quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tentarei ser breve


Por razões  alheias à minha vontade  terei de abandonar - por um período que espero seja breve-  a vossa companhia. As minhas desculpas.

domingo, 28 de outubro de 2012

E tudo a vida levou!



Foto roubada ao Gabinete do Paulo

A minha mãe fez ontem 98 anos. Não deve ser fácil para ninguém atingir aquela idade mas, para a minha mãe, presumo que seja ainda mais difícil, porque persiste em não sair do Porto, preferindo permanecer na casa onde viveu os melhores momentos da sua vida, mas também os maiores dramas. Não é fácil ver dois filhos com futuro promissor desaparecerem na casa dos 30 anos e de forma absolutamente inesperada. Como não é fácil ver o único filho que ficou no Porto desaparecer pouco depois dos 40 e, tudo isto, em meia dúzia de anos. 
Depois da morte do meu pai- já lá vão 30 anos- pensei que ela se fosse definitivamente abaixo. Mas não. Reagiu como uma fortaleza. Apenas as noites de Natal eram momentos de profunda dor que, apesar de tudo, procurava esconder dos netos.
Quando fez 95 anos ainda foi rainha da festa, mas foi o último aniversário em que a vi rir. A morte da minha irmã, no ano seguinte, fez desabar a sua  última muralha defensiva.
Ontem, quando contemplava a minha mãe e lhe via aquele olhar distante, aparentemente indiferente à nossa presença, sem se alvoroçar com o sotaque brasileiro dos netos e bisnetos, dei por mim a imaginar os filmes que lhe passavam pela cabeça. Mas bastou um gesto para perceber tudo. Agarrou na minha mão e disse-me:
“ Não queiras ser velho, meu filho. Viver demais também é castigo!”
As taças de champagne tilintaram numa alegria fingida. Apagou as velas, esboçou um sorriso forçado, contou-nos histórias da II Guerra Mundial, para mostrar a todos que Portugal já viveu períodos mais difíceis do que o actual, contou uma anedota sobre PPC e Cavaco - que reproduzo no CR.  Riu-se e fez-nos rir mas  por fim, cansada de tanta teatralização, foi desabar na penumbra do escritório onde vai escrevendo o seu diário.
Respeitámos-lhe o gesto e a privacidade mas, ao fim de uma hora, fui ter com ela. Estava sentada na cadeira de baloiço, lágrimas silenciosas correndo-lhe pela face, agarrada à fotografia do marido e dos filhos. As únicas memórias que lhe restam.
Hoje, de regresso a Lisboa num Alfa vespertino, relembro as suas palavras. Não posso deixar de lhe dar razão. Quando se perde filhos e amigos, a pouca família que nos resta está distante, quando tudo o que nos é querido desaparece, viver também pode ser castigo!
( Desculpem o desabafo!)

sábado, 27 de outubro de 2012

Porque hoje é sábado...


Lembrei-me desta moeda, que ficou conhecida para a posteridade com o nome de "Marcelinhos", a propósito de um post que ( se tudo tiver corrido bem...) será publicado hoje no Crónicas do Rochedo, lá mais para o final da tarde.
Sabem porque chamavam  a estas moedas"marcelinhos"?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Crónica de uma canalhice


