terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Serei um vouyeur?


Apesar de considerar que as revistas cor de rosa exploram apenas a pior faceta do voyeurismo, nada tenho contra os leitores de revistas cor de rosa e muito menos contra os cabeleireiros- pessoas estimáveis que muito considero- que as disponibilizam em profusão aos  seus clientes.
O voyeurismo que transformou em sucesso as revistas cor de rosa, não é exclusivo de quem as lê, ou de quem as faz. Devo confessar-vos que também tenho uma faceta de voyeur que não se manifesta através da leitura de revistas cor de rosa mas sim pelo prazer que sinto na leitura de biografias. Concedo que estas leituras também revelam uma faceta voyeurista, mas há uma pequena diferença. Estou-me borrifando se a Cinha Jardim passa férias em Porto Rico com a cadela ou em Alcabideche com a porca Pepa, mas já me desperta alguma curiosidade saber pormenores da vida de um político como Churchill ou Fidel de Castro, por exemplo. Ao ler as suas biografias, fico a conhecer melhor a História Contemporânea, o que de alguma forma me enriquece.
Mais difícil será explicar-vos a razão de ter ficado empolgado ao ler  a autobiografia de André Agassi, que há tempos repousava na minha secretária, à espera de vez. Talvez o meu empolgamento se deva ao facto de Agassi ser um campeão contranatura, obrigado pelo pai a “trabalhos” forçados para atingir o estrelato. Agassi conseguiu-o mas, por trás do sucesso, há uma história de ódio ao ténis que me interessou.
Até que ponto os pais podem condicionar os desejos dos filhos em prol da sua própria vaidade?Será legítimo um pai obrigar um filho a ser vedeta, contrariando a sua vontade? 
No mundo do desporto ou do espectáculo há centenas de casos como o de Agassi, mas gostava de saber a vossa opinião sobre as dúvidas que aqui coloco.

11 comentários:

  1. Tem razão com as biografias ,sou fã. Gosto em especial de autobiografias que nos revelam a verdadeira personalidade e o caracter do autor o que nos traz por vezes algumas surpresas .Por exemplo a escrita por Margarete Tatcher (uma escrita confusa , uma constante critica de todos que discordavam com ela mas sem desenvolver as suas opiniões ,etc) ou a de Bill Clinton ou de Madeleine Albright ,divertidas,bem escritas,sem outra ideia senão comunicar . Segundo assunto:- na minha opinião esses pais são uns falhados ,falharam nas suas vidas ,falham como educadores .200% de falhas . Um outro exemplo no pianista Lang-Lang .

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  2. Certa vez discutia o assunto da violência doméstica com um amigo, falávamos, falávamos, de pancada, de berros, de insultos, então ele perguntou-me "O que achas de uma mãe que obriga a filha a ser bailarina? A passar fome para ter o corpo para isso? O que achas de um pai que obriga um filho a aprender tocar piano, ou de um pai que obriga o filho a fazer parte da equipa de futebol quando ele quer é fazer parte do grupo de teatro da escola?"

    Na altura a pergunta deixou-me a pensar, mas hoje não tenho dúvidas em afirmar que isso é violência doméstica... Só muito recentemente me deparei pessoalmente de um caso em que o pai obrigava o filho a fazer parte da equipa de futebol, e recentemente também conheci um caso de como terminou anos e anos de moldagem de uma criança que cresceu que foi tudo aquilo que qualquer pai e mãe desejaria, posição de sucesso numa empresa estrangeira, tudo muito bem, o rapaz estava tão feliz com a vida que os pais sonharam para ele, que ele passou-se da mioleirinha deixou o trabalho comprou uma quinta algures onde vive como um verdadeiro hippie...

    Ainda não sou mãe, quando for mãe só quero muito ter o discernimento de deixar os meus filhos sonharem e viverem os sonhos deles. Claro que aconselhar é dever dos pais, mas a linha que separa o conselho da obrigação às vezes disfarçada pode ser muito ténue.

    Respondendo à pergunta, para mim não é legitimo um pai sujeitar um filho à sua própria vaidade, contrariando a sua vontade.

