domingo, 3 de fevereiro de 2013

À mesa do café "Estrela"



Ora então muito boa tarde! Sejam bem vindos à nossa conversa dominical na Rua dos Cafés. A nossa convidada de hoje é a São, que tem um blog com o mesmo nome, onde nos presenteia regularmente com belíssimas fotografias das suas viagens. ( Aonde é que ela ainda não terá ido? Pergunto-me eu frequentemente). Bem mas a São não nos oferece apenas fotografias... há muitos outros motivos de interesse que tornam obrigatória uma visita ao seu blog.
Agora, porém, é altura de ouvirmos a sua estória. Que, certamente, irá suscitar animada cavaqueira durante as próximas horas. Ora "oiçam" lá...



"Como sabem, exerci as minhas funções como profissional de Educação no Estado.
Durante décadas , abrangi todas vertentes da área educativa e, na maior parte do tempo, em regime de polivalência.
 Assim sendo, nos  casos com crianças envolvidas formava equipa com as Técnicas de Serviço Social. E foi numa dessas ocasiões que se desenrolou aquilo que  vou contar e constituiu uma das cenas mais penosas da minha vida ( e da Zaida  também). 
 A situação era bastante grave e delicada pois  tínhamos que arranjar  colocação para  uma criança :o  pai morrera e suspeitava-se de que fora a mãe a provocar a morte. Pelo que não podia continuar a exercer a responsabilidade parental sobre o filho.
 A primeira tentativa  foi  contactar a família mais próxima para receber a criança.Neste caso, a avó paterna.
 Após vários telefonemas, a senhora acedeu a falar connosco na pastelaria "Estrela", situada no rés-do-chão da pensão em que vivia e defronte de um hospital.
 Tudo começou a correr mal  assim que notámos o ar espantado do polícia a quem perguntámos o endereço da pensão.
 Ao entrarmos na pastelaria superlotada(era a hora de visita no  hospital), tivemos que atravessar todo o espaço, já que a senhora se encontrava mesmo no fundo, acompanhada por familiares.
 Apresentámo-nos e fomos imediatamente confrontadas com o pedido de identificação  através de documento oficial. Pedido inteiramente justificado, mas impossível de satisfazer já que o Ministério jamais se preocupou com tal tema.
 A Zaida teve o sangue frio para mostrar um qualquer cartão, felizmente aceite como satisfatório.
 Abordámos então o assunto que nos reunira, isto é, a hipótese de o garoto ser acolhido pela avó. E, repentinamente, a senhora abre um pranto desatado em alto e bom som, tornando-nos o alvo dos olhares de toda aquela multidão .O pior  é que todas as tentativas para a acalmar , produziam o efeito oposto e como era necessário ver o local onde vivia, acabámos por ter que atravessar de novo todo o espaço com a senhora completamente descontrolada e nós as duas já sem cor.
 Subimos até ao segundo andar e verificámos a total impossibilidade de a criança poder viver naquele quarto de pensão. Tanto mais que, ao descermos, nos cruzámos com uma prostituta e acompanhante: aí é que percebemos o ar do polícia!
 Quando, finalmente, chegámos  à rua e nos despedimos das pessoas , acelerámos o passo em direcção a uma casa de chá chinesa e quando a empregada perguntou o que que desejávamos, eu respondi-lhe que nos trouxesse o chá mais calmante que tivesse.
 E, creiam, cada uma bebeu um bule de chá...e eu detesto chá!"

Adenda do editor do blog: Termina no dia 12 o prazo de envio das vossas estórias para participação na Rua dos Cafés. Relembro os (as) leitores (as) que manifestaram interesse em participar  que as estórias deverão ser enviadas para o seguinte endereço:
pracasdeverao@yahoo.com


59 comentários:

  1. Uma estória que não vai cair no esquecimento!

    Imagino aquela multidão a olhar para o grupo que atravessava o café de ponta a ponta!
    : )

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    1. E sem saber ( presumo eu...) a estória que trazia consigo.