(Crónica só para adultos, não aconselhável a pessoas sensíveis!)
Nasci com todas as condições para vir a ser um adulto machista, impertinente e a cheirar a cavalo, apreciado por muitas mulheres que certamente detestaria.
Caçula de uma família burguesa do Porto, mantendo tradições que já nos anos 60 cheiravam a mofo, fui “ensinado” a olhar para as mulheres como um objecto decorativo, instrumento de prazer, hábeis na gestão da vida familiar, prendadas para os bordados e criadas para casar com tipos ricos que perpetuassem a tradição familiar.
Aos 14 anos, olhava para as minhas primas como seres inferiores, cuja única função, terminada a fase dos baptizados das bonecas, seria a de parideiras, boas donas de casa e extremosas esposas e mães.
Se hoje sou solidário com as mulheres e as vejo como iguais, isso não se deve às leituras que fiz, ao facto de ter abandonado o Porto e o seio familiar aos 17 anos para me tornar independente, ao Maio de 68, ou a uma vivência em vários continentes, durante muitos anos. Quase diariamente, vejo na televisão pessoas com um percurso idêntico ao meu ( com alguns dos quais partilhei momentos da minha juventude) e nem preciso de falar com eles, para perceber que apesar das aparências exteriores, se mantêm iguais ao que eram na juventude.
O que me fez tornar solidário com as mulheres e passar a olhar para elas como companheiras e não meros complementos sexuais foi, confesso, um momento de pura canalhice juvenil.
Era Setembro e estava a passar o final das férias na quinta de uns amigos nos arredores de Ponte de Lima. A filha dos donos da casa (amigos dos meus pais) fez anos e deu uma festa. Em casa, como era habitual naquela época. Com dois amigos mais velhos e a cumplicidade da minha amiga Petra W decidimos introduzir um gravador no quarto onde as raparigas deixavam os seus casacos e se iam retocar. Queríamos apenas saber se nas conversas que travavam entre si, uma delas retribuiria os sentimentos que um de nós sentia por uma delas. Estávamos longe de imaginar o que iríamos ouvir...
Terminada a festa, reunimo-nos num quarto para ouvir a gravação. O resultado foi uma surpresa. Foi nesse dia que percebi que as raparigas da minha idade não se interessavam apenas por bordados, culinária e vestidos, pelo Johny Halliday ou pela leitura do “Salut Les Copains”. As raparigas da minha idade partilhavam das mesmas preocupações que os rapazes, tinham conversas sobre as mesmas questões dos rapazes e discutiam problemas sexuais como os rapazes ( com o à vontade possível na época, entenda-se...).
Quando do gravador saiu a voz de uma jovem lisboeta que passava parte das férias no norte, a dizer que um determinado fulano ( de que nenhum de nós gostava e muitos portugueses ainda hoje detestam) lhe fazia um “grande tesão” , caímos das nuvens. Como era possível que as mulheres tivessem uma coisa dessas? Andaríamos a ser enganados pelo professor de Ciências Naturais? Ou seria uma coisa só das raparigas de Lisboa? Estávamos incrédulos. Como era possível uma mulher ter “aquilo” e ainda por cima gabar-se diante das amigas?
A partir desse dia a minha forma de olhar para as mulheres mudou radicalmente. O meu percurso de vida fez o resto, mas aquela foi uma data marcante, porque me fez pensar sobre o que ouvira e chegar à conclusão que entre homens e mulheres havia mais semelhanças do que diferenças. As mulheres poderiam ser aquilo que elas quisessem, se lhes fossem dadas as mesmas oportunidades e se libertassem do casulo de uma educação castradora que as queria condenar a tornarem-se dóceis donas de casa, fiéis aos maridos e assistindo, resignadas, às traições dos seus consortes.
Percebi, nesse dia, que a orientação das leituras infantis (com colecções denominadas “ Biblioteca dos Rapazes” e “Biblioteca das Raparigas”), os brinquedos diferenciados “p´ró menino e p´rá menina”, as brincadeiras “próprias de raparigas”, ou o rosa interdito aos rapazes, eram códigos de mentiras que apenas pretendiam manter o domínio do homem sobre as mulheres.
Só por isso, acho que valeu a pena aquele momento de pura canalhice juvenil!
( Post publicado em 5 de Agosto de 2008 no CR, que republico na sequência do post de ontem)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

De Ofir a Hannover


Praia de Ofir (foto roubada aqui)

A minha amiga Petra W. telefonou-me ontem da Alemanha. Como vem acontecendo nos últimos anos, ela não me dá os parabéns. Limita-se a dizer " lá me fugiste outra vez" ( Durante dois meses temos a mesma idade, pois ela faz anos em Agosto).
Para quem não saiba, a Petra W. é minha amiga de infância. Conhecemo-nos ainda crianças, nas areias de Ofir e construímos, ao longo dos anos, uma amizade inquebrantável.
Se seguiram os links acima, já sabem que ela é uma apaixonada por Portugal, pelo que a situação porque estamos a passar a deixa profundamente incomodada. É, por isso, uma feroz crítica de Merkel, a quem não poupa epítetos pouco abonatórios e não andam longe dos que lá na sede já tenho atribuído à bola de Berlim com pêlos.
Ontem, durante a conversa, contei-lhe que Marcelo Rebelo de Sousa, com o apoio da câmara de Cascais, vai fazer um filme sobre Portugal para ser exibido aos alemães. Primeiro ela riu-se mas depois, com aquela voz azeda tão germanófila, disse:
- Não precisam de gastar dinheiro com filmes. Os alemães sabem muito bem o que se está a passar com Portugal e os mais alfabetizados percebem que a Merkel está a cometer um erro enorme, impedindo que vocês e os gregos sejam ajudados pelo BCE. Ela está com medo de perder as eleições e, apesar de ser inteligente, vai alimentando a ideia de que não podem ser os alemães a pagar a crise dos outros - é assim que pensa o alemão analfabeto -  em vez de explicar que, se vocês e os gregos saírem do euro, nós aqui vamos ter consequências terríveis.
Eu sei que há muitos alemães a pensarem do mesmo modo e que a imprensa portuguesa dá, por vezes, uma imagem dos alemães que não corresponde à realidade. Lá, como cá, a massa anónima e politicamente analfabeta é que ganha eleições, mas seria expectável  que num país tão "evoluído" como a Alemanha, os políticos tivessem a coragem de explicar aos cidadãos alemães os efeitos nefastos para as suas bolsas, no dia em que Portugal e Grécia saiam do euro. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Menos um...


"Procurei no dicionário,
Com paciência e cuidado,
O real significado
Da palavra aniversário.
Aquele livro pesado, 
Mestre dos visionários,
"Pai dos burros" batizado,
Pareceu-me sectário,
Ao responder meu chamado.
Deveras decepcionado,
Joguei o meu dicionário
Na estante, empoeirado,
Para pregar, solitário,
O meu significado
Da palavra aniversário.
Diz assim, o verbete lendário,
Ontem, por mim criado:
"Aniversário: Espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."
(Carlos Eduardo Drummond)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Erizera, dices?



