sexta-feira, 7 de junho de 2013

RM 31- Vidas Rebeldes: De James Bond a Rachel Carson



John Huston dava o mote para os anos 60 com a estreia de “Vidas Rebeldes”, o último filme protagonizado por Marilyn Monroe. Serão “Dias Felizes”- proclama Samuel Beckett em Nova Iorque. À procura da felicidade anda também Rudolf Nureyev. Cansado do socialismo soviético pede asilo político a Paris.
Mais a norte, numa pequena discoteca de Liverpool ( o Cavern Club) está em gestação um agrupamento que transformará o mundo da música e conhecerá um dos maiores sucessos de sempre: os Beatles.
Mas nem todos partilhavam da mesma felicidade e euforia. Ernest Hemingway é disso um exemplo, ao pôr termo à vida aos 61 anos, nos EUA Terá pensado como os irmão Cohen, quarenta anos mais tarde, que “Este país não é para Velhos”?
Em Portugal é que, apesar do episódio do Santa Maria, da anexação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana e do começo da guerra em África, o “Velho” não larga o poder. Quem está em maus lençóis são os jovens, obrigados a responder ao apelo de Salazar “ Para Angola rapidamente e em força”. 
Cinquenta anos depois, um jovem inexperiente alcandorado a primeiro ministro voltará a repetir o apelo, aconselhando os jovens a emigrarem para Angola. Não me venham dizer que a história não se repete...
Voltemos aos anos 60. Em Portugal, serão marcados pela anorexia mental de Salazar que lança o país numa guerra sem sentido, criticada por todos os quadrantes a nível internacional. Indiferente, Salazar responderá com a não menos célebre frase “ Orgulhosamente sós”.
Em Março de1962, enquanto John Gleen dá 3 voltas à terra a bordo do Mercury VIII, a talidomida (substância usada como sedativo em medicamentos ministrados às mulheres grávidas) senta-se no banco dos réus de um tribunal belga, sob a acusação, comprovada, de ter sido responsável pelo nascimento de milhares de bébés com deformações. Os medicamentos contendo essa substância são imediatamente retirados do mercado. Mas não é a talidomida a responsável pela morte de Marilyn Monroe em Agosto deste ano. A actriz sucumbe devido à ingestão de uma excessiva dose de sonoríferos. Pelo menos é o que conta a história, mas há quem duvide da sua veracidade e veja na morte da fogosa loira uma mãozinha dos Kennedy, para esconder amores proibidos.
Um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para a existência de um eco- sistema e a necessidade de o preservar, garantindo um ambiente saudável. Em causa, estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT. Por uma vez, o Senado americano leva o aviso a sério e decreta a sua proibição nos EUA.
O mundo treme de inquietação perante a ameaça de uma nova Guerra à escala mundial com epicentro em Cuba e, em Portugal, o sistema é abalado pela guerra em África e pela crise académica, que eclode com a proibição das comemorações do Dia do Estudante .
No cinema, James Bond faz a sua aparição nas salas, iniciando uma carreira de sucesso rodeado de "bond-girls" de cortar a respiração. Do lado de cá do Atlântico, o inconformado François Truffaut dá a conhecer a história de “Jules e Jim”, marcando o início da “nouvelle vague”. O cinema francês iria marcar a década. 
As águas passam a ser sulcadas por um novo meio de transporte - o Hovercraft- e Andy Warhol torna-se um ícone da pop-art.

4 comentários:

  1. Gostei de ler, mas será que só as mulheres é que se despem???

    Bom fim de semana, amigo meu

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    1. Nos anos 60 eram as mulheres, agora são os homens... e também algumas mulheres.

      Eu prefiro ver o corpo nú e belo de uma Marilyn do que o corpo do velho Clark ou até mesmo do Montgomery.

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  2. A História é como uma roda...gira,gira e volta ao mesmo!

    Prova disso é que passados anos somos (des)governados por quem sofre de anorexia mental...

    Beijinhos.

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  3. Começa aqui o melhor período da minha vida, o início dos 60,em que tanta coisa maravilhosa aconteceu nos mais variados campos...

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