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  2. Realmente, o Café Estrela mais parecia um planeta...

    Mas "estrelas" foram a São e a Zaida! Gosto!

    Beijinhos para ambos.

    Laura

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    1. O café é um ponto de encontro. Nem sempre os encontros são bons mas, ficam guardados na memória e para sempre associados ao local (ao café).

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    2. Ao local e à estória - pública ou secreta- de quem lá entrou num determinado momento

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  3. Esta estória da São não é uma estória qualquer! É uma história de vida, mais comum e dolorida, do que aquilo que à primeira leitura possa parecer!
    Doeu-me a dor dessa avó e fiquei a pensar que rumo teria levado a vida dessa criança.

    Carlos, hoje não tomarei o café habitual. Preciso fazer como a São e a Zaida fizeram. Vou pedir um bule de chá de cidreira ou camomila, sem nada a acompanhar!

    Beijinhos.

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    1. Janita, ao acabar de ler a história da São e da Zaida, ocorreu-me a mesma pergunta:

      Que rumo teria levado a vida dessa criança?
      De quem tenho muita mais pena do que das duas mulheres da história.

      Para tomar café já é tarde, tomo sim, um cházinho de laranja e de gengibre.

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    2. Que o chá te saiba bem, neste fim de tarde saolheiro, mas frio.
      Beijinhos

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    3. Esperemos que a São, um dia, nos desvende a estória da criança. Se assim lhe aprouver, obviamente....

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  4. Como te conheço bem sei avaliar o quão marcante te foi tal episódio. Mas meu pensamento vai para o destino da criança, que espero tenha sido justo e feliz.

    Beijos

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    1. Parece que esse pensamento ficou a pairar na cabeça de muitos dos que aqui se reuniram hoje, à mesa do café.

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  5. Como não te conheço, São, não posso avaliar quão marcante foi para ti este episódio.
    Só sei que o comportamento da avó foi absolutamente normal ao saber que o filho tinha morrido, mais precisamente, assassinado pela mulher.

    Quanto à multidão a olhar, também é normal no nosso país, mas uma pessoa não lhe dá atenção.

    O destino da criança é que me preocuparia e me deixaria fora de mim, porque as crianças é que são sempre as vítimas dos erros dos adultos.

    Quanto à prostituta, tudo bem. Dois franceses, que todo o mundo conhece (uma cantora e um actor) foram criados com prostitutas.
    Como já dizia o Sarte, há prostitutas mais honradas do muitos outros mortais.

    Beijos para ti, São, e não te esqueças de nos dizer o que aconteceu ao garoto.

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    1. Uma grande verdade, ematejoca. Que não deveríamos nunca esqecer.

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  6. Claro que a estória parece mais simples do que aquilo que efectivamente deve ter sido. Por muitas palavras que se coloquem na descrição, nunca é a mesma coisa do que o que está à frente dos nossos olhos.
    Às vezes, até há estórias onde não se pronunciam palavras, mas onde o olhar fala mais alto.
    São as Estrelas da vida, São!
    Abraço Carlos

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    1. Estrelas da vida que um dia se tornam estrelas cadentes, Kim
      Abraço

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  7. Como seria bom que o Ministério da Educação aprendesse com histórias como essas... mas essas histórias só são vividas com quem "trabalha no campo".

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    1. Pois é, Rosa... mas no ME gostam mais de trabalhar nos gabinetes. Com folhas EXCEL ou apenas com papel de sebenta onde fazem contas de merceeeiro,consoante as ocasiões.

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  8. Como o Kim diz, temos de saber nas entrelinhas. Também concordo com Rosa Carioca, juízes , ministros e Secretários de Estado deveriam aprender com quem vive estas situações no terreno.


    LUIZ

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    1. Pedir aos governantes que prestem atenção
      a realidade do país, é demasiado para aquelas cabecinhas.

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  9. Há crianças que parecem nascer já predestinadas à infelicidade. O pai morto, a mãe suposta criminosa e uma avó que não a podia acolher, que terá sido o futuro desse rapaz? A infância já se adivinha que não foi particularmente feliz...

