domingo, 30 de setembro de 2012

Um hooligan nos sixties



Cenário:Tarde de domingo, 24 de Fevereiro de 1963, era eu ainda uma criança.
( lembro perfeitamente a data por uma razão que explico  adiante)
Naquela tarde de domingo jogava-se, no velho estádio das Antas, um Porto-Benfica que era praticamente decisivo para o título. 
Um familiar lisboeta, encarnado por fora e por dentro, não queria perder o jogo e envidou todos os esforços para comprar um bilhete. Não o tendo conseguido, pediu a ajuda do meu pai que resolveu o problema,  determinando  que ele iria em meu lugar e eu ficaria em casa a ouvir o relato.
A decisão provocou-me enorme revolta. Sentia-me injustiçado com a decisão e ainda por cima por ser impedido de ver o jogo por intromissão de um familiar que eu raras vezes via e tinha o enorme desplante de ser benfiquista. 
De nada me valeram as lágrimas e os protestos. A decisão do meu pai era inabalável, indiscutível e sem direito a recurso no tribunal familiar.
Passei vários dias a rogar pragas a esse familiar, desejando-lhe doença súbita que o impedisse  de se deslocar ao Porto. Em vão! Na tarde de sábado, a campainha tocou e o primo Henrique anunciou a sua presença. Talvez ciente da injustiça, o primo do meu pai trouxera-me de presente uma caderneta de cromos da bola quase completa onde estava incluída o "carimbado"  ( o jogador mais difícil de encontrar e que era alvo da cobiça de todos) o que garantia que, com mais alguns tostões e bons negócios nas trocas, eu teria direito a receber uma bola de futebol dali a uns dias.
A minha revolta era enorme e nem essa tentativa de suborno do primo Henrique, contribuiu para que eu o recebesse com um sorriso.
Já a noite ia alta e eu me preparava para ir para a cama, quando a Providência decidiu fazer justiça e veio em meu socorro. O telefone tocou. Do lado de lá da linha, o meu cunhado anunciava que a minha irmã entrara em trabalho de parto. 
Alvoroço lá em casa! A segunda neta estava quase a entrar neste mundo (que na altura ainda não enlouquecera, apesar de a minha mãe afirmar  que sim, cada vez que ouvia os Beatles, ou via os jovens de cabelo até aos ombro e vestindo jeans).
Os meus pais analisavam qual a melhor altura para rumarem a Lisboa. Logo nessa noite, ou de manhã cedo? Depois de animados conciliábulos e alguns conselhos do meu primo Henrique, que os aconselhavam a viajar apenas na manhã de domingo,os meus pais decidiram ir ainda de madrugada. 
Para mim, a hora da partida era indiferente, mas intimamente fiquei satisfeito por os meus pais terem ignorado os conselhos do primo Henrique.
Num repente a casa entrara em reboliço. As criadas, chamadas à liça para fazerem os preparativos para viagem e receberem as instruções que deveriam respeitar durante a ausência da autoridade paterna, a Bina chamada à pressa para vir tomar conta dos três filhos que não tinham respeito às ordens das criadas e eu, no meio daquele vendaval de emoções a sair-me com a tirada mais disparatada que me poderia ocorrer:
- Que bom, assim amanhã já posso ir ao futebol com o primo Henrique!
O meu pai fulminou-me com o olhar, pela cabeça deve ter-lhe passado a ideia de dizer " não vais, não senhor", mas não teve coragem de me contrariar.
No dia seguinte senti-me na obrigação de ir à Missa agradecer a Deus e a todos os santinhos que vislumbrei na Igreja a graça de me terem concedido a possibilidade de ir ver o grande jogo e, de caminho, a minha gratidão pela segunda sobrinha que, não tinha dúvidas, se viria a tornar uma portista de gema ( Devo ter falhado qualquer coisa nas minhas preces, porque a minha sobrinha é benfiquista e ainda por cima teve o desplante de ser jogadora de voleibol das águias e nessa condição se ter sagrado campeã nacional, uns anos mais tarde)
Depois de um almoço comido à pressa, lá fui na companhia do primo Henrique ver o jogo. Eu deitava fervor clubista por todos os poros e ia fardado a rigor com as cores azuis e brancas. Dentro de algumas horas ia começar a celebrar o meu primeiro título de campeão nacional. E, para que tudo fosse perfeito, o sol brilhava com esplendor naquela tarde fria.
Como é óbvio, ficámos sentados na bancada central em espaço reservado aos sócios portistas. Quando as equipas entraram em campo o primo Henrique teve o decoro de não aplaudir os jogadores do Benfica mas, como ficou impávido perante a entrada do FC do Porto, recebido em euforia, ao som do hino cantado por Maria Amélia Canossa, as pessoas em redor perceberam que aquele tipo não podia ser boa rês.
O jogo começou e o primo Henrique conseguiu comportar-se decentemente, até ao momento em que José Torres se atirou para a piscina em plena grande área portista e o árbitro leiriense, Reinaldo Silva, apontou a marca da grande penalidade, muito contestada pelo público da casa. Foi então que o primo  Henrique não se conteve e retorquiu:
- Então não foi penalty? Foi e do tamanho da Torre dos Clérigos!
Na fila de trás, um conformado portista apenas replicou:
- Parece-me qu'istá aqui um fulano cansado de biber!
O primo Henrique lá recuperou a compostura e remeteu-se novamente ao silêncio. Assim ficou até ao momento em que o Benfica marcou o segundo golo. Incapaz de conter as emoções festejou de forma efusiva o golo que praticamente garantia a vitória e o campeonato aos encarnados.
Foi então que, na fila de trás, o adepto portista também deu azo às suas e pespegou-lhe com uma garrafa de cerveja na luzidia careca, de onde lhe começou a escorrer um fio de sangue. Constatei que afinal era vermelho, apesar de o primo Henrique sempre se reclamar de sangue azul. Além de benfiquista, era mentiroso, concluí. Mais uma razão para aplaudir a agressão...
Por decoro não aplaudi. A tristeza tinha-se apoderado de mim, ainda mais forte do que uma dor de dentes que começara a manifestar-se durante a Missa e que se tornara insuportável durante o jogo. (Horas mais tarde, uma tia beata afirmaria, convicta, que fora castigo de Deus por eu só me lembrar dele quando precisava. Eu acreditei.)
Regressei a casa triste e nem as notícias do nascimento da minha sobrinha me aliviaram a dor. O primo Henrique voltou a Lisboa feliz e com um enorme galo na "cabeça", que lhe valeu alguns "pontos". Suficientes  para o meu FC do Porto ganhar o campeonato, ingloriamente perdido graças a um árbitro leiriense que descaradamente roubara o meu clube.  


Aviso ( se por acaso gostaram deste post agradeçam ao Rui da Bica. Foi um comentário dele ao meu post do último domingo me levou até uma magnífica descrição que fez  de um Porto Benfica e me fez recordar este episódio. Aconselho-vos a leitura. Vão aqui e sigam os links que ele deixou. Garanto-vos que não se vão arrepender.)

sábado, 29 de setembro de 2012

Porque hoje é sábado

"Não me surpreenderia que tivesse havido civilização em Marte e que o capitalismo tivesse conseguido lá chegar, tal como o imperialismo, e que tivessem feito desaparecer toda a vida do planeta"
(Hugo Chavez)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu gosto é do Verão...


