domingo, 13 de janeiro de 2013

À mesa do Café Lopes

Hoje é dia de conhecermos a história da nossa amiga Janita, apreciadora de António Aleixo, que sempre nos presenteia com belos poemas e canções no seu Cantinho.
Tive de improvisar as fotografias, ( ou seja, sacá-las da Net) porque  problemas técnicos  me impediram de colocar as fotos que ela enviou com o texto. Mas isso não é o mais importante... o que interessa é saber as razões que levaram a Janita a escolher este café. Entre elas está um pitéu que sabe melhor acompanhado de uma cervejinha, por isso hoje o café fica para rematar a história.



Este é um Café igual a tantos outros que existem na cidade do Porto.
Embora não esteja situado num Bairro é frequentado essencialmente por pessoas que vivem naquela rua. Aqui toda a gente se conhece e muito raramente aparecem caras desconhecidas.
Situa-se na Rua Costa Cabral, perto da Praça Marquês de Pombal,  e há vários anos que o frequento…semanalmente!
 Não é um Café com tradições históricas, mas é lá que eu tenho ouvido muitas histórias de vida, desabafos, e vou também desabafando com as amigas/os, as minhas alegrias e tristezas.
O Café, Confeitaria, Snack-Bar Lopes, fica paredes-meias com o Salão de Cabeleireiro aonde costumo ir «alindar-me» todos os sábados, há mais de quinze anos. Isto já se tornou uma espécie de ritual e não tanto uma necessidade… é mais um pretexto para a convivência com pessoas a quem me afeiçoei e que se afeiçoaram a mim.
Entre as clientes, as funcionárias do salão, o casal que dirige o Café e a clientela habitual deste, criaram-se laços de amizade e cumplicidade muito fortes. Somos como uma grande família. 
No Café Lopes comem-se as melhores “francesinhas” de toda a cidade. O molho especial, ligeiramente apimentado, não é industrializado e sim, confeccionado pela D. Ju, esposa do Sr. Raul, com um esmero e arte que ela teima em manter no segredo dos deuses. Uma iguaria que faz as delícias dos apreciadores deste pitéu tripeiro e que é a especialidade da casa.
O Sr. Raúl assobia tão melodiosamente, como canta um canário. Não raras vezes, quando ficamos no Café só os clientes mais chegados, eu e a minha amiga Divina, manicura/pedicura do Salão, ao lado, cantamos, ao som do seu assobio, ora as canções brasileiras do seu país, ora outras, que vão do tango argentino ao fado. 
Mas, bonito mesmo de se ver, é quando ela dança o samba requebrado…isso, eu ainda não sei dançar, mas lá chegarei…
Há duas ou três semanas atrás, fartámo-nos de rir, quando eu pedi o meu café cheio e um copo de água ao jovem e divertido Marcelo, que aos sábados vai ajudar os pais, e este grita para o pai que estava na parte interior do balcão:
“Sai um cimbalino com vista para o mar, para a Titi Janita”.
Já avisei a minha filhota, que vive a cerca de 200 metros do Café: mesmo que ela mude de residência eu manter-me-ei fiel ao Salão de Cabeleireiro W. e ao Café Lopes…já que eu vivo na periferia!
Nota do editor do blog: agora que já conhecemos a estória da Janita  e salivámos a pensar na francesinha ( pelo menos eu...) é altura de vos dizer que podem continuar a enviar as vossas histórias para estas tertúlias domingueiras, para o seguinte endereço:
pracasdeverao@yahoo.com
Na próxima semana cá estaremos para receber mais uma convidada.

33 comentários:

  1. Adorei a estória, Janita ! ... por muitos motivos :
    Primeiro porque te estou a "ver" (imaginando) !
    Segundo, porque me é uma zona familiar, tinha família na Praça do Marquês do Pombal (do lado da igreja), onde ia com muita frequência; conhecia muito bem a confeitaria Estoril, na esquina (não sei se ainda mantém o nome): quantas vezes entrei na sede do Académico, para campeonatos de ténis de mesa (há muitos, muitos anos); quantos filmes vi no antigo cinema Júlio Dinis, noutros tempos ; porque andei 5 anos no antigo colégio (já demolido) frente à Casa de Saúde de Santa Catarina, ali muito perto ; milhares de vezes que passei por Costa Cabral, de eléctrico, a caminho de Ermesinde !:))

    Ler a tua estória, foi recordar um pouco da minha vida, também muito por esses lados !

    Bom ! ... e já basta de recordar ! eheh ... Vamos lá à Francesinha que está mesmo a apetecer e depois, claro, o cafézinho com óptima companhia ! rsrs

    Até logo, que agora vou saír ! :))

    Beijinho a ti e um abraço ao Carlos ! :))
    .


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    1. Rui, lembras-te de eu falar, a ti e ao Professor João Paulo, na minha amiga Divina? Pois é! Com a impossibilidade do Carlos em publicar a foto que lhe enviei, perderam a oportunidade de a aconhecer!
      Pela parte que me toca, não me importei nada, já que não estava nem um pouco favorecida no retrato! ehehe
      :)))

      Beijinho e bom passeio.