    Beijocas, São e Carlos!

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    1. O seu comenário, Teté, remeteu-me para uma série que gostava de ver na RTP: "Sem Rasto".
      Neste mundo global e hiperacelerado,os factos ofuscam as notícias e delas desaparecem com a celeridade determinada pelas conveniências
      Beijocas

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  10. Triste estória!
    Ainda bem que não sabemos o fim real, talvez até tenha sido adoptado por gente de cinco estrelas!
    Eu quero acreditar!

    Abraço

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    1. Não sabemos o fim real, mas a São fez o favor de nos desvendar uma ponta do véu...

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  11. Depois de ler esta estória da amiga São fiquei também precisar de um chá calmante.
    Amigo Carlos, vou tentar participar no seu desafio, assunto não me falta, pode-me é faltar o jeito :)

    beijinho e boa semana

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    1. Jeito não falta, amiga Fê. E sensibilidade também não, por isso ficamos a aguardar que nos envie a sua estória.
      Beijinho e boa seman também para si

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  12. Tocante e actual história!Casos que lamentavelmente aumentam dia a dia.

    Aos "senhores dos ministérios" tudo passa ao lado!

    O chá deve ter sido de jasmim!!!

    Beijinhos.

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    1. Num boteco chinês, o chá de jasmim é realmente o mais provável...
      Quanto aos senhores do ministérios falta-lhes mundo. Ou então, são cegos...
      Beijinhos

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  13. Muito obrigada pelos comentários!

    Darei uma resposta colectiva, se não se importam.

    Talvez por ser sintética (como muito bem adivinhou o KIM) parece que induzi em erro num ponto: o pai da criança já morrera há alguns meses e , dadas as cirscunstãncias, o caso estava nas mãos da polícia e portanto não foi natural a reacção da senhora, pois estava ao corrente de tudo e até do motivo do nosso encontro com ela. Aliás, a própria família ficou perplexa com a reacção.

    Considero que a prostituição do corpo nem é a pior, há outras bem mais sórdidas. Mas continuo a considerar não ser muito aconselhável uma criança viver numa casa de passe.

    O facto de algumas coisas serem habituais em Portugal , não me obriga a aceitá-las ou a gostar delas .

    Tanto eu como a minha colega somos discretas e , realmente, foi-nos muito desagradável toda a situação.Porém, o que mais nos preocupou foi o futuro da criança, principalmente porque em Portugal as famílias não adoptam crianças , na melhor das hipóteses, com mais de dois/três anos e este garoto tinha quatro.

    Portanto, o menino esteve institucionalizado durante cerca de um ano e acabou por ir para adopção internacional. Área que não era da nossa competência.

    Como devem calcular, ficámos satisfeitas porque , em princípio, seria integrado numa família que dava garantias de idoneidade. Só que isso não impediu de que fosse obrigado a aprender uma língua estrangeira, adaptar-se a pessoas estrnhas e ir para longe de tudo quanto lhe era familiar.

    Oxalá esteja bem e feliz!

    Boa semana

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    1. Eu é que agradeço, em nome pessoal e de todos os leitores, teres partilhado connosco esta estória e, também teres divulgado (ainda que parcialmente) a sua sequência que esperamos tenha tido um final feliz

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    2. Nada tens a agradecer, meu caro amigo.

      Quem fica grata por poder estar presente num blogue de alta qualidade como o(s) teu(s), sou eu. Para mais , partilhando um episódio que nem foi dos piores que enfrentei profissionalmente, apesar de tudo.

      Um abraço muito reconhecido.

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    3. Obrigada, São, por desvendares um pouco do que se seguiu. Precisamos acreditar que a criança teve uma segunda oportunidade para ser feliz, aprender uma língua estrangeira parece de somenos importância face ao que já tinha vivenciado, como espetador inocente!

      Beijinhos!

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    4. Concordo plenamente, Teté, importante é que tenha conseguido um rumo mais favorável para uma vida que tão começou!

