quarta-feira, 24 de abril de 2013

RM (6): A geração de Orpheu



Esta década, caracterizada a nível mundial por fortes rupturas na expressão artística e pelo aparecimento de valores que marcaram profundamente o século XX, é também rica em valores na arte e cultura portuguesas. Malhoa, Fernando Pessoa, Columbano, Santa-Rita, Almada Negreiros, Stuart, ou Mário de Sá Carneiro ( que se suicidará em Paris em 1916) são alguns dos nomes mais expressivos da arte e da cultura portuguesa do Modernismo, iniludivelmente marcados pelas correntes de vanguarada europeias, pelos valores da República e pelo entusiasmo e vontade de mudança que ela arrastou, apelando nomeadamente ao empenhamento cívico e cultural. Com o intuito de "fazer abanar" a sociedade portuguesa criaram em 1915 a revista Orpheu cuja função- segundo as suas próprias palavras -"era abanar as águas, agitar, subverter, escandalizar o burguês e pôr todas as convenções sociais em causa".
Em 1919 os Estados Unidos recusam-se a assinar o Tratado de Versailles e a integrar a Sociedade das Nações e Mussolini funda, em Milão, a Liga Fascista, dois meses antes de a socialista Rosa Luxemburgo ser encontrada morta em Berlim. Nessa altura, já era visível o fortalecimento do movimento operário que consolidava a sua luta, conquistando direitos para a classe trabalhadora. Avizinhava-se, porém, uma época de retrocesso, com a crise económica que assolará a Europa na década seguinte.

5 comentários:

  1. Gosto muito da escrita de Mário de Sá Carneiro e tive pena de não estudar a sua obra nas aulas de Português, descobri-o um pouco por acaso. A escrita dele, reflete muito uma genialidade conturbada...

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  2. Quer-me parecer que a geração de Orpheu faria todo o sentido na atualidade: 'abanar as águas...' precisa-se.

    Um beijinho

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  3. Tempos que devem ser recordados agora.
    Os da geração de Orpheu e os que se seguiram
    E tirar daí ilacções porque a História tem essa curiosa mania de se repetir.

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  4. Brilhante!!!

    Haverá coragem para um "abanar de águas"???

    Beijinhos.

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