domingo, 10 de março de 2013

À mesa do café... Delfim


A nossa convidada de hoje vem do Algarve.É a Luísa. Conta-nos como começou a gostar de café e fala-nos de alguns cafés que eu também frequentei, especialmente um que era ponto de partida para algumas noites de folia na Praia da Oura.
Bem, mas o melhor é lerem o que ela tem para nos contar e depois encontrem-se com ela À Esquina da Tecla, para mais dois dedos de conversa, ou partilharem o seu sempre bem documentado passeio de domingo.

Gosto de café. Sempre gostei do aroma enérgico desta bebida mas até aos 16 ou 17 anos apenas o tomava bem diluído e com leite, ao pequeno-almoço ou ao lanche. Até essa idade não frequentava cafés e a “bica” era coisa que não conhecia, até porque não vivia ainda em Portugal. 
Cá chegada e começando a frequentar a escola secundária, conheci novos amigos e novos hábitos. Os furos que por vezes tínhamos entre aulas ou os tempos de espera pelo autocarro para regressar a casa acabaram por inevitavelmente me conduzir a uma mesa de café. 
Um dia, para acompanhar os amigos, pedi uma bica. Soube-me bem. O pior foi depois. Depois senti o efeito da cafeína num organismo praticamente ignorante da mesma. Fiquei até mal disposta. De tal modo que jurei a mim própria que não voltava a tomar uma bica na minha vida. É claro que a jura não foi cumprida e continuo a tomar café, embora com moderação porque o facto é que, se por acaso exagero na dose, sinto logo o coração a querer saltar boca fora.
Se bem me lembro essa primeira bica foi tomada à mesa do café Delfim, em Loulé. Depois disso muitas outras mesas de café se seguiram, em espaços certamente mais marcantes, quer pelo seu interesse arquitetónico como foi o caso da Mexicana, perto da praça de Londres, quando me tornei estudante universitária em Lisboa, quer por questões sentimentais como foi o caso da Martinique, na Oura – Albufeira, por onde passava religiosamente antes de seguir para a discoteca nos tempos da febre de sábado à noite. 

44 comentários:

  1. Quando a tristeza me invade... visito a Rua dos Cafés aos domingos à tarde.

    É uma história interessantíssima, que convida a convocar as minhas sombras do passado — quando comecei a beber café e a minha experiência com o tabaco.

    Agora vou partilhar o passeio de domingo com a Luísa, mas ainda volto.

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    1. ematejoca,
      O café ficou para sempre nos meus hábitos. Já o tabaco (graças a Deus) não pegou... :)

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    2. Não devia vir à Rua dos Cafés só quando a tristeza a invade, Teresa :-)
      Esta é uma rua bem frequentada, onde apetece estar em quaisquer circunstâncias. Bom passeio com a Luísa! Ela leva-nos sempre a locais muito agradáveis

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  2. Também estou ligada à Mexicana e de que maneira! Todos os Domingos durante vários anos o avô (era um avô emprestado) trazia-me duas Bolas de Berlim com creme que eu comia deliciada!!!

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    1. papoila,
      Frequentei a Mexicana num período em que vivi ali perto, na Rua Abade Faria. Lembro-me de um espaço muito bonito.

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    2. Eu também estou ligado à Mexicana, embora não fosse o meu lugar de eleição. Enquanto estudante era a Granfina e a Versailles. A Mexicana apareceu muito mais tarde, mas nunca fez parte dos meus roteiros habituias. Só lá ia esporadicamente...

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  3. Fiquei a pensar quando é que terei tomado o meu primeiro café :) Primeiro comecei pelos cariocas de café, depois passei para o café para me tirar o sono de tarde, cheguei mesmo a tomar dois, mas em vão, continuava com sono e ao mesmo tempo meio nervosa :)
    Já sou seguidora de À Esquina da Tecla e gostei muito deste café.
    um bom Domingo e beijinhos
    Gábi

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    1. Gábi,
      Às vezes também tomava carioca de café... mas a bica é outra coisa :)

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    2. Também não sei quando terei tomado o primeiro café. Talvez tenha sido um cimbalino na P´voa de Varzim, mas não estou certo...

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  4. Quando a tristeza me invade – parafraseando a ematejoca – penso nas viagens que fiz e, inevitavelmente, nos cafés à mesa dos quais me sentei e observei a beleza do local, quer em grandes cidades ou pequenas vilas, quer à beira mar!

    Gostei de ler a tua estória, luisa!

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    1. A melancolia faz-nos viajar pela memória de outros tempos...

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    2. quando a tristeza me invade também viajo pelos locais onde fui feliz. Alguns cafés ( como o Monte Carlo) estão entre esses locais

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  5. Eu acho que bebo café a mais... 3 expressos por dia...
    Mas acho que não há café como aquele de mistura que a minha mãe faz ao lume numa enorme cafeteira, com um aroma único da mistura feita num armazém próximo lá de casa café, chicória, amendoim e cereais... ainda me lembro do perfume que emanava do armazém quando tinha a sorte de passar à porta quando estava a embalar ....
    Desse, quando vou a casa da minha mãe, bebo uma caneca bem cheia ao lanche.

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    1. Também houve um tempo em que bebia três cafés por dia... tive que cortar na dose... Essa mistura da mãe parece-me apetitosa :)

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    2. Eu bebo pelo menos três cafés por dia...
      Os cafés de que mais gosto são os que bebo em casa e um dia estes vou explicar porquê. Depois de acabarem estas conversas na Rua dos Cafés

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  6. Não faço a menor ideia de quando tomei o meu primeiro café, mas facto é que já bebia café com leite e mazagrin desde miúda, não me provocou nenhum efeito especial. E adorava mazagrin, bem como depois a bica. Que deixei de beber há anos, tanto um como outro, devido a efeitos colaterais indesejáveis... ;)

    A Mexicana (café onde fui apenas meia dúzia de vezes) tem essa curiosidade de ter sido ponto de encontro de estudantes (especialmente do IST), ao longo de várias gerações. Já a Martinique, não estou lembrada, se bem que tivesse passado férias por aquelas bandas. Mas antes dessas febres de sábado à noite! :)))

    Gostei muito deste agradável cafezinho, cheio de boas recordações de outros tempos! :D

    Beijocas para ambos!