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    2. Ao que parece, percorremos os mesmos locais, Rui! Eu morava ( ainda tenho lá a casa) nas Antas e muitas vezes andava por Costa Cabral e pelo Marquês ( ainda sou do tempo do 15, lembra-se?- que me trazia do João de Deus até Siva Tapada) Não era frequentador da Estoril ( que ainda existe), mas ia muitas vezes ao Viegas, de onde a minha mãe gastava e que já apareceu em alguns dos meus posts ( um dia destes trago-o até aqui)Este post da Janita também me trouxe boas recordações- e algumas más. É a vida...

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    3. Obrigado pela tua estória, Janita. Pelas razões que já invoquei na resposta ao Rui, ma também pelas francesinhas:-).
      Ainda te mandei um SOS para me enviares a foto da tua amiga Divina e tua noutro formato, porque não consegui mesmo publicá-la.
      Ficou a certeza de que a tua estória agradou aos nossos leitores e isso é que é importante. Obrigado, amiga.
      Beijinhos

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  2. Deliciosa a história da Janita, como seria de esperar.
    Sobre a francesinha, eu nunca comi, porque não gosto de queijo; mas uma amiga minha que tem um restaurante aqui na Amadora afiançou-me que mesmo sem queijo, são muito boas, pois o segredo é sempre o molho.
    E hoje vou provar, enquanto vejo na TV o meu Glorioso dar cabo do Porto do Pinto da Costa, pois o Porto, cidade, essa nunca é derrotada.

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    1. Experimenta francesinha, João, porque esse é um dos pecados que devemos cometer para dar mais alegria à vida.
      Quanto ao jogo, não estou nem aí. Provavelmente nem irei ver. Espero é que não haja casos nem cenas macabras entre adeptos.
      Abraço

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    2. O FUTEBOL CLUBE DO PORTO não é só do Pinto Costa, o FCP também é meu e de todos os adeptos do melhor clube do mundo.

      Quem vai dar cabo do seu (glorioso???!!!), meu caro João, é o meu Dragão!!!

      Não chore! A vida é assim... os melhores vencem sempre.

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  3. Amigo Carlos:
    Quero agradecer-te a introdução que fazes à minha estória, que representa um bocadinho daquilo que constitui parte da minha vida.

    Fiquei a pensar se a referência que fazes ao quanto aprecio os poemas de António Aleixo se ficou a dever a isto:


    Sábado, 17 Março, 2012

    Sou mais feliz, quando penso,
    E peço a Deus que tu penses
    Que és minha, já me pertences,
    E eu também já te pertenço.
    E neste desejo imenso
    De te ter à minha beira
    Pressinto a luz verdadeira
    Desse tal dia risonho,
    P'ra que se acabe este sonho
    Senão sonho a vida inteira…

    Se sim...louvo-te a perspicácia!:-))

    Beijinhos e obrigada, Carlos.

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  4. Não foi só este poema,mas também outros com que nos tens presentaedo, amiga Janita
    Eu é que agradeço a tua participação na Rua dos Café, amiga
    Beijinhos

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  5. Também eu adorei esta história, minha cara Janita!

    A zona é-me muito familiar:
    Vivi perto da Praça do Marquês do Pombal.
    Fiz a minha Comunhão nessa igreja.
    Também me lembro da confeitaria Estoril.
    Na zona de Costa Cabral vive um casal, que ainda pertence à minha família, a quem ainda hoje vou telefonar para saber, se conhecem o Café Lopes.
    Quando voltar à minha querida cidade invicta vou visitar esse Café, pois fiquei com curiosidade.

    Só não aceito que as “francesinhas” sejam um pitéu tripeiro!!!
    Claro que as “francesinhas” nasceram no Porto, “inventadas” na década de sessenta por um emigrante regressado de França.

    As tripas, as deliciosas tripas é que são um pitéu original tripeiro!!!

    A saudação habitual da amiga distante, Teresa.

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    1. Então também fomos quase vizinhos, Ematejoca? também penso fazer uma visita ao Café Lopes numa próxima oportunidade. Quem sabe se não encontro por lá a Titi Janita?
      Quanto às tripas, passo, embora goste muito de feijoada...

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  6. Já tive o prazer de ver a Janita a beber uma cimbalino com vista para o mar, não foi Janita? Foi num Agosto recente, depois duma parrilhada de peixe, não foi minha querida amiga?
    O Carlos tem este dom de juntar tripeiros e mouros à mesma mesa.
    Até há poucos anos, não gostava mesmo nada do Porto (cidade). Um dia, despi essa dúvida e entrei nele de tal forma que por ele me apaixonei. Depois, as pessoas que gosto, e que lá vivem ou de que lá são, fazem o resto.
    Quanto ao futebol, já não vou por aí, mas isso é próprio e rácico de paixões arrebatadoras, lamentando eu, as claques enfurecidas de mentes distorcidas, quer a norte, quer a sul.
    Grande abraço Carlos e beijinho à querida miúda Janita.

