domingo, 20 de janeiro de 2013

À Mesa do Café da Aldeia

Já na sexta feira vos apresentei   a Margarida, nossa convidada de hoje. O que não vos disse é que ela tem um blog  com um nome muito sugestivo: mas tu és tudo e tivesse eu casa tu passarias à minha porta.
Igualmente sugestiva é uma rubrica do blog chamada " contos de 250 palavras".  A receptividade dos bloguistas que a visitam aos contos  foi tão positiva, que a Margarida  decidiu dedicar-lhos e editá-los em livro. Eu já os li todos e recomendo, mas por agora não vou dizer mais nada, porque a estória que ela nos traz hoje merece ser lida e comentada, antes de a visitarem. Ora "oiçam" lá!....
( A foto é da Net, por razões óbvias...)





"Descíamos o outeiro, passávamos a ponte, descíamos mais uma ladeira e virávamos à direita. Abríamos o desengonçado portão de ferro, de um verde azeitona descolorido pela passagem do tempo, mas vibrante da energia de milhares de mãos que, ao longo dos anos, o agarraram.
Era a entrada num novo mundo, o do café. A avó não saía do outeiro nos dias de semana, pois a caminhada era longa, e aguardava pelo regresso da filha à aldeia, aos fins-de-semana. 
Nessas alturas, íamos todos ao café, a avó, a mãe, o tio, eu, o meu irmão, os dois netos da tia-avó Adozinda e, muitas vezes, um casal de irmãos da quinta em frente à nossa casa, os nossos companheiros de aventuras na infância.
Aí, os adultos colocavam a conversa em dia, entre a fumarada dos mata-ratos dos velhotes que, compenetrados, jogavam à sueca, e nós saíamos para a esplanada, após choramingarmos por caramelos e algumas moedas de cinquenta centavos. Felizes com a boca cheia de doces, que se prendiam nos dentes banhados de saliva, circundávamos, excitados, a velha mesa de matraquilhos.
Aquelas chapas castanhas enormes valiam uma fortuna. Com cada uma, tínhamos direito a cinco bolas brancas de chumbo, sujas por anos de manuseamento. Com as mãos crispadas e o sobrolho franzido, defendíamos a baliza ou atacávamos a meio campo e, de um golpe ágil do punho e manobras dignas de Chalanas de nove anos, cinzelávamos para a eternidade momentos brilhantes de risos e gritos de vitória."
Agora, que já conhecem a estória da Margarida é hora de irem visitar o seu blog.

38 comentários:

  1. Gostei muito da estória da Margarida. Uma estória muito bem escrita. E agora vou visitá-la.

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    1. E tenho a certeza que vai passar a ser cliente assídua, Catarina

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  2. Apesar do mau tempo, imaginei-me em plena Primavera! Descer o outeiro, passar a ponte, descer mais uma ladeira e depois de virar à direita, entrar no Café da Aldeia para esta amena cavaqueira com a Margarida a contar-nos, de forma brilhante, as suas recodações de infância, onde não faltavam os jogos de matraquilhos.

    Ah, o Chalana! Será que ele ainda tem aquele bigode farfalhudo? :)

    Gostei muito dessas recordações e do excelente e aromático café acompanhado da fatia de fogaça, torradinha e barrada com manteiga.
    Hummmm, uma delícia!
    Parabéns à Margarida e um beijinho para ela e outro para ti, Carlos!



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    1. A Margarida trouxe-nos belas recordações da infância com uma doçura imensa nas palavras. Não abuses da fogaça, mas usa e abusa do belo blog da Margarida.

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  3. Um café onde se entrava por um portão de ferro é mesmo um local perdido na memória do tempo e do espaço!
    Estória bem interessante, vou espreitar outras!

    Abraço

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    1. Um café como existia em Dornes, há muito, muito tempo. Lembra-se, Rosa?

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  4. obrigada pela foto. infelizmente não tenho nenhumas da aldeia porque a máquina fotográfica era um luxo naqueles tempos, mas ilustra muito bem.

