domingo, 7 de abril de 2013

No escurinho do cinema




A Castello Lopes encerrou mais de 40 salas de cinema em todo o país, contribuindo assim para o aumento do desemprego . Muitos concelhos – incluindo várias capitais de distrito- ficaram sem uma única sala de cinema com programação regular. Estamos a regressar paulatinamente aos tempos do Estado Novo, mas com uma diferença substancial: naquele tempo, em quase todas as capitais de distrito havia uma sala de cinema que era uma "sala de visitas" e em Lisboa e Porto havia várias salas de cinema onde era um prazer entrar. Lembro-me, por exemplo, do S. Jorge, Tivoli, Império e  Monumental em Lisboa, ou do Coliseu, Rivoli, Trindade e S. João no Porto.
Hoje, em Lisboa, tenho cada vez mais dificuldade em encontrar uma sala de cinema onde entre com prazer e a certeza de que não tenho de suportar o cheiro das pipocas, ou os arrotos dos apreciadores de Coca Cola. Além de ser cada vez mais perceptível que as pessoas não se sabem comportar numa sala de cinema. Conversam animadamente durante o filme como se estivessem na sala de sua casa, põem os pés em cima da cadeira da fila da frente e outras minudências sem importância.
Uma das salas onde me sentia bem era no Londres, que também encerrou as portas, porque a EDP cortou a electricidade por falta de pagamento.
Ainda me lembro de uma vez que fui com uma tia minha do Porto àquela sala ver , se a memória me não falha, “Era Uma Vez na América”.
Era a primeira vez que ela lá entrava e assim que se sentou desatou aos gritos, porque não esperava que a cadeira descesse adaptando-se ao peso do seu corpo. A minha tia era uma pessoa com excelente disposição e humor incomparável. Quando percebeu a “barraca” que tinha dado desatou às gargalhadas e durante o filme, de vez em quando, desatava a rir-se a despropósito. Eu sabia que ela se ria, porque recordava o ridículo da cena  mas, na sala quase cheia, a maioria terá pensado que a senhora era tontinha e as recriminações em surdina terão sido mais que muitas.
Pois é… se calhar não devia ter escrito este post a criticar o comportamento de algumas pessoas na sala de cinema…
E vocês? Recordam alguma cena caricata passada numa sala de cinema? E gostariam de a partilhar connosco? Então a caixa de comentários está à vossa disposição.

20 comentários:

  1. Não sabia que o cinema Londres tinha fechado. E agora naquela zona, não só da Av. de Roma (havia o Roma, o Quarteto e o Londres), mas de quase todas as chamadas avenidas novas, deixou de ter cinemas.
    Aliás, o cinema está confinado quase exclusivamente
    às grandes superfícies, o que é uma pena...

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    1. Agora o único que resta nessa zona é o Alvalade, João. Tem pipocas, mas há sessões onde o tipo de público que frequenta não é consumidor. Ou então, sou eu que tenho tido sorte...
      Quanto ao Londres, ainda há uma remota esperança de que venha a reabrir, mas quem lá trabalhava não acredita nessa possibilidade.

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  2. Aqui, já não há sala de cinema há muiiiiito!

    Bem! Quando jovem, em Luanda,durante o terrorismo fui à matiné com a minha irmã mais velha ao cinema Miramar . Não me recordo do filme, mas ao ouvir tiroteio (do filme) saí disparada e só parei na rua.
    A minha irmã diz que ficou tudo a olhar...eu nem reparei...

    Ainda hoje nos rimos.

    Beijinhos.

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    1. Essa teve graça, Elisa!
      Eu sei que por aí já não há cinema há muito, mas ainda me lembro de entrar no único que havia. Não para ver um filme, mas sim para um baile de Carnaval
      Beijinhos
      (PS Que tudo corra bem amanhã)

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  3. De cenas caricatas não me recordo. Não bebo coca-cola mas como pipocas. Nos filmes de muita ação, nem se houve o mastigar; nos filmes mais silenciosos, é uma questão de parar a mastigação e retomá-la quando há diálogo! : )

    Quando as crianças eram pequenas, ir ao cinema sem comprar pipocas, refrescos e chocolates, não era a mesma coisa. E que alegria ver o seu contentamento estampado nos seus lindos rostos! Tenho saudades desses tempos... mas adiante que o comentário já vai longo...

