quinta-feira, 16 de maio de 2013

RM (18). Do microscópio à libertação de Paris, com muitas "fitas" pelo meio


A invenção do microscópio ( 1940) com capacidade de ampliação de 500 000 vezes, poderia ter ajudado Hitler a ver que a guerra era uma loucura e um erro monstruoso que estava a cometer, mas apenas serviu para reforçar a perseguição aos judeus e ampliar o número de vítimas nos tenebrosos campos de concentração. 
A corrida à bomba atómica intensifica-se e em 1942 é construído o primeiro reactor atómico.
Na vida doméstica, aparece o rolo para pintura (1940), o pulverizador aerossol (1941) e o atendedor de chamadas (1943), enquanto o terylene se torna na fibra da moda. O primeiro anúncio publicitário feito em televisão surge em 1941. Anuciante: o relógio Bulova. Em 1942 é apresentado o primeiro computador electrónico e no ano seguinte, na Holanda, o rim artificial.
Os primeiros discos de alta fidelidade são lançados em Inglaterra (1944), permitindo aos melómanos uma audição mais pura dos artistas da década (Glenn MIller e Frank Sinatra são os nomes mais sonantes, vindos do outro lado do Atlântico, mas o jazz com nomes como Count Basie, Benny Goodman ou Duke Ellington, irá impôr-se ao gosto europeu, mais para o final da década).
Em 1940, Charles Chaplin ironizava com a figura de Hitler no filme O Grande Ditador e John Ford recorre um livro de John Steinbeck ( As Vinhas da Ira) para expôr, através do cinema , as misérias da guerra. Mas é mais tarde que o cinema apresenta dois êxitos retumbantes que marcam este período, mas só mais tarde viriam a tornar-se quase lendários: Citizen Kane (1941) e Casablanca (1942).
Enquanto em Itália Mussolini proíbe a exibição de Obsessão de Visconti, Saint Exupéry viaja para o espaço com “O Principezinho” e nos Estados Unidos estreia-se Por quem os Sinos Dobram, baseado no romance homónimo de Hemingway.
Em Setembro de 1944, já depois do desembarque das tropas aliadas na Normandia, e do atentado falhado contra Hitler , Frank Capra gritava dos EUA para a Europa: Este Mundo é um Manicómio, mas o Führer não o ouvia. Há quem afirme o contrário e defenda que terá sido esse grito que o terá levado a suicidar-se no seu bunker, em Abril do ano seguinte, mas é mais credível que tenha decidido fazê-lo depois de ver a primeira parte da trilogia de Eisenstein Ivan o Terrível apresentada em Moscovo em Janeiro. Ou terá sido assaltado por um rebate de consciência, ao ler o Diário de Anne Frank, descoberta pela Gestapo em Amsterdam?
O que se sabe é que a Europa inteira respirou de alívio quando Paris foi libertada da ocupação alemã. Já imaginaram o que seria Paris sem a língua francesa a passear-se pelas ruas? E que seria da Europa, se as montras parisienses tivessem passado a exibir a austeridade da moda alemã, em vez da ousadia sensual dos costureiros franceses? Como seriam hoje Montmartre, ou Saint Germain Desprès? Uns miseráveis redlight districts ao estilo de Frankfurt ou Hamburgo, certamente. Sem centelha de emoção e criatividade, despida de latinidade, sem Follies Bergère e Moulin Rouge ( quem se ia interessar por um cabaret chamado Das Röt Mühle?) Paris seria certamente uma seca!

3 comentários:

  1. Obrigada por mais regresso ao passado.

    Só acrescento que Hitler aumentou a perseguição a toda a gente: em Auschwitz -Birkenau e em proporção morreram mais polacos que judeus e numa só noite foram assassinados largos milhares de ciganos, desaparecendo famílias inteiras nos fornos cremtaórios.

    Um abraço amigo, Carlos

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  2. Adorei este "recordar" recheado e tanta coisa que me fez feliz...música, livros, filmes...

    Ahhhhhhhhhhhhh...a lupa serviu para Hitler "purificar a raça"!

    Beijinhos.

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