa cidade pouco atractiva para os turistas.
Hoje, a praça que vos trago fica em Madrid e estou convencido que a esmagadora maioria dos leitores/a conhece. Pelo menos via TV, pois é lá que o Real Madrid celebra as suas conquistas futeboleiras.
A Plaza Cibelles fica bem no coração da capital espanhola e é um dos pontos de visita obrigatória a quem demanda Madrid. Além da beleza da fonte situada bem no centro da praça, a Cibelles é rodeada de edifícios majestosos e tem algumas esplanadas agradáveis, onde se pode tomar um café, beber, um copo, ou refeiçoar.
Como as minhas fotos desta praça em nada a beneficiam, optei por roubá-las na Internet...
Quanto a um episódio relacionado com esta praça, não tenho nenhum que mereça destaque. pelo que hoje o post sobre Praças não é um 2 em 1.
Para compensar, mais logo trago-vos aqui uma curta croniqueta. 
Tenham um bom fim de semana!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Praças da minha vida(3)



Itália tem praças magníficas, de uma beleza exuberante. A Piazza Navona, em Roma, é talvez a mais bela praça italiana. Ali se  chega depois de percorrer estreitas vielas que se entrelaçam, formando um labirinto onde já diversas vezes me perdi.
A primeira vez que lá fui, devo ter sentido o mesmo deslumbramento de muitos que já a visitaram pois, depois de percorrer todo aquele percurso labirintico, não estava à espera de encontrar aquele espaço.
Ideal para beber um copo e comer um gelado ao fim da tarde ou, para bolsas mais abonadas, jantar numa das  inúmeras esplanadas que ali se albergam, a Piazza Navona é um excelente espaço para relaxar, enquanto se admira toda a beleza ali concentrada.
Mas,claro, à Piazza Navona também me liga uma cena picaresca que poderão ler aqui

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Praças da minha vida (2)


A praça que serviu de "promoção" deste desafio/passatempo era o  Terreiro do Paço (Lisboa).Considero-a uma das praças mais bonitas do mundo e creio que foi uma boa abertura.Já aqui escrevi sobre ela e, é muito provável, que aqui volte, mas agora na sua configuração actual.
Entretanto, quem estiver interessado em participar no desafio que ontem aqui lancei, pode enviar a sua escolha ( seguindo os trâmites ontem aqui divulgados) para:  pracasdeverao@yahoo.com

                                                                             A minha primeira escolha não podia deixar de ser a Praça de Velasquez, no Porto. Foi  a  uma escassa centena de metros desta praça que cresci, foi lá que fiz e desfiz amizades, foi lá que num rigoroso Inverno vi pela primeira vez cair neve e  fiz um boneco de neve, que só conhecia dos livros.
É naquela praça- de que guardo muitas boas e más recordações-  que fica o café Velasquez, onde me encontrava com os amigos, onde namorisquei, onde fui feliz e tive momentos menos bons.
Recentemente, alguém a rebaptizou de Praça Sá Carneiro, mas poucos são os que lhe chamam assim. Para mim será sempre a Praça de Velasquez, mesmo que tenha que passar por cenas destas quando entro num táxi

Obrigado a todas as leitoras que já manifestaram a sua intenção de participar. 
Fico então à espera das vossas colaborações em: pracasdeverao@yahoo.com
Tenham um bom feriado

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Praças da minha vida


Muitos leitores do CR,  que também visitam este cantinho, estão habituados a que eu lance um ou dois desafios e passatempos durante o ano,  alguns dos quais coincidindo com o Verão.
Este ano, razões várias ( entre as quais ter gozado férias no Verão, o que não é habitual) não me permitiram lançar nenhum desafio, nem passatempo. A imaginação também não anda grande coisa e, depois de ter feito  desafios sobre postais, cafés, cidades, praias, filmes e sei lá que mais, pensava ter esgotado a capacidade de mobilização dos leitores.
No entanto, como vários leitores me perguntaram porque não cumpria este ano a tradição decidi, em recurso de última hora, optar por um desafio que tenha a ver com ar livre, embora não tenha a ver especificamente com o Verão.
A partir de amanhã, e até 31 de Agosto, vou exibir aqui imagens de praças. Umas, escolhi-as por estarem ligadas à minha vida. Outras, porque considero simplesmente das mais belas praças do mundo. Todas estarão identificadas com uma legenda, ou um pequeno texto.
O que vos proponho é que, até ao dia 2 de Setembro, me enviem uma fotografia de uma praça que vos diga alguma coisa especial. Porque lá vivem, trabalham, ou simplesmente porque gostam. O importante é que digam a razão da vossa escolha em uma ou duas frases.
A partir do dia 3 de Setembro publicarei aqui as imagens que me enviarem para o e-mail que aqui divulgarei amanhã, identificando o/a autor/a, mas omitindo o nome da praça, para que sejam os leitores a identificá-la. 
A solução  deverá ser divulgada, no blog dos participantes, no dia seguinte à publicação da imagem no Crónicas on the rocks. 
A imagem que escolhi para apresentar este desafio/passatempo reúne as duas condições. Considero-a uma das mais belas praças do mundo e trabalhei lá durante algum tempo. É de um quadro que tenho em minha casa e tenho quase a certeza que todos a vão identificar mas, desde já, fica aqui a proposta para se pronunciarem.
Agora, fico à espera das vossas colaborações. A Ematejoca, que tanto me instigou,  fica com a responsabilidade de abrir as hostilidades.
Este é o e-mail para onde devem enviar as imagens: pracasdeverao@yahoo.com

domingo, 12 de agosto de 2012

Assim coubéssemos no Céu!


Aviso prévio: Este post é longo, tem bolinha vermelha e é um desafio à vossa imaginação, chamada a ler nas entrelinhas! Boa viagem para quem chegar ao fim.


Tinha terminado o Festival de Cannes e o meu objetivo era seguir em direção a Itália. Meti-me ao caminho num dia maravilhoso e parei em Monte Carlo para almoçar. Por uma daquelas razões que nunca sabemos explicar, enquanto almoçava deu-me um “vipe”. E se fosse até à Corsega?
Viajar de automóvel, sem destino previamente traçado, tem destas vantagens. A qualquer momento podemos alterar os planos. Foi o que fiz. Acabei de almoçar e lá fui eu, de regresso a Nice, apanhar o barco para Ajaccio. Só arranjei bilhetes para um barco à noite. Apesar de ter pago o camarote,quase não dormi. Não tanto pelo desconforto da minúscula “camarata”, mas sim pelo barulho provocado por um grupo de nórdicos bêbados que decidiram investir o dinheiro dos quartos em álcool.
Cheguei a Ajaccio pouco depois das seis da manhã, sob uma chuva miudinha que não me conseguiu tirar a boa disposição. Tomei o pequeno almoço num boteco que estava a abrir e experimentei logo ali a primeira especificidade corsa: preços diferentes para corsos, franceses e turistas. Ora toma! (Espero que os restaurantes madeirenses não aproveitem a ideia).



Em Nice, enquanto esperava pela hora do embarque, aproveitara o tempo para fazer um estudo da ilha e decidi que na primeira noite iria dormir a Bonifacio. Meti-me ao caminho sem visitar Ajaccio, pois teria tempo de o fazer no dia de regresso ao “contenent”.
À medida que ia avançando para sul, a chuva abrandava e o céu tornava-se mais claro, prometendo uma tarde soalheira. Sabia que ao longo dos 10 dias de permanência na Córsega, esta seria a única estrada minimamente decente que iria encontrar. A partir de Bonifácio, as estradas tornar-se-iam cada vez mais estreitas e coleantes, especialmente no norte e depois entre Calvi ( uma belísssima estância balnear a Noroeste) e Ajaccio.
(As estradas da Córsega são, talvez, o único argumento válido para não regressar lá todos os anos. Nem imaginam a quantidade de vezes que, ao longo de 10 dias, vi a morte à minha frente. As estradas são mais estreitas que a Linha do Tua, não têm barreiras de protecção e qualquer descuido pode ser a morte do artista. Olhamos para o lado e temos “visões” psicadélicas ( como se acabássemos de ingerir uma dose de LSD), tendo como ecrã o mar. O problema é quando nos aparece pela frente um autocarro de turismo em contramão - ou um condutor local desmbestado - e desesperadamente procuramos o buraco da agulha. Uff!!!)


Cheguei a Bonifácio a meio da tarde, explorando no caminho pontos que me pareceram de mais interesse. O céu estava completamente limpo e deparei-me com uma paisagem deslumbrante, que uma fotografia é incapaz de reproduzir. Sentei-me numa esplanada encrostada numa escarpa sobre o Mediterrâneo de onde quase podia avistar a Sardenha, onde tinha festejado a entrada do ano. Dei uma volta pela cidade, sempre bordejando o mar, embrenhei-me pelas suas íngremes ruas e vielas e ao final da tarde passei por um hotel onde decidi ficar.
Instalei-me e repousei um pouco. Enquanto tomava um duche, lamentei a minha escolha. Não, não vi baratas, mas comecei a ouvir tão nitidamente o barulho do chuveiro do quarto ao lado, que pensei logo na hipótese de uma noite em claro, no caso de algum dos meus vizinhos ressonar durante a noite. Ou então, no caso de se tratar de um casal, aqueles zumbidos que vocês estão a imaginar.
A noite já tinha caído. Quando terminei o duche fui à janela do quarto espreitar o luar. Não havia Lua. Apenas uma fortíssima bátega de água, acompanhada de sucessivos relâmpagos, anunciava uma noite de intempérie. Afinal, o que eu julgara ser o chuveiro do vizinho, era uma forte chuvada. Decidi esperar alguns minutos até que o tempo amainasse. Um relâmpago, seguido de fortíssimo trovão, iluminou o quarto e logo de seguida apagou-se a luz. Dirigi-me à recepção, onde a proprietária do hotel me informou que provavelmente a tempestade iria demorar algumas horas. Como precisava de sair para apaziguar o estômago que começava a ficar impaciente e me avisava que se não lhe satisfizesse o apetite rapidamente, retaliaria, pedi um guarda – chuva de empréstimo.
A “madame”, simpática, juntou ao guarda-chuva uma lanterna e avisou-me que a devia usar, pois não havia luz na cidade e as ruas,com aquela chuva, ficavam muito perigosas. Reconfortado com aquelas palavras saí feito Diógenes, empunhando a lanterna que me haveria de guiar, por caminho seguro, até um restaurante decente.


Tal como Diógenes, também me senti por momentos escravo do tempo, acossado por um estômago prestes a concretizar as suas ameaças de rebelião. Quando, à terceira tentativa, encontrei um restaurante acolhedor com uma mesa livre, senti-me finalmente liberto e aliviado. Jantei opiparamente à luz de velas. Experimentei pela primeira vez as delícias da culinária corsa, onde uma sopa do mar - precedida de uns escargots gratin-mereceu um lugar de especialíssimo destaque. O ambiente era intimista, especialmente aconselhado para casais. Numa mesa distante, mas impertinentemente colocada no meu campo de visão, estava sentado um casal de lésbicas que se namoriscavam com o ardor de uma paixão recente. 
Felizmente a minha mesa ficava à janela, de onde podia desfrutar o espectáculo esplendoroso dos relâmpagos ziguezagueando no horizonte, até se esparramarem nas águas, num acto de amor descontrolado. Passei o jantar namoriscando o mar, só de lá tirando os olhos quando o empregado trazia a refeição ou vinha servir o vinho, evitando correr o risco de ser acusado de "voyeur". Nesses instantes não podia evitar que os meus olhos se cruzassem com o casal.
O vinho era bom, mas a conjunção do álcool com o picante da sopa , acelerava o fluxo sanguíneo, caminhando desgovernado pelas entranhas do meu corpo. Rematei a refeição com um “anti-coagulante” e meti-me ao caminho de regresso ao hotel. Continuava a chover copiosamente, como se S. Pedro tivesse decidido aliviar a bexiga, depois de dois milénios de continência. Adormeci rápido e dormi como um justo, indiferente à chuva que continuava a cair.



