quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

É tudo muito relativo!...


Hoje, à hora do almoço, passo pelo Terreiro do Paço. As esplanadas estão muito bem compostas ( quase cheias) apesar do frio. Eu disse frio? Devo  estar doente! 
Como é que pode estar frio, se nas esplanadas há jovens apenas com uma  t-shirt, menos jovens em mangas de camisa e alguns, ainda menos jovens, que envergam  um casaco de malha por cima da camisa ou blusa? Ah, são turistas!
Mesmo assim estugo o passo, para que ninguém repare em mim, porque estou vestido como se estivéssemos em pleno Inverno.
Chego ao meu gabinete e instalo-me. Como sempre, estou  com a  janela aberta . Entra a Lígia. Não traz hot pants, mas sim uma camisola de malha de gola alta e calças de fazenda.
Que horror, este gabinete está um gelo!
 Podemos falar no teu gabinete, se preferires…
Entro no gabinete dela. O aquecimento  está regulado nos 35º. Um verdadeiro Inferno. Enfim, isto do frio é muito relativo…

Do " The Cavern" ao "The Cavern Club"


 The Cavern é um local mítico da cidade de Liverpool. Foi aqui que os Beatles fizeram a sua apresentação pública, à hora do almoço do dia 9 de Fevereiro de 1961. Cinco anos depois ( 28 de Fevereiro de 1966) The Cavern encerraria as suas portas.

Em 1984 o Liverpool comprou o espaço e tentou revitalizá-lo, mas sem sucesso. Fecharia cinco anos depois. Viria a ser comprado por um professor que o recuperou e reabriu.Mais pequeno, mas tentando preservar a identidade e a história de um local mítico para a música.
Visitado todos os anos por milhares de turistas,  o novo "The Cavern Club" ( na imagem) recebe todas as semanas cerca de 50 bandas que ali se apresentam ao público. Até hoje, nenhuma conseguiu o sucesso dos "Beatles".  Talvez porque nenhuma delas tenha tido o apoio de um Brian Epstein...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Mulher ao mar!


Os habitantes de Canik (Turquia) entraram em pânico quando viram um corpo de mulher a afogar-se nas águas do Mar Negro. Alertaram a polícia, que de imediato enviou uma equipa de mergulhadores para o local.  A população assistia ansiosa ao resgate e entrou em polvorosa quando viu um dos mergulhadores  pegá-la pela ilharga e a mulher começar a definhar.
Minutos mais tarde, os socorristas chegaram a terra trazendo debaixo do braço uma boneca insuflável que, sem delongas, atiraram para o contentor do lixo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma viagem muito global



Compra-se um bilhete na TAP, porque a hora do voo da TACV ( transportadora aérea de Cabo Verde) não é a mais conveniente e, chegado ao balcão do check-in, constata-se que afinal o voo é em codeshare ( TAP e TACV), pelo que poderia ter viajado à hora pretendida, pela TACV, poupando algumas dezenas de euros .
Primeira constatação: ou as agências de viagens não sabem o que andam a fazer, informando mal os clientes, ou reservam os bilhetes da TACV para os turistas que viajam nos pacotes que elas vendem. Quem viajar por sua conta e risco que se amanhe!
Chegado o momento do embarque, constata-se que o avião não pertence nem à TAP , nem à TACV, mas sim a uma transportadora checa e que a tripulação, por acaso, é eslovaca e não fala uma palavra de português. As revistas de bordo são escritas em checo mas ( vá lá...) têm um artigo bi-lingue ( inglês e checo) interessante sobre as potencialidades turísticas do país de destino: Cabo Verde. Finalmente, na hora da refeição, conclui-se que o serviço de cattering foi fornecido por um restaurante italiano!
Conclusão: um passageiro português compra um bilhete de avião numa companhia aérea portuguesa, para um destino onde a língua oficial é o português, mas não tem direito nem a um suminho, ou a uma água portuguesa, nem a obter informações na sua língua, porque a tripulação só fala inglês e a sua língua materna ( neste caso o checo).
O  passageiro pergunta  então ( em inglês, claro!) a uma das três atraentes moçoilas que do alto do seu metro e noventa distribuem os tabuleiros com o jantar, se a bordo vai algum passageiro checo. Perante a resposta negativa, saída de lábios carnudos implantados 20 centímetros acima da sua cabeça, interroga-se por que razão as informações de bordo tinham sido dadas em inglês e naquela língua, e não em português, mas a única resposta que obtém dos seus botões é um envergonhado silêncio.
Viva a globalização!



Preciosidades


Há dias, na sequência de um post que aqui escrevi, a Ana ofereceu-me ( com dedicatória) duas malas com automóveis. Guardei-as, mas agora aqui vos deixo um exemplar. Se quiserem divertir-se e recordar bons tempos, vão até aqui  e aqui ver as belíssimas ofertas que ela me deu. Depois, vejam outras preciosidades que ela  oferece a quem a visita.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Uma pergunta inocente

Como nunca entrei no IKEA, não fazia a mínima ideia que lá se vendiam almôndegas. 
Daí, a minha pergunta inocente: as almôndegas seriam de carne de cavalo, ou de serradura?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

À mesa do café Florida

A nossa convidada de hoje é a Laura. Traz-nos uma estória de África, cheia de recordações que partilha connosco com a sensibilidade que lhe é habitual.
Depois de lerem a estória e os escritos nos guardanapos de papel, vão até ao blog dela. Se ao entrarem ela vos perguntar: Quem és, que fazes aqui?, respondam-lhe na caixa de comentários.
Pronto, agora leiam a estória que ela intitulou:

CAFÉS, JUVENTUDE E BRINCADEIRAS… PARVAS ( pequenas, em Latim)

Havia, em Sá da Bandeira, muitas ruas e avenidas. Mas havia UMA, que fazia as nossas delícias pelas caminhadas que dávamos… passeio da esquerda à ida, passeio da esquerda  à vinda.
Era, digamos a rua in da cidade. E nós, muito in também, passávamos muito direitas e despreocupadas, enquanto eles olhavam. Para dizer a verdade, era mais ao contrário!



