domingo, 28 de abril de 2013

Permitam-me que vos apresente A Puta da Vida




“Como é Linda a Puta da Vida”  é o título do último livro de Miguel Esteves Cardoso, apresentado ontem, às 17 horas, nos jardins do Palácio de Cristal ( biblioteca municipal Almeida Garrett) no Porto. 
MEC já não é aquele escritor de escrita  deslumbrante e atrevida de outros tempos. A idade e a doença refrearam-lhe a verve, o amor pela Maria João adocicou-lhe os sentimentos. Tornou-se menos irreverente, as suas crónicas mais centradas nas coisas boas da vida.
MEC revolucionou a crónica nas páginas dos jornais, introduziu-lhe o calão e a irreverência com naturalidade. Muitos o tentaram imitar, mas sem sucesso. Aquele que mais se terá aproximado da linguagem e fina ironia do autor de “O Amor é Fodido”  é Carlos Morais José, ex-jornalista de "O Independente", a viver  há mais de duas décadas  em Macau e pouco conhecido por cá. 
Conheci  o MEC no início de 1986, em noites de boémia repartidas entre o Frágil e o Plateau. Regressara a Portugal em 1983 para desempenhar uma tarefa demasiado absorvente que concluí em final de 85.Estava completamente  alheado da noite lisboeta,  foi uma amiga que nos apresentou uma noite no Frágil  Depois eu voltei a partir, o Miguel adoeceu e não mais nos voltámos a encontrar. 
Quando há dias li a notícia de apresentação do seu novo livro, lamentei não estar em Portugal. Iria ao Porto para lhe dar um abraço e lembrar-lhe uma conversa que tivemos, no final de uma noite bem  molhada, sobre a puta da vida. Na altura eu dizia que a Puta da Vida era Linda mas ele, moído por um amor,  discordava.  Trinta anos depois ele concorda comigo. Eu, infelizmente, já não, mas não me importava nada que ele me convencesse que quem está enganado sou eu!

13 comentários:

  1. Tenho um ou dois livros dele, de vez em quando leio as suas crónicas e tb eu me apercebi do grande amor que continua a nutrir pela sua Maria João.

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  2. Curioso! Não me lembro de o conhecer. De qualquer modo, um abraço.

    MEC

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  3. Gosto bastante da escrita do MEC.
    Não perdia uma crónica dele no jornal emprestado.

    Também andei pelo Frágil, mas o mais conhecido desses tempos é a Márcia Rodrigues que frequentou Comunicação Social na mesma faculdade.

    A vida pode ser uma puta, mas há-as de todo o género.

    beijinho

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  4. Gosto de Mec tendo lido quase toda a obra dele.

    Costumo ler sempre que posso as suas crónicas no Público, mas nem sempre me agradam.

    Já não me parece o MEC de antigamente.

    Terei que ler o seu novo livro.

    Beijinhos.

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  5. Concordo que ele parece muito diferente do que era mas isso não me espanta de certo modo estamos todos...o tempo e a "tal" vida foi deixando marcas, boas e más e nós vamo-nos adaptando, vivendo ou sobrevivendo.
    Já me fez rir com as suas crónicas e hoje em dia continuo a lê-las e tenho muito respeito pela forma como ele expõe o seu amor pela Maria João.
    Quero ler o livro e quero muito que a Maria João viva muitos e bons anos e que sejam muito felizes.
    xx

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  6. A vida é assim. Em certos momentos linda, noutros menos. Os momentos lindos de uns nem sempre coincidem com os momentos lindos de outros. :)

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  7. A vida encarrega-se de nos apresentar vários "cenários" e nós vamos "representando" de acordo com eles...
    Sem dúvida que era um cronista diferente do que é hoje mas,continuo a gostar dele.
    Quanto às obras publicadas só conheço " O Amor é Fodido".

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  8. Já apreciei mais o MEC do que actualmente. As crónicas que diariamente publica, no "Público", já não têm, como tu dizes, a verve doutros tempos.

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  9. Li algures que o Miguel Esteves Cardoso é o escritor-ícone de várias gerações.

    Dele, só li "O Amor é Fodido", que um familiar me ofereceu, porque a má do romance se chama Teresa.

    Só tenho inveja que o Carlos tenha estado na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, a minha segunda casa, quando estou no Porto.

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    1. Afinal o Carlos não foi à apresentação do novo livro do Miguel Esteves Cardoso, porque não se encontra em Portugal.

      Despulpe o engano, mas já é tão tarde (2:00), que li tudo muito à pressa.

      Volto amanhã! Boa noite!

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  10. Sim, lembro-me bem de comprarmos o Expresso praticamente só para ler A Causa das Coisas!
    Mas, no meio dos azares da vida, que não tem sido meiga com ele, acho que teve sorte - um amor como o que o liga à Maria João (uma espécie de Musa da contemporaneidade) não acontece todos os dias...
    E quanto a si, Carlos, não deixe que eventuais desamores ou hiatos o deixem de mal com a vida! :)
    Um beijinho

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  11. Eu fiquei deslumbrada com a entrevista deles (dele e da esposa) num telejornal que já nem recordo em que estação... Uma entrevista do mais descontraído e fluente que vi até hoje!

    Como é linda a puta da vida? Sem dúvida :)

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  12. Sempre gostei muito do MEC. E acho que é tocante o amor dele pela Maria João e a forma como ele o expõe. Não é habitual.

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