sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

À espera do cimbalino



Enquanto espero que me tragam o café, entro em reflexão. Há tempos, o director da ASAE afirmou que metade dos estabelecimentos de restauração portugueses estão condenados. A minha experiência de viajante dentro de portas, permite-me acrescentar que 80 a 90 por cento dos estabelecimentos de restauração portugueses não prestam. Ementas pouco variadas, confecções a oscilar entre o medíocre e o péssimo, condições de higiene entre o duvidoso e o deplorável e atendimento desprovido de profissionalismo.
Perante este panorama, interrogo-me: como é possível haver tanta gente a escrever sobre restauração na comunicação social portuguesa? Como é possível que, quase diariamente, se recomendem restaurantes? Como é possível incluir centenas de restaurantes recomendáveis em guias de restauração?
Estou longe de ser um “gourmet”, tenho tendência a utilizar mais o faro do que os guias quando, nas minhas deambulações pelo país, opto por um restaurante. Sigo também conselhos de amigos fiáveis, mas não tive tempo de pedir uma sugestão.
Há tempos decidi seguir os conselhos de um guia e tramei-me! O restaurante até é asseadinho, tem uma boa vista sobre o Douro, mas a ementa é trivial. O atendimento é simpático, mas bastante demorado, apesar de meia sala estar vazia ( ou meio cheia, depende da perspectiva do proprietário).
A truta era sensaborona e as batatas de qualidade sofrível. A salada mista era composta por duas rodelas de tomate verde e umas folhas de alface que até um grilo esfaimado recusaria. Carta de vinhos só com dois exemplares do Douro mexerucas, meias garrafas nem vê-las que isto do “se conduzir não beba” é só para quem faz as leis ter com que se entreter. Sugeriram-me que bebesse vinho a copo, perguntei se estava num daqueles restaurantes “finos” onde o vinho a copo ao preço de uma garrafa virou moda, ou numa taberna.
 A empregada – de leste e provavelmente paga a pataco- ruboresceu e virou-me as costas, afastando-se bamboleante,e despertando-me outros apetites. Contrariado, já tinha decidido pedir uma garrafa de água, quando o gerente, solícito, veio em meu socorro dizendo que escolhesse uma garrafa e só pagaria o que bebesse. Polidamente recusei.
O café, pedido há mais de 10 minutos, só agora chegou à mesa. (Pausa para não deixar arrefecer).
Saiu-me na rifa uma “italiana” ( isto quando se pede um café sem “livro de instruções” é como jogar no totoloto, tanto pode vir a transbordar, como a rasar o fundo da chávena…) mas bebi-a sem razões para reparo.
Olha, olha, a trazer a conta foram lestos… Mesmo sem ter de a pedir, já repousa ao meu lado num cofrezinho a preceito. Terão medo que me pire sem pagar?
Dou ou não gorjeta? A empregada não tem culpa, não é? Em tempos estourou uma discussão na blogosfera sobre esta magna questão da gorjeta. No CR também já tive uma conversa sobre isso com o Papalagui.
Sou um mole…toma lá gorjeta, para ver se amanhã me corre bem o dia de trabalho.

Boa opção. Ao afastar-se, a empregada refinou a sua passada bamboleante. Na próxima dou-lhe uma gorjeta maior. Pode ser que tenha direito a dança do ventre!

Em tempo: aproveito esta crónica para vos lembrar que no próximo domingo o Pedro Coimbra estará connosco à mesa do café e nos traz uma história muuuitooo divertida!

6 comentários:

  1. Bolas!! Se não tivesses dado gorjeta, seria mesmo um almoço e um restaurante para esquecer, Carlos!
    Nada como ter um coração de manteiga...

    Beijinhos.

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  2. Foi melhor assim Carlos.
    Como sabes, há países onde a gorgeta é obrigatória e os restaurantes também deixam muito a desejar.
    Abraço amigo Carlos

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  3. Tenho a certeza que a gorjeta faz toda a diferença à empregada!

    Perdi o apetite...

    Beijos.

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  4. Um almoço que deixou muito a desejar, exceto pela empregada de leste... :)

    Mas concordo: muitos desses artigos de jornal "cheiram" a publicidade. E já uma vez enfiei um grande barrete, de modo que nunca mais me fio nessas "apreciações"! ;)

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  5. Somos muito pouco profissionais. Em tudo! E depois admiramo-nos!
    Mas esta moda dita "gourmet" irrita-me por estar a ser levada até à exaustão. Detesto modas!

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  6. Carlos, acho lindamente que sucumba aos encantos de uma empregada de mesa eslava, mas não quero acreditar que me tenha posto essa coisinha irritante da Mariah Carey a ilustrar o seu post. A não ser que tenha sido de propósito para ironizar o tal restaurante. Tal como Mariah parece muita parra e pouca uva?... se foi isso, está desculpado :)
    Beijinho

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