quinta-feira, 23 de maio de 2013

RM(22)-Seduções, manipulações e outras ilusões



Em Portugal também havia muita gente com mãos sujas e não faltavam ladrões. Não roubavam bicicletas, mas sim a liberdade de expressão. Por isso, sem qualquer espanto, quando no ano seguinte (1949) a Citroen lança o inimitável 2 cv ( quem nunca sentiu o seu doce balançar, não sabe o que perdeu!), as alimárias no poder saltam de contentamento com a desistência de Norton de Matos das eleições presidenciais. Desta vez não tiveram que fazer batota nas urnas, limitaram-se a assistir às contradições internas que minaram o candidato da oposição democrática.
A Alemanha de Leste, controlada pela União Soviética, torna-se comunista. Durante 40 anos ouvirá falar-se da Cortina de Ferro e a ameaça de uma nova Guerra paira sobre o Mundo inteiro, que lê atentamente 1984 de Georges Orwell. Bons e maus organizam-se em blocos. De um lado a Nato, do outro o Pacto de Varsóvia, duas concepções do mundo em permanente confronto surdo que só irá terminar, 40 anos mais tarde, com a queda do muro de Berlim, muito saudada a Ocidente.
Cantou-se vitória, mas como o tempo viria a demonstrar, foi cedo demais para o fazer....
Neste último ano da década de 40, o mundo altera-se profundamente. Enquanto a Índia e o Paquistão anunciavam o fim da guerra de Caxemira, aceitando a realização de um referendo sob a supervisão da ONU, a Alemanha dividia-se em dois e a Irlanda abandonava a Commonwealth. Neste mesmo ano, Mao derrota Chang Kai-Check e proclama a República Popular da China, recebendo de imediato o apoio de Moscovo.
Por todo o mundo há jovens seguidores de Mao e Portugal não é excepção, mas na idade adulta os jovens portugueses que desfilaram com a bandeira numa mão e o livro vermelho na outra, acabarão por se render, anos depois do 25 de Abril de 1974, ao canto delicodoce do capitalismo liberal e trocam o Livro Vermelho pela leitura do Financial Times. Entrementes, vão engrossar as fileiras dos partidos do Centrão. Um deles tornou-se célebre por vir a ser escolhido para comandar os destinos da União Europeia e estampa um sorriso nos lábios quando lhe falam dos seus devaneios maoistas. Nada disto foi previsto por Georges Orwell no seu livro “1984” cuja actualidade se mantém intacta.
Ainda em 1949,  a URSS faz explodir a sua primeira bomba atómica, mas não é isso que provoca "A Morte de Um Caixeiro Viajante" num teatro em Nova Iorque.
Em França,  muitos se deslocam a Paris, de 2 CV, com o pretexto de aplaudir a vitória de um italiano ( Fausto Coppi) no Tour de France.
Por cá, a farsa continua, com a atribuição do título de Doutor Honoris Causa a Franco, pela Universidade de Coimbra. Nada melhor para encerrar uma década em que Portugal se afasta definitivamente da Europa, vê vetada a sua entrada na ONU, mas é admitido na Nato, porque quando toca à “traulitada” não se olha aos regimes políticos e não se escolhem os amigos.

4 comentários:

  1. É curioso que estes anos em que eu era muito criança, recordo-me de pouca coisa, menos do que aconteceu antes de nascer...
    Mas ainda me lembro de ouvir falar do campeoníssimo Coppi...

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  2. Esta foto é perfeitamente machista e o exemplo acabado da mulher usada como objecto!

    O Livro Vermelho nunca li, mas li "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" em 1984 e já lera "O Triunfo dos Porcos".

    A hipicrisia pol+itica essa está sempre em grande: a CIA deu à PIDE, além de formação, um manual secreto com técnicas desenvolvidas cientificamente nos democráticos EUA.

    Solidarizo-me contigo na tristeza pela morte de Moustaki, a quem desejo Luz!

    Amigo, bom resto de dia.

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  3. Isso era mesmo a publicidade do Citroen 2cv? E não foi censurada? o.O

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  4. Hummmmmm...no ano em que nasci aparece tão ousada publicidade???

    Por cá a FARSA ainda continua e continuará!!!

    Beijinhos.

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