O dia seguinte amanheceu esplendoroso. O céu estava de um azul límpido mas, olhando o horizonte em direcção à Sardenha , viam-se nuvens ameaçadoras. Tomei o pequeno almoço no hotel e fui dar mais uma volta pela cidade, para me despedir. Ao final da manhã iniciei a volta à ilha.
À saída de Bonifacio duas jovens pediam boleia na berma da estrada. Azar! O meu carro só tem dois lugares… Uma delas acenou à minha passagem e foi então que reconheci o casal da véspera. De imediato me lembrei de uma tia que quando viajava connosco, obrigando-nos a apertar-nos no banco traseiro do “Boca de Sapo” do meu pai sempre dizia:
“Assim coubéssemos no Céu!”.
Travei e fiz marcha atrás. Havia um problema. Onde colocar a bagagem delas? O problema resolveu-se (os problemas resolvem-se sempre quando há comunhão de interesses, não é verdade?)
Perguntei para onde iam. Sabiam tanto como eu:
“ Somewhere my love?”
Não. Em Roma sê romano. Da discografia sempre disponível no meu carro saiu o Richard Anthony com "Donne -moi ma chance"!
Durante dez dias senti-me a viver no paraíso. Das verdejantes montanhas de Corté às alvuras das praias de Calvi, e dali até à chegada a Porto, num fim de tarde majestático em que a Natureza me brindou com um pôr-do- sol, que apreciei com a reverência de quem é contemplado com uma oferenda dos deuses, a Córsega só me traz boas recordações.
A Bonifácio, porém, há que acrescentar o IVA. Por ter sido a minha primeira paragem na Córsega, mas também porque foi o ponto de partida para umas férias inesquecíveis.
Quem também gostou, foi o editor da publicação argentina que me enviou a Cannes. Além de uma reportagem sobre o Festival , recebeu um roteiro sobre a Córsega. 

Adenda: Este post foi publicado no CR em 2010. 

sábado, 11 de agosto de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ainda é cedo para me confessar...

Não sou fanático de futebol, nem de qualquer desporto em particular. Não perco muito tempo a ver  Europeus e Mundiais de Futebol. Vejo os jogos da nossa selecção e pouco mais. Não perco muito tempo diante do televisor, porque só vejo aquilo que realmente me interessa. E é muito pouco...
No entanto, quando chegam os  Jogos Olímpicos, passo horas diante do televisor. Papo tudo o que posso: judo, remo, canoagem, ténis de mesa, badmintos,  atletismo, natação, and so on. Mas prescindo do futebol e do ténis e halterofilismo nem vê-lo.
Confesso-vos, pois, que sou viciado em JO e ando com uma soneira que nem vos passa pela cabeça, pois fico a ver até tarde as gravações das provas do dia e, ao contrário do que é habitual, tenho-me levantado cedo.
Não é este, no entanto, o meu único vício ou pecado. Num assomo (sei lá de quê!!!) tinha pensado aproveitar esta confissão para iniciar uma série onde vos revelaria os meus pecados. Só que depois pensei que isso não é rubrica própria para o Verão. Vai daí, se quiserem conhecer as minhas fraquezas vão ter de esperar até Outubro porque a série que aqui se inicia na próxima semana é mais apropriada para o Verão.
Conto com a vossa colaboração. Depois, explico como, ok?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Gracias a la vida