Era então aqui que ficavam as  Lojas apelativas, as Pastelarias  mais doces e os Cafés bem frequentados! Era ver-nos sair do Liceu Diogo Cão e seguirmos em bandos até poisarmos neste ou naquele. E o poiso, claro, prendia-se com a frequência do momento. O mais famoso era este, o Café Flórida, embora também  o Combinado fosse uma alternativa agradável.



Foi lá que todos nos apaixonámos ( até morrermos de desespero)  e o confidenciámos, rimos e zangámos, discorremos sobre a beleza dos/das rivais, desfizemos os caracóis daquele e os daquela, criticámos ou elogiámos a mini saia da que passava ou opinámos sobre a cor do carro do outro.  Lá/aqui  tivemos conversas parvas, brincámos  tanto e sonhámos mais ainda!
Era aqui que eu a Clara e a América, as inseparáveis, fazíamos lanches a propósito de tudo e de nada… da positiva a OPAN, da negativa a Filosofia, do olhar do Jorgito e até por causa do surroso fato do nosso professor de Latim que, por andar cheio de nódoas, vulgarmente era designado por Cagadas.
Era aqui/lá que, quando entravamos, os empregados ‘amavelmente’ retiravam da mesa, onde nos sentávamos,  a caixinha dos guardanapos. O motivo, este que eu guardei até hoje.








sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Bic Laranja, Bic Cristal...

...duas escritas à sua escolha.
Muitos se lembrarão deste anúncio, mas se hoje aqui  o recordo
é porque penso que  a  estória que a Laura nos traz no próximo domingo à Rua dos Cafés não poderia ser tão bem documentada se ainda não existisse a BIC.
Levantando  a ponta do véu para vos espicaçar a curiosidade,  adianto-vos que se passa em África, na década de 70. E mais não digo...
Tenham um excelente fim de semana e até domingo, à hora do costume.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Deus lhe pague!



Autor assumido do roubo do Códice Calestino, o electricista da Catedral de Santiago de Compostela decidiu revelar os escândalos que presenciou enquanto lá trabalhava.
Desde relações de carácter sexual, a roubos do dinheiro depositado pelos fiéis, há inúmeras revelações no cardápio do electricista ladrão.
A propósito do roubo das esmolas, veio-me à memória uma  senhora que conheço no Porto.Frequentadora assídua da Igreja, temente a Deus e sempre pronta para ajudar o pároco nas tarefas quotidianas, na expectativa de, através dele, conseguir chegar mais facilmente ao Reino dos Céus. É o que vulgarmente se chama "beata", ou "rata de sacristia". Quando conheci esta senhora, ela ainda era jovem. Hoje- já há muito ultrapassados os 70 - deixou de ser a pessoa reservada que sempre conheci. Tornou-se mais  dialogante e há tempos contou-me  uma estória deliciosa que agora partilho convosco.
Há umas décadas, o pároco aproveitou-se da sua boa vontade para lhe pedir que fosse todos os dias limpar a Igreja e as  escadas de acesso e zona circundante, duas vezes por semana.
Fazendo contas ao tempo que isso lhe iria tomar, mas apostada em servir a causa do senhor, a "beata" fez ver ao pároco que vivendo ela do seu trabalho de empregada doméstica, teria de ser recompensada por esse trabalho, já que seria obrigada a abandonar alguns trabalhos para desempenhar a sua tarefa. Como prova da sua devoção, pediu que lhe fosse pago apenas metade do que cobrava às suas patroas.
O pároco acedeu prontamente, enalteceu o seu espírito cristão e prometeu-lhe que a recomendaria a Deus nas sua orações diárias.
O tempo foi passando, mas o pagamento das horas que dedicava à limpeza da Igreja, nunca chegava às suas mãos. Ao fim de um ano disse ao pároco que, sem remuneração, não poderia continuar a desempenhar a sua tarefa, porque  precisava de assegurar o seu sustento e nada lhe tinha sido ainda pago.
O pároco lamentou-se com a redução das esmolas, justificativo que considerou suficiente para o não pagamento da quantia acordada. Prometeu, no entanto,começar a pagar-lhe no mês seguinte " na medida das possibilidades da paróquia".
Farta de conversa da treta, a beata decidiu  fazer justiça por conta própria. A partir daquele dia passou a retirar  uma percentagem das oferendas dos paroquianos. No dia em que se considerou retribuída do valor acordado com o pároco, foi ter com ele à sacristia e comunicou-lhe que deixaria de desempenhar as tarefas.
O pároco manifestou-se compreensivo, garantiu que continuaria a recomendá-la a Deus nas suas orações e, como forma de agradecimento, disse-lhe apenas:
" Que Deus te pague!"
" Já pagou, senhor padre, já pagou" respondeu a beata.