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  3. Também adoro biografias e gostava muito de ler essa do Agassi, é em português?
    No desporto, a relação pais/atleta de alta competição é normalmente muito difícil e deixa muitas mágoas Steffi Graf, Arantxa Sanchez Vicario e muitos outros sofreram e ainda sofrem com as atitudes que os pais tomaram.
    xx

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  4. Meu querido Amigo Carlos.
    Ao ler esta crónica fiquei com a sensação não só de já a ter lido, embora com outras nuances, como também de já ter respondido à questão que colocas no final!
    Sei que o teu humor não anda na melhor das fases, o Inverno é terrível, provoca-te um estado de letargia nostálgica, mas peço-te que não encares isto com demasiada seriedade nem animosidade. Sabes o quanto te estimo e nada faria para te melindrar...mas a minha memória também é uma coisa que chega a ser abominável...:)Sorry!
    Pronto, sem mais delongas, digo-te que, por lapso, não referis-te em Adenda que este post é uma (quase) reposição deste:

    http://cronicasontherocks.blogspot.pt/2012/09/a-minha-faceta-de-voyeur.html

    Exceptuando a parte em que falo na Brites, a minha opinião mentém-se, pelo que o meu comentário também!:-)

    Beijinhos.:)

    ( não te zangues, ok? )

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    1. Não foi por lapso que não referi, Janita... foi porque não me lembrava de a ter publicado... O meu tio Alzheimer deve andar aí por perto
      Beijinho

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    2. Nada disso, meu querido!
      Acho que não tens parentes alemães e muito menos com esse apelido!:)
      Olha a senhora tua Mãe, com 98 anos e ainda escreve o seu diário.
      Isso é apenas cansaço, mas vai passar.

      Obrigada, Carlos...:-)

      Beijinho.

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  5. Fiquei curiosa quanto à biografia. Uma das minhas irmãs gosta muito de as ler. Eu talvez um dia venha a gostar mais.
    À partida não me parece bem que um pai aja assim. Parece-me que está a instrumentalizar o filho, a querer através dele realizar os seus sonhos e a não o deixar viver a sua própria vida.

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  6. Não sou fã de revistas cor de rosa, nem sequer de autobiografias. Mas suponho que todos nós temos uma certa curiosidade em histórias como a que relata. Chame-se voyeurismo ou curiosidade! :)

    Quanto aos pais condicionarem as escolhas dos próprios filhos, suponho que é mais comum do que se imagina. Se por vaidade, se para tentarem realizar os seus sonhos que não puderam realizar, não sei ao certo. Não considero salutar para ninguém! Mas conheço pelo menos dois casos a nível de amigos onde isso acontece... Agora é preciso que os filhos deixem, não? É que quando são crianças é fácil influenciá-los, mas em adultos já é mais complicado... Ah, e num dos casos é mesmo para ser vedeta, no outro nem isso!

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  7. Folheio revistas cor-de-rosa ,no cabeleireiro. Gosto de biografias.

    O condicionamento das escolhas dos filhos por parte dos pais pode ser fruto de desejos reprimidos, de insatisfações pessoais ...ou pura vaidade!

    Beijinhos.

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  8. Não há comparação entre os "dramas" da Cinha e a leitura de biografias.
    Conheço e biografia de Agassi e vi uma entrevista excelente que ele deu há já uns anos ao Mike Wallace no programa 60 minutes na qual falava nessa obsessão que o pai lhe impôs.
    Uma tristeza para ambos.
    O pai que vive à custa dos sucessos do filho (no fim da carreira de tenista queria que o filho seguisse o golfe!!) e o filho que tem este triste por progenitor.

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  9. Hoje estou bem disposta, pelo que vou fazer de advogada do diabo. Pois que julgo que será sempre legítimo para um pai querer o melhor para o filho. E Agassi saiu-se bastante bem. Como não li a biografia, não sei se o preço que pagou foi muito alto ou não, mas imagino que entretanto recuperou desse 'ódio' ao ténis. Digo isto pensando, claro, em Steffi Graf( depois do romance falhado com Brooke Shields,que, digo en passant, era muito mais gira). Se há coisa que não deve faltar naquela casa é memorabília de ténis :)

    Mas, voltando à vaca fria, pois, o pai terá feito o melhor pelo filho ( o que não exclui que tenha tido motivações egoistas, claro). Mas a minha mãezinha também fez o melhor por mim ao aconselhar-me um curso de gestão em vez de letras ou artes. Eu odiei aquilo, mas é o que me paga uma vida sem preocupações (por enquanto...) e o curso de artes e literatura que estou a tirar agora. Se voltava a fazer igual? Por muito que rabuje e me queixe de tudo o que se refere à minha vida profissional, provavelmente, sim. Portanto o Agassi que se deixe estar quietinho porque se eu aguentei e estou grata, ele também não tem do que se queixar.

    E mais, se eu tivesse um filho também tentaria proporcionar-lhe ensinamentos para meu prazer, e sim, coisas que não tive oportunidade de ter. Encorajá-lo a aprendar as coisas que eu gostaria de ter aprendido, desde que, DESDE QUE, fosse do agrado dele. E também me reservava o direito de não o deixar ter aulas de coisas que que acho ridículas como hum...capoeira, por exemplo. E surfes e essas porcarias todas. Essas coisas ele que as pague, quando ganhar dinheiro!

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