Já tinha estado em Portugal, mas não conhecia Lisboa. Estivera comigo a fazer uma reportagem sobre o Douro vinhateiro e, antes de regressar a Lisboa, levei-a ao Porto. Ficou tão maravilhada, que por ali quis ficar os 3 dias que ainda tinhamos disponíveis.
  “Lisboa fica para a próxima”- garantiu-me.
A oportunidade deu-se agora, em escala a caminho da Croácia.
Começámos sábado, manhã cedo, na Quinta da Regaleira, curiosidade imensa desperta pelas histórias do local. Depois caminhada até ao Palácio da Pena onde se deslumbrou.
Paragem na Praia das Maçãs , em casa de amigos, para um aperitivo antes do almoço em Ribamar, com o mar em fundo.
Caminho de regresso para paragem na Ericeira. Ficou especada, olhando o mar que lhe fez lembrar Punta Arenas natal. Sentados no terraço do Vila Galé, recordámos tempos partilhados mais a sul, onde a Argentina e o Chile trocam um beijo fugaz.
Foi um martírio para a tirar da Ericeira, mas lá se fez o regresso por Colares, cabo da Roca e Guincho onde lhe mostrei o meu Rochedo.
O jantar estava programado para as Furnas, mas a brisa fresca alterou os planos. Optei pelo novo Gordini e depois encontro com amigos latino-americanos.
México, Chile, Argentina , Uruguai, Brasil e Honduras em conversa animada, testemunhada por uma deslumbrante  lua em quarto crescente, iluminando a marina. A conversa não podia deixar de se centrar na América Latina. Enquanto decorria a conversa, ia pensando na solidariedade dos latino-americanos, tão contrastante com o "cada um para seu lado" que caracteriza a Europa. Também se falou de Portugal e dos portugueses, de histórias sobre as quais não quero agora aqui escrever.
O domingo foi passado em Lisboa, percorrendo os locais obrigatórios. Os miradouros provocaram um disparar constante de fotografias , entrecortados por “ Mira! Estupendo! Qué maravija!" ( assim mesmo, com sotaque sulista…).
Ontem foi fazer compras com uma amiga comum (mexicana a viver há anos em Lisboa) e despedir-se de Lisboa. Vai encantada, mas ninguém lhe tira aquele nome da cabeça.
“ Erizera, dices?” Corrijo o nome no mouleskine dela. Relembro-lhe os elogios que fez a Sintra, mas permaneceu na dela.
“Belíssima, pero tengo que pasar una noche en el hotel de Erizera, quando vuelva de Croácia”.
Revelo-lhe o número do melhor quarto, onde o amanhecer pode ser mágico, quando o tempo ajuda.
“Reservalo, para…”.
Combinado, Marcella! Buen viaje hasta Hvar. Que lo desfrutes!

domingo, 21 de outubro de 2012

Conversa à volta da lareira



Disse um dia destes à minha empregada:
- Tenha cuidado, que um dia destes vão proibi-la de acender a lareira.
Ela riu-se. Eu insisti. Ela mudou de conversa. Eu voltei à carga.
- Mas quem é que me vai proibir de acender a lareira em minha casa e porquê?
- O Estado, para proteger a sua saúde.
Ela riu-se mais e depois atirou:
- O Estado? Mas que é que o Estado quer saber da minha saúde? Há dois anos o médico disse-me que tinha que ser operada aos joelhos por causa da artrose. Disse que era urgente , mas ainda estou à espera que marquem a operação...
- Pois, mas também é para proteger o ambiente...
- Então porque é que eles deixam arder tudo no verão?
Eu ri-me. Ela riu-se. Saí de casa e fui pôr o lixo no ecoponto.
Dirigi-me para a estação de Metro caminhando ao lado de uma longa fila de automóveis, movendo-se a passo de caracol. Tive que levar o lenço ao nariz para não respirar toda aquela fumarada que saía dos escapes dos automóveis que transportavam ( quase todos ) apenas uma pessoa. Esta não é uma questão que preocupe o Estado. Sorri, peguei numa pedra da calçada e arremessei-a ao ar. Na direcção do Estado, que mais uma vez se esgueirou por entre as curvas da incoerência. Corria, leve, uma brisa de demagogia!

sábado, 20 de outubro de 2012

Porque hoje é sábado




Manuel António Pina deixou-nos ontem. Na verdade, o prémio Camões 2011 já nos tinha deixado quando a doença  o impediu de escrever as suas crónicas, que eu não só lia, mas guardava. Era um dos melhores cronistas, um  grande jornalista e um dos nossos melhores poetas.
Muitos  na blogosfera recordarão os seus poemas, mas eu prefiro homenageá-lo com uma das suas crónicas no JN.


"À medida que vão surgindo na Imprensa notícias de relatórios, encontrados em poder do ex-espião Jorge Silva Carvalho, sobre a vida privada de jornalistas, sinto-me cada vez mais discriminado. Então e eu? Será a minha vida privada tão desinteressante que, jornalista há 40 anos, os espiões do SIED e do SIS não têm nada a relatar sobre, como os velhos informadores da PIDE, o meu "porte moral"?
É triste chegar quase aos 70 e ter a esquisita sensação de que a minha vida é, afinal, um livro tão aberto (ou tão fechado) que nenhuma "secreta" quer saber quem são os meus amigos e os meus inimigos; se tenho família, dívidas, pensamentos, conta bancária, colesterol; se continuo a receber pelo correio "folhas de jornais franceses" (arquivadas na Pasta 10/1); se alguma coisa "consta em meu desabono, moral e politicamente"; se serei "desafecto ao regime" ou, até, "adversário do regime", ou então se não se conhecem as minhas "verdadeiras tendências"; se minha mulher teve uma "rígida e exemplar educação" e que foi feito da tal "doença cancerosa" que, segundo o bem informado Relatório n.0º 202/72/SC da PIDE/DGS, lhe "teria surgido"; etc..
A minha esperança é que tudo isso seja Informação Estratégica de Defesa e que, quando a Ongoing desvincular Silva Carvalho do segredo de Estado, eu descubra que, como os outros, também tenho uma vida merecedora de relatório com 16 páginas."