No Rio de Janeiro, durante a Cimeira da Terra


Não sei se a minha vida é boa ou má. Talvez já tenha vivido outras mas, como não me lembro, vivo esta como se fosse a primeira- a única- sem fazer comparações.Sei que não gostaria de viver certas vidas. Daquelas muito organizadinhas, com empregos das 9 às 5, regresso a casa com passagem obrigatória pela escola para ir buscar os filhos que alguém deixou lá pela manhã, fazer o jantar, tratar dos filhos, pô-los a dormir e depois de uns minutos diante do televisor ir para a cama à espera do dia seguinte. 
Jantar uma vez por semana em casa dos pais ou dos sogros, almoçar fora no domingo, Natais alternados em casa dos pais ou dos sogros, férias em Agosto, porque as aulas dos filhos, a profissão, ou outra merda qualquer, a isso obrigam. Nem sei se vidas destas são realmente vidas, ou programas de computador delineados com algum cinismo por alguém que decidiu divertir-se. Mas isso é argumento para outra história…
Também não gostaria de ter vida de político. Sempre a tentar satisfazer ou a encontrar pretextos para recusar as cunhas dos amigos. Sempre a fazer concessões para tentar encontrar consensos com os partidos de oposição, com os lobbies que têm mais poder do que os governos, a procurar garantir os direitos das minorias e a arcar com críticas de todas as partes. Em deslocações constantes de carro ou avião, mas sem tempo para saborear os prazeres dos locais por onde se deslocam. Com a sensação, permanente, de que estaria a gastar dinheiro dos impostos dos contribuintes que, com o esforço do seu trabalho, me pagam o salário e as extravagâncias. (Está bem, eu sei que o Berlusconni vai às putas com dinheiro dos contribuintes e não se chateia nada com isso, mas comigo não dava…)
Também não gostava de ser vedeta. Nem do desporto, nem do espectáculo. Passar a vida a ser assediado por fanáticos a pedirem-me autógrafos, perseguido por “paparazzis” ansiosos por me apanharem a “curtir” com uma fulana numa piscina ou numa praia, fazer anúncios idiotas a produtos que nem consumo, frequentar festas do “jet set” e deixar-me fotografar com um sorriso nos lábios, quando a minha vontade é correr tudo à lambada, não faz o meu género.
Sou demasiado preguiçoso para ser vedeta. Gosto da minha privacidade e do convívio, em paz, com gente que valha a pena. Detesto sorrisos de celofane, beijar mamas de silicone, conversar com idiotas, aturar gente burra que gasta a vida nos convívios do croquete, a beber whiskey marado. Vedeta, para mim, também não dá!
Não me importaria, talvez, de ser muito rico. Sei que eles dizem que ser muito rico é chato, dá muito trabalho e obriga a pagar muitos impostos, mas mesmo assim talvez gostasse de experimentar. Não sendo possível, procuro contentar-me com o que tenho porque , na verdade, olho para o meu lado e penso que não tenho muitas  razões de queixa. E depois penso... para que queria eu 190 milhões de euros no Euromilhões? Já imaginaram a trabalheira que isso é?
Não sei se a minha vida é boa ou má. É a que tenho. Sei que sempre fiz escolhas de trabalho, com base no prazer. Trabalhar não pode ser uma angústia permanente, um sacrifício que arrastamos, como se estivéssemos agrilhoados a cumprir uma penitência. Tive sorte. Perdi algumas oportunidades, mas ganhei experiências de vida que não trocaria por ordenados milionários. Creio ter razões para considerar que, apesar de todas as agruras com que a vida me presenteou, tenho sido uma pessoa feliz.
Enquanto as minhas células não destrambelharem, os neurónios funcionarem sem percalços, os órgãos não se queixarem que os ando a tratar mal, as pernas me permitirem dar caminhadas à beira mar e os olhos me permitirem ver as belezas do mundo, continuo a achar que tenho uma boa vida. Mas se pudesse ser um bocadinho melhor do que nos últimos dois anos, seria magnífico.
Aviso: Este post surge na sequência do livro que escolhi para esta noite na Biblioteca de Verão no Crónicas do Rochedo. Se amanhã ( dia 10) lá forem ler, perceberão melhor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Naquela varanda virada para o mar...