Todos os anos a cena se repete. Num dia soalheiro de setembro, chego a casa um pouco mais cedo do que o habitual. O  fim de tarde torna-se plúmbeo, ameaçando chuva. Tenho de acender a luz da sala antes do jantar. É então que me apercebo que o Verão me está a dizer o último adeus do ano.
É assim todos os anos. Um dia, o Verão obriga-me a regressar a casa mais cedo para se despedir desta maneira triste que me deixa em estado de profunda melancolia. Para me alegrar trauteio aquela música “ eu gosto é do Verão, de passear com a prancha na mão...”, mas o verão já não me ouve. Se o quiser encontrar tenho que o procurar noutras paragens. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Regresso às aulas


A “Pública” lembrou-se de perguntar a jovens estrangeiros que vieram viver para Portugal, as diferenças que encontraram entre as escolas portuguesas e as dos seus países. Achei a ideia interessante e o resultado muito curioso. Respiguei alguns excertos para partilhar convosco:

O mais esquisito aqui é o horário das aulas… Quase não podes fazer mais nada, é como se a tua vida ficasse centrada na escola(16 anos, Brasil)
Na minha aldeia ter boas notas é fácil: compra-se uma prenda ao professor. Aqui temos mesmo de estudar(20 anos, Moldávia)
Os meninos daqui usam as calças descaídas, a mostrar o rabo. No início perguntava-me “ O que é isso são todos gay?” Não gosto dessa moda. Na Ucrânia, na escola, usamos todos fato, com a camisa por dentro das calças(13 anos, Ucrânia)
Os professores aqui são mais exigentes e eu não gosto de pessoas muito exigentes(14 anos, Itália)
No meu país, chumbar é uma falta de respeito pelos pais. Aqui, acho que os pais se estão nas tintas se os filhos chumbam.(17 anos, Moldávia)
Os professores cá têm mais paciência. Lá são mais rigorosos, zangam-se muito.( 16 anos, Bangladesh)
Lá, os alunos são mais bem comportados; não se viram para trás, estão quietinhos a olhar para o professor. Quando alguém entra, levantam-se todos da cadeira e quando sai fazemos o mesmo.Agora aqui, às vezes já me viro para trás durante as aulas para falar.(16 anos , Moldávia)
Há professores que não compreendem que há coisas que eles dizem que acham que são básicas, mas eu nunca aprendi. Há países que estão mais atrasados. Não tenho culpa.(16 anos, Guiné-Bissau)

Texto publicado no CR em 2009, que me pareceu oportuno recordar em mês de regresso às aulas

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

As vindimas



“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”
( Cântico popular)

As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.Terminei essa vivência, quando tive de procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”.
Ainda hoje recordo, com alguma saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina. Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, há quem pague para poder viver a experiência das vindimas. E há  máquinas para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas?

As praças dos leitores (prolongamento)





Como vos disse na segunda-feira, a praça enviada pela Ematejoca encerrou a participação dos leitores no desafio.
Acontece, porém, que a Rosa me enviou uma praça nesse mesmo dia e, obviamente, não ia recusar a publicação, que vinha acompanhada com este texto:
"Tinha vinte anos quando desemboquei nela pela primeira vez, vinda de uma das ruas estreitas que caracterizam este bairro. Estava acompanhada por colegas da faculdade e o deslumbramento aconteceu.
Sempre gostei de praças, pracinhas, pracetas e a sua harmonia, simplicidade mas ao mesmo tempo um charme muito especial tocaram-me bem fundo.
Voltei lá várias vezes e com diferentes companhias mas para a considerar a praça da minha vida não bastava isto.
Levei o meu filho mais velho à cidade onde ela se situa como prenda da conclusão do 12º ano e entrada na universidade com uma excelente média.
Repeti a visita, quatro anos mais tarde, com o meu filho mais novo pela mesma razão.Consegui que o meu "compagnon de route" me acompanhasse até lá uns anos depois.Gostaria de poder desembocar nela um dia com o meu neto e sentir nele o mesmo encantamento que senti nos restantes homens da minha vida.
Falta-me apenas dizer que foi graças ao meu pai, o primeiro homem da minha vida, que pude conhecer esta praça quando tinha vinte anos e me apaixonei por...É fácil identificar a praça da minha vida, não é?"
Sim é fácil para mim, que também adoro esta praça e será para muitos outros leitores que a conhecem mas, mesmo assim, convido-vos a passarem amanhã pelo blog da Rosa para confirmarem.
E, com esta praça, termina mesmo o desafio. Aproveito para renovar os agradecimentos a todos os participantes.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Da rua às passerelles: a revolução dos Verdes Anos



Eu sei que hoje não é o dia de escrever aqui, mas pedi uma licença especial ao Carlos, porque tinha de desabafar! Então não é que  a catraia me levou à certa?  No dia seguinte à fotografia dizia aos jornais:

“Aquela imagem é o que eu sou. Acredito que em breve vai haver uma mudança. Espiritual.”
E não é que hoje a sacaninha dá uma entrevista à VIP, com estas fotografias?

Agora a frase que encima a entrevista é :"Sinto que acordei o coração das pessoas"

Quando entrar na Casa dos Segredos ou no Morangos, irá dar uma entrevista com a frase:
"Sinto que vos enganei a todos, mas tratei da minha vidinha. Ciao!"
A catraia sabe-a toda, é o que é...

As praças dos leitores (14) - The End

A praça enviada pela Ematejoca  encerrou este desafio que propus aos leitores. Não era nada fácil acertar e, por isso, convido-vos a ir até lá para saberem de que praça se tratava.
Resta-me agradecer a todos os participantes o seu contributo e esperar que se tenham divertido um bocado. Muito e muito obrigado!!!
A partir da próxima semana irei cumprir a promessa que aqui fiz há uns meses e vou ao confessionário confessar-vos alguns dos meus pecados. Espero que sejam benevolentes e não me apliquem penitências pesadas...
Até lá continuará a haver crónicas diárias que espero vos agradem. Afinal, a publicação de crónicas foi o motivo que me levou a criar este blog. espero, por isso, continuara ter o prazer de receber as vossas  visitas.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As maminhas de Kate Middleton