    Notei foi uma grande diferença entre as salas de cinema em Lisboa e as de Toronto. Na altura, as pessoas “vestiam-se” para ir ao cinema, todas muito circunspectas; havia marcação de lugares. Lembro-me perfeitamente.

    Aqui aprendi a ser mais descontraída e muito mais prática. E gostei.

    A outra grande diferença era a “falta” de títulos académicos quando nos dirigiamos a pessoas que acabávamos de conhecer. Não havia, senhor engenheiro, senhor arquiteto, dr X (advogado) ... E gostei! ; ) Mas isso já é outra questão...

    Ah! Foi no cinema (em Lx) que me procuraram para me informar que tinha tido uma chamada telefónica da minha mãe. O meu pai encontrava-se muito doente. Nunca mais quis ver o fim do filme que estava a ver.

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    1. Hoje já ninguém se veste a rigor para ir ao cinema, Catarina, mas também me lembro desses tempos e até já escrevi um post sobre o "cerimonial" das idas ao cinema ao sábado à noite

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  4. Senti muita pena quando deixou de existir o Cinema S. José em Cascais: plateia, 1º Balcão onde normalmente ficávamos e ainda havia um 2º Balcão.
    Em miúda tinha muita dificuldade em ver no escuro isto é, demorava muito mais tempo do que é normal a adaptar-me à escuridão e um dia enquanto seguíamos o empregado que nos ía levar ao lugar fui de mão dada com o namorado de alguém...:))) todos em fila mas todos trocados!!!
    Os primórdios do swing...ahahah

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    1. Que bem me lembro do S. José, Papoila. Também tenho boas recordações, mas nunca tive essas experiências de swing:-))) Eram experiências mais do género da canção da Rita Lee, está a ver?
      Bem, agora, pensando melhor, lembro-me de uma história de swing numa sala de cinema... "namorei" com duas ao mesmo tempo e, no final, não sabia bem a quem me devia atrelar :-)))

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  5. Oi Carlos!
    Aqui só há uma sala, daquelas focadas em adolescentes, com filmes americanos "da moda". Eu gosto de filme chato, antigo, e não americano de preferência. Somente frequento quando passa um raro filme brasileiro.
    Tenho visto filmes iranianos na net.
    No shopping do estado vizinho há quatro salas, porém nem sempre vou lá, e se vou, nem sempre tenho sorte com os filmes.
    Abraços.

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    1. Também prefiro o cinema europeu ao americano, Cristina. Filmes brasileiros vi poucos, mas não gosto de filmes...chatos!
      Abraço

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  6. Que tristeza, Carlos: era uma das minhas salas de cinema favoritas! Ainda há pouco tempo lá estive... Será que não conseguem ultrapassar essa questão da conta da EDP?!? :(

    Beijocas!

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    1. Esperemos que sim, mas já está fechada há mais de um mês e, depois de sucessivas promessas de que iriam reabris, tal não aconteceu. Falei com duas pessoas que lá trabalhavam e elas não acreditam na reabertura...

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  7. Também no Londres: Fui com uma amiga ver "Love Story", com curiosidade e também alguma vergonha porque todos os nossos amigos diziam que não percebiam porque queríamos ver "aquela piroseira". Ficámos na última fila da 1ª metade da sala, junto ao corredor. O filme era, com se sabe, a puxar à lagriminha fácil e era preciso algum comtrolo para não ceder. Quem não se conteve foi um rapaz da à nossa frente - estava acompanhado da namorada e de uma senhora mais velha e usava o cabelo comprido e os bigodes típicos dos anos 70. Chorava com grandes lágrimas que lhe caíam no bigode que a namorada limpava amorosamente. A minha amiga e eu ríamos convulsiva e silenciosamente da cena. Ao mesmo tempo, lembrávamo-nos que toda a metade da sala atrás de nós tinha uma boa vista dos nossos ombros agitados pela gargalhada silenciosa e poderia pensar que chorávamos sem parar. Isso era motivo para mais vontade de rir termos. Lá chegámos ao fim do filme..., divertidas como não era suposto. Mas que também nos controlámos para não nos emocionarmos lá isso também é verdade...