Levantou-se a horas tardias, no rescaldo de uma noite prolongada. Foi até à varanda  e ficou , por uns momentos, a olhar o mar do Guincho e o céu azul  que, lá no horizonte, se unem num límpido amplexo.
Passeou o olhar pelas pessoas  passeando na praia, pelos corpos estendidos ao sol, pelas crianças em algazarra.
Respirou fundo a brisa marítima, para que  lhe enchesse os pulmões.
Depois, decidiu surpreendê-la preparando o pequeno almoço. Pôs  a mesa na varanda, espremeu as laranjas, preparou o cesto da fruta, descascou e partiu a manga  em fatias finas ( como ela lhe disse que gostava) preparou o chá e, quando a pressentiu atraída pelo cheiro das torradas, colocou no gira-discos  uma canção dos anos 80 que ela lhe confessara na véspera provocar-lhe pele de galinha.
Ela envolveu-o pela cintura, beijou-o na face,  pousou a cabeça no seu ombro, enalteceu num sussurro  a beleza da paisagem e a calmaria do final da manhã.
A música terminou, ele foi mudar o disco, mas optou por ligar a rádio, sintonizada na RFM:
“ Tempo previsto para hoje. Céu muito nublado no litoral Oeste, com possibilidades de chuviscos fracos”.
Ela estende-lhe uma torrada, convidando-o para voltar à varanda. Quando ouve as previsões o rosto abre-se-lhe num sorriso:
- E eu a pensar que estávamos em Portugal! Para onde me trouxeste durante a noite, que eu não me apercebi de nada?
Trocaram um olhar cúmplice. Ela puxou-o pela mão... e o chá e as torradas ficaram a arrefecer na varanda.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

From London with love (4)



Aquela ideia de que a polícia nunca está onde é precisa, já passou à lenda. Actualmente, pelo menos em Londres, a polícia está sempre no local do crime. Ora vejam lá...
NDb= (60%xNc/Nt+40%XDc/Dt)x17585 é a fórmula mágica que permite ter sempre um agente nas imediações do local do crime. Afinal a solução é fácil!
Não percebeu nada? Então continue a ler, faz favor.
 Esta foi a equação que um grupo de matemáticos apresentou à polícia londrina, que lhes encomendou o trabalho de determinar onde deveriam ser colocados os agentes policiais da cidade, de forma a tornar o combate ao crime mais eficaz. E, traduzida por miúdos, significa que basta determinar o número de agentes necessários para uma determinada área (NDb) e depois distribuir 60% dos efectivos de acordo com as necessidades, por exemplo, de cada freguesia, tendo em consideração a população nocturna e diurna, o desemprego e a situação económica dos residentes. A carência específica da freguesia (Nc) e a falta sentida em todo o distrito é determinada por Nt, sendo que os restantes 40% de efectivos serão colocados de acordo com os níveis de criminalidade ou pedidos de protecção.Falta referir que Dc/Dt significa a relação entre a oferta e a necessidade total. Finalmente, refira-se que 17585 é o número de polícias disponíveis em Londres.
Não estou em condições de garantir que na sua próxima visita a Londres não vá ser assaltado, mas lá que é fácil garantir a segurança, não restam dúvidas...

Acabou-se a brincadeira!