Ainda estava eu a fazer as malas para atravessar o Atlântico, quando me surgiu a ideia para o meu primeiro post. Estava em Mar de La Plata, a espreitar as revistas cor de rosa de uns banhistas, quando vejo o príncipe Harry em pelota!
Mas que pouca vergonha é esta?- perguntei eu às minhas penas. Já não há respeito pela família real? Estes paparazzis que deram cabo da vida da minha adorada Diana ainda não aprenderam a comportar-se? Que raio de interesse pode ter o rabiosque do catraio? Parece que ele não bate bem dos pirolitos e ainda lhe arranjam mais problemas?
Como sempre, as minhas penas não responderam mas, no voo até cá, vim sempre a pensar neste assunto. Qual não é o meu espanto quando aterro no Rochedo e deparo com uma revista francesa onde vejo umas maminhas que me eram familiares.
Não me interpretem  mal… eu explico!
Como sabem sou muito curiosa e  logo que foi anunciado o casamento da Kate, eu voei para Londres para assistir aos preparativos. Acolhi-me no beiral de casa de Vale e Azevedo, pois dali podia ver as idas da Kate à modista para as provas do vestido e das toilettes de noite. Foi numa dessas vezes que lhe vi as maminhas e foi por isso que de imediato  as reconheci na revista.
Bem, mas voltemos ao assunto do meu post.
Sinceramente, não me perece nada bem que os paparazzi se entretenham a revelar ao mundo as intimidades reais inglesas. Eu compreendo que eles precisem de ganhar a vida, mas podiam  variar os seus alvos, caramba! Porquê andar sempre a insitir na família real inglesa? Eu tenho quase a certeza que muita gente gostaria muito mais de ver  as  suecas maminhas da princesa Vitória do que as de Kate, mas o problema é que as da futura rainha inglesa têm muito mais valor no mercado da imprensa cor de rosa, por isso não há muitos paparazzi interessados em arriscar o canastro.
Dirão alguns  leitores que há limites para a liberdade e eu não deixarei de lhes dar alguma razão, mas pergunto-vos:
- Quanta miúda anónima não se tornou estrela do jet set depois de posar para os calendários da Pirelli? 
Não me venham com a desculpa de que aquilo são calendários para camionistas TIR, porque essa não cola! Conhecem algum camionista que tenha influência no mundo do jet set?
Pronto(s) está bem, estou a desviar-me do assunto. O problema das fotografias é tratar-se da família real, não é? 
Eu até vos dou razão, mas não resisto a contrariar-vos e  apresento-vos outro argumento:
Essa história de reis e rainhas casarem com primos já pertence ao passado. As famílias reais começaram a misturar-se com a plebe e, por isso, deram azo a que a plebe os tratasse como meras estrelas de jet set.  Tirar fotografias ao príncipe Henry em pelota, ou às maminhas da princesa Kate, é o mesmo que tirar fotografias à Madonna ( mau exemplo, caramba, ela despe-se em palco, porque haveriam os paparazzis  de estar interessados em fotografá-la em topless numa praia?) 
Reformulo a questão: hoje em dia, fotografar as miudezas da família real inglesa é o mesmo que fotografar as maminhas de uma qualquer figura do jet set, incluindo o CR 9. 
Por muito que me custe ver a família real exibida nos escaparates em pelota, proibir a publicação dessas fotos é um atentado à liberdade de expressão. Só é fotografado nestas circunstâncias, quem se expõe ( vocês já viram alguma fotografia do Mourinho em pelota? Não, pois não? Então é porque ele não se expõe) e quem anda à chuva molha-se.
Além disso, ainda tenho outro argumento a favor dos paparazzi. Se não fossem estas fotografias, que fazem disparar a procura e aumentam as tiragens de quem as publica para números estratosféricos, como é que as revistas cor de rosa se podiam aguentar?
A maioria delas ia à falência , muitos jornalistas para o desemprego e depois lá ficava eu sem as minhas privilegiadas fontes de informação!
Eu sei que o Carlos não concorda comigo, porque já li o post que ele escreveu lá no Rochedo sobre a liberdade de expressão. Compete-vos agora dar a vossa opinião. Mas não batam muito no Carlos, senão ele pensa que lhe estão a chamar  velho careta e fica triste…
Até para a semana!

As praças dos leitores (13)



"Amante de teatro, escolhi uma praça com o nome de um grande actor, que marcou extraordinariamente o teatro alemão  do século XX".
Foi com esta frase que a Ematejoca  legendou a praça escolhida para participar neste desafio.
Se é verdade que a dica nos pode levar ao nome da praça, já me parece  bem mais difícil saber localizá-la. No entanto, há sempre especialistas prontos a provar que me enganei...
Entretanto, já foram saber qual foi a praça escolhida pela Teté?

domingo, 23 de setembro de 2012

Como um dia de domingo...


Tenho uma má relação com as tardes de domingo. Quando era miúdo e os jogos de futebol nas Antas eram às 3 da tarde , acabava de comer à pressa a sobremesa do almoço em família para não perder o pontapé de saída e depois regressava a casa para assistir aos jogos de canasta dos adultos.
Em Lisboa, as tardes de domingo eram passadas a namorar ou estudar mas, quando fui para Inglaterra, comecei a encarar os domingos como um dia diferente, cheio de animação. Começava a manhã nos pubs ou em Park Lane a ver os jogos do meu Tottenham, as tardes eram muitas vezes passadas numa viagem de ida e volta a Lisboa ( o trabalho assim o exigia) e os domingos  terminavam, após o regresso, num jantar tardio com amigos, num restaurante turco da Queensway.
Quando iniciei a minha vida de andarilho, fui descobrindo que em cada cidade por onde passava o domingo tinha a sua particularidade. Finalmente, após regressar a Portugal, o cinema ao fim da tarde, no Outono/Inverno, seguido de um jantar no Saraiva’s passou a fazer parte da ementa de domingos que nunca começavam cedo, porque na véspera a noitada tinhas ido até às tantas. 
No Verão, estando por cá, recolho-me no Rochedo a contemplar o mar na companhia de um livro e música. Quando todos estão a regressar a casa, depois de uma banhada de sol, começa para mim o domingo. Normalmente com um jantar em local escolhido a preceito, em frente ao mar. O que se segue é sempre uma incógnita, mas raras vezes a noite acaba cedo.É óbvio que sendo uma pessoa pouco dada a rotinas, a descrição que acabo de fazer aplica-se a um domingo-padrão, mas não é religiosamente cumprida. Olhando para trás encontro, no entanto, um fio condutor nos meus domingos. É um dia em que gosto de estar sozinho, pelo menos até à noite.
Quando passo o fim de semana fora- o que felizmente faço com muita frequência- o meu maior prazer na manhã de domingo é, hoje em dia, assistir ao despertar da cidade- ou do local onde estiver. Gosto de deambular pelas ruas ainda quase desertas e de as ver encher-se aos poucos de gente. Depois, quando já estão suficientemente cheias, recolho-me num local sossegado a ler um livro, como qualquer coisa e depois procuro testemunhar a forma como as pessoas se entretêm nas tardes de domingo nas várias cidades do mundo. Já constatei que as diferenças não são muitas nos países ocidentais, embora na maioria dos países latinos, os domingos acabem de forma bastante mais animada do que é uso aqui em Portugal.
A prosa já vai longa e ainda não falei daquilo que motivou este post. O objectivo era apenas dizer que nos últimos domingos, pela manhã, armo-me em turista e desbravar Lisboa.
Escolho sempre itinerários diferentes e faço o percurso lentamente, assistindo ao despertar da cidade, onde a maioria dos caminhantes são turistas. Junto-me a eles na contemplação do Tejo,ou no simples deambular pelas ruas.
 Há umas semanas, desfrutando a manhã de onde se desprendia uma leve neblina anunciando amanhãs cinzentos, encontrei também um grupo de estudantes de um curso de fotografia, nas imediações do Príncipe Real. Traziam vestígios de uma noite bem regada no Bairro Alto, mas fotografavam Lisboa com desvelo. Também eles captavam a soberba luminosidade de Lisboa, quase tão embevecidos, como os  turistas que tomavam o pequeno almoço nas esplanadas. Acabei por me sentar numa. Tomei um café, comi um muffin e li um pouco. À minha volta ouvi falar várias línguas, mas nem uma palavra de português. Viajei um pouco pelo mundo sem sair de Lisboa. Quando regressei a casa, sentia-me como se tivesse regressado de uma qualquer capital europeia.
Raras vezes escrevo no blog ao domingo, (normalmente agendo os posts de fim de semana à sexta-feira) mas hoje, impulsionado pelas recordações de domingos passados, decidi quebrar a regra. Agora vou regressar à leitura e depois logo se vê. Talvez toque o telefone fixo ( desligo sempre o telemóvel ao domingo) e do lado de lá alguém me diga como vai acabar este domingo que já cheira a Outono. Sim, porque os domingos que em Lisboa acabam bem, são normalmente entre Outubro e Abril.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A arte de ser português

                                     Kim Phuc, uma menina de 9 anos a fugir das bombas de napalm durante a guerra do Vietname.



