quarta-feira, 12 de junho de 2013

RM 33- Et voilà! C'est le temps de Salut Les Copains



Em Portugal a canção francesa é uma referência forte, que se opõe nos mal amanhados tops nacionais aos emergentes sucessos anglo-saxónicos. Adamo com canções como "En blue jeans et blouson de cuir", "Vous Permettez Monsieur" ou "Mes Mains sur tes Anches" e Johny Halliday ("Retiens la Nuit" e "Pas cette Chanson") dão um toque contestatário, enquanto Sylvie Vartan (La Plus Belle pour aller danser) e Françoise Hardy (“Tous Les garçons et Les filles") ajudam a despedaçar os corações mais românticos.
O nacional cançonetismo emerge com a "Oração" de António Calvário, bem acolitado por Artur Garcia e Madalena Iglésias. A rebeldia fica a cargo de Simone de Oliveira, enquanto o lugar de despedaