terça-feira, 21 de agosto de 2012

Praças da minha vida (6)


Regresso ao hemisfério norte e dou um salto até Pequim.
"Conheci" a praça Tian an Men  naquela manhã fatídica de Junho. Vivia em Macau, um tufão reteve-me na pousada de Mong-ha onde ainda estava hospedado e fiquei a ver na CNN ( até a emissão ser cortada...) o desenrolar dos acontecimentos que deixaram o mundo em suspenso durante alguns dias.
Na Praça da Paz Celestial, pairava o espectro de uma tragédia de dimensões inimagináveis mas, desde esse dia, começou a crescer em mim a vontade de visitar a capital chinesa.
No ano seguinte concretizei o desejo e, ao entrar na praça de Tian an Men, então despojada de gente, senti-me esmagado por aquela monumentalidade a desaguar nas portas da Cidade Proibida. O mais esmagador era aquele silêncio, que permanecia imaculado nas longas filas que se formavam para visitar o mausoléu de Mao.
Voltei algumas vezes a Pequim e fui vendo a praça Tian an Men transfigurar-se. Hoje, testemunha a mudança que se registou na China nas duas últimas décadas. A monumentalidade permanece, mas não se sente já o esmagamento daquele tempo. Inúmeros grupos de turistas seguem guias empunhando bandeirinhas, há vendedores ambulantes por todo o lado e, a escassos metros, há grandes hotéis e lojas de luxo, fervilha o turismo de massas.
 No entanto, esta transformação não mudou a História. Quando lá chego, sinto interiormente a mesma sensação da primeira vez. Os sinais da tragédia que ali ocorreu em 1988, continuam para mim bem visíveis naquele empedrado de uma praça que continua a ser majestática. 

1 comentário:

  1. Estar agora ali, rodeado de toda a opulência que caracteriza a China actual, ver passar os Ferraris, os Rolls, ver as grandes cadeias hoteleiras todas ali presentes, todas as grandes marcas de luxo ali representadas, não apaga a ideia que aquele chão está coberto de sangue.
    O que conhecemos e o que nunca conheceremos.

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