Tian An Men,  Junho de 1989: um homem enfrenta os tanques, disposto a ser esmagado.


25 de Abril de 1974: militares substituem as balas por cravos.

Agora, explico porque trago aqui estas três fotografias. Tem a ver com o post que aqui publiquei ontem. A fotografia foi muito criticada, mas  é muito bonita e tem tudo a ver com a nossa maneira peculiar de ser português.
As fotos de Tian An Men ou do Vietname mostram a coragem no momento da revolução e os horrores das vítimas da  guerra.
A foto que aqui publiquei ontem da manif de 15 de setembro e a  do 25 de Abril, mostram como somos diferentes e resolvemos tudo pelo diálogo, com romantismo e até doçura. Apesar de muito bonita para exportação, esta postura tem custos.Nós estamos a pagá-los.

E agora, já sabem?

Ontem não foi fácil adivinhar a praça escolhida pela Teté. Já lá foram espreitar? 
Então vão e  surpreendam-se!
Entretanto peço desculpa a todos os leitores e ao João, em particular, porque cometi um lapso em relação ao link que deveria conduzir à solução. Aqui fica então a correcção, para que possam saber qual a praça escolhida pelo João. AQUI

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ainda a propósito de voyeurs

Esta fotografia de José Manuel Ribeiro, tirada durante a manif de 15 de setembro, já foi vista por milhões de pessoas. Recupero-a hoje, na sequência deste post, para vos colocar uma pergunta:
Será um fotógrafo um voyeur? Ou será esta imagem a confirmação dos nossos brandos costumes?

As praças dos leitores (12)


"Nunca foi uma praça bonita, antes pelo contrário: era um enorme descampado, com muito trânsito a circular no pavimento de paralelepípedos existente, que convergia para o seu centro. Num dos lados, mais precisamente no enfiamento da vereda da foto, um polícia sinaleiro comandava a circulação automóvel e pedonal, no cimo de uma peanha, a gesticular aparatosamente com um apito na boca.

O único espaço ajardinado era este (que ainda hoje existe), mas desde miúda que me habituei a atravessar a praça para os outros extremos: para ir para a escola primária, visitar os meus avós, mais tarde para o liceu ou para apanhar o autocarro (ou boleia) para a faculdade... Ao longo de mais de duas décadas foi caminho que percorri quase diariamente, ponto de encontro e de desencontros sucessivos que relembram histórias antigas, daí ser a praça da minha vida!

Depois de inúmeras alterações ao seu traçado, ao longo dos anos, não beneficiou nada em termos de beleza, mas facto é que o escoamento de trânsito melhorou de forma significativa. Curiosamente, também nunca apelidei o local de praça - que é, pelo menos pós 25 de abril de 1974! - o seu nome original tem mais relação com o historial geográfico da zona..."
Este foi o texto de apresentação escolhido pela Teté para a fotografia que nos enviou. Lembro-me muito bem do sinaleiro ali. E vocês?
Já foram confirmar se acertaram na praça escolhida ontem pelo João

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cenas de Táxis



Já passa da meia –noite, o taxi circula no Marquês de Pombal respeitando as regras que devem ser observadas numa rotunda. Um jovem acelerado, num BMW topo de gama, circula por uma das faixas interiores e de repente, sem fazer qualquer sinal, guina para a direita para entrar na Av. da Liberdade, atravessando-se à frente do taxi e obrigando-o a uma travagem brusca.
Espero, naturalmente, uma reacção com insultos e impropérios ( eu faria o mesmo...) Surpresa! Impávido, o taxista limita-se a dizer-me. “Está a perceber porque é que acontecem muitos acidentes com taxistas aqui no Marquês? Sempre que precisamos de um pára choque novo, ou de reparar uma amolgadela, começamos a dar umas voltinhas ao Marquês até apanharmos com um tipo destes que nos paga o serviço. E olhe que não é preciso esperar muito tempo, basta circular na nossa faixa e não travar...”
Obrigado pela informação!
Nota: Recupero este post, escrito no CR em Maio de 2008, a propósito das alterações à circulação no Marquês

As praças dos leitores(11)



"Gosto muito desta praça e por variadas razões: é harmoniosa, bastante arborizada (...)  está situada perto da minha primeira morada (..) pelo que ali passei belos momentos e está rodeada de belos edifícios.
Gosto particularmente desta perspetiva aérea, que nos mostra a globalidade da praça, pese embora não nos deixe ver em pormenor, por exemplo, a referida árvore"
Esta foi a justificação do João Roque para a escolha da praça qeu nos enviou e que, à primeira vista, não consegui identificar. Mas, pelo que tenho percebido, não há praça que escape aos leitores deste blog. E ainda bem...

E já foram ver qual foi a praça escolhida pela Graça? (Olha, rimou!)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A minha faceta de voyeur


Nada tenho contra os leitores de revistas cor de rosa e muito menos contra os cabeleireiros, estabelecimentos onde essas publicações são muito requisitadas.
Ter uma rubrica sobre o jet set  neste blog não era, todavia,  meu propósito, mas a única forma de  convencer a  Brites a regressar a Portugal, foi prometer-lhe  que a deixaria escrever no "on the rocks" sobre esse tema.
Aqui chegado, devo confessar-vos que também tenho uma faceta de voyeur que não se manifesta através da leitura de revistas cor de rosa mas sim, como aqui lembra a Brites, pelo prazer que sinto na leitura de biografias. Concedo que estas leituras também revelam uma faceta voyeurista, mas há uma pequena diferença. Estou-me borrifando se a Cinha Jardim passa férias em Porto Rico com a cadela ou em Alcabideche, mas já me desperta alguma curiosidade saber pormenores da vida de um político como Churchill ou Fidel de Castro, por exemplo. Ao ler as suas biografias, fico a perceber melhor a História Contemporânea, o que de alguma forma me enriquece.
Algumas biografias também nos permitem perceber melhor o mundo em que vivemos. Há tempos li, na extinta "Pública", excertos da autobiografia de André Agassi. Fiquei tão empolgado, que me apeteceu ir a correr comprá-la. Talvez isso tenha a ver com o facto de Agassi ser um campeão contranatura, obrigado pelo pai a “trabalhos” forçados para atingir o estrelato. Agassi conseguiu-o mas, por trás do sucesso, há uma história de ódio ao ténis que me interessou.
Até que ponto os pais podem condicionar os desejos dos filhos em prol da sua própria vaidade?Será legítimo um pai obrigar um filho a ser vedeta, contrariando a sua vontade? No mundo do desporto ou do espectáculo há centenas de casos como o de Agassi, mas gostava de saber a vossa opinião sobre as dúvidas que aqui coloco.

