quarta-feira, 26 de setembro de 2012

As vindimas



“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”
( Cântico popular)

As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.Terminei essa vivência, quando tive de procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”.
Ainda hoje recordo, com alguma saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina. Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, há quem pague para poder viver a experiência das vindimas. E há  máquinas para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas?

7 comentários:

  1. Modificou-se...agora os cânticos são "lamentos" silenciosos de quem vindima por "pão"...

    Beijos.

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  2. Há uns anos atrás os meus pais tinham uma pequena vinha. Pequena mesmo. Tão pequena que a vindimávamos num só dia (com a participação de familiares e amigos). Era coisa pouca mas não deixava de ser uma festa.

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  3. Na quinta dos meus avós muitas vezes vi pisar as uvas e uma vez também tive autorização para entrar no Lagar, adorei e ainda me lembro de ver as calças dos homens enroladas até aos joelhos com as pernas muito brancas em relação às e caras e pescoços todos queimados do sol :) era uma festa que acabava sempre com uma grande refeição. Eu era muito pequena mas não esqueci e adoro pensar nesses momentos.

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  4. Ora aí está uma coisa de que tenho inveja. No bom sentido, mas inveja, mesmo assim. Gostava de ter participado numa faina dessas na juventude, aprender o que custa trabalhar de sol a sol no campo. Mesmo sem beijos furtivos pelo meio... :)))

    Mas pronto, como nunca assisti, nem de longe, acabei por ficar com uma ideia via livros, de Miguel Torga ou Moita Flores, ambos de tempos idos e certamente mais difíceis... ;)

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  5. Ainda vi a ministra AC um dia destes de tesoura em riste no Douro, por isso ainda se vindima a sério por lá!
    No meu coro cantamos essa canção!
    É linda!

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  6. Esqueci-me de dizer que sou possuidora a meias com a minha irmã do único lagar onde ainda se se pisam uvas na terra onde nasci!
    Só que as uvas já não são das propriedades da família...
    O lagar é emprestado a um vizinho que tem uma taberna à moda antiga e compra as uvas no Ribatejo! :-))

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  7. Eu também adoro as vindimas e pisar uvas! Na minha terra isso ainda se faz, ao som dos cantares das minhas gentes ;)

    Gostei do cântico!

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