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    1. Eu ( e os leitores) é que agradeço ter partilhado connosco este belo momento, Margarida.
      Já agora, se me permite, uma pergunta: qual é a aldeia a que se refere?

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    2. aqui :)
      http://umbloguesemnome.blogspot.pt/2012/01/memorias.html

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  5. Café tomado e saboreado!
    Soube muito bem,estava quentinho...

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  6. Mais um belo conto da Margarida. Eu fui um dos sortudos que recebeu um conto de presente neste Natal :)
    Já agora importa ainda dizer que a Margarida foi finalista nos dois últimos concursos de histórias que organizei no meu blogue, e com muito mérito.
    Abc

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    1. Antes de mais, obrigado pela visita. Tomei em boa nota o que escreve sobre a Margarida e não me surpreendo. A escrita dela mexe connosco, porque burila bem as palavaras.
      Volte mais vezes!

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  7. Gostei da história, vou procurar o blog :)

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  8. Estou todo satisfeito por ter sido o veículo que trouxe a Margarida até aqui. E vou ser ainda mais "humilde", ao dizer que fui eu a forçar a Margarida a ter um blog.
    E que bem ela se tem saído...
    As histórias que ela tem contado para as iniciativas do Sad Eyes e outros contos dela são muito bons e revelam um grande à vontade com as palavras.
    Por falar no Sad Eyes que hoje te visita pela primeira vez, suponho, as suas iniciativas (Três concursos Pixel de contos e uma outra chamada The book of distance), têm dinamizado uma parte da blogo que o segue.

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    1. E eu também te agradeço, João, por nos teres dado a conhecer a Margarida. Não conhecia a iniciativa do Sad Eyes, mas vou lá espreitar, porque tu dás sempre bons conselhos.

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  9. Um texto com uma escrita fluente onde se sente ternura e saudade das recordações da infância.

    Vou dar um saltinho ao "cantinho" da Margarida.

    Beijinhos.

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    1. Um texto que terá levado todos os que por aqui passam a recordar momentos da su infância
      Beijinhos

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  10. Um café que era mais guloseimas e matraquilhos, a recordar a doce infância e as brincadeiras de outrora. Será que os putos de hoje ainda jogam matrecos? :)

    Gostei e vou espreitar o blogue! :D

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    1. Os Matrecos ( ou matrequilhos) continuam a ser muito populares, Teté, embora muitos se tenham modernizado e perdido algum do seu encanto.
      Ainda ano passado, quando estive em Monfortinhao, assisti ( e participei, claro...) a um belo campeonato de matrecos à moda antiga.

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  11. História tão boa, gostei muito.
    Vou visitar o blog.

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  12. Uma excelente contadora de histórias.
    Um texto que revela muitas emoções, gostei, vou visitá-la.

    beijinho

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    1. Aproveite e leia os contos das 250 palavras, amiga Fê. Vai gostar muito, garanto-lhe
      Beijinhos

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  13. Animadas recordações.. vou então conhecer o blog da Margarida :)

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  14. Quem se deliciou com Conan e Tom Sawyer e tão bem relata uma jogatana de "bonecos", mais recentemente matraquilhos, tem certamente a idade dos meus filhos e a sabedoria dos meus pais.
    Um beijinho à Margarida e um abraço ao Carlos.

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    1. Quanto à idade não sei, amigo Kim, mas que a Margarida revela nos seus contos muita sabedoria, não tenho dúvidas.
      Abraço

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  15. Faz-me lembrar momentos vividos na minha juventude, sobretudo quando o meu avô materno ainda era vivo.

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  16. Também amim me fez recuar alguns anos, esta estória da Margarida

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  17. A Margarida é uma jóia! e promete continuar a surpreender-nos...

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    1. Pela forma que ela escreve, não me custa nada acreditar nas suas palavras, João

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  18. Esta história é-me tão familiar :) Obrigado Margarida por trazer até mim recordações de outros tempos! E obrigado ao Carlos por nos dar a conhecer a Margarida :)))

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