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Promoções



Antes
629
Agora   
641

 Nos tempos exuberantes da sociedade de consumo, quando o dinheiro era barato e os consumidores eram incautos, este chamariz funcionou.  Agora é mais difícil...


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Palavras para quê?



Não era grande actriz, mas faz parte da (minha) história do cinema. Ainda que seja apenas uma nota de rodapé...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Chove...

Chove lá fora. Chove em mim. Cada gota que cai é uma grilheta que me agarra à lembrança de que está a chegar o Inverno.  Quero  voar para sul nas asas da Primavera.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Chegaram as castanhas




Na semana passada, ainda vendia gelados. Hoje apareceu, no seu poiso habitual do Saldanha, a vender castanhas.
Como ainda não está frio para comer castanhas e já não está calor que convide àqueles gelados, os clientes têm sido poucos.
Moral da história: com as alterações climáticas, alguns vendedores ambulantes também têm que repensar a sua oferta. É preciso encontrar um produto meia estação que alicie os fregueses.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Top 50




Depois da saga “Os 50 livros que toda a gente deve ler”, o “Expresso” ofereceu-nos, este fim de semana, “Os 50 filmes que toda a gente deve ver” ( Presumo que o próximo – e espero derradeiro- episódio  seja “As 50 canções que toda a gente deve ouvir”) .
Não sei a razão de o “Expresso” ter escolhido o número 50. Porque não 100? Ou 25? Isso não é o mais importante… Creio, no entanto, que esta saga do semanário mais lido em Portugal se inspirou muito nos blogs. Também eu já tive, no CR, uma série sobre os filmes da minha vida e vi, noutros blogs, idênticas séries sobre livros ou canções.
 Estas séries, na blogosfera, parecem-me até interessantes, porque favorecem a interacção entre os bloggers, mas em jornais não lhes vejo qualquer utilidade. Se a escolha fosse feita pelos leitores, ainda vá, agora pelos críticos?
Mesmo assim, dei-me ao trabalho de ler a lista e ver quantos filmes, entre os 50 que o “Expresso” garante que toda a gente deve ver, eu tinha visto. Foram 28, o que me parece um número interessante, mas constatei duas coisas:
1- Nem todos os 28 estão entre os que eu considero que toda a gente deve ver.
2- Falta lá aquele que é, ainda hoje,  o “filme da minha vida”: Cinema Paraíso.
Não me dei ao trabalho de comparar a lista do “Expresso” com a lista que elaborei há uns anos no CR, mas sei que alguns estão lá.
Bem, mas o que eu queria dizer é que me parece muito provável que se decidir hoje fazer uma nova lista sobre os livros e filmes da minha vida, provavelmente não coincidirá totalmente ( principalmente em matéria de livros) com as listas que noutros tempos elaborei.
Mesmo assim, um dia destes vou responder ao desafio da Teté e elaborar a lista dos 50 livros de que mais gostei.
Quanto aos filmes, talvez os vá despejando aqui a conta gotas e, no final, irei comparar com a lista que  elaborei há uns anos no CR.
E vocês? São capazes de dizer  qual o livro ou filme que mais vos marcou em toda a vida?

domingo, 14 de outubro de 2012

Aplausos


Mazagran é o primeiro livro de J. Rentes de Carvalho que estou a ler. Fui atraído pelo título, que me traz recordações de infância.
Logo nas primeiras páginas, Rentes de Carvalho diz que tinha 11 anos quando bateu palmas com convicção.
Comecei a pensar que também eu há muitos anos não batia palmas com convicção. Devo mesmo confessar-vos que sou um bocado avaro nos aplausos. No entanto, ontem, na Praça de Espanha, voltei a sentir esse prazer.
E vocês, quando foi a última vez que bateram palmas com convicção?

sábado, 13 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Valha-me S. Gonçalo!


O telefone tocou à hora do jantar, razão suficiente para ficar irritado.
 Era o Gonçalo que pretendia falar com uma senhora que já não vive cá em casa há anos. Comuniquei-lhe o facto, mas o Gonçalo não se descoseu:
- Não faz mal, posso mesmo falar consigo...
- Então diga lá, mas rápido, porque estou a jantar.
- Sou da DECO Proteste e queria convidar a senhora ( não interessa o nome para o caso) ou algum dos seus familiares a tornar-se sócio da DECO Proteste com 50% de desconto.
- Olhe lá isso da DECO não é uma associação de consumidores?
- Exacto... a DECO é a maior associação de consumidores de Portugal e estamos a dar-lhe a possibilidade de se tornar sócio com 50% de desconto.
- Mas a DECO não é crítica do Marketing Directo? Não chega encher-me a caixa de correio com  propaganda, apesar de eu ter um recipiente próprio no prédio para o efeito? ( ....)
O Gonçalo é um rapaz educado e não merecia ser alvo da minha fúria. Mas eu sou como os cães, quando me interrompem a refeição entro em fúria.
Daí o meu conselho (não ao Gonçalo, mas à DECO)
Quando fizerem campanhas de educação alimentar, não se esqueçam de introduzir um item onde se diga: “ Não atender o telefone à hora das refeições, porque pode ser o nosso serviço de marketing directo a querer impingir-lhe uma assinatura das nossas revistas e isso faz mal à saúde. Pode inclusivé parar a digestão.”
Pelo menos assim, os consumidores ficavam avisados...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Ardina




