segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Gran Torino

A RTP 2 retomou a rubrica "Cinco Noites, Cinco Filmes". Na sexta-feira aproveitei para rever "Gran Torino", um filme que considerei, na altura, um dos melhores de Clint Eastwood. Cheguei a pensar que entraria facilmente na lista dos 50 melhores filmes da minha vida.
No final, tive uma surpresa. Aquele filme que durante quatro anos considerei "um grande filme" pareceu-me desta vez um filme apenas bom, com um final hollywoodesco. 
Poderá haver várias explicações para isso, que deixo à vossa reflexão. Parece-me, no entanto, poder concluir que a mudança de opinião sobre um filme  significa que afinal não se trata de um "grande filme". Os grandes filmes resistem ao tempo e aos humores dos espectadores. É isso, em minha opinião, que distingue um bom filme de um clássico.
Espero que discordem de mim e me digam se já vos aconteceu o mesmo alguma vez com um filme e que explicação encontraram para mudarem de opinião. 


19 comentários:

  1. Carlos, quando comento aqui ou num outro blogue, exprimo pura e simplemente a minha opinião, isto quer dizer, eu não penso que sou possuidora da verdade é APENAS a minha opinião.

    E minha opinião, por o Carlos agora gostar menos desse grande filme chamado "Gran Torino", é que o actor, Clint Eastwood, o cowboy solitário, apoiou o Mitt Romney.

    Se o Carlos achar a minha opinião pura e simplemente estúpida, também aceito a sua opinião.

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    1. Faltam o "s" nos dois "simplesmente", mas isso, pouco interessa no peso das nossas opiniões.

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    2. A Janita, atenta e com boa memória, já lhe deu a resposta. Por isso, resta-me acrescentar que já sei, há muitos anos, que Clint é Republicano.

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  2. Eu penso que as nossas mudanças deopinião não têm só a ver com os nossos humores.

    Somos diferentes em cada minuto da nossa existência.

    Vamos mudando, crescendo (para cima, para baixo, para a frente,para trás...) de forma que nem percebemos.
    Vários condicionalismos e opções próprias vão-nos tornando diferentes no percurso temporal.

    Apesar de acreditar que há traços genéticos e outras caracteristicas que vamos adquirindo e que nos custam despir, há toda uma série de pequenos acontecimentos e de situações em si que nos fazem pura e simplesmente mudar.

    Um exemplo: sou mãe de 4 filhotes: definitivamente sou mãe diferente para cada um deles.Cada um nasceu em época especifica da minha vida e com o decorrer do tempo fui-me modificando.

    Processo que continua e não há meio de parar.
    Só podemos tomar consciência de quem somos e decidir.
    Contudo, há tanta coisa que fazemos por instinto, impulso ou puro maquinismo.

    Já me aconteceu o que relatas com filmes, livros, músicas...

    Não será saudável este devir?

    Termos opinião formada para sempre não será sinal de estagnação que nunca poderá existir neste mundo?

    De qualquer das formas, tudoé subjectivo.
    É apenas a munha forma de ver, hoje e agora.
    Amanhã, quem sabe?
    Posso opinar diferentemente.

    Já chega de testamentos.
    desculpa!

    Um beijinho

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    1. Também me parece que os humores são determinantes na apreciação que fazemos de um filme - mesmo de um livro- e por isso tenho tido tanta dificuldade em criar uma lista com os 50 melhores filmes e livros da minha vida, como já me comprometi a fazer.
      Não desculpo nada! :-)))
      O importante nestes posts, é mesmo dizer o que pensamos, seja em 50 ou 500 caracteres. Se não gostasse destes debates blogueiros, não escrevia posts a suscitá-los.
      Beijinho

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  3. Vi o "Gran Torino" só uma vez, há já uns anos e gostei, mas esteve sempre longe de ser, para mim, um "grande e inesquecível filme"!
    Em relação à tua reacção, já me aconteceu isso com livros que releio ou flmes que revejo e a explicação que encontro é porque já não existe a emoção do impacto da "primeira vez"!

