quarta-feira, 22 de maio de 2013

Debaixo de Algum Céu


Uma das coisas melhores que há na vida de quem adora ler, é descobrir um autor novo. Outra  é, quando acabamos de ler o livro, ficar à espera do próximo ou correr para a livraria com o intuito de comprar um outro que o autor já tenha escrito.
Foi isso que me aconteceu com “Debaixo de Algum Céu” do Nuno Camarneiro, vencedor do prémio Leya 2012.
Comprei o livro na véspera de  voar  para o Brasil e, no momento de fazer a mala, escolhi-o para companheiro de viagem.  Por razões que não interessam para o caso, só comecei a lê-lo quando saí de Cabo Verde e fiquei agarrado logo à primeira frase: “ Uma história são pessoas num lugar por algum tempo”.
O lugar onde se desenrola a história é um prédio encostado à beira mar. O tempo é o que medeia entre o dia de Natal e o primeiro dia de um ano qualquer.  Uma semana, portanto.
Durante esse período o Nuno apresenta-nos um padre jovem  em crise de Fé e com um mistério por explicar;uma viúva que vive com um gato; dois casais com filhos; dois irmãos de idades díspares em constante desavença ;um jovem que gasta a noite a inventar personagens e um reformado que  se recria  a construir o futuro com despojos do lixo.
Um dos apartamentos está vago mas também tem uma história dentro…
É neste prédio igual a tantos outros, onde vivem pessoas que se falam mas não se conhecem, que se desenrola a história feita de encontros e desencontros, despoletados por um fenómeno natural: uma tempestade que deixa o prédio às escuras.
No início da leitura foi-me difícil não estabelecer comparações com Claraboia (José Saramago), cuja leitura terminara há poucas semanas, mas rapidamente percebi que os propósitos de Nuno Camarneiro eram outros.  Que me levaram a uma reflexão estribada num  conto de Gabriel Garcia Marquez sobre a vida e a morte. Mas isso fica para outro dia...

8 comentários:

  1. eu gosto muito deste novo escritor, ganhou o prémio leya com este romance. no ano pasado li 'no meu peito não cabem pássaros' e rendi-me, é tão lindo e de uma escrita tão poética. emprestava-lho, mas tenho-o em ebook. mas aconselho a leitura e este que leu também está na minha pilha (cada vez maior) de livros para ler. bjs.

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  2. Ando tão sem vontade de nada que não tenho lido...comecei a ler "Enquanto Salazar Dormia" de Domingos Freitas do Amaral e...acabou, também, por adormecer...

    Agradou-me o resumo ...anotei o nome...veremos!

    Beijinhos.


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  3. Gostei de "No meu peito não cabem pássaros", que li no ano passado. Embora me tivesse perdido um pouco na leitura, que as personagens eram um pouco estranhas e a estrutura do romance perdia-se. A escrita foi o que mais me fascinou, numa prosa muito poética... :)

    Beijocas!

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  4. À medida que ia lendo o seu post, ia fazendo a associação das descrições da obra com "Clarabóia" de Saramago (como também refere)... agradou-me a dissociação que fez, pois com todo o respeito pelo mérito que o nosso Nobel tem, não é um escritor que faça parte das minhas escolhas bibliográficas.
    Aguardo a temática existencialista! :-)

    http://lavarcabecas.blogspot.pt/

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  5. Ainda não me iniciei no autor, mas está na fila...

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  6. Ainda não conheço o autor.
    Será uma próxima aquisição.

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  7. Por acaso tenho curiosidade em conhecer esse livro do meu "mais ou menos" conterrâneo.

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