Ainda sou do tempo em que comprar um jornal era um hábito diário. Mesmo em Portugal, onde havia censura, as pessoas não dispensavam pelo menos um jornal diário e habituaram-se a ler nas entrelinhas, aquilo que a Censura cortava, mas o jornalista tinha arte para ludibriar.
No Porto e em Lisboa, compravam-se pelo menos dois, pois havia jornais vespertinos, que saíam à rua depois das cinco da tarde. O Diário do Norte era o vespertino do Porto e arredores, mas em Lisboa havia sempre três opções: Capital, Diário de Lisboa e Diário Popular.
Os jornais eram também entretenimento e, naquela época, funcionavam como uma espécie de rede social. Quantos namoros não começaram à custa das palavras cruzadas que se faziam em conjunto? Na Grãfina e na Suprema, em Lisboa, se começaram a desenhar alguns casamentos, enquanto ela perguntava " o que é suíno com duas letras" e o , enlevado, respondia " sou eu"
Muitas crianças ( entre as quais me incluo) aprenderam a ler nas páginas dos jornais. Nesse tempo, o ardina era a Internet a que tínhamos acesso. Pela manhã distribuía os jornais pelas casas dos fregueses. Bem cedinho, para que pudessem dar uma primeira leitura ao pequeno almoço, antes de irem trabalhar. Os ardinas eram verdadeiros artistas na arte do arremesso. Da rua, conseguiam fazer aterrar um jornal na varanda de um sétimo andar ( naquela época as marquises ainda não faziam parte da estética urbana) com uma precisão que me deixava fascinado.
Cumprida a tarefa da distribuição, vinham para a rua anunciar os jornais entoando pregões. Um deles ficou bem célebre. “ Lisboa, Capital, República, Popular” gritavam alguns ardinas pelas ruas de Lisboa, ao final da tarde, utilizando o nome dos três vespertinos e do jornal República (que, se a memória não me atraiçoa, saía ao final da manhã) num acinte divertido ao Estado Novo.
O ardina era uma figura indissociável dos jornais e o seu melhor promotor. Em cada dia, sabia destacar os melhores títulos para aguçar o apetite de quem passava. Principalmente ao final da tarde quando, de regresso a casa, muita gente era atraída pelos pregões apelativos.
Depois vieram os quiosques e os ardinas começaram a desaparecer das ruas das grandes cidades. Com eles se perdeu uma parte da história de Lisboa e Porto. Bem merecida a estátua  que  perpetua a sua  memória.
( Esta é a minha  homenagem ao ardina, mas também a "o Público" cuja morte foi ontem sentenciada. Bem, na verdade, os jornais começaram a morrer, quando os ardinas desapareceram das ruas das cidades)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Histórias cá do meu bairro




Encontro-a todas as semanas na pequena mercearia onde nos abastecemos de queijos, enchidos e outras iguarias vindas directamente de  produtores nortenhos. É uma pessoa bem disposta, a quem a vida parece correr sempre bem, de quem nunca ouvi um queixume sobre a carestia dos produtos, os desaforos de governantes, ou a má sorte da vida. Todas as semanas entabulamos dois dedos de conversa enquanto esperamos pela nossa vez. Às vezes o marido vem ter com ela. Chega, beija-a na boca, manda uns palpites sobre os queijos e conta-me uma anedota. Apesar de a maioria delas já se ter transformado em relíquia, ele faz questão de frisar“ esta é fresquinha”.
Já não os via desde finais de Maio, antes de eu partir para sul. Na última quinta-feira ela lá estava. Fiz-lhe uma saudação efusiva, a que ela correspondeu com um sorriso carregado de amargura. Depois perguntou-me:
- Não estranhou a minha ausência?
Respondi que sim e até já perguntara ao sr. Alcides por ela, mas o proprietário da velha mercearia não me soubera dar resposta, estranho que também ele andava pelo desaparecimento da assídua freguesa.
- O mundo caiu sobre mim de um dia para o outro!
-Então que lhe aconteceu, D. Angélica? 
- O meu marido deixou-me!...
Já não me surpreende ouvir relatos de casais sexagenários que, depois de mais de 30 anos de vida em comum, decidem separar-se, mas aqueles dois sempre me pareceram tão enlevados, que por vezes me faziam lembrar os meus avós paternos. 
- Mas deixou-a porquê?- perguntei sem pensar a pergunta
Vi os olhos humedecerem-se-lhe.
- Olhe, foi em Julho, na véspera de fazer anos. Acabámos de jantar, ele como sempre foi para a sala ver as notícias da TVI 24 enquanto eu fazia o café. Quando cheguei à sala ele estava a dormir. Estranhei, porque não era costume ele adormecer antes de eu lhe levar o café  e disse “ acorda, dorminhoco, já te esqueceste que ainda não tomaste o café?”. Ele não respondeu. Abanei-o e nada…
Já não conseguiu conter as lágrimas e apenas balbuciou:
- Faz-me tanta falta! Tanta falta!

E a resposta é....


A Teté foi a primeira a identificar o local, embora à terceira tentativa.  Não sei se terá acertado na resposta na sua totalidade, mas percebi que identificara o monumento.
Depois, quando publiquei a foto, a São e a Mona Lisa acertaram em 50% cada uma. A resposta correcta seria Zimbório do Panteão Nacional.  ( também conhecido por Igreja de Santa Engrácia, mas isso é uma longa história)
E porque é que só assim a resposta está certa? - perguntarão os leitores
A resposta é simples: só no último fds de setembro é possível subir ao Zimbório  ( bem lá no cimo...) e desfrutar de uma vista maravilhosa.
Aliás, a visita proporcionou-me outro episódio muito interessante que contarei aqui num dos próximos dias.
Obrigado a todos pela participação!
Aditamento à acta: Afinal a acta dos resultados estava errada, pelo que aqui fica a respectiva correcção:
Os acertantes foram: o Rui da Bica ( acertou em cheio mas eu não consegui decifrar a mensagem -aliás fantástica, como poderão ler na caixa de comentários-  pelo que me penitencio) e a São, cujo recurso foi aceite pelo júri. A Mona Lisa  acertou em 50%, como anteriormente referido, a Teté foi desclassificada, a seu pedido, porque afinal não acertou e quanto à Janita, fica também com um acerto de 50%
Uff! Quem me manda a mim meter-me naquilo que não sei? Vou treinar  para o blog do Rui e, quando me sentir em condições de fazer estes desafios, voltarei a tentar. Até lá, os desafios serão à moda antiga :-)))))

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mais uma dica...

Com esta foto já chegam lá?

Ora digam lá...





Só um fim de semana por ano é possível tirar fotografias no local de onde eu tirei estas. Sabem dizer qual foi, recorrendo ao método Rui da Bica, sem desvendar o local exacto onde eu estava?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Baixaram o rating da socialite!


Estou que nem posso! Se o Carlos me aparecer à frente nem sei que lhe faço! Estava eu tão sossegada lá pela América do Sul, voando entre o Brasil e a Argentina, e deixei-me convencer pelas palavrinhas dengosas dele. Maldita hora em que regressei. Não, não tem nada a ver com o governo, não me preocupo com essas porcarias. Façam lá o que quiserem que a mim não me afecta nada…Conhecem algum político com sucesso no jet set? (O Santana Lopes ainda andou por lá, mas quando aparecia nas revistas era por mérito das companhias e não por ele.O quê? Quem foi que aí falou do Coelho? Não me façam desatar já aqui às bicadas! Aquilo é mais parolo do que o primo do Sebastião que anda no gamanço em Massamá...)
O que verdadeiramente me chateia e dá ganas de bater a asa daqui para fora, não tem nada a ver com política. É não ter nada para fazer! No Rochedo deito uma olhadela a uma revista cor de rosa de um casal deitado na areia, e aquilo parece uma revista gay, tanto é o jet set abichanado! Vou até à varanda do dr. Arménio – que noutros tempos era um local para recolher boas informações sobre o jet set, porque tinha muita variedade de revistas - e agora só lá vejo a Playboy que traz na capa uma gaja nua de quem nunca ouvi falar. Alguém me sabe dizer quem é a Marta Pereira? 
Outro dia  consegui entrar de penetra numa sala de cinema para ver o “Morangos com Açúcar” mas saí meia hora depois, porque aquilo parecia um bordel. À saída encontrei duas velhotas  a conversarem sobre o Renato Seabra que matou o Carlos Castro. Parece que o rapazito até o fez com boa intenção, porque queria salvar os americanos da SIDA, mas fez duas asneiras de uma assentada: descredibilizou o jet set nacional e matou a indústria cor de rosa.  Onde é que andam as Lili Caneças, as Cinha Jardim e todas as glamourosas deste país? Estarão na Casa dos Segredos, ou piraram-se todas para ao pé da Adriana Xavier, para aprenderem com ela como se chega ao jet set sem esforço? ( bem, talvez esteja a ser injusta...não sei se dar um beijo a um polícia durante uma manif não implica esforço...)
Quando regressei ao Rochedo para escrever a crónica lamentei-me ao Carlos por não ter assunto. Sabem o que é que ele me respondeu?
“ Tens razão, Brites, mas a culpa é das agências financeiras, que baixaram o rating do jet set português para jet quatro e meio. Daqui a nada, o nosso jet também fica ao nível do lixo!”
Olha a minha vida! No que eu me vim meter! Não tarda nada bazo daqui e o Carlos que se amanhe. Este país está mesmo uma pasmaceira…

Explicação aos leitores

Andei ausente da blogosfera durante todo o fim de semana e uma das razões foi esta...