    Ematejoca, vais desculpar-me mas discordo da tua teoria, sobre o facto do Clint ter apoiado o Mitt Romney ter pesado na impressão menos boa que desta vez o filme deixou no Carlos.

    Digo isto, porque me lembro de há uns meses atrás, em que o Carlos falava acerca do filme "As Voltas da Vida", ter feito uma referência bastante positiva à interpretação do actor Clint Eastwood, nesse mesmo filme. Aliás, se a memória não me atraiçoa, chegou mesmo a dizer ter sido o seu desempenho e o da actriz Amy Adams, que salvaram o filme.

    Se houver uma razão, acho que deve ter mais a ver com os chineses...:)



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    1. Tens excelente memória, Janita!
      Quanto à razão de ter mudado de opinião, creio que foi mesmo uam questão de humores. Ao contrário da maioria dos portugueses eu gosto muito dos chineses.
      Beijinho

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  4. Somos nós que mudamos!

    Tudo depende de nosso modo de ver uma situação...a maturidade, por exemplo.

    Beijos.

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  5. Também gostei do "Gran Torino"! Diga-se em abono da verdade que, para mim, foi o ponto da viragem de Clint: se até aí não gostava muito dos seus filmes, este foi o primeiro que me disse alguma coisa. Embora longe de ser o filme da minha vida... :)

    Aconteceu-me algo parecido há alguns anos, com uma comédia que achei delirante e recomendei a toda a gente. Deve-me ter caído no goto, naquele dia específico, que ri a bandeiras despregadas. Voltei a ver, uns 20 anos depois e não achei piada nenhuma, até um bocado disparatada. Conclusão: o (meu) sentido de humor mudou com os tempos! :)))

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    1. Ora aí está um género em que os humores são determinantes, Teté. Já me aconteceu imensas vezes com comédias ter reacções completamente díspares, consoante o momento em que as vi.
      Quanto a Clint, também tive uma apreciação evolutiva do seu trabalho, mas não sei determinar exactamente qual o ponto de viragem.
      De qualquer modo, apesar de ter mudado a minha opinião sobre Gran Torino, continuo a considerar o Clint um excelente actor.

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  6. Na altura, quando li as opiniões sobre este filme em vários blogues fiquei surpreendida por terem gostado assim tanto dele. Para mim tinha sido apenas ok.

    Um que no dia que o vi gostei e que logo no dia seguinte gostei menos, e no outro dia e no outro... foi Midnight’s Children. Queria gostar do filme por ser de uma realizadora que aprecio. Fiz o esforço. Não resultou.

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    1. O que vem colocar outra questão que me parece interessante, Catarina. Talvez também seja importante o meio sócio cultural em que vivemos, para determinar a nossa apreciação sobre um filme com as características de Gran Torino.
      Quanto a Midnight's Children, creio que não vi. Pelo menos o título em inglês não me está a dizer nada.

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  7. Não, não discordo.
    Concordo inteiramente com "a mudança de opinião sobre um filme significa que afinal não se trata de um "grande filme". Os grandes filmes resistem ao tempo e aos humores dos espectadores. É isso, em minha opinião, que distingue um bom filme de um clássico."

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  8. Ainda bem que me avisa, Carlos. Assim, não volto a vê-lo. Também gostei imenso e não quero arriscar perder a mística. Também me aconteceu com alguns filmes, com livros (que anotei e hoje não consigo perceber o porquê, ou o que na altura me levou a destacar aquela frase em particular, que hoje não me diz nada). Aconteceu-me isso recentemente com o filme 'Seven Pounds' (7,5 no IBDM), com Will Smith, que na altura achei um filme ENORME (vá, indulgencia que eu sou uma alma choramingas) e que me fez correr um rio de lágrimas quando o vi no cinema e me valeu uma crónica apaixonada na altura. Revi-o em casa e a magia tinha desaparecido. Gostei, mas não tanto quanto me lembrava de ter gostado. Fiquei desapontada, pois antecipei demasiado e queria reviver as emoções do primeiro visionamento. Mas o momento era diferente. Não resultou.