As praças dos leitores (10)



" É simples de mais para enigma...Mas foi realmente onde vivi a minha adolescência e juventude - foi, de facto, a Praça da minha Vida: por ali brinquei, passei diariamente para a escola, estudei, namorei... Enfim!"
Foi assim que a Graça apresentou esta praça que nos enviou.
Admito que a identificação possa ser fácil, mas a fotografia é lindíssima, não vos parece?
Agora podem ir saber qual foi a praça escolhida ontem pela Safira, se não a adivinharam

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Brites, uma cotovia para todo o serviço


Pronto(s)!
Depois de muita insistência do Carlos, que na sua última ida à Argentina não me desamparou a loja,  decidi regressar a Portugal. Venho à experiência , porque não sei se me volto a adaptar ao clima de Portugal, mas como o Carlos disse que a temperatura por cá estava muito alta e  tinha um rochedo novo, muito aconchegado, onde política não entra, lá me deixei convencer.
Entro ao serviço na segunda-feira  e, como já vi por aqui muita gente que não conhecia do meu tempo, apresento-me.
Venci o concurso de admissão ao CR , depois de derrotar uma lambisgóia armada em fina que me queria tirar o lugar. Valeram-me os leitores,que votaram em mim e depois me baptizaram com este lindo nome de Brites.
Sou uma cotovia simpática mas um bocado instável. Era muito combativa ( daí me terem dado o nome de Brites) e cheguei a querer ser deputada e enveredar pela carreira política mas um dia, enquanto apanhava banhos de sol lá no Rochedo,vi um casal de namorados a ler a Caras e descobri que a minha vocação era mesmo o jet set. Adoro aquela gente, aquele glamour, mas se quiserem saber mais,   convido-vos  a ir até aqui, para conhecerem o momento emque deixei a política e enveredei pelo jet set...
Levantando uma pontinha do véu, divulgo em primeira mão que o meu primeiro post será sobre a realeza. Lá na Argentina não gostam muito da monarquia, mas penso que isso se deve aos ingleses que lhes roubaram as Malvinas.
Eu insisti com o Carlos que me devia comprar uma fatiota nova, especialmente um chapéu, pois este está fora de moda, mas o Carlos é teimoso como um coelho, ou um burro ou lá que animal é e disse que não ia gastar dinheiro em porcarias, que a crise não sei quê e pronto, lá me tive de resignar.
No entanto, LANÇO UM APELO AOS LEITORES.
Se encontrarem por aí umas fatiotas jeitosas, por favor enviem-me, porque eu já não posso ver estas penas, nem este chapéu.
Muito obrigado pela vossa atenção e até segunda-feira!

As praças dos leitores (9)


"A razão pela qual este lugar me diz tanto é simples: era por aí que passavam  os passeios de fim de semana com o meu pai, desde que me lembro. Saíamos de casa, passavamos por (...) atravessávamos (...) e subíamos  (...). Ocasionalmente, tinha direito a uma viagem no carrocel que se vê à esquerda ou a um gelado de uma das barraquinhas que havia por ali. Bons tempos. Boas memórias. Adoro este local, pronto."
Tal como a Safira, que nos enviou esta foto com a respectiva explicação,também adoro esta praça e dela guardo igualmente boas memórias. Quem já lá esteve não a esquece e reconhece facilmente ( digo eu...) mas pode ser induzido em erro, por um pequeno pormenor. O melhor mesmo é irem amanhã confirmar ao blog da Safira.
E já foram ver o nome da praça que nos enviou o Pedro? Tinham o nome debaixo da língua, não era?

domingo, 16 de setembro de 2012

As aparências iludem...



A espuma da cerveja  confundia-se com a saliva  acumulada nos lábios, que seguravam uma beata apagada.
Na mesa repousava o copo e um boletim do Euromilhões. O homem fazia contas pelos dedos e, de quando em vez, os lábios moviam-se em palavras imperceptíveis balbuciadas numa cadência  de surdina interior.
O homem estava na esplanada de duas mesas ocupando, pois, metade do espaço.  Não havia mesas vagas porque um outro homem, de executivo trajado, fora  atraído para a  mesa sobrante, enquanto esperava a concretização de um encontro adiado. Cada 30 segundos olhava para o relógio, impaciente. Entrou na cena de forma inesperada:
-O senhor tem uma caneta?- perguntou  num  esforçado arranque de bêbado.
O homem levantou os olhos do telemóvel e fixou o olhar no seu parceiro, analisando os contrastes. A roupa de maltrapilho com o seu fato alinhado irrepreensivelmente limpo; a barba desalinhada  do velho, com o seu escanhoado perfeito; as botifarras esgaçadas, com os seus sapatos reluzentes.
  Hesitou em emprestar-lhe a Montblanc. E se fosse um estratagema para lha roubar?
Na ausência de resposta, o velho insistiu uma vez mais, afivelando as palavras
- O senhor, por favor, tem uma caneta  para eu fazer o Euromilhões?
Tentou ganhar tempo, na esperança que chegasse a pessoa que esperava.
- O que é que o senhor fazia se lhe saísse o Euromilhões?
O velho passou de observado a observador.
Mas que raio é que este caramelo tem a ver com isso? Mas não ficas sem resposta…
Gastava-o todo em mulheres e vinho. Com esse dinheiro todo, as mulheres nem se importavam que eu cheirasse mal da boca, ou desse uns traques de vez em quando. Se andar bem vestido e lavadinho, mas não tiver guito é que elas não vêm cá comer à minha mão. Só por amor e nisso já sou velho para acreditar. E o senhor que fazia? Comprava carros e casas?
O homem da Montblanc sentiu-se desconfortável, foi tentando enrolar a conversa na expectativa de se esquivar com a desculpa de que chegara a pessoa de que estava à espera mas, perante a insistência do velho puxou da caneta e disse:
- Dê cá o boletim que eu preencho...
- Eu sei fazer cruzes, senhor, não se incomode. Mostrar os números a outros dá azar!
O homem da Montblanc olhou para o relógio mais uma vez, rodou a cabeça 180 graus à procura de alguém e finalmente, a contragosto, lá estendeu a caneta ao maltrapilho, que a remirou atentamente e por fim, perguntou:
- Isto é ouro? 
- Não, que disparate! É só a cor...
O maltrapilho concentrou-se no boletim e fez a primeira cruz. Contou pelos dedos e fez a segunda. O homem da Montblanc exasperava com a lentidão do velho mas, por cada cruz que ele fazia, tentava ver o número escolhido.
Finalmente uma voz ecoou entre os dois
- Desculpa o atraso! Problemas de última hora lá no escritório...
O homem da Montblanc olhou para o relógio  não faz mal, o senhor despache-se porque tenho de me ir embora, já estou atrasado.
O velho coçou a cabeça como se estivesse a catar os números da sorte entre os cabelos, deixou de fazer contas pelos dedos, preencheu os números que faltavam, agradeceu, o homem da Montblanc arrancou-lhe a caneta das mãos, de nada,  deu uma espreitadela ao boletim, fixou os números, limpou a caneta com um guardanapo de papel Então boa sorte meteu a caneta no bolso antes de se meter ao caminho, foi abalroado por um  senhor bem vestido de idade avançada que lhe pediu imediatamente desculpas envergonhadas Não tem mal... respondeu ensaiando a retribuição da vénia. Isso acontece, não se preocupe...
Envolveu a mulher  num amplexo úmbreo e, enquanto se afastavam, murmurou-lhe qualquer coisa ao ouvido.
Dois minutos depois o casal entrava na tabacaria. Ela estranhou a pressa dele e o interesse em  fazer o Euromilhões, ele explicou-lhe que estava quase na hora de encerrarem as apostas e fixara os números do velho, por isso tinha mesmo de jogar. Levou a mão ao bolso do casaco para pegar na caneta. Não estava lá.
Perdi-a. 
Roubaram-ta.
O homem que me deu o encontrão à saída da esplanada.
Vamos lá
Foram. A esplanada estava vazia. O senhor bem vestido que lhe dera um encontrão, alguém sabia dele?
O empregado descreveu uma personagem e perguntou se correspondia ao que procuravam. Exactamente, é esse mesmo. 
Cruzou-se com os senhores, mas não chegou a entrar. Deu meia volta e saiu outra vez. Tenham cuidado se o virem, porque ele é conhecido aqui na zona por fazer uns roubos.
E aquele velho maltrapilho que estava ali comigo na esplanada?
Quem? O dr. Castilho? Hoje já não volta cá. Deve ter ido entregar o Euromilhões
Aquele velho é doutor?
É, mas está reformado de psiquiatra há uns anos e agora passa aqui as tardes na esplanada. Está um bocado avariado da cabeça  e veste-se assim mal, porque gosta de se fazer passar por pobre. Diz que é para gozar com as pessoas, mas também é um bocado avarento. Como vive sozinho vem cá almoçar e deixa-se ficar por aí até nós fecharmos. Às terças e sextas é que vai embora mais cedo. Vai fazer o Euromilhões e depois não sei qual é a vida dele, mas parece que anda por aí a meter-se nos copos e a gastar dinheiro com mulheres. O senhor sabe como é, cada um tem a sua vida e nós não temos nada a ver com isso. Só lhe contei isto porque o senhor me perguntou...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Dá Deus nozes...