Vantagens

Uma das vantagens de estar com gripe, é encontrar uma explicação fundamentada para nunca vermos 60 dos 80 canais do pacote MEO.
Obrigado a todos os que me desejaram as melhoras. Felizmente, parece que já estou recuperado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"Entom, boa continuaçom"




A maioria dos escassos leitores que me visitam, sabe que continuo fiel ao Porto onde nasci. Não tenho saudades; não me arrependi nunca de ter trocado a Invicta por Lisboa e mais tarde por outras cidades mais cosmopolitas; a nostalgia com que por vezes a evoco deve-se mais ao facto de lamentar que no meu tempo a cidade e as pessoas não fossem mais abertas e menos bairristas- naquilo que de negativo a expressão “bairrista” encerra.
Retenho na memória imagens do Porto que me trucidam. Os jardins do palácio de Cristal; a marginal, da Ribeira até à Foz; os Guindais; a Ribeira vista do cais de Gaia; as ilhas… 
 Apesar da beleza natural que a cidade encerra, é das pessoas do Porto que eu sinto mais saudades. Porque são genuínas e dizem, sem salamaleques nem maneirismos, aquilo que lhes vai na alma. Isso explica, certamente, porque praticamente só no Porto fiz amigos para a vida.
Recordo-me disto a propósito de uma expressão peculiar do linguarejar tripeiro que me continua a fazer sorrir cada vez que a ouço: “ Continuaçom”- dizem os tripeiros quando nos entregam a factura do jornal, ou simplesmente se despedem de forma informal.
Gosto desta expressão vazia de significado, mas cheia de conteúdo. Ouço-a na boca do dono do Barril, quando me despeço ao final da noite, na tabacaria do Velasquez depois de receber o jornal, no empregado da Primazia onde vou buscar a fogaça, numa loja da baixa onde faço uma compra, no empregado do restaurante, no motorista de táxi que me conduz de Campanhã até às Antas. Quando ouço esta expressão, sei que estou a falar com um tripeiro que não se deixou corroer pelas onomatopeias sulistas.
Não há, no entanto, bela sem senão. Há dias tive de ir ao Montepio tratar de assuntos relacionados com a minha mãe, já incapaz de fazer a sua assinatura de forma a ser reconhecida pelo banco, como legítima.
Munido de uma declaração da minha mãe, devidamente assinada, que me autorizava a levantar o dinheiro,procurei, junto de uma colaboradora, ajuda para a solução do problema, identificando-me como filho da detentora da conta. A senhora olhou-me de soslaio, como se eu ali estivesse com o intuito de defraudar o banco. Colocou inúmeros entraves e insistia que só uma declaração, com assinatura reconhecida pelo banco, poderia permitir à minha mãe, receber aquilo a que tem direito.
Insisti que, sendo eu filho, não estava ali a tentar enganar o banco e muito menos a minha mãe, tendo obtido como resposta:
- Mas como é que eu sei que o senhor é filho desta senhora?- perguntou-me
- Já lhe mostrei o meu bilhete de identidade que o confirma. Além disso tem aqui esta declaração com uma assinatura que, embora não corresponda na perfeição à que  está na conta , é da minha mãe.
A senhora retirou-se por uns momentos. Quando voltou, disse-me do alto da sua imensa sabedoria:
- Não podemos aceitar esta declaração. Tem de vir reconhecida pelo notário e depois os serviços jurídicos do banco decidirão se a aceitam.
Sem me dar tempo a contra argumentar, virou-me as costas e chamou o número seguinte.
Despedi-me: “Entom, boa continuaçom, sim?” E lá vim para Lisboa onde, tudo indica, resolvi o problema sem necessidade de recorrer a um notário. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Drama de um homem com gripe!

Foi mais ou menos assim que me senti no fim de semana.Substituam a Lurdes  por um televisor sintonizado na National Geographic a exibir um programa sobre dinossáurios e  os miúdos pelos trabalhos de bricolage do vizinho de cima e ficam com um cenário aproximado :-)

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
( António Lobo Antunes)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Abafa-te, abifa-te e avinha-te

Já que isto não vai lá com a farmácia, recorro à medicina tradicional.Se o vinho for bom, amanhã espero estar de volta... 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

À mesa do café...

Curta, mas incisiva como os posts que normalmente escreve no seu blog Dona Redonda, a estória que nos traz a convidada de hoje. Eu puxei pela memória, mas não me consegui lembrar da primeira vez que entrie num café. Vocês lembram-se? Pois é dessa memória que nos fala hoje a Gabi
Leiam e depois vão ao blog da nossa convidada que me arrisco de apelidar como consumidora compulsiva de livros. Que se lêem muito bem em cafés. Principalmente ( pelo menos no meu caso) quando têm uma bela vista para o mar....


Depois de ter nascido em Lisboa, onde na altura viviam os meus avós maternos, passei os seis anos seguintes em Paços de Ferreira (com breves intervalos nas férias, quando íamos para Lisboa, Trás-os-Montes e Cachinas). 
Morávamos num apartamento arrendado num prédio de que me lembro como sendo alto e com um corredor comprido, onde daria para andarmos de triciclo, se nos deixassem. 
À frente do prédio havia um jardim para onde podíamos ir brincar quando não chovia e onde pude experimentar a sensação de voar, quando andei na bicicleta da minha irmã, embatemos, eu e a bicicleta, contra uma pedra, e fui projectada, ficando depois da aterragem, com um pequeno galo na testa. 
Ao Domingo, o nosso pai tinha mais tempo e costumava ir ao café perto, depois do almoço. Neste café, os empregados já o conheciam, traziam-lhe o café e eram simpáticos para connosco. 
Na altura, não me interessava por beber café, mas lá também tinham cigarros e guarda-chuvas de chocolate, e às vezes ganhávamos um. Não fumo, só experimentei cigarros reais uma ou duas vezes, mas gostava muito de fingir que fumava os cigarros de chocolate, antes deles começarem a derreter e me deixarem lambuzada.
E foi assim que comecei a gostar de cafés.
Aviso do administrador do blog: Estou com gripe e impossibilitado de comparecer. Tentarei passar por aqui mais tarde. As minhas desculpas à Gabi e a todos os presentes na Rua dos Cafés.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Baile da Pinhata


No meu tempo, o sábado imediatamente a seguir ao Carnaval chamava-se sábado da Pinhata. Era o último dia em que se faziam bailes, até à Páscoa, porque durante a Quaresma, estavam interditos.
Ao que parece, esses bailes ainda continuam a realizar-se, mas já não marcam a interdição de bailar durante a Quaresma. Ainda bem!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A idade da inocência: quando fumar não matava!