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    1. Não chorei, nem me ri. Apenas achei aquilo uma seca insuportável!

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  8. Tenho boas recordações do Londres.

    Aqui, em Setúbal fecharam 2 salas por não serem rentáveis. Agora vão abrir 10 no novo Centro Comercial, dá para acreditar?

    Um país de contradições.

    Que hei-de dizer?


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    1. Bem, mas pelo menos ainda há oferta ( que com 10 salas até pode ser mais diversificada), enquanto em algumas capitais de distrito a oferta é ZERO!

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  9. Recordo duas ou três cenas caricatas que me marcaram:
    A primeira numa sala do Amoreiras, andava eu no 12º ano. Fomos ver 'O Clube dos Poetas Mortos' com a Prof. de Inglês. Na famosa cena do 'Oh Captain, my Captain', a coisa deu-me para o sentimento e comecei a lacrimejar. Para não dar parte de fraca tirei discretamente do bolso qualquer coisa com que limpar os olhos porque não tinha lenços de papel. Saiu-me uma luva de lã...não correu bem. Pior a emenda do que o soneto: saí da sala a parecer um sapo, com os olhos completamente irritados e inchados e fui gozada até casa. Em minha defesa: a minha turma de inglês era uma cambada de insensíveis!

    Também no Amoreiras: fui ver o Blairwitch Project com uns primos. O saudoso Lourenço, que já nos deixou, era um rapaz muito expansivo, que não se coibia de dar a sua opinião quer a tivessem pedido ou não. E foram tais os comentários em voz alta ao longo do filme que em vez do 'terror' que o filme devia inspirar iam-se ouvindo gargalhadas das pessoas que o ouviam reclamar, em voz não muito baixa: 'mas que grande banhada de filme! Soubesse eu que era pra isto e tinha ido à bola' e outros mimos do género.

    E por fim, a minha melhor cena no cinema: estar 15 minutos a olhar para o ar porque o projectista, muitos consciencioso e profissional, achou que regras são regras e fez um intervalo completo para a única pessoa que estava na sala a ver o filme. Eu. Aliás, a senhora da bilheteira teve de ligar a perguntar se abriam a sessão para a ave rara que apareceu. Senti-me uma privilegiada, mas também foi um pouco intimidante. O filme era o 'Crash'. O do óscar, não o dos taradinhos que gostavam de acidentes de viacção.

    E pronto, três historietas de polichinelo, mas já me diverti a recordá-las.
    Beijinhos

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    1. Eh, pa, como eu gostava de ter uma sala de cinema só para mim! O melhor que até agora consegui foi repartir a sessão com mais três pessoas!
      A Safira divertiu-se a contálas e nós a lê-las! Obrigado
      Beijinhos

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  10. Lembro-me de várias.

    Quando eu era crinça, a minha avó ficou a tomar conta de nós (eu e as minhas irmãs) para os meus pais irem ao cinema no Porto. Com três filhas pequenas, era um acontecimento raro. Os meus pais lá foram e chegaram até ao cinema...só que depois alguém teve a triste ideia de ligar com uma ameaça de bomba. Esvaziaram o cinema e nada de poderem ver o filme (felizmente não havia bomba nenhuma).

    Uma outra vez fui com colegas ver um filme português. Só estávamos lá nós e duas pessoas com alguma idade que terão ido ver o filme, penso eu, por ser um filme português. O filme era A Guerra do Mirandum que começa logo com uma cena mais forte de sexo. Uma das pessoas que lá estava levantou-se e saiu. A outra, que era uma senhora também se levantou, comentou alto "hoje só fazem porcarias" e foi-se também embora, e no cinema só ficámos lá nós.


    Numa formação fui com uns colegas ver um filme algo pesado e a preto e branco. Durante a exibição deu-me muito sono, mas quando veio o intervalo e ligaram as luzes, percebi que havia vários colegas a dormir...

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  11. Fico louca com essa mania de porem os pés no encosto da cadeira da frente. É de uma má-criação indescritível!
    Um beijinho

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