Tomava café ao balcão quando chegaram dois jovens assepticamente engravatados.
- Então e que tal Florença?
- Sabes, fiquei um pouco decepcionado…
- Ah sim? Mas tenho ouvido dizer que é uma maravilha…
- Bem… vou-te explicar. Eu tinha vindo de Praga, que é realmente uma cidade bonita, e quando cheguei a Florença fiquei um bocado desiludido, porque as cidades são muito parecidas, quase parecem cópia uma da outra. Ambas têm um rio, uma ponte famosa e alguns monumentos. Florença parece ter mais, porque é mais pequena, mas é igual a Praga. 
Iguaizinhas, não vos parece? 

Manhã de sexta -feira



Hoje não há praças, mas é o dia de irem ao Devaneios a Oriente saber ( ou confirmar) qual foi a praça escolhida pelo Pedro.
Na última sexta-feira deixei-vos aqui este desafio.
Teófilo M e o Rui da Bica acertaram.(mas há alguma coisa que este homem não adivinhe? Fantástico!) Parabéns aos dois!
A praça em causa é a praça de Liège, no Porto, bem pertinho da FOZ.
Obrigado aos que participaram. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As praças dos leitores (8)


Lamento, mas não posso aqui reproduzir as justificações apresentadas pelo Pedro para escolher esta praça. Se fosse cortar as palavras do Pedro que justificam a escolha, o texto ficava imperceptível. Além disso, era capaz de vos desviar a atenção da bela calçada portuguesa.... Eu sei que os leitores são muito mais perspicazes do que eu e facilmente adivinharão de que praça se trata, mas de qualquer modo também não é preciso facilitar tanto...
Ah, sabem onde é, mas escapa-se-vos o nome? Não faz mal! Amanhã vão ao blog do Pedro e ele dá o nome direitinho. Além disso, ainda talvez vos presenteie com uma visão nocturna  desta bela praça. Que ele me enviou, mas não publico, porque o "regulamento" não permite mais do que uma foto por participante.
E a praça enviada  pela Turmalina que ontem foi aqui publicada. Alguém conhecia?  Quando recebi a imagem, até me pareceu o Jardim de Santa Clara, na freguesia lisboeta da Ameixoeira, mas se já foram lá ver constataram que me enganei. De qualquer modo, ao ver ainda hoje a fotografia, constato que podia muito bem ser.
  

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Memórias de África


O texto revelava que já não escrevia cartas há muito tempo e aderira em pleno às novas tecnologias. Nada de surpreendente numa engenheira coca bichinhos…
Resumia-se ao seguinte:
Olá! Procurei-te no FB mas não te encontrei. Há anos que não sei de ti. Reformei-me e regresso em Junho  a Portugal. Se andares por aí, diz qualquer coisa.
Kisses
( depois o endereço electrónico)
Quando regressei a Lisboa enviei-lhe um mail a dizer que só estaria de volta a Portugal no final de Julho e nessa altura contactaria com ela.
Assim fiz, nos primeiros dias de Agosto. Acabámos por nos encontrar num sábado, perto de Tróia, onde ela decidira fazer escala a caminho do Algarve.
Muitas horas de esplananço, conversas em dia, risos e algumas emoções à mistura na evocação de amigos entretanto desaparecidos. Incertezas quanto ao futuro, comparações inevitáveis com o país que deixáramos para trás 35 anos antes.. A minha explicação da Argentina, a explicação dela do Canadá., com amores e desamores de percurso que, por razões diferentes, não se enterraram nas águas do mar.
Até que a conversa se desvia para uma reportagem sobre  a Papua Nova Guiné que eu escrevi e ela acidentalmente lera num percurso entre dois pontos quaisquer do universo americano. Parámos durante muto tempo a conversa entre viagens, tendo o mar como fundo. Até que, a determinada altura, ela me faz uma pergunta:
- E África? A África portuguesa, nunca te interessou?
Confessei-lhe que com a excepção de Moçambique, onde estive duas vezes, nunca me sentira atraído a visitar esses países lusófonos. No entanto, era extremamente curioso no conhecimento  da passagem dos portugueses pelo mundo, como atestava o que ela lera na minha reportagem sobre a Papua. Da Ásia à América Latina, de Goa a Colónia del Sacramento, fui recolhendo, um pouco por todo o mundo, vestígios da presença portuguesa. Disse-lhe mesmo, que ando a planear uma visita a Timor.
-Porque razão não me interessava então por África?- insistiu
E eu, sem encontrar uma resposta que a mim próprio convencesse, lá fui balbuciando explicações esfarrapadas.
Fiz o caminho de regresso a  Lisboa a tentar encontrar uma explicação convincente, mas não encontrei.
Até que há dias, numa reportagem de José Eduardo Agualusa sobre Luanda, na P2, creio ter encontrado a resposta. E não gostei de a saber… porque espelha bem a ideia que tenho sobre a vida na África lusófona.

