quinta-feira, 25 de abril de 2013

RM( 7):as feridas da Guerra



Em 1919 é assinado o Tratado de Versailles, pondo oficialmente termo à I Guerra Mundial. A Alemanha é fortemente penalizada e compromete-se a pagar indemnizações a vários países, pelos danos cuasados. Quase um século depois, algumas dessas dívidas continuam por pagar...
 Nasce a Sociedade das Nações, mas os Estados Unidos ficam de fora, porque se recusaram a assinar o Tratado. Começa a perceber-se que os Estados Unidos não vão fazer a vida fácil ao mundo durante o século XX, mas não nos adiantemos…

Na Europa, desmoronamento dos estados austro-húngaro e do Império Otomano deu lugar a uma série de pequenos Estados, com fronteiras ainda mal definidas.
É também neste ano que o Sinn Fein proclama a República Independente da Irlanda. Vai haver muita bordoada na ilha, mas não só…porque em Itália Mussolini funda a Liga Fascista, carimbando o prenúncio de tempos de barbárie.
O 
Exército Vermelho sai vitorioso, a Rússia invade a Ucrânia e Lenine acredita – depois da vitória da Revolução em 1917- que o exemplo pode alastrar a todo o mundo alcançando o triunfo do Movimento Operário. Nesse sentido convocou para Moscovo o Congresso da Internacional Comunista, base de sustentação para a vitória. Desiludido com o fracasso, acusará os partidos socialistas e sociais democratas de terem traído a revolução.
De outras traições foi vítima, este ano, 
Rosa Luxemburgo. O cadáver da “socialista exemplar” do início do século é encontrado num canal de Berlim. Mas não morreu afogada… foi  fuzilada pelas tropas alemãs que depois se desfizeram do corpo.

Poucos meses antes ( Janeiro) abortara a tentativa de instaurar a democracia na Alemanha. Apesar de os alemães terem votado massivamente pela democracia, a Assembleia Constituinte resultante das eleições não conseguiu reunir em Berlim… por oposição do Presidente americano Wilson que, pouco antes, invadira a Costa Rica!



Tudo isto tem uma explicação simples… Quando estava prestes a perder a guerra, a direita alemã, no poder, “entregou” o governo a socialistas e sociais democratas, mas a assinatura do Tratado de Versailles, que a direita criticou, impôs medidas draconianas à Alemanha. O desentendimento entre socialistas e sociais democratas levou ao fracasso e a uma crise sem precedentes, de que a direita se aproveitaria. Alheios ao fracasso da democracia alemã, não foram também os movimentos separatistas da Baviera e da Renânia, que aproveitavam a crise alemã para relembrar os tempos do império perdido e abrir caminho a Hitler.
O ano fica, no entanto, marcado por um surto de greves em toda a Europa. O movimento sindical cresce, ganha força e alcança algumas conquistas para os trabalhadores, como a jornada de trabalho de 8 horas ( Cerca de um século mais tarde, Sarkozy imporá em França a semana de 65 horas, sendo seguido por outros países europeus…Alguém por aí falou de progresso social?).

Os sindicatos conhecem outras vitórias importantíssimas, durante os anos 20, como o direito de voto universal, o direito de reunião e a criação obrigatória do fundo de desemprego, mas a sua força não se prolongará durante muito tempo. A grave crise económica lança milhares de trabalhadores para o desemprego e os salários reais descem assustadoramente. À guisa de exemplo, refira-se que na Alemanha os salários representavam, em 1919, apenas 70 por cento do valor dos salários em 1913. A direita europeia estava nas suas sete quintas.

Mas nem tudo eram más notícias. Volta a ser possível viajar no o 
Expresso do Oriente, de Paris a Istambul e o arquitecto Walter Gropius funda a Bauhaus que irá marcar e influenciar a as artes europeias durante décadas.
Data deste ano, também, a criação da United Artists, por iniciativa de alguns dos maiores nomes da 7ª Arte, onde despontam 
Charles Chaplin e Mary Pickford.

Erik Sati compõe Sócrates, um drama sinfónico que haveria de chegar a Portugal, em versão estereofónica. E continuava, claro, a loucura das velocidades, porque ainda não se tinham esgotado os ecos do Manifesto Futurista. Entre os records estabelecidos neste ano, destaque para o de Erma Murray, nos 100 m bruços, com 1m 33s e 2 décimos.
Em Portugal os governos sucedem-se a um ritmo alucinante e 1919 ficará assinalado por diversos movimentos revolucionários. O mais importante terá sido a derrota da monarquia do Norte. Nos anos 80, porém, vai surgir um novo rei no Norte, que abrasará o país. Chama-se Pinto da Costa e conseguirá inúmeras vitórias para os azuis e brancos, destronando os Vermelhos que se tinham sentado na cadeira do poder, com o beneplácito do Estado Novo.
Ainda durante este ano foram construídos os bairros sociais do Arco do Cego ( Lisboa) e Sidónio Pais ( Porto).

6 comentários:

  1. Também é portista? Que desilusão... De facto não há pessoas perfeitas :)))

    Brincadeira...

    Falando de assuntos mais sérios, chego a ter dúvidas que no periodo que esteve entre as duas Guerras tenha havido paz em pleno no seio da Europa. Também já tinha lido que há dividas que a Alemanha nunca saldou, se calhar era uma boa altura para cobrar :)

    Um bom feriado*

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  2. Excelente cronica Carlos, fiquei a conhecer algumas coisas que não fazia ideia.

    beijinho e uma flor

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  3. Só uma nota, Carlos - não ia sendo tempo de o Pinto da Costa se reformar?
    Dar o lugar a gente nova, a outra mentalidade, a outro tipo de discurso e actuação?

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  4. Mandemos o "Cobrador do Fraque" para cobrar essas dívidas incobráveis à Alemanha, Carlos!

    Quanto ao mais, estou como a Poppy você é portista, pá? Que desilusão, vá, mas já passou! :)))

    Abraço

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  5. Ai essa "inclusão portista" a estragar um pouco a narrativa.
    Como dizia o outro: "não havia nexessidade..."

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