Houve tempo em que fumar era aceite socialmente e mesmo chique. Nesse tempo a publicidade até usava as crianças para aconselhar a marca ideal para as suas mães.
As crianças, por sua vez, "fumavam" cigarros de chocolate, imitando os gestos dos adultos...

Muito mais tarde, começaram a dizer-nos que afinal fumar já não era chique. Passou a ser choque e, como não acreditámos, tentaram convencer-nos de variadas formas.
Assim....

ou mesmo assim...


Gastam-se milhões em campanhas antitabágicas ou com tratamentos para deixar de fumar  e os fumadores passam a ser vistos como criminosos.
Depois, apareceram os cigarros electrónicos, garantindo a sua inocência e prometendo prazer.
É MENTIRA, mas isso agora não interessa nada... porque o objectivo deste post é dizer-vos que no próximo domingo a Dona Redonda será a convidada da Rua dos Cafés e vem contar-nos uma estória que fala de cigarros de chocolate e de como eles podem criar outros hábitos não tabágicos
Cá vos esperamos, para mais uma animada conversa no próximo domingo.
Até lá tenham um EXCELENTE FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dia dos Namorados (2)




Amizade é...
Encontrarem-se 30 anos depois do último beijo, surpreenderem-se por momentos, e ficarem duas horas à conversa, como se tivessem deixado a conversa em suspenso na véspera...

Dia dos Namorados (1)


Quando eram crianças não se comemorava o Dia dos Namorados, mas povoavam-lhes o imaginário de histórias em que formosas princesas beijavam sapos que se transformavam em belos e viris príncipes.
Na idade da inocência – mais ou menos o período pós Mafalda e Astérix- príncipes e princesas beijavam-se a céu aberto, empunhando bandeiras de vitória.
Na idade adulta, meteram o tio Marx na gaveta, começaram a olhar para o avô Mao com complacência e saudosismo, trocaram a leitura de “O Capital” pelo Financial Times e perceberam que tinham que se preocupar com as carreiras, as promoções, os carros e o sucesso a qualquer preço. Muitos escolheram a carreira política para o conseguir.
A grande maioria concluiu, sem amargura, que afinal as princesas beijaram muitos príncipes, que depois se transformaram novamente em sapos, concluindo assim o inexorável ciclo da vida.
Assim surgiu a ideia de criar o Dia dos Namorados. Para que o amor não desapareça na idade adulta, decidiu-se que seria celebrado uma vez por ano. 
Se não alimentar o amor, pelo menos sempre anima um bocadinho a economia...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

À procura de Sana



“Conheci Sana no meu terceiro dia em Perth na tarde de 9 de fevereiro de 2000”
Ao ler esta frase com que se inicia o prefacio deste livro de Richard Zimmler, decidi logo comprá-lo. Porque gosto imenso de RZ, mas também porque  imediatamente pensei que o livro fazia parte da história da minha vida. Ou vice versa... É que, por coincidência, nesse mesmo dia eu aterrara em Perth! Ou seja… não podia ficar indiferente a um livro cuja narrativa começa no dia em que eu aterrei no local onde se desenrola a acção.
Li o livro de um fôlego. Numa viagem de comboio entre Lisboa e Porto foi mais de metade e acabei de o ler nessa mesma noite.
Não se trata propriamente de um romance. É uma mescla de investigação jornalística com ficção. As personagens existem e a maioria dos factos ali relatados são reais.
Aqui fica um resumo breve: 
Em Perth, para participar num encontro de escritores, Richard Zimmler conhece Sana, uma mulher com um comportamento estranho que se apresenta como sendo brasileira e bailarina.
Sana confessa-lhe que o desejava conhecer desde que lera o seu romance “ O Último Cabalista de Lisboa”, que a marcara profundamente. Mais tarde, pede-lhe um autógrafo e uma dedicatória e oferece-lhe sabonetes.
Não voltam a falar mas, no dia seguinte, está Zimmler sentado na esplanada do hotel, quando um corpo se projecta de um dos quartos e se estatela no chão. É Sana!
O episódio impressiona o autor mas, só num encontro de escritores em Paris, meses mais tarde, ele vai querer profundar as razões da morte da bailarina, na sequência de um encontro com Helena- amiga de infância de Sana- que pensou ser fruto de uma coincidência. 
A partir do momento em que a conhece e fica a saber que o livro autografado em Perth, está nas mãos de Helena, Richard Zimmler torna-se personagem do seu próprio livro e parte na busca sem tréguas da verdade: Sana suicidou-se, ou foi vítima de um crime hediondo? 
Avançar mais com a narrativa, seria retirar muito interesse à leitura, que a partir de determinada altura se torna absorvente, tal é o ritmo. o encadear de acontecimentos e revelações surpreendentes, que conferem à investigação do autor ( também jornalista)  um cariz  policial.
Dir-vos-ei apenas que entre Paris, Bolonha e Haifa, o leitor é atraído para um emaranhado de relações onde se misturam amor,ódio e vingança,no contexto político da guerra israelo-árabe e do terrorismo internacional.
Vale ainda a pena salientar a forma burilada como Zimmler desenha cada uma das personagens e o seu engenho em nos transmitir o extremar de posições (por vezes contraditórias) para que  as relações entre as pessoas podem resvalar. Ao ponto de nos sentirmos sentados ao seu lado numa casa em Bolonha, ou num café em Paris, a sugerir-lhe as questões que deve colocar aos seus interlocutores.
Como já escrevi acima, apesar de em determinado momento o livro parecer entrar num novelo sem saída, que lhe quebra o ritmo, foi-me impossível adormecer sem o terminar. Depois, passei dias a reflectir sobre ele, antes de escrever este post.
O extraordinário e comovente “Meia Noite ou o Princípio do Mundo” continua a ser, para mim, o melhor livro de Zimmler mas não posso deixar de manifestar a minha gratidão à D. Quixote por ter reeditado " À procura de Sana" que me tinha passado despercebido aquando da sua publicação em 2007. 
Duas semanas depois de ter terminado a sua leitura, continua presente na minha cabeça. De uma forma tão forte, que nem o livro que li a seguir ( Ian Mc Ewan- O Fardo do Amor), nem o que estou neste momento a ler ( Ismail Kadaré -Os Tambores da Chuva) me conseguem desviar da sua memória.