As praças dos leitores (7)

"Nesta praça tem um quiosque que serve um chá gelado perfeito para o final de tarde de um dia aonde as temperaturas atingiram quase 40 graus.A temperatura é tropical mas a cidade, uma das minhas paixões, não." 
E mais não disse a Turmalina, que lá do Brasil nos enviou esta foto. Haverá alguém capaz de adivinhar qual é? Eu não, por isso lá irei amanhã saber a resposta!
Então, descobriram qual era a praça que a Teresa nos enviou e aqui foi publicada ontem? Pois, era em Itália, mas estava um pouco difícil de identificar, não estava?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Reencontro


Não nos víamos há mais de 30 anos. Despedíramo-nos em Nova Iorque, numa abrasadora e húmida tarde de Maio de 1977, ia eu para Washington e ela para S. Francisco.
Nos primeiros tempos trocámos cartas, um ou outro telefonema, mas como muitas vezes acontece na vida – principalmente na era pré Internet-  a comunicação foi sendo cada vez mais esparsa, até se interromper, respeitando a ordem natural de quem seguiu percursos e opções de vida diferentes: ela fiel a S. Francisco, eu prosseguindo o meu caminho de andarilho pelo mundo. É verdade que, muito ocasionalmente, íamos sabendo notícias um do outro através de amigos comuns, mas contactos directos não houve mais.
Numa noite de Maio deste ano, a minha mãe telefona-me.
-Tens aqui uma carta para ti.
- De quem?
Com alguma dificuldade conseguiu ler um nome e uma morada. Curiosamente, a carta vinha do Porto, mas nem o nome que a minha mãe lia nada me dizia, nem eu era capaz de perceber a razão de alguém do Porto me ter escrito para a minha casa no Porto…
Uma semana depois fui ver a minha mãe e a carta lá estava à minha espera. Na verdade o remetente era do Porto, mas a carta tinha sido expedida de Berkeley. O nome inscrito no remetente nada tinha a ver com aquele que a minha mãe lera e rapidamente o identifiquei. Era dela.
(Conclui amanhã)

As Praças dos leitores (6)


" (...) é uma cidade de que gosto muito. Já lá estive várias vezes, em trabalho ou em passeio, e descobri sempre coisas novas.
Há praças em (...) muito mais conhecidas e badaladas. Mas esta, frente ao (...) com o seu obelisco barroco, mostra esta mistura de estratos históricos que me encanta em (...). E depois, há as esplanadas, os artistas de rua... É uma amostra do melhor que (...) tem para oferecer."

 Tive de fazer alguns cortes ao texto da Teresa porque, apesar de ser difícil identificar ( o obelisco pode ser uma denúncia...) a praça que ela nos enviou, limitaria bastante as opções, já que indicava a cidade onde fica esta praça. Amanhã, a Teresa dá a solução no seu blog, por isso, vão lá confirmar as vossas suspeitas...
E já foram confirmar ao blog da  Rosa Carioca, se aquela era mesmo a praça que vocês pensaram, ou se foram iludidos pela facilidade da solução?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O super homem das avenidas

Levantava-se da cama num pulo, tomava duche com a velocidade de um relâmpago, comia o pequeno almoço num ápice e saía de casa como um foguete. 

As praças dos leitores (5)

 A Rosa Carioca escolheu esta praça,  "porque fica em frente de um Jardim que foi marcante na minha infância. Jardim esse, onde meu pai me  levava todos os domingos (sempre que o tempo permitia) e onde eu comecei meus vôos... no baloiço".
Até admito que esta seja fácil de identificar mas, mesmo que consigam, nada melhor do que passar pelo blog da Rosa para confirmar. E, quem não conhece o blog, sairá de lá mais enriquecido.
A propósito... já foram ver qual era a praça que nos enviou a Catarina? 

domingo, 9 de setembro de 2012

Férias no Brasil



-Hey pá, há quanto tempo!... ‘tiveste de férias?
- ‘tive, pois. Em Agosto qu’ é que querias que eu fizesse?
- E onde ‘tiveste ?
- No Brasil...
- E então, foi porreiro?
- Eh pá, vamos ali tomar um cafèzinho que eu conto-te tudo...
- ‘Tá na hora de ir trabalhar...
- Eh pá, são só cinco minutos....
( dez minutos depois, num café próximo do Saldanha)
- Então, conta lá... mas não fales com sotaque, pá, porque estamos em Portugal
- Hey, meu, nem imaginas... aquilo no Brasil é só gajas a abrir!
- Sim, ‘tá bem, já sei, mas e as praias?
- As praias? Porreiras, meu! Só gajas do melhor. É cada biquini que nem te passa pela mona. Muito melhor que o “Passerelle” Tudo descascado e um gajo não tem que pagar p’ra ver! 
- Olha lá, mas tu foste passar férias ao Brasil só para ver gajas?
- Não, pá, também tomei umas banhocas e bebi umas caipirinhas do camandro. Cá, estes gajos não sabem fazer caipirinhas, é tudo tanga...
- Olha lá , mas onde ‘tiveste?
- ‘tive num risórte do c... Só gajas boas e um luxo do melhor!
- E onde é que era isso?
- Na Baia, meu!
- Ah! Dizem que essa cidade é muita gira
- Olha, essa coisa pergunta à Odete, que ela é que sabe. Foi lá c’os catraios duas ou três vezes, mas eu antes queria ficar no risórte. Enfardava umas picanhas ao almoço, bebia duas ou três caipirinhas e depois ia à soneca. Aquilo é que é vida, pá!
- Nunca foste à cidade?
- Fui uma vez à noite com uns bacanos portugueses para curtir e ver umas gajas, mas aquilo é muito caro, pá...
- Diz-me lá uma coisa. Porque é que escolheste o Brasil?
- Eh pá, sabes como é... já estou farto de ouvir os putos todos os anos. Quando começam as aulas chegam a casa todos enxofrados. Um colega que foi para o México, outro para Cuba, outro para o Brasil e outro para casa do c... e os meus putos a dizer que passaram férias na Caparica! Tive que lhes fazer a vontade, porra!
- Eh pá, sempre podias ter pensado em ti... se era p’ra veres gajas, podias ter ido à Tailândia que sempre são diferentes.
- Boa ideia, se calhar p’ró ano é lá que eu vou... E tu, onde fizeste férias?
- Férias, eu? ‘tás mas é maluco! Ter c’aturar a patroa e a filharada durante um mês? Lá me fui arranjando por cá com umas “escapadinhas”, tudo jóia e sem dar nas vistas que a vida é mesmo assim...
- ‘tá bom! Olha lá, está na hora do almoço... se fossemos comer um peixinho ali ao “Manel”? ‘tou farto de carne , meu
- Bora lá...
( Texto reeditado, a partir do original, publicado no CR em 2007) 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A civilização belga

AVISO: Hoje, como é sabido, não haverá praça mas, antes de começarem a ler o post, já foram à Catarina confirmar se acertaram na praça que ela escolheu ontem? Já? Então podem começar a ler e, depois, respondam à pergunta que vos faço no final do post....