      Bom serão

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    5. Olá, São

      São histórias que marcam a vida de quem passam por elas.
      Também desejo que a criança tenha tido mais sorte com pessoas estranhas do que a que teve na sua vida familiar.

      Bj

      Olinda

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    6. Esperemos que sim, OLINDA! Porque foi daquelas situações dramáticas que nos marcam, mas marcam ainda muito mais a criança que tem a infelicidade de as sofrer.

      Abraço grande

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  14. Deixe-me roubar-lhe a sua resposta, São - "Oxalá esteja bem e feliz!"

    Prostituição, vender o corpo por necessidade, mete-me muito menos impressão do que as prostitutas que se vendem (TODAS) por vaidade ou ganância.
    O que se vê disso por aqui!

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    1. Estamos de acordo: há muita gente(cada vez mais, infelizmente) a vender o seu corpo porque não tem outra solução.

      Quem o vende por qualquer outra razão, choca-me muito mais, sem dúvida.

      O que me repugna realmente é quem se vende a nível de princípios, de ética e de dignidade. E isso tanto acontece com mulheres como com homens.

      Que o nossso voto se realize e o garoto, agora já homem, seja feliz.

      Bom dia, Pedro.

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    2. A São já respondeu e bem, Pedro. Também partilho da mesma opinião, por isso, nada a acrescentar.

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  15. Olá, São!

    Há momentos na vida que melhor fora não terem acontecido, em que dá vontade de enfiar em buraco no chão.E confesso que admiro quem tem por profissão esta que tu tinhas: que muito de dedicação exige, bem dura, a ter que lidar com constantes problemas de natureza social, para os quais por vezes não haverá uma boa solução...

    Gostei de te ler, apesar do pesado do tema.
    Abraço amigo, boa semana.
    Vitor

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  16. Obrigada , meu amigo!

    Este foi um caso bem complicado, mas -infelizmente, principaçmente para as crianças e adolescentes envolvidos - tive-os ainda piores .

    É uma frustração tremenda quando tentamos tudo para resolver um caso e não conseguimos.

    Forte abraço , VÍTOR

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  17. Isto quem anda ou andou pelas ruas da Educação é assim mesmo: acontece-nos cada uma! Mas tudo vale a pena pelas crianças. A sério que vale!
    Boa repescagem, amigo Carlos!

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    1. SEm dúvida, GRAÇA! Tudo quanto possamos fazer pelas crianças e adolescentes com que trabalhamos merece a pena.Mesmo!

      A estória é verídica e foi escrita propositadamente para esta rubrica do blogue.

      Beijinhos, linda.

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  18. Embora sendo uma história dramática, a forma como a São a contou acabou por me deixar um leve sorriso dos lábios... tudo por conta dos bules de chá que ela e a colega acabaram por beber...E enfim, saber que a criança em causa acabou por ser devidamente encaminhada para um projeto de vida familiar também foi bom.

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    1. Tem piada que me aconteceu o mesmo, quando recebi a estória da São e a li pela primeira vez. Depois fui matutando no assunto e fui perdendo o sorriso, mas ficou a bela estória.

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  19. Olá, LUÍSA!

    De facto, a situação trágica para a criança -principalmente na altura - , é caricata relativamente a nós as duas : passámos pelo que nunca foms, tivemos que suportar os olhares justificadamente espantados das pessoas e eu imagino a expressão que a empregada nos viu assim com o que deve ter pensado.

    E, garanto-lhe, esta situação difícil não fois apior de todas: só faz parte de uma colecção bem grande.

    Bom dia.

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  20. muita coragem para trazer esta história aqui, pois nem só as boas recordações se desfilam neste café. e nem devem. o café é um local que guarda tudo, risos e choros.
    esta é uma história extremamente triste, o miúdo ver-se completamente desamparado pela própria família, enxotado como uma coisa sem valor.
    também espero que esse rapaz, hoje um homem, certamente, esteja muito bem e que a família que o acolheu seja a verdadeira família. e há tantas famílias dispostas a dar amor e tantas crianças ainda institucionalizadas.

