terça-feira, 18 de setembro de 2012

A minha faceta de voyeur


Nada tenho contra os leitores de revistas cor de rosa e muito menos contra os cabeleireiros, estabelecimentos onde essas publicações são muito requisitadas.
Ter uma rubrica sobre o jet set  neste blog não era, todavia,  meu propósito, mas a única forma de  convencer a  Brites a regressar a Portugal, foi prometer-lhe  que a deixaria escrever no "on the rocks" sobre esse tema.
Aqui chegado, devo confessar-vos que também tenho uma faceta de voyeur que não se manifesta através da leitura de revistas cor de rosa mas sim, como aqui lembra a Brites, pelo prazer que sinto na leitura de biografias. Concedo que estas leituras também revelam uma faceta voyeurista, mas há uma pequena diferença. Estou-me borrifando se a Cinha Jardim passa férias em Porto Rico com a cadela ou em Alcabideche, mas já me desperta alguma curiosidade saber pormenores da vida de um político como Churchill ou Fidel de Castro, por exemplo. Ao ler as suas biografias, fico a perceber melhor a História Contemporânea, o que de alguma forma me enriquece.
Algumas biografias também nos permitem perceber melhor o mundo em que vivemos. Há tempos li, na extinta "Pública", excertos da autobiografia de André Agassi. Fiquei tão empolgado, que me apeteceu ir a correr comprá-la. Talvez isso tenha a ver com o facto de Agassi ser um campeão contranatura, obrigado pelo pai a “trabalhos” forçados para atingir o estrelato. Agassi conseguiu-o mas, por trás do sucesso, há uma história de ódio ao ténis que me interessou.
Até que ponto os pais podem condicionar os desejos dos filhos em prol da sua própria vaidade?Será legítimo um pai obrigar um filho a ser vedeta, contrariando a sua vontade? No mundo do desporto ou do espectáculo há centenas de casos como o de Agassi, mas gostava de saber a vossa opinião sobre as dúvidas que aqui coloco.

7 comentários:

  1. Escrevi agora mesmo um comentário tão longo como uma noite de Inverno, que não foi publicado.
    Penso que foi a net que teve piedade do Carlos.

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  2. Começo a gostar, e muito, desta cotovia Brites!

    Eu também não tenho nada contra as pessoas que gostam de ler revistas cor-de-rosa, contra cabeleireiros, por sinal o único local onde vou lendo algumas dessas revistas. Assim como não tenho nada contra certos voyeurs, que sabem mais sobre a vida de algumas dondocas, do que eu, por exemplo.
    Também gosto de ler biografias e autobiografias de escritores, e se me permites, Carlos, remeto-te para a autobiografia de Miguel Torga. Há uma frase que me tocou tanto que a guardei na memória.
    Falava ele acerca do seu mestre-escola.

    "Continua, rapaz! Honra a terra que te viu nascer e o Mestre que te ensinou as primeiras letras…!"

    Quanto às tuas "dúvidas", obviamente, que nunhum pai tem o direito de submeter um filho à violência de enveredar por uma profissão que não seja de seu agrado.

    Beijinhos!

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  3. Todos temos um pouco de voyeur e sim, quando estou no cabeleireiro aproveito para folhear as revistas cor-de-rosa :)
    Quanto ao exemplo do Agassi e da influência dos pais na escolha do futuro dos filhos, obviamente não concordo com um condicionamento como o que aqui é descrito. Os pais têm apenas o dever de ajudar os filhos a encontrar a sua vocação e nunca de os fazer viver aquilo que os próprios pais não conseguiram viver.

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  4. Suponho que alguns pais pretendem "reviver" nos filhos aquilo que eles próprios não puderam ou conseguiram fazer. Acontece que os interesses destes podem não ser os mesmos, porque se forem está tudo OK! Quando não são, como na maior parte das vezes, trata-se apenas de uma "violência" inexplicável... Doméstica, ainda por cima!

    Raramente folheio essas revistas - acontece de vez em quando, sobretudo nas férias - e não leio biografias. Com isso não quer dizer que não tenha a minha dose de voyeurismo, que imagino ser inata em todos nós. Talvez se revele mais noutros sentidos... ;)

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  5. Aliás a biografia do pianista chinês Lang Lang não toma um caminho diferente deste.Falando em biografias e Fidel Castro acabei de ler " Os últimos soldados da Guerra Fria", escrito pelo Fernando Morais.Quando o livro termina você ainda leva uns dias para voltar ao mundo real.Eu gosto, também, de livros assim!

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  6. Um pai obrigar um filho a ser o que ele gostaria de ter sido, mas nunca foi, é puro desiquilíbrio, caso patológico.
    Tão simples como isso.

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  7. De vez em quando lá folheio uma. Geralmente acontece-me o acidente em sala de espera de consultórios ou em mesa de café onde dolentemente me espreguiço. Raro será passar das primeiras p
    aginas.
    Condicionar os filhos é mais complicado. Quando vivem connosco acabam por herdar vícios, rotinas, tiques até...
    Será condicionamento... ou talvez não.

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