Final de tarde prenunciando o fim do verão. Os dois casais estavam sentados na esplanada da cervejaria, naquilo que presumo ter sido o primeiro encontro após férias.
Eu deixara-me absorver pelo rumorejar das ondas e enlear pelo sol que acelerava a sua descida em direcção ao horizonte, prometendo um pôr do sol de encantar, mas a volumetria dos decibéis da conversa que se desenrolava a meu lado  perturbava-me os devaneios. Pude perceber, entre frases soltas, que um dos casais tinha ido a Bruxelas ver a filha e depois dera uma volta pela Bélgica.
- Aquilo é muito bonito, pá, mas ao fim de uma semana já só pensava num bom bacalhau assado- dizia ele.
- Eh pá e agora com aquela lei sobre os piropos aquilo deve estar muito desenxabido...- respondeu o outro
Eclodiram no meio da  serena brisa que soprava de norte, estrépitas gargalhadas culminadas com uma sincronia de movimentos que conduziram os braços em direcção às imperiais, até ali postas em sossego sobre a mesa.
A beberragem terminou com o tilintar de copos unidos numa saudação ao reencontro.
Foi a vez de ela dar a sua opinião sobre a Bélgica:
- Mas olhem que eles até são muito civilizados! Imaginem que lá não se pode fazer xixi à beira da estrada, porque se paga multa!
Um silêncio respeitoso se abateu sobre a mesa.
- Pois é! Por não sermos assim civilizados é que o país está como está! - asseverou o outro.
Escapuli-me em direcção ao balcão, paguei a conta e desci até ao areal. Ainda cheguei  a tempo de ver o sol lançar-me um último aceno de despedida.
PERGUNTA: Sabem qual é a praça que está na foto? O Rui da Bica sabe de certeza, não sei é se ele passará por cá hoje...
Dou uma ajuda bastante boa... o nome da praça está relacionado com este post...
TENHAM UM BOM FDS!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Peixinhos de aquário


-Mamã, mamã! Os peixinhos do aquário mudaram de cor!
-Ó Luisinha, não digas tolices…
-Mamã, anda cá ver…
-Agora não posso, mas diz lá como é que eles mudaram de cor
-Deitei água a ferver no aquário….


As praças dos leitores (4)

"Uma praça muito fácil de identificar mas é a praça  mais linda que jamais vi"- escreveu a Catarina que enviou esta foto
Das mais lindas que já vi, também concordo, mas não sei se será assim tão fácil de identificar.
Mesmo que saibam qual é, aconselho-vos a visitarem o blog desta  Contempladora Ocidental, a viver no Canadá.
Entretanto, hoje, podem ir ao blog da Janita, para saberem qual era a praça que ela nos enviou.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sorry!.

Motivo imprevisto obriga-me a estar ausente de Lisboa nos próximos dias. Pior ainda, hoje - e provavelmente também amanhã - não terei acesso à Internet, o que me impedirá de responder aos vossos comentários e acompanhar de perto os vossos palpites sobre as praças que aqui continuarão a ser exibidas, a fim de não alterar a programação estabelecida e já comunicada a todos os participantes.
Por este motivo, não poderei também comparecer à festa de aniversário da sede, o que lamento profundamente.
Assim que me seja possível responderei aos vossos comentários mas, entretanto, continuem a passar por cá, pois há belas praças à vossa espera e também alguns posts amalucados.

As praças dos leitores (3)


A Janita enviou-me duas  fotos, dando-me a espinhosa  tarefa de decidir qual publicar. Escolhi esta que, de acordo com as palavras da autora "é um ex-libris da terra, onde mais tarde, passei momentos de amena cavaqueira com amigos/as de infância, na esplanada do célebre Café (...)?"
Cortei o nome do Café, porque ia facilitar a tarefa aos leitores. Quem não souber, pode ir amanhã ao blog da Janita para saber a resposta e depois bater com a mão na testa e dizer : Claro que é1 Como é que não descobri?
Hoje, podem ir até ao blog da Sun Iou Miou para  ficarem a saber qual era a praça de ontem.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Saudações por medida

-Então muito boa tarde, D. Lurdinhas. Comprimentos ao senhor Viegas!
- Muito obrigado, D. Emília. Ele também lhe manda larguras
- Larguras? Mas eu já tenho as costas largas...
- Então pode ser alturas?
- Ah, isso agradeço, porque sou baixinha e os sapatos stiletto estão muito caros...

Aviso: Voltei a ser atingido por um golpe de calor e o meu cérebro está novamente a asnear. Espero que passe depressa. Entretanto, para salvar a honra desta casa, continuarão a ser publicadas, diariamente, às 9 horas da manhã, as fotos dos leitores que participaram no desafio das "Praças da minha vida".

As praças dos leitores (2)


"Escolhi esta praça (...) porque é um lugar que visito quase diariamente para descontrair depois do almoço, antes de voltar ao trabalho. Desde que há já trinta anos escolhi esta terra para viver a Vila de que esse terreiro é centro não parou de crescer em beleza e cultura. Um oásis (...)"

Esta foi a justificação da Sun iou Miou para a sua escolha. Ela mesmo diz que há pelo menos uma leitora do Onthe rocks que a vai identificar. Eu, confesso, permaneço com algumas dúvidas quanto ao local.
Amanhã vão ao blog dela, para saberem a resposta
Hoje, vão ao blog da São, para saber qual era a praça de ontem.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A brasa


Dois amigos estão à conversa à porta da discoteca
Diz o marreca:
A mulher do Abílio é cá uma brasa! 
Responde o javardo
É sul-americana.
É peruana?
Não, é Galina
Então é ucraniana!


As praças dos leitores (1)


"Escolho a Praça porque vivi nela um dos mais emocionantes e marcantes momentos da minha vida, pois quando o relógio do Palácio Real marcou as 17H, nesta vasta praça a transbordar de uma multidão subitamente silenciosa e de pé, só os sinos e as sirenes dos carros da polícia e dos bombeiros se ouviram. Devo acrescentar que não fui capaz de conter as lágrimas".
Foi com estas palavras que a São justificou a sua escolha. Sabem que praça é? Então, se não sabem, vão amanhã ver ao blog dela, que ela dá a resposta.

domingo, 2 de setembro de 2012

A Rentrée


Ei-los que chegam! Pele tisnada dos ares algarvios, carregando no acelerador o peso das amarguras, ou ensaiando malabarismos em ultrapassagens acrobáticas, num treino para o equilíbrio do orçamento mensal, desaguam nas ruas da grande cidade com o ar triste de quem regressa às rotinas diárias.
Voltam a abarrotar –se os transportes; regressam as filas intermináveis caracoleando nos acessos à cidade; os balcões das pastelarias voltam a animar-se em refeições rápidas de come em pé, num menu “standard” SFB ( sopa, folhado e bica); as escolas voltam a ser palco de disputas entre professores e alunos e o ministro voltará à sua função de árbitro parcial numa contenda interminável.
A cidade volta a tornar-se insuportável, os que cá ficaram suspiram pelo próximo Agosto, ou por aqueles dias de Natal e Ano Novo, quando a cidade se volta a esvaziar, para um encontro repetido de famílias, cumprindo o ritual de troca de presentes.
Até lá suceder-se-ão fins de semana, num movimento de io-io entre a cidade e a “terrinha”, continuaremos a assistir ao regresso a casa de carros a abarrotar de mantimentos e agruras.
Para a maioria das pessoas é assim que se renova a vida. Na sequência repetitiva do asfalto, nas areias de uma praia a abarrotar, no contar de mortos em acidentes de viação, provocados pela incúria e loucura de uns quantos. Para telenovela, o argumento até não me parece mau… mas para modo de vida parece-me curto de ambição!
Bem, mas isto era dantes... Este ano, com a crise, o aumento do preço dos combustíveis, os orçamentos cada vez mais apertados, e sem futebol à borla, os fins de semana serão diferentes. Talvez haja mais gente nas ruas das cidades e menos gente nas estradas. Talvez se recuperem hábitos perdidos de convívio. Talvez...