domingo, 7 de outubro de 2012

Diego


Os pais quiseram registar o filho com o nome de Diego. A Conservatória não aceitou e os pais recorreram para justiça que confirmou a decisão, alegando tratar-se de um nome castelhano com equivalência na língua portuguesa.
Compreendo a frustração dos pais. Uma coisa é ter um filho Diego e outra é ter um que se chame Diogo ou Tiago . Diego faz logo lembrar Maradona , irreverência , multidões vibrando com vitórias e obras de arte desenhadas em rectângulos verdes pelo mundo inteiro . Diogo também faz lembrar multidões mas…. de rostos macambúzios , marcados por derrotas eleitorais num rectângulo à beira mar. Ora isto faz toda a diferença!
Num mundo globalizado e onde as redes sociais desempenham um papel tão determinante, não creio que faça sentido esta restrição onomástica
Quando a criança tiver seis anos e começar a frequentar o Twitter e o Facebook, vai escolher o nome que lhe apetecer, para quê tanta embirração com estes pormenores? Ainda por cima, quando ninguém pode assegurar que o Diogo, atingindo a idade adulta, não opte por se chamar Marlene...

sábado, 6 de outubro de 2012

Porque hoje é sábado

" A mulher alemã não é complicada. Dada a sua experiência com a ditadura, tem outras prioridades. Não passa horas a falar sobre espécies de carne biológica. Para ela, ou há carne ou não há"
(Reiner Haseloff, ministro presidente da Alta Saxónia)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quero!


Quero ter liberdade para dar os meus passeios a pé em vez de ir ao ginásio; quero ter liberdade para decidir o que vou pôr à minha mesa em cada dia; quero ser dono do meu corpo e artífice da minha vontade; quero ter liberdade para construir a minha história.
Não quero que me tracem os itinerários que devo seguir; não quero que me regulem a vida desde que me levanto até que me deito; não quero que me defendam se não quero ser defendido; não quero ser apenas um robot numa sociedade comandada por interesses meramente economicistas; não quero um mundo dirigido por tecnocratas cujo único propósito é servir a multinacional do medo. Afinal, não é preciso muito para ser feliz!

Os meus pecados (4)

Como uma todas as manhãs  em jejum.
Muitos dirão que não se trata de um pecado mas, a esses, lembro que foi uma trincadela numa maçã que lixou isto tudo. E nem é preciso lembrar que a culpa foi de uma mulher víbora e de um homem fraco.
É certo que eu como a maçã cepriega ( a Baixinha nunca há-de conseguir pronunciar esta palavra direito) por razões de saúde, mas em certas épocas do ano -e em alguns locais do planeta- é tão difícil encontrar  maçãs destas com qualidade, que às vezes penso que o preço que pago po elas é um verdadeiro pecado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Muito riso, pouco siso?


Como hoje se comemora o Dia do Sorriso, o post pretende fazer-vos sorrir. Espero ter conseguido...
Um informático está numa ilha deserta há anos, depois de um naufrágio .Certo dia avista um ponto brilhante no horizonte e começa a segui-lo com o olhar. "Não é um navio", pensa o nosso herói. E o ponto aproxima-se, aproxima-se."Não é uma barcaça".E cada vez o vulto estava mais perto!"Não é uma jangada!?!..."
E eis que das águas emerge uma Mulher, com fato de mergulho! Dirige-se a ele e pergunta:
- Há quanto tempo não fumas um cigarro?
- Há dez anos! - responde o náufrago espantado.
Ela abre um bolso interior do seu fato impermeável e dá-lhe um cigarro.
- Mas que bem que isto me está a saber! - diz ele.
- Há quanto tempo não bebes um whisky?
- Há pelo menos dez anos!!! - responde o náufrago, ainda meio atarantado.
Então ela abre outro bolso interior, tira uma garrafinha de whisky e dá-lha! O homem bebe tudo de um trago, ainda descrente com o que lhe estava a acontecer, mas muito, muito feliz! Então a Mulher começa a baixar o fecho principal do fato e pergunta-lhe:
- E há quanto tempo é que não te divertes a sério?...
Aí, o nosso homem grita, louco de felicidade:
- Eh, pá!!! Tu não me digas que tens aí um portátil?!...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

No Lar com os nossos Velhos


Ontem foi o "Dia do Idoso", mas como era também o dia da Brites, deixei este post para hoje.  Publiquei-o, originalmente, no CR em 2010, mas mantém-se de tal forma actual que não resisti a republicá-lo aqui, para os leitores que não o leram.

Andei pelo país a fazer um trabalho sobre os nossos velhos. Visitei dezenas de lares, falei com dezenas de velhos que vivem sozinhos, em lares ou em casa de familiares. Quase todos tinham em comum a tristeza de terem perdido a independência e viverem a cargo de filhos, familiares ou amigos.
Entre as muitas entrevistas que fiz, encontrei gente com passados desafogados, (“ vidas lindas” como me dizia uma mulher num lar próximo de Coimbra) que hoje vive com dificuldades financeiras. Algumas dessas mulheres nunca trabalharam. Ou melhor… nunca tiveram uma actividade profissional remunerada, porque trabalho ao longo da vida nunca lhes faltou. Tratar da lida da casa, cuidar e educar os filhos, ter “o comer” pronto sempre a horas, é trabalho e duro, principalmente para mulheres minhotas como a D. Henriqueta que, mesmo contando com a ajuda de duas “criadas”, teve de penar para educar seis filhos e "um marido leviano”, mas intolerante quando o almoço ou o jantar não estavam na mesa à hora certa.
“Era mais certinho que um relógio!” – diz-me enquanto puxa de um lenço para secar a água que lhe assoma teimosamente aos olhos. “São as cataratas...”- explica enquanto dobra o lenço na mão fechada.
O rosto de D. Henriqueta não denuncia os seus 83 anos. Pele cuidada- provavelmente sempre acariciada com os melhores cosméticos - exalando o odor de um perfume caro que a nora lhe ofereceu no aniversário. Vestuário cuidado, onde não se vislumbra um vinco de desmazelo, uma certa altivez no olhar. Diálogo fluido revelando interesses culturais.