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    1. Caro amigo Kim
      Conheço muita gente que também não gostava do Porto e depois de experimentar, se apaixonou por ele perdidamente. Um caso que já contei no CR, é o da filha de uma amiga minha que teve de ir estudar para o Porto. Foi contrariadíssima e chorou baba e ranho por ter de abandonar Lisboa. Vinte anos depois ainda lá vive. Casou e teve filhos e a Lisboa vem de quando em vez.
      Quanto ao futebol, estamos de acordo. Já fui apaixonado, continuo a adorar o meu FC do Porto, mas estas rivalidades serôdias afastaram-me dos estádios e cada vez mais da televisão.
      Grande abraço

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Foi, meu querido Kim, foi...eheheh
      Aí, foi literalmente com vista pró mar.:)
      Fiquei danada da vida com aquele precalço e descuido imperdoável do empregado de mesa...entornou-te a cerveja para cima, lembras-te, Kim?
      Se o meu olhar matasse o homem tinha caído fulminado naquela hora...e tu...impávido e sereno!
      Ah, Kim, tu és grande em tudo!

      Beijinhos, Amigão

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  7. O Porto e as suas afamadas (e picantes...) "frauncesinhas"...

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    1. Apesar de em alguns locais estarem a perder o picante, as francesinhas cotinuam a ser uma imagem de marca do Porto

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  8. Estando longe do Porto não poderei (tão cedo) tentar conhecer esse café. Já as francesinhas, de vez em quando também as como em Faro... Poderão não ser tão boas como as daí mas que me sabem bem, lá isso sabem :)

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    1. Depois de provar as de alguns locais do Porto ( como o Capa Negra, o Thai Palace ou a Cufra) nunca mais as francesinhas algarvias lhe saberão a mesmo, Luísa. Acredite em mim...

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  9. Gostei muito da história e vou estar atenta a este Café :) Talvez um destes dias dê para ir lá experimentar a francesinha :)

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    1. Estou a ver que o café Lopes vai ter muitos clientes, graças à Janita :-))

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  10. Não conheço o Porto o suficiente para reconhecer o panorama urbano de que a Janita fala, mas isso não tem importância nenhuma: na sua história vive gente que conversa, dança ou assobia com garra, frente a francesinhas que fazem as delícias de muitos... Confraternizar é bom e todos gostamos... :)

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    1. Como diz o Kim num comentário acima,depois de conhecer o Porto por dentro, surge a inevitável paixão pela cidade. Ou, por outra palavras, o Porto primeiro estranha-se, mas depois entranha-se...

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  11. conheço muito mal o Porto, apenas como turista. tenciono perder-me por lá uns dias de férias, ainda não sei quando, mas este café estará nos locais a visitar, :) gosto de francesinhas e adorei a história.

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    1. Não perca tempo, Margarida! Vai ver que vai gostar do Porto tanto como da estória da Janita.

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  12. Lá irei provar a francesinha e depois direi qualquer coisa. Já agora, quase em frente pode comprar-se boa e variada fruta com preços muito em conta.

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  13. Gostei muito da estória da Janita! Estou a imaginá-la no café e a comer a francesinha. Foi apenas há dois anos que provei uma francesinha num centro comercial em Tavira. Estou em crer que não serão tão boas como as do Porto.
    Como me faz bem sentar-me convosco todos os domingos! Só que hoje cheguei muito mais tarde do estava a prever.
    Abraço

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    1. Não tem mal, Catarina. O importante é ter chegado a tempo de "ouvir" a estória da Janita e de nos fazer companhia.

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  14. A última vez que estive no Porto, perto da Câmara, fui papar uma francesinha.
    Quando o dono do café nos viu, e viu a minha mulher e as minhas filhas com ar oriental, ficou ali a falra connosco uma data de tempo.
    Depois de saber que vivemos em Macau, que também aqui se comem umas francesinhas, e que eu as faço em casa, ofereceu-nos uma garrafa com o molho da francesinha que é usado lá no café.
    E contou-nos o segredo, a composição.
    Só no Porto é que acontecem estas coisas!!

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  15. Boa parte do segredo das francesinhas está realmente no molho,variável consoante os estabelecimentos que as servem, mas a Regaleira ( onde elas surgiram) mantém o segredo na família. Como os pastéis de Belém, aliás... Só que já não são as melhores do Porto.

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  16. Almocei há pouco, mas para uma francesinha ainda arranjava um cantinho! Muito bonita esta história de laços que se criam entre estranhos, que deixam de o ser e que acabam por entranhar-se nas nossas vidas. Confesso ter inveja deste 'bairrismo', eu que sou um pouco eremita.
    Desejo muitos anos de cimbalinos com vista para a Janita, e que possa ser acarinhada assim por muitos e bons anos.
    Beijinhos para ambos!

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    1. A estória da Janita é realmente bonita e remeteu-me para o que também se passa na blogosfera, onde as pessoas criam cumplicidades e, por vezes, até fazem amizades reais.
      Cimbalinos, continuo a tomar vários ao dia, embora prefira o cefé feito em casa. Já quanto a francesinhas é que só mesmo quando vou ao Porto, porque as que experimentei em Lisboa ou no Algarve, não me convencem.

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