Provérbios do mundo (8)

"Quando apontas com um dedo, lembra-te que três apontam para ti" ( Provérbio inglês)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Bombinha de Carnaval*

Trocaram um olhar durante o intervalo. À saída do cinema ele tomou a iniciativa de a abordar. Algumas frases depois estavam sentados à mesa de uma pastelaria a tomar um café. Ele contou-lhe uma história engraçada. Ela "partiu-se" a rir. Tinha  injectado  na véspera uma dose de Botox.

* Esta bombinha de Carnaval foi criada por mim ano passado, mas como vivo uma profunda crise de falta de humor, repesquei-a este ano, para quem ainda não a usou.
Entretanto, peço-vos desculpa por andar um pouco afastado das caixas de comentários do vossos blogs, mas prometo voltar em breve às visitas regulares, quando a disponibilidade de tempo e a disposição o permitirem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Those were the days

"Desordem na casa de banho, desperta no marido vontade de ir tomar banho fora"
( Jornal das Moças 1965)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

À mesa do café(?) em Saint Germain

O nosso convidado de hoje é o Kim. Irregular nas suas aparições pela blogosfera, escolheu um nome a condizer para o seu blog e, acredito,  com a sua forma de estar na vida: às vezes fim de semana.
A maioria dos leitores já conhece o blog dele, a estória que nos traz é bem ao estilo que lhe conhecemos: boa disposição e bom humor temperados com aventura. Vou publicando as estórias dos leitores por ordem de chegada, mas foi uma feliz coincidência a estória do Kim ser publicada em Domingo Gordo. Hoje, a nossa conversa tem um suplemento adicional ( o brinde de que vos falei na sexta-feira): Qual dos garbosos mancebos é o KIM?
Preparem-se, pois, para uma tarde bem disposta... Vamos a isso? 



"Vinte de Maio de mil novecentos e setenta! Dia do meu décimo nono aniversário!
Marie Claire era uma loira lindíssima. Vivia do que o desenrasca dava. Seu marido Bérnard, bandido de profissão, estava enclausurado havia algum tempo.
Gyslaine, não menos linda, morena, suiça de Genéve a estudar em Paris, era a sua companhia preferida.
Kim e Martin eram os amigos a quem não era possível dar o golpe, já que nada tinham para ser gamado. Loiro (eu) com loira, moreno (Martin) com morena, ditou o desejo. A espaços alteravam-se os pares, porque a ocasião faz o ladrão e porque era preciso demarcar a emancipação adquirida.
O encontro era habitualmente no Chez Jean Bart.
Naquela noite, Marie Claire, confidenciou-me:
- Kim, esta noite, para comemorar os teus 19 anos, vou levar-te ao local mais “in” de Paris. Fica em St Germain, um sítio com ambiente diferente daquele que estás habituado. E vou levar-te no meu novo carro.
- Por mim está tudo bem, leva-me onde quiseres - disse eu.
A “minha” (?) miúda dava muito nas vistas. O seu longo casaco de pele branca de arminho, cobria-lhe as botas, não menos alvas, rendilhadas de cordões entrelaçados.
Às vezes até tinha medo de sair com ela. Afinal, era a mulher de um diabo e andava com um anjo(inho), salvas as devidas proporções.
O medo duma navalha encostada ao pescoço assaltava-me regularmente.
Estacionada num obscuro canto duma rua cinzenta, a sua viatura era afinal uma velha carrinha Citröen, igual às utilizadas pela Gendarmerie. A dita, estava despida de tudo. Apenas tinha o banco do condutor, o volante e a “manete” das mudanças.
Entrámos os quatro naquele maravilhoso meio de transporte, talvez furtado, talvez não, e partimos à descoberta de uma noite mais.
No espólio de Marie Claire não havia melhor. Era aquela Citröen, ou nada.


Marie Claire confidencia-me que iríamos a um bar regularmente frequentado por artistas do cinema e da canção. Moustaki, Léo Ferré, Serge Lama, Johny Halliday, Sylvie Varten, Alain Delon, etc. eram visitantes assíduos. Quis o destino que mais tarde me viesse a tornar amigo de um outro cantor de sucesso, Gerard Lenorman.
Imbuídos de espírito vadio, ei-los que aí vão cheirar o mundo do sucesso.
Dentro da viatura, era hercúleo o esforço para nos segurarmos. Viajávamos em pé e sem nada onde nos pudéssemos agarrar.
Martin e Gyslaine lá iam barafustando com as condições de transporte e a certeza da ilegalidade ambulante, anuindo, no entanto, às refutações que Claire ia vociferando.
- Ou querem assim, ou vão a pé! - insistia.
Trinta minutos bastaram para chegarmos ao local.
Nos nossos bolsos o dinheiro não abundava, como de costume. Lá dentro, a média luz não ajudava na descoberta das espécies raras. “Cuba libre” para os quatro, era a bebida alcoólica mais barata que o nosso bolso suportava.
Assim fomos bebericando, fazendo render aquela bebida que teria de dar para toda a noite. De vez em quando o empregado vinha junto de nós perguntar se queríamos algo mais. Olhando para o copo, com se ainda estivesse meio, lá íamos dizendo - por enquanto não é preciso mais nada.
Dançámos que nem possuídos. Expirámos fumo que nem cacilheiros. Bebemos que nem forretas.
Da gente muito famosa, nem cheiro. Apenas a equipa B.
Ou a neblina das luzes opacas nos turvava a visão, ou os artistas haviam rumado a outras paragens.
Era já tarde para nós, cedo para outros, quando nos foi apresentada a conta.
Duzentos e trinta e dois francos, fizeram-nos pestanejar. Esvaziadas as carteiras, juntámos noventa e cinco francos, mais do que suficiente para passar uma belíssima noite noutro qualquer bar. Questionado o empregado sobre o montante exigido, este informou-nos que ali, cobrava-se à hora. Quer bebesse, quer não bebesse. 
Martin e Claire, mais batidos na noite, bem tentaram fazer valer a nossa ignorância. De nada valeu.
Claire olhou em redor, fitou uma presa, aconselhou calma e partiu em busca de alimento para os filhotes.
Voltámos a sentar-nos e de longe apenas tentávamos perceber qual o jogo de palavras que  estaria a utilizar junto de um desconhecido, ainda com idade de ser nosso pai e já com idade de poder ser nosso avô.
Dez minutos depois chega junto de nós, pega na mala, embrulha-se no falso arminho e desabafa: - pronto malta, podemos ir embora!
Assim fizemos. Olhar para trás, é coisa que não se faz quando o coração não pede.
Os noventa e cinco francos continuaram nos nossos bolsos. Em qualquer outra discoteca, chegariam de sobra para sorver várias bebidas.
Não soube qual a conversa havida. Penso hoje que terá sido um estratagema da Claire para sairmos, com calma e sem pagar.
Disse-nos que aquele desconhecido era seu amigo e que pagaria as nossas bebidas.
Fraca desculpa para quem não queria dar explicações a quem também as não queria receber.
Talvez ela lhe tenha pago no dia seguinte, nua e crua, mas despida de arminho.
Nada mais interessava.
Regressámos à casa de Gyslaine, onde esvaziámos os corpos, embriagados de vigor e sequiosos de desejo."
AVISO: Termina no dia 12, terça-feira o prazo para a recepção das vossas estórias. Portanto, as várias leitoras que manifestaram o seu interessse em participar nestas conversas, têm de se apressar..

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ai quem me dera...




...ter outra vez 20 anos!
Porque vos confesso hoje isto? Porque me lembrei da estória que o Kim nos vai contar no próximo domingo, na Rua dos Cafés.
Não direi que só em Paris era possível viver uma estória daquelas, mas só naquele tempo eram tão saborosas, rocambolescas, hilariantes e prenhas de aventura! Ah, é verdade... esta semana a estória traz um brinde! Mas mais não digo... 
Não percam, porque além de estar pautada pela boa disposição, a estória marca uma época. Em que também eu e muitos de vós  fomos muito felizes: os 70's!
Encontramo-nos domingo em Paris? Até lá,  tenham um excelente fim de semana.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A culpa: epílogo




( Continuado daqui)

Do lado de cá do televisor dou-lhe a resposta:
Vivemos num país, como tantos outros mais ricos e civilizados, que não está preparado para fenómenos meteorológicos violentos, onde não se pode exigir às autoridades competentes ( neste caso a EDP) que dêem respostas céleres em tempo de tormenta excepcional. ( Lembra-se do que aconteceu há meses em Nova Iorque, minha senhora? Ou na Austrália' Ou mesmo em Inglaterra? Foram muitos dias sem luz e sem água, sem que as autoridades pudessem repor o serviço, apesar de terem outros meios  de que Portugal não dispõe)
Vivemos num país onde as pessoas estão sempre a exigir que os outros cumpram, mas são negligentes e esquecem-se de cumprir a sua parte, respeitando as mais elementares regras de segurança.
Numa coisa a senhora tem razão. Pedia-se às autoridades que, nestas circunstâncias, avisassem a população para tomar cuidados especiais e evitar situações de risco como esta. Isso é, na verdade, a sua obrigação. Seja num país de gente evoluída, seja num país como o nosso onde as pessoas cresceram de forma desigual e ( apesar de todas as contrariedades da crise) o nível de vida não aumentou na mesma proporção da consciência cidadã.
Vivemos num país, minha senhora, com uma elevada taxa de analfabetismo funcional e ninguém faz nada para a combater. Neste país embevecido pelas novas tecnologias, esqueceram-se de avisar os cidadãos que elas por si não resolvem nada, se as pessoas não forem educadas para as utilizar na melhoria da sua qualidade de vida.
Vivemos num país, minha senhora, que fica à espera que a renovação geracional transforme as novas tecnologias num bem essencial, mas esquece que o número de velhos e de pessoas com escolaridade reduzida são o grosso da população. E essa gente, minha senhora, não está familiarizada com as novas tecnologias, nem sabe que um gerador liberta monóxido de carbono, capaz de matar.
Por isso, minha senhora, a sua pergunta reflecte apenas a tendência actual de fazer julgamentos em praça pública e de cada um se eximir às suas responsabilidades, procurando desesperadamente um culpado.
É neste país que a senhora e eu vivemos. Se queremos que alguma coisa mude, a primeira coisa a fazer é mudarmos o nosso comportamento. Não lhe parece?".