“ Porque está num Lar?”
Junta o polegar ao indicador e, com gestos rápidos e ritmados, mas sem pronunciar uma palavra, faz-se entender: questões financeiras. A conversa desenvolve-se nesse sentido. O marido morreu em 1976. Deixou-lhe uma boa conta bancária e a bela mansão onde viviam. D. Henriqueta tinha uns baldios herdados do pai, mais três filhos ainda a estudar. Assegurar que os filhos mais novos teriam uma educação igual à dos outros, foi a sua prioridade. Como o marido nunca descontou para a segurança social, porque antes do 25 de Abril os descontos não eram obrigatórios,D. Henriqueta não tinha rendimentos e foi obrigada a ir vendendo as terras.
Saco de onde se tira e não se põe, depressa se lhe vê o fundo”- diz sem lamúrias. Foi isso que lhe aconteceu. Um dia, em 2009, viu-se sem dinheiro e disse ao único dos seis filhos (todos rapazes) que vive em Portugal: "estou falida!"
De um dia para o outro viu-se num lar. A casa onde viveu durante mais de 50 anos foi vendida para pagar as despesas, porque a pensão de sobrevivência não dá nem para os alfinetes.
D. Henriqueta está a ter um fim de vida igual ao que muitos portugueses idosos hoje vivem, porque antes do 25 de Abril o Estado também defendia que cada um devia assegurar a sua velhice.
Para bom entendedor...

Os meus pecados (3)

Assim que me apanharam no confessionário, a admitir a prática de pequenos pecados veniais, logo alguns leitores pediram sangue! 
Queremos mais, queremos mais! - reclamava uma confessora ( perdão, leitora...)  pedindo que eu passasse aos finalmente e começasse a enunciar os pecados mortais.
Pois bem... não tive outro remédio, senão satisfazer a exigência e aqui estou a confessar este pecado mortal. Cometo-o três vezes ao dia- quatro ou cinco  em dias especiais- e sei que isso me conduzirá às profundezas do Inferno onde, pelo menos, não me faltará lume. Em contrapartida, espero que por lá não paguem imposto e sejam bem mais baratas do que na vida terrena.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O jet set ao poder. Já!!!


Eu sempre vos disse que o jet set poderia salvar o país e o presente já começa a dar-me razão. 
Já sabem quem vai candidatar-se à Câmara de Sintra?  Então leiam aqui!
Pois, é meus caros leitores, depois de Pedro Passos Coelho ter falhado a carreira no jet set e ter enveredado pela carreira política, temos agora uma figura conceituadíssima do jet set, capaz de quebrar corações empedernidos, a candidatar-se  a uma autarquia. 
Eu não sei se foram as “queijadas” ou os “travesseiros” que o seduziram, mas tenho a certeza que ele vai abrir uma nova página na história da democracia portuguesa, tão carenciada de figuras carismáticas como o Zé. 
Sintra será o primeiro passo numa carreira  que o levará até S. Bento e, sei lá, mesmo até Belém.
Já imagino o Zé a arrasar nas reuniões do Conselho Europeu e a representar Portugal ao mais alto nível, levando a seu lado a Bettie, esse símbolo da beleza feminina  nacional. E não me venham dizer que o facto de ele ter participado em orgias e estar a ser julgado por isso, o irá impedir de fazer uma carreira fulgurante! O Berlusconni  também faz lindíssimas orgias, já foi três vezes primeiro ministro de Itália e, se nada mudar, em Março será reeleito. Se em Itália um pedófilo pode chegar a PM, por que razão não pode o Zé chegar a S. Bento?
Esta, meus caros leitores, será a revolução de que Portugal precisa: um candidato que emerge da sociedade civil, nunca frequentou essas escolas de pecado que são as Jotas partidárias e se impôs graças às revistas cor de rosa e à TVI. 
Eu sei que é apenas um primeiro passo, mas porque não termos a Lili Caneças candidata em Loures, a Cinha Jardim em Lisboa, o Quim Barreiros em Viana do Castelo, o Emanuel em Portalegre, a Mónica Sintra em Cascais, os Homens da Luta em Setúbal e o Tony Carreira no Porto? É preciso fazer a revolução e o jet set pode dar uma grande ajuda!
O país – e Sintra em particular- merece um candidato deste nível . Estou contigo, Zé! Onde é que me posso inscrever como tua apoiante?

Os meus pecados (2)

Como prometido, a partir de hoje vou confessar-vos alguns dos meus pecados.
Não sendo fanático por doces, há alguns a que não resisto. É o caso dos ovos moles de Aveiro. A minha vesícula encarrega-se de me aplicar uma severa penitência se eu abuso, por isso, não me apliquem também vocês penitências muito pesadas. Valeu?