terça-feira, 11 de setembro de 2012

Reencontro


Não nos víamos há mais de 30 anos. Despedíramo-nos em Nova Iorque, numa abrasadora e húmida tarde de Maio de 1977, ia eu para Washington e ela para S. Francisco.
Nos primeiros tempos trocámos cartas, um ou outro telefonema, mas como muitas vezes acontece na vida – principalmente na era pré Internet-  a comunicação foi sendo cada vez mais esparsa, até se interromper, respeitando a ordem natural de quem seguiu percursos e opções de vida diferentes: ela fiel a S. Francisco, eu prosseguindo o meu caminho de andarilho pelo mundo. É verdade que, muito ocasionalmente, íamos sabendo notícias um do outro através de amigos comuns, mas contactos directos não houve mais.
Numa noite de Maio deste ano, a minha mãe telefona-me.
-Tens aqui uma carta para ti.
- De quem?
Com alguma dificuldade conseguiu ler um nome e uma morada. Curiosamente, a carta vinha do Porto, mas nem o nome que a minha mãe lia nada me dizia, nem eu era capaz de perceber a razão de alguém do Porto me ter escrito para a minha casa no Porto…
Uma semana depois fui ver a minha mãe e a carta lá estava à minha espera. Na verdade o remetente era do Porto, mas a carta tinha sido expedida de Berkeley. O nome inscrito no remetente nada tinha a ver com aquele que a minha mãe lera e rapidamente o identifiquei. Era dela.
(Conclui amanhã)

5 comentários:

  1. Muito bem. Vou esperar até amanhã para saber dessas coisas que os amigos e o tempo nos reservam

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  2. "Longe da vista, longe do coração"

    Este provérbio de sabedoria popular faz sentido, porque a distância encarrega-se de destruir e apagar os sentimentos.

    Que recordações ficaram guardadas no coração dessa mulher, para ela não ter esquecido o Carlos, após 30 anos de ausência?

    Estou com curiosidade de saber como esta história fantástica continua; eu cá tenho uma ideia, que para já guardo para mim.

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  3. E ainda falam em coincidências! Pois eu acredito que nada acontece por acaso. Quem sabe essas peças do puzzle se voltam a encaixar e a história não se encaminha para um final feliz?
    É o que eu digo, Carlos. És um tipo tão inesquecível, que após trinta anos essa mulher não te esqueceu.
    Mas aguardemos até amanhã para ver se isso vai dar em romance, ou vai ser um reencontro de velhos amigos. De qualquer maneira o importante é que seja coisa boa!!
    Beijinhos.


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  4. Eu tive uma despedida em N.Y. em Abril de 1990 que me deixou com os olhos úmidos.Anos mais tarde vim a trocar diversos e-mails com a mãe dele, fomos até à um recital juntas. O universo que nos cerca tem umas coisas estranhas...

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  5. Foi para São Francisco?
    Não era chinesa, pois não?
    A família da minha mulher (muitas tias e primas) vive lá.
    Quem sabe....

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