Autor assumido do roubo do Códice Calestino, o electricista da Catedral de Santiago de Compostela decidiu revelar os escândalos que presenciou enquanto lá trabalhava.
Desde relações de carácter sexual, a roubos do dinheiro depositado pelos fiéis, há inúmeras revelações no cardápio do electricista ladrão.
A propósito do roubo das esmolas, veio-me à memória uma senhora que conheço no Porto.Frequentadora assídua da Igreja, temente a Deus e sempre pronta para ajudar o pároco nas tarefas quotidianas, na expectativa de, através dele, conseguir chegar mais facilmente ao Reino dos Céus. É o que vulgarmente se chama "beata", ou "rata de sacristia". Quando conheci esta senhora, ela ainda era jovem. Hoje- já há muito ultrapassados os 70 - deixou de ser a pessoa reservada que sempre conheci. Tornou-se mais dialogante e há tempos contou-me uma estória deliciosa que agora partilho convosco.Há umas décadas, o pároco aproveitou-se da sua boa vontade para lhe pedir que fosse todos os dias limpar a Igreja e as escadas de acesso e zona circundante, duas vezes por semana.
Fazendo contas ao tempo que isso lhe iria tomar, mas apostada em servir a causa do senhor, a "beata" fez ver ao pároco que vivendo ela do seu trabalho de empregada doméstica, teria de ser recompensada por esse trabalho, já que seria obrigada a abandonar alguns trabalhos para desempenhar a sua tarefa. Como prova da sua devoção, pediu que lhe fosse pago apenas metade do que cobrava às suas patroas.
O pároco acedeu prontamente, enalteceu o seu espírito cristão e prometeu-lhe que a recomendaria a Deus nas sua orações diárias.
O tempo foi passando, mas o pagamento das horas que dedicava à limpeza da Igreja, nunca chegava às suas mãos. Ao fim de um ano disse ao pároco que, sem remuneração, não poderia continuar a desempenhar a sua tarefa, porque precisava de assegurar o seu sustento e nada lhe tinha sido ainda pago.
O pároco lamentou-se com a redução das esmolas, justificativo que considerou suficiente para o não pagamento da quantia acordada. Prometeu, no entanto,começar a pagar-lhe no mês seguinte " na medida das possibilidades da paróquia".
Farta de conversa da treta, a beata decidiu fazer justiça por conta própria. A partir daquele dia passou a retirar uma percentagem das oferendas dos paroquianos. No dia em que se considerou retribuída do valor acordado com o pároco, foi ter com ele à sacristia e comunicou-lhe que deixaria de desempenhar as tarefas.O pároco manifestou-se compreensivo, garantiu que continuaria a recomendá-la a Deus nas suas orações e, como forma de agradecimento, disse-lhe apenas:
" Que Deus te pague!"
" Já pagou, senhor padre, já pagou" respondeu a beata.

Essa beata ainda abriu os olhos a tempo, o pior é quando não querem saber os crimes do Vaticano. Como, aliás, já me foi dito na cara.
ResponderEliminarUm bom fim de dia.
Há gente para tudo e padres não são exceção! Não é que aprove o método, mas será que ele sequer tinha a vaga ideia de lhe pagar o serviço? Duvido, até pela resposta que deu! Aí deve ter ido procurar outra beata, para lhe fazer o serviço à borla... :)
ResponderEliminarGrande beata, não podia tomar melhor decisão, até Deus lhe vai perdoar por retirar das esmolas o que lhe era devido!
ResponderEliminarbeijinho e uma flor
Amigo Carlos:
ResponderEliminarOra aqui está uma beata com sentido de justiça, gostei! :)
beijinho
Fê
Beata perdoada com céu garantido!
ResponderEliminarA Igreja também comanda...e MUITO!!!
Histórias destas devem ser o "pão nosso de cada dia", principalmente nas aldeias.
Beijinhos.
Um mimo!!!
ResponderEliminarSe todos os calotes pudessem ser cobrados assim.....
A história da sua beata, Carlos, dá para uma postagem, mas a do electricista tem um romance aí, um autêntico best-seller com filme e tudo.
ResponderEliminarLadrão que rouba ladrão...
ResponderEliminarUm beijinho
PS - Já sou seguidora (e convido-o a reciprocar)