    Mas, se pensar em 'África Minha', 'As pontes de Madison County' (já que falamos no Clint), o 'Clube dos Poetas Mortos', que vejo e revejo sempre com o mesmo prazer, desde há anos, e em diferentes fases da minha vida, então sim, sou forçada a concordar que deve mesmo haver uma linha que separa o grande filme do bom filme. Mas sou mais indulgente, acho que se consideramos que um filme é um grande filme em dada altura, é porque, nessa altura, ele mexeu connosco o suficiente para se igualar aos filmes que mexem connosco sempre. Nessa altura, foi um grande filme. A 'despromoção' parece-me injusta e é culpa nossa, que fomos lá remexer :)

    Beijinhos

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    1. O facto de eu ter sentido alguma decepção na segunda vez, não quer dizer que com os outros aconteça o mesmo, Safira.
      De qualquer modo, aproveito a deixa deste seu comentário, para colocar outra questão. Em que medida é que ver um filme numa sala de cinema , ou em casa, pode condicionar a sua apreciação? Vou colocar a pergunta aos leitores um dia destes.
      Eu também tenho filmes que para mim são eternos e por muitas vezes que os veja não mudo de opinião ( pelo menos até hoje). Entre eles está o Filme da Minha Vida (Cinema Paraíso) e Pedro o Louco ( o filme que vi mais vezes:9!)
      Beijinhos

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  9. "Gran Torino" é daqueles filmes que confesso que já vi pelo menos umas 3 vezes e até agora ainda não me desapontou :)

    Acho que até nossa predisposição momentânea influencia o modo como vimos um filme, por vezes não é preciso passarem anos (e concordo que a experiência nos molda) basta ver um filme com uma semana de diferença e estarmos com sensibilidades diferentes, e isto é também a minha humilde opinião porque já me aconteceu.

    Deixo aqui uma breve confissão, um dos filmes que gostava de ver em garota (e via um bocado à socapa) era o "Comando"... Sim esse Comando cheio de porrada e coisas sem suposto interesse para qualquer criança ainda para mais uma rapariga. Hoje consigo explicar perfeitamente porque raio gostava tanto do filme, simplesmente porque a história girava em torno de um pai que faz tudo para salvar a filha, que era uma menina de caracóis louros tal como eu tinha na altura deduzo que acabasse por me identificar com ela, e presumo que também tinha a ver com aquela imagem do pai herói, se um dia fosse preciso o meu pai também faria tudo para me salvar. Uma dissertação um pouco rebuscada? Talvez quem sabe :)

    Em relação a algo que a Ematejoca disse, não digo que seja devido a esta situação e a este filme em concreto, mas concordo que determinadas atitudes ou tomadas de posição de algumas pessoas podem fazer-nos mudar a opinião sobre ela, nunca me aconteceu com actores, mas já me aconteceu com uma apresentadora e recentemente com uma cantora, e depois do feito eu sei que não vou conseguir olhar para elas ou para o trabalho delas do mesmo modo. Mas acho que isso é normal acontecer.

    Beijinhos e boa semana :)* Desculpa o discurso mas isto são bons temas de debate e abrem-me a torneira das palavras!

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    1. Nunca vi o filme de que fala, mas a explicação que dá parece-me bastante plausível! E quanto ao facto de os nossos humores serem determinantes para apreciar ou detestar um filme, também concordo em absoluto.
      Sim, por vezes, as opções políticas de um apresentador podem influenciar a opinião que temos dele. Aliás, devo dizer-lhe que isso já me aconteceu com uma jornalista que detestava e um dia, depois de me ter sido apresentada, mudei bastante de opinião. Claro que continuei a discordar dela, mas deixei de a ver como uma pessoa fútil que eu considerava que ela era.
      Como já disse na resposta à Pérola, ainda bem que este post suscitou comentários longos. Afinal, o debate de ideias é uma das grandes vantagens da blogosfera. Tenho é pena de não ter tempo para suscitar mais debates e entrar neles na caixa de comentários. De qualquer modo, sempre que o tempo me permita, vou tetntar trazer aqui temas que suscitem estas belas conversas.
      Beijinhos

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