terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pipocas & Cª



A maioria dos leitores do On the rocks ou do CR já sabe que não entro em  salas de cinema onde as pipocas sejam convidadas. Não se trata de casmurrice, apenas convivo mal com o cheiro e o ruído que o seu mastigar provoca.
A minha escolha de salas de cinema é, por isso, bastante restrita: Londres, King, Fonte Nova e (Hélas!) Alvalade onde as pipocas normalmente ficam à porta ou são suficientemente discretas na maioria das sessões.
A aversão a salas de cinema com pipocas já me obrigou a ter de ver alguns filmes em casa, o que por variadíssimas razões também não é muito do meu agrado, salvo para “revisões” de filmes em sessões que se iniciam de madrugada e por vezes prolongam até ao alvorecer.
Já não sou um consumidor compulsivo de cinema. Deixei de o ser desde que as salas de cinema passaram a ser  uma variante do fastfood, exibindo em doses super maxi mixórdias americanas, em detrimento de bons filmes europeus, quase exclusivamente visionáveis em sessões especializadas, na Cinemateca, ou em Ciclos e Festivais de Cinema.  Ora, sendo eu uma espécie de irredutível gaulês em relação ao cinema europeu, atravessei uma época sensaborona que me afastou progressivamente das salas de cinema ( Macau também ajudou, mas isso faz parte de outra história).
Ainda sou do tempo em que ia aos sábados ao final da tarde ao cine-teatro  S. João (Porto) ver os filmes do Cineclube da Boavista e a sessão se prolongava numa tertúlia que se estendia pela noite dentro. 
Dessa época guardei o hábito de gostar de discutir um filme logo a seguir ao seu visionamento e aprendi que ao cinema se deve ir sozinho, ou com a pessoa certa. Não são raras as vezes em que telefono a um/a amigo/a para ir ver determinado filme.
Vem todo este arrozoado a propósito do filme de que ontem vos “falei” aqui. Tinha programado ir ver “Amour” este fim de semana com a escolha certa. Acontece, porém, que antes de formular o convite, alguém me convidou. Sabia que não era a companhia certa, mas não tive como recusar pois já lhe tinha manifestado a vontade de ver o filme. Fomos. No final aconteceu o que eu temia. Com ela não poderia aprofundar a conversa. Sabia que não era o seu género. Daí que, ao terminar o filme, tenha tido uma sensação desagradável, por não ter interlocutora que o prolongasse em amena cavaqueira.  As vítimas foram vocês. Vim para o teclado e escrevi mais do que é habitual sobre um filme. 
Da próxima vez que um filme me empolgue tanto como “Amour”, tenho de escolher a companhia certa. Ainda que, para tal, me tenha de sujeitar à mal cheirosa e ruidosa companhia das pipocas.

7 comentários:

  1. E vão 2!
    Faz muito tempo que não vou ao cinema, mas ainda sou do tempo em que só existia pastilhas elástica no cinema, muito mais tarde aparece as pipocas que não suporto o barulho na sala do cinema.

    Beijinho e uma flor

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  2. Pois...pois, mas o pior é que antes de ver o filme não sabes se ele te vai empolgar...ou não! :-))

    Do cheiro das pipocas, eu gosto, do ruído da mastigação e de as mastigar, não.:) Nem no cinema nem fora dele.

    Então, achas que seria uma boa companhia para uma sessão de cinema?
    Hã...????

    Beijinhos!

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  3. Também são essas as minhas salas preferidas! E pela mesma razão, embora seja o cheiro que me incomoda mais ou o sorver das palhinhas de coca-cola! :)

    Mas vou muitas vezes sozinha ao cinema e não me incomoda minimamente! Se prefiro a amena cavaqueira a seguir sobre o filme? Claro que sim! Mas nem sempre há interessados em ver este ou aquele filme e se não o quero perder... :)

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  4. Por aqui há o combo cinema/refeição.
    Para quando uma caminha, uma depilação, uma manicure?
    O filme?
    Pois, também pode ir passando.

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  5. Já não vou ao cinema há largos meses, porque dei em adormecer a meio do filme, seja ele qual for. Mas quando era solteira passava a vida no El Corte Ingles, nas sessões das sete, com uma grande amiga ou sozinha. Gosto de ir ao cinema sozinha, por acaso. O reverso da medalha também era não ter ninguém com quem trocar impressões, mas como tinha quase duas horas de transporte até casa, costumava anotar as minhas impressões num bloco durante a viagem e depois passava para o meu caderno dos filmes, onde colava os bilhetes. Tenho saudades desses pequenos rituais que fui deixando por falta de tempo ( e porque tenho adormecido nos últimos filmes...ora isso também não ajuda a fazer crítica decente :))
    Desejo-lhe bons filmes em boas companhias

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  6. Gostei de ser vítima e estou pronta para sê-lo mais vezes :)
    A sério, desejando bons filmes e com boas companhias, espero que continuem na mesma as críticas aqui :)

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