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  21. MARGARIDA, obrigada pelas suas palavras.

    O drama da adopção por pessoas portuguesas é que, de modo geral, pretendem crianças recém-nascidas ou até aos doze meses, de cor branca e sem deficiências.

    Depois, com em Portugal tudo é original, a adopção (que eu saiba a lei não foi alterada) pode ser completa ou parcial. No primeiro caso a criança adoptada tem os mesmos direitos que as crianças nascidas biologicamente de quem adopta. Na outra hipótese, pois esses direitos têm significativas diferenças.


    É por esta preferência por crianças muito pequenas e por uma legislação inadequada quanto aos direitos parentais que muitas crianças ficam eternamente em instituições, sem projecto de vida .


    Quanto à adopção prpriamente dita, é um direito da criança e nunca dos adultos e , por vezes, as pessoas parecem esquecer-se dessa realidade.

    Boa semana.

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  22. Estrelas,teve aquela criança, personificadas na Zaida e na São.
    Bom trabalho.
    beijinhos

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  23. Uma história de vida, que não me estranha. Um dia lhe contarei São uma história de um menino parecida com essa. Só que o referido menino não foi para o estrangeiro, é hoje um homem e vive bem perto de si. Já é pai de uma linda menina. Adivinhou. É mesmo esse.
    Um abraço

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  24. Porque esse menino, graças a DEus, teve uma família que o soube acarinhar e acolher e nada se importou com aquilo que geralmente preocupa quem quer adoptar.

    Tenho est+orias bonitas, com esta que estamos falando,

    Oitras existem pavorosas. Numa delas, por exemplo, a criança foi devolvida ao fim de quatro anos como se fosse um pacote de leite estragado - com a agravente de o casal (de instrução superior) pretender que lhe entrefassem outra criança!!!


    Um estreito abraço, Amiga grande.

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  25. São os ossos do ofício...
    Não estavam preparadas para estas eventualidades e foi sem dúvida uma prova dura mas estou certo que nunca mais esquecerão esta lição.
    O professor tem de ser polivalente. Dar-se e contar apenas com os espinhos daqueles a quem se deu...

    Muitos jovens hoje nem sonham por aquilo que muitos professores passaram duas décadas passadas.

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  26. Engana-se: estavámos preparadas, sim. Mas isso não implica ser-se indiferente nem ao sofrimento nem às cenas desagradáveis.

    Aliás, para mal das crianças e demais pessoas envolvidas, tanto eu como a colega tivemos casos ainda mais complicados, pode ter a certeza disso-

    Bom dia.

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  27. Uma história marcante São, não é uma história lúdica para nos rirmos em amena cavaqueira, infelizmente a vida não nos marca só por histórias de risos, também tem estas histórias que nos deixam alguma consternação e que acredito que fiquem bem impressas na nossa memória...

    Espero que a criança tenha tido sorte, embora perante as premissas não o pareça, gosto sempre de acreditar que sim.

    Um beijinho São e obrigado pela história que partilhou connosco

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  28. POPPY, obrigada pelas suas palavras.

    Esperemos que sim, que tenha encontrado uma família que o acarinhasse e educasse e, de algum modo, lhe desse compensação de tanto sofrimento.

    Há muito tempo que eu queria partilhar esta vivência, porque pendo que toda a gente deve ter conhecimento dos dramas reais e que tantas vezes nos passam ao lado.

    Um abraço

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  29. É de todas as "histórias de cafés" até agora, a mais complexa, não pela história em si, muito interessante aliás, mas pelo assunto que aí é tratado.
    Como toda a gente já referiu, não se pode deixar de questionar qual terá sido o destino da criança.

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  30. Sim,quem importa menos da história somos nós. Contudo, parece-me necessário abordar estes temas, que não sendo agradáveis não deixam, infelizmente, de ser bem reais e frequentes.

    Boa semana, João

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