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Culpa (2)



( Continuado daqui)

Manhã de segunda-feira.
A mãe da criança prepara a lancheira que a filha levará para a escola. Olha para o relógio e vê que está atrasada, mas ainda volta atrás para pegar num casaco de malha para a filha. Está frio, a escola não é aquecida e o reforço daquela peça de vestuário vai dar-lhe mais um pouco de conforto. Mete-se no carro e dirige-se para casa dos pais.
Toca à campainha. Volta a tocar. Nada. Terão adormecido? Prime o botão da campainha uma vez mais. Silêncio. Impacienta-se. Arromba a porta. Lá dentro, silêncio profundo. O coração começa a bater-lhe com mais força. Chama pelos pais e pela filha, enquanto sobe as escadas que dão acesso aos quartos. Vai directamente ao quarto da filha. Está a dormir profundamente. Abana-a com força. Escapa-se-lhe um grito de dor. A filha está morta!
Corre em pranto para o quarto dos pais. O pai está inanimado, toca o corpo gélido da mãe e confirma o que temia. É já cadáver. Não vai ao quarto do irmão, no quarto ao lado. Sai para a rua aos gritos. Acorrem os vizinhos a saber o que se passa. Não percebem uma palavra do que ela diz. Seguem o prolongamento do seu braço que aponta em direcção à porta da casa. Um homem mais afoito entra e vai ver o que se passa. Perante o cenário de morte que se lhe depara, telefona para os bombeiros. Poucos minutos depois chegam duas ambulâncias. Retiram dois cadáveres e procuram reanimar pai e filho que ainda dão sinais de vida. Levam-nos para o hospital.
Confirmados os óbitos, a explicação: avó e neta morreram por inalação excessiva de monóxido de carbono. A falta de ventilação não permitiu que o gás letal, libertado pelo gerador, se escapulisse para a atmosfera.
Criei esta história a partir de uma notícia que a televisão me serviu à hora do jantar de uma segunda-feira, relatando a morte de avó e neta numa casa em Vila da Feira.
Mas  a história não acaba aqui...
Ao final da tarde chegaram as televisões. Na impossibilidade de entrevistar os sobreviventes e a mãe da criança, interrogam os vizinhos, que confirmam a causa da morte, o arrombamento da porta, a presença da criança ali deixada pela mãe, que pela manhã a ia buscar para levar à escola, as cenas dramáticas vividas às primeiras horas daquela segunda-feira.
Os vizinhos têm mais para contar. Descobriram a culpada das mortes e por isso apressam-se a julgá-la em praça pública.Desengane-se quem pense que a culpa foi do descuido do(s) avó(s) que deixaram o gerador ligado, sem cuidar de permitir a ventilação do espaço. Ou do monóxido de carbono, gás assassino e inimigo público com quem todos convivemos diariamente nas filas de trânsito, no escritório, ou no restaurante. Não. A culpa, na opinião de uma senhora alcandorada a porta-voz improvisada, foi da EDP!
“Desde sábado de manhã que passámos a vida a telefonar para a EDP e a resposta era sempre a mesma. Que os piquetes andavam na rua a tentar reparar mas, como vê, ao fim de dois dias não arranjaram nada e nós sem luz, sem televisão e com a comida toda a estragar-se nas arcas congeladoras. Isto é inadmissível. Só me apetece perguntar: em que país vivemos?”.
( Conclui amanhã)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Culpa



Manhã de sábado

Poderia ser o começo de um fim de semana feliz, se S. Pedro estivesse pelos ajustes. Mas, infelizmente, o santo sinaleiro da meteorologia ordenou que o céu se desfaça em água sobre a terra e destrancou as amarras ao vento, para que ele possa vaguear, tal cão faminto, à procura de uma presa. Fruto do seu mau humor e do espírito pouco colaborante, naquela manhã de sábado, a chuva cai, persistente, batida por um vento forte, com rajadas a ultrapassar os 150 kms/hora. Por todo o país a intempérie vai provocando estragos. Estradas interrompidas, telhas roubadas aos telhados, árvores arrancadas e postes derrubados. Nalguns locais falta a água. Noutros a electricidade. Noutros ainda, faltam ambas.
Na Vila da Feira, distrito de Aveiro, há uma casa sem electricidade. Os proprietários telefonam para a EDP. Alguém lhes responde que andam os piquetes todos na rua, há muitas avarias, o equipamento está seriamente afectado e não sabem quando será possível restabelecer o abastecimento. Ao final do dia, perante a ameaça de deterioração dos bens armazenados na arca congeladora, o casal decide instalar um gerador na cave da habitação. Salvaguardados os bens alimentares, é tempo de garantir a satisfação de outros prazeres. Liga-se a televisão para ele ver o futebol. Ela suspira diante da telenovela.
Passa a noite. Na manhã de domingo, a filha do casal toca a campainha. Traz consigo a filha, que ficará à guarda dos avós. Na manhã de segunda-feira, a mãe virá buscar a criança para a levar à escola, a caminho do emprego. Está um domingo frio. Ligam o aquecimento. Novo telefonema para a EDP. Não há novidades. Os técnicos estão a fazer os (im)possíveis para devolver a electricidade aos inúmeros queixosos que começam a desesperar. Naquela casa de Vila da Feira, os proprietários suspiram resignados. A presença da neta alivia a contrariedade. O gerador faz o resto. O frio aconselha a ter tudo bem fechado, para que nem uma brisa daquele ar frio entre por uma qualquer fresta.
Terminado o jantar a avó vai deitar a neta. Conta-lhe uma história e a criança adormece com um sorriso nos lábios. A avó fica, durante alguns minutos, a olhá-la embevecida. Deposita-lhe um beijo na face, ajusta-lhe os lençóis ao corpo, assegura-se que a luz de presença está ligada, porque a neta não consegue dormir na escuridão. Sai, pé ante pé, para não a acordar.Ajeita o xaile e vai até à sala, onde o marido está a ver televisão. Terminada a novela, vão-se deitar.
( Continua amanhã)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

E a resposta é...

