segunda-feira, 27 de maio de 2013

Conversas de pé de orelha



Enquanto preencho os impressos para a renovação do Bilhete de Identidade, um senhor aparentando os seus 60 anos aproxima-se. Ouço-o dizer a uma jovem que o acompanha:
- Sim senhor! Esta gente aqui é impecável. Atenciosos e eficazes..
- Eu não lhe dizia, papá!
- É verdade, é verdade! Às vezes as pessoas criticam só pelo prazer de dizer mal do Estado. Mas a culpa também é dos jornalistas, sabes, filha! A gente lê e acredita.
E virando-se para outro que acabara de preencher os impressos:
- O senhor não acha?
- O quê? Que os serviços das Lojas do Cidadão são bons? Claro que concordo... Principalmente quando os comparo com o atendimento num banco.
- O senhor tem razões de queixa dos bancos?
- Nem queira saber, meu amigo. Nos bancos são todos uns trafulhas e ainda por cima nos atendem com duas pedras na mão. Olhe que eu deposito todos os meses o meu vencimento no banco e eles só me disponibilizam o dinheiro ao fim de 3 dias, apesar de haver uma Lei do Governo que manda que o depósito seja feito no dia seguinte. Já viu o que eles ganham em juros todos os meses?
- Estás a ouvir isto, filha, estás a ouvir isto?
- Tá bem, papá...Vamos embora?
- E nas seguradoras? O meu filho, bateram-lhe no carro tão forte, que ficou sem poder andar e ele, como tem um seguro que inclui carro de substituição ,foi à companhia de seguros pedir um carro para andar, que coitado precisa muito do carro para a vida dele. Nem imagina o que lhe disseram! Que se estava a aproveitar da situação e não sei que mais... só sei que o acidente foi a meio da semana passada e hoje ainda não tem carro. Vamos a ver se lhe dão um na segunda-feira, mas já lhe disseram que não vão pagar os táxis em que ele tem andado. Sabe o que é que lhe disseram? Que podia muito bem andar de transportes públicos! Como se ele estivesse a pedir mais do que aquilo a que tem direito!
- Estás a ouvir isto, filha? Vocês lá no jornal deviam escrever sobre estas coisas, não é só pôr lá doutores a escrever que a gente às vezes nem percebe nada do que eles falam... Não sei o que é que vocês jornalistas andam lá a fazer! Deve ser só Internet, só Internet, a ver o que escrevem uns dos outros.
- Vá, vamos mas é embora, papá, que está a fazer-se tarde!

8 comentários:

  1. Há gente boa e má em todo o lado, mas eu tenho sido sempre muito bem atendida na Loja do Cidadão! Assim como nas Finanças, na ADSE... Aquelas pessoas aturam cada tolice, dia após dia...

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  2. Hoje há muito sensacionalismo no jornalismo e por vezes pouco profissionalismo, dando ênfase a notícias sem o mínimo interesse em detrimento do essencial.
    Na área da política é onde noto o maior exagerado.

    Como em todas as profissões há excepções!

    Beijinhos.

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  3. Desculpa ter fugido ao tema.

    Beijinhos.

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  4. Óbvio que há bons e maus funcionários em todo o lado, em empresas públicas ou privadas!! De qualquer das formas, também fui sempre bem atendida na Loja do Cidadão. Que tem a grande vantagem de se poder tratar de vários assuntos em simultâneo, ou caso falte um papel de caminho para as burocracias da praxe...

    Mas não terá sido no Cartão do Cidadão? É que me parece que os B.I. já não não renovados... :)

    Beijocas!

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  5. Os bons e menos bons existem por todo lado, por vezes a falta de sensibilidade, outras vezes, quando nãoestão de bem com eles próprios não conseguem estar de bem com ninguém!
    Encontra-se de tudo um pouco.
    Boa semana Carlos

    beijinho e uma flor

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  6. Carlos,
    O serviço prestado nas Lojas do Cidadão é excelente.
    Já em certos bancos e seguradoras, realmente, valha-me Deus.
    Mas os maus da fita são sempre os funcionários públicos

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  7. As lojas do cidadão prestam um serviço extraordinário, muito diferente de determinados serviços. É aí e no Centro de Emprego, pelo menos aqui em Aveiro honras lhes sejam feitas pelo trabalho extraordinário, é uma novidade para mim mas tem sido uma surpresa muito boa. E não deve ser nada fácil para eles manterem a postura, porque os Centros de Emprego neste momento não são sítios nada fáceis :/

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  8. Devo a uma jovem de poucos anos, funcionária do Fundo de Desemprego da Amadora, uma das coisas melhores que ajudaram a ter um subsídio de desemprego maior e de mais longa duração, há uns anos atrás.

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