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    1. Não fui estudante no IST mas como morava perto ia lá por vezes jantar à cantina.
      A Martinique ainda existe, na Oura, mas já há muito tempo que não vou lá.

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    2. Como já disse, a Mexicana não estava nas minhas rotinas, mas a Martinica, principalmente na Primavera, quando estava no Algarve, sim.
      A Praia da Oura foi, para mim, um local de culto numa época da minha vida. É poca essa em que, curiosamente, não vivia em Portugal e só cá vinha de visita...

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  7. A minha iniciação ao café foi semelhante.


    ______


    O umbigo de Cavaco é o ponto oco do seu mundo mesquinho sem dignidade!

    Um bom resto de domingo, amigo.

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    1. Bem dizia o Carlos, no outro dia, citando Pessoa... que primeiro estranha-se mas depois... :)

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    2. Como já disse, não me lembro quando comecei a tomar café, mas lembro-me que durante uns anos o tomava com açúcar e hoje em dia não suporto café com açúcar. Tem de ser mesmo straight...

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  8. Pois eu nunca bebi café.
    Nos dias que correm parece que não é muito normal alguém não beber café.
    Tenho outros vícios, queijo, presunto, cajús crus e também uns chocolatitos.
    Do tabaco, que fumei durante trinta anos, também já estou livre há quinze. Felizmente que nunca fumei de manhã. Era só a partir do almoço, o que de certa forma ajudou um pouco.
    Acho que todos os que vivem em Lisboa, passaram pela Mexicana, um dos sítios mais in de Lisbo.
    Agora Luisa, só é preciso gerir a quantidade de bicas a beber, já que em demasia, rebenta a máquina.
    Beijinho

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    1. Conheço algumas pessoas que não gostam de café... e sim, Kim, sou das que têm que se limitar a pequenas quantidades :)

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    2. Conheço muito poucas pessoas que não gostem de café e confeso que até me fazia alguma confusão.
      Cheguei a beber 8 a 10 cafés por dia, mas hoje fico-me pelos 4 ou 5

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  9. Apesar de ter crescido em Luanda e regressado em 71 com 26 anos nunca tinha bebido café puro.
    Adorava o seu cheirinho que logo pela manhã vinha da cozinha, onde o Manuel(cozinheiro) o fazia.

    Bebi a minha primeira bica ,em Penacova no intervalo de uma acção de formação.
    Depois foi um abusar...tive que diminuir o consumo e agora bebo, no máximo,2 por dia.
    Cheguei a ser viciada!

    Beijinhos.

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    1. O facto é que mesmo bebendo só um café por dia, se por acaso passo um dia sem o tomar é certo que vem por aí uma pequena dor de cabeça... é a falta da cafeína :)

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    2. Eu bebo mais, mas os que mais aprecio são os que tomo em casa, Elisa.
      A mim também me acontece o mesmo, Luísa, mas ao fim de dois ou três dias o organismo habitua-se e a dor de cabeça desaparece

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  10. Também passei pela Mexicana nos meus tempos de estudante!
    Agora atrevo-me a um café lá, quando sirvo de taxista à minha nora para levar o miúdo ao pediatra na Guerra Junqueiro! A mais não me atrevo porque se tornou um local caríssimo!
    Quanto à Martinica...fazia parte da "mitologia" da Oura!
    Gostei deste café!

    Abraço

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    1. Então também eras frequentadora da Martinique? :)

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    2. Querem ver que nos encontramos todos na Martinique?

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  11. Quem resiste a um bom café, principalmente com a boa companhia da amiga Luísa.
    O meu único vício :)

    beijinhos

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    1. Se a cafeina fosse o meu único vício eu não estava mal :-)
      Também concordo que a Luía foi uma boa companhia para o café

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    2. Cria um certo hábito... sem dúvida :)
      Obrigada pela vossa simpatia :)

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  12. Mexicana? Parece que foi ontem, depois já com os meus filhos na universidade...
    Como é possível já terem passado tantos anos?
    :)

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  13. Nem me fale, Rui! A Mexicana já faz mesmo parte da minha pré- história!
    Obrigado pela sua presença nesta Rua dos Cafés, cada vez mais frequentada.

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  14. Fui criada em meio a cafezais, meus avôs viviam disto. É na roça que prefiro uma boa xícara de café moído e coado à hora, regado a amigos e parentes.
    Aceitam um cafezinho brasileiro?

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    1. Aceito de muito bom grado, Cristina. Pode enviar por mail? :-)))

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  15. Deixei de baber bicas há alguns anos.
    Bebo dois cafés por dia (um de manhã, outro a seguir ao almoço) home made.
    Mas houve uma época na vida, sobretudo quando estudava e quando exerci advocacia, que bebia café que era uma estupidez.

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    1. O meu café diário também é, por norma, o que faço em casa de manhã. A esse junta-se esporadicamente uma bica :)

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    2. Eu também prefiro os de casa, mas diariamente tomo dois fora, porque a isso sou obrigado

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  16. Estava a tentar lembrar-me como teria sido a experiência em torno do primeiro café que tomei, mas sem sucesso :/ só sei que ainda hoje gosto muito de café, não por "precisar de acordar" mas porque gosto porque me sabe bem, é sem dúvida um pequeno prazer :)

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