No domingo, dia 2 de Fevereiro,  foi  dia de Nossa Senhora  das Candeias. Diz a sabedoria popular que "Se a Candelária rir, está o Inverno para vir; se a Candelária chorar, está o Inverno a acabar".
Ora no domingo esteve um dia radioso de sol, pelo que o Inverno ainda está para vir. Pior ainda... aquele sol intenso faz adivinhar um Inverno muito rigoroso ainda para vir. Opinião corroborada, aliás, pelo Borda d'Água. E pelas Têmporas.
Percebem agora por que razão eu ontem afirmei que preferia que tivesse chovido no domingo?

Insatisfações

Ontem ( domingo) esteve um lindo dia de sol, mas eu preferia que tivesse estado a chover. Alguém é capaz de me explicar a razão desta minha súbita apetência por um domingo de chuva?
Amanhã dou a resposta...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

À mesa do café "Estrela"



Ora então muito boa tarde! Sejam bem vindos à nossa conversa dominical na Rua dos Cafés. A nossa convidada de hoje é a São, que tem um blog com o mesmo nome, onde nos presenteia regularmente com belíssimas fotografias das suas viagens. ( Aonde é que ela ainda não terá ido? Pergunto-me eu frequentemente). Bem mas a São não nos oferece apenas fotografias... há muitos outros motivos de interesse que tornam obrigatória uma visita ao seu blog.
Agora, porém, é altura de ouvirmos a sua estória. Que, certamente, irá suscitar animada cavaqueira durante as próximas horas. Ora "oiçam" lá...



"Como sabem, exerci as minhas funções como profissional de Educação no Estado.
Durante décadas , abrangi todas vertentes da área educativa e, na maior parte do tempo, em regime de polivalência.
 Assim sendo, nos  casos com crianças envolvidas formava equipa com as Técnicas de Serviço Social. E foi numa dessas ocasiões que se desenrolou aquilo que  vou contar e constituiu uma das cenas mais penosas da minha vida ( e da Zaida  também). 
 A situação era bastante grave e delicada pois  tínhamos que arranjar  colocação para  uma criança :o  pai morrera e suspeitava-se de que fora a mãe a provocar a morte. Pelo que não podia continuar a exercer a responsabilidade parental sobre o filho.
 A primeira tentativa  foi  contactar a família mais próxima para receber a criança.Neste caso, a avó paterna.
 Após vários telefonemas, a senhora acedeu a falar connosco na pastelaria "Estrela", situada no rés-do-chão da pensão em que vivia e defronte de um hospital.
 Tudo começou a correr mal  assim que notámos o ar espantado do polícia a quem perguntámos o endereço da pensão.
 Ao entrarmos na pastelaria superlotada(era a hora de visita no  hospital), tivemos que atravessar todo o espaço, já que a senhora se encontrava mesmo no fundo, acompanhada por familiares.
 Apresentámo-nos e fomos imediatamente confrontadas com o pedido de identificação  através de documento oficial. Pedido inteiramente justificado, mas impossível de satisfazer já que o Ministério jamais se preocupou com tal tema.
 A Zaida teve o sangue frio para mostrar um qualquer cartão, felizmente aceite como satisfatório.
 Abordámos então o assunto que nos reunira, isto é, a hipótese de o garoto ser acolhido pela avó. E, repentinamente, a senhora abre um pranto desatado em alto e bom som, tornando-nos o alvo dos olhares de toda aquela multidão .O pior  é que todas as tentativas para a acalmar , produziam o efeito oposto e como era necessário ver o local onde vivia, acabámos por ter que atravessar de novo todo o espaço com a senhora completamente descontrolada e nós as duas já sem cor.
 Subimos até ao segundo andar e verificámos a total impossibilidade de a criança poder viver naquele quarto de pensão. Tanto mais que, ao descermos, nos cruzámos com uma prostituta e acompanhante: aí é que percebemos o ar do polícia!
 Quando, finalmente, chegámos  à rua e nos despedimos das pessoas , acelerámos o passo em direcção a uma casa de chá chinesa e quando a empregada perguntou o que que desejávamos, eu respondi-lhe que nos trouxesse o chá mais calmante que tivesse.
 E, creiam, cada uma bebeu um bule de chá...e eu detesto chá!"

Adenda do editor do blog: Termina no dia 12 o prazo de envio das vossas estórias para participação na Rua dos Cafés. Relembro os (as) leitores (as) que manifestaram interesse em participar  que as estórias deverão ser enviadas para o seguinte endereço:
pracasdeverao@yahoo.com


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Provérbios do mundo (7)

Lembrei-me de publicar este post, a propósito da conversa na Rua dos Cafés do próximo domingo. A estória será contada pela São e, como poderão comprovar, tem bastante a ver com este provérbio. Pelo menos é o que eu penso, mas vocês confirmarão ( ou não...) no próximo domingo.
Até lá, e gozem bem o sábado que se anuncia de sol.