Acabar, não acabou, mas as recordações de brincadeiras, a partir de hoje, vão aparecer mais espaçadas.
Creio que não vão ficar a perder com a série que se segue...mais apropriada ao Verão

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Um coração volúvel



Palma de Maiorca, Verão de 1900 e qualquer coisa ( sei qual, mas isso agora  não interessa nada...)
 Estava a passar férias com os meus pais, digerindo ainda mal não ter ido para o Kruger Park com uma namorada de ocasião, cujos pais engraçaram comigo e me ofereceram “boleia”.
O meu pai- sempre mais sensível a compreender os meus devaneios amorosos e as consequentes crises sentimentais- procurava entusiasmar-me com as maravilhas da ilha e com inusitada frequência chamava-me a atenção para umas belezas nórdicas que se passeavam pela piscina do hotel. Mas eu estava inconsolável. O meu coração estava no Kruger Park e o meu pensamento voava para lá à boleia de uma longa cabeleira negra por quem me embeiçara meses antes de acabarem as aulas. Não era época para loiras deslavadas. Para mim, aquele era o Verão das morenas e ponto final.
Uma noite, à beira da piscina, tudo mudou. O meu pai convidou-me a partilhar com ele um Lumumba. Tratava-se  de um cocktail anunciado como típico das Baleares com uma composição explosiva: leite com chocolate, café e rum. “On the rocks”, pois claro! 
Ao segundo Lumumba, estava outro. Subitamente tornara-me comunicativo e cheio de boa disposição
Daí para a frente não parei de convidar miúdas para dançar e, talvez à décima tentativa, encalhei com uma sueca sorridente que falava mal inglês mas tinha uma linguagem gestual extremamente sugestiva. Nessa, e nas noites seguintes, não voltei ao Kruger Park. A sueca não me dava sequer tempo para desviar os pensamentos. Ao fim de uma semana viemo-nos embora. Quando voltei a encontrar a miúda da cabeleira negra, no regresso às aulas, disse-lhe que tinha passado de moda. Só queria uma miúda loira que substituísse a sueca.
Também não voltei a beber Lumumbas. Tempos depois, apareceu o Bailey’s. Que por caso detesto...
Porque será que me lembro agora disto, diante de um computador, tão anódino e desinteressante como uma folha de papel em branco? Será porque estou sentado no meu rochedo, com o portátil sobre os joelhos,  a olhar o imenso azul turquesa do mar do Guincho e me dá vontade de cumprir uma vez mais o destino de  partir à descoberta do que se esconde para lá do horizonte?


sábado, 4 de agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cadernetas de cromos

Nem só de jogadores de futebol e carimbados se faziam as "Cadernetas de Cromos". Havia algumas colecções bem interessantes e didácticas. Esta ou " A Conquista do Oeste" eram dois bons exemplos disso.
E Vocês? Também coleccionavam cromos?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

From London with love (3)




Não me lembro rigorosamente da data. Recordo, apenas, que era uma daquelas tardes londrinas em que o sol despontava timidamente e que em Portugal Abril ainda não amanhecera com cravos nas pontas das G3 e um sorriso de esperança aflorando em cada rosto.

Nas imediações de Marble Arch, um "homem- sandwich" publicitava a abertura de uma nova discoteca, quando passaram por mim duas senhoras portuguesas, iguais a tantas outras que à época repartiam o seu tempo entre as "boutiques" que possuíam em Lisboa ou no Porto e as compras em Londres ou Paris, de onde traziam "modelos únicos" com que recheavam as lojas, para encanto das suas clientes. Com um ar reprovador, olhavam para o "homem-sandwich" e da boca de uma delas saiu a seguinte frase: "Ao qu’ isto chegou! O que uma pessoa faz para ganhar a vida...". E lá seguiram, lamentando-se da pobreza que grassava em Londres e da falta de dignidade das pessoas, que se sujeitavam a fazer publicidade naquelas condições.
Penso muitas vezes naquelas senhoras. Se ainda forem vivas, o que dirão de Portugal?

Cubo de Rubik

Uma verdadeira loucura, este Cubo! Confesso que era um azelha e nunca tive grande paciência para tentar resolver o problema. E vocês?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Jogo da Glória

Tinha tendência para cair no Inferno quando estava quase a chegar à Glória. Nunca fui sortudo ao jogo e a tendência manteve-se ao longo da vida.