terça-feira, 11 de junho de 2013

RM- 32: I have a dream ( Dos Beatles a Mary Quant)

"I have a dream" proclama Martin Luther King em 1963 perante mais de 250 mil pessoas que desfilam
em Washington exigindo a igualdade de direitos civis para pretos e brancos. Ano que fica marcado pelo assassinato de Kennedy e pelo aparecimento dos Beatles que saem do Cavern Club para empolgar a juventude.
Nasce uma nova dimensão do rock, a partir de agora gravado em cassettes, a última invenção no mundo dos registos magnéticos. A música folk e de protesto ganha um número crescente de novos adeptos com cantores como Bob Dylan e Joan Baez.
A bordo do Vostok VI, Valentina Terechkova torna-se na primeira mulher a viajar no espaço, mas o acontecimento não pode ainda ser gravado em videos domésticos, pois só uma semana mais tarde a BBC fará a sua apresentação ao público.
Só nos anos 80 é que Lena d’Água cantará “Olhó Robot”, mas em 1963 o mundo laboral já conhecia os efeitos da entrada desta tecnologia em muitas unidades de produção industrial: uma transformação radical nos modos de produção, com profundos reflexos sociais. O pior, porém, ainda estava para vir...
Em 1964, enquanto a sonda Ranger VII envia para a Terra as primeiras fotografias da superfície lunar, Mary Quant lança a mini-saia, cujo comprimento é inversamente proporcional ao do cabelo dos rapazes, que seguem o modelo inspirador dos Beatles, e as top-models começam a dar nas vistas, graças a um fotógrafo chamado Lindberg.

A esquelética Twiggy torna-se a imagem padrão da beleza feminina e a indústria farmacêutica vai socorrer-se da sua imaginação para que todas as mulheres que o desejem se tornem iguais à modelo. Estava lançado o negócio dos produtos de emagrecimento. As body shops e as clínicas de emagrecimento vêm a caminho, mas ainda não se ouve falar de aeróbica, nem de anorexia.
Londres assume o papel de Meca cultural para a juventude europeia dos anos 60. Carnaby Street e King's Road constituem pontos de passagem obrigatória para quem visita Inglaterra. Espectáculos musicais como Hair atraem à capital inglesa milhares de jovens de toda a Europa, e as transformações sociais começam a ser visíveis no mundo ocidental. Propaga-se uma onda libertadora que atravessa toda a juventude e os Beatles mostram-lhe em filme o que é uma “Hard Day’s Night”
A sociedade de consumo avança a passos largos ao som da música pop, do Gospell, dos blues, ou da música country. Nascem vedetas duradoiras, pretas e brancas, que ajudam a esbater as barreiras raciais. "West Side Story" torna-se um filme de culto. À semelhança dos anos 20, vivem-se anos de euforia, e os jovens começam a ter poder de compra. Por agora, no entanto, ainda não fazem parte do apetite voraz dos publicitários. Falta ainda percorrer uma última etapa: o aproveitamento dos ídolos como veículos comerciais.

5 comentários:

  1. Como tenho pernas para isso, adoro ainda hoje a mini-saia.

    Muitíssimo obrigada, Mary Quant!!!

    De cabelos compridos nunca gostei, nem para homens, nem para mulheres, embora que quando casei tinha uma cabeleira que me dava um trabalhão e, quando cortei o cabelo à rapaz, o meu "Kraut" ía morrendo de dor.

    Ainda há pouco tempo passou aqui no FORUM uma exposição de Lindberg com modelos belíssimos. Gostei muito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muitos anos mais tarde, conheci a Valentina Terechkova, a primeira mulher a viajar no espaço, numa festa do Partido Comunista Alemão.
      Uma mulher muito simpática, simples, sem vaidades.

      Eliminar
  2. Gostei do atarefado do Header, muito!

    A história contada duma forma deliciosa.

    Beijinho

    ResponderEliminar

  3. Gostei, Carlos, porque me (re)vi ao longo dos anos... assim de uma forma divertida .))

    Beijo

    Laura

    ResponderEliminar
  4. Reli várias vezes o teu artigo, pois revi uma época em que fui feliz!!!

    Ahhhhhhh..."I have a dream"...ainda!!!

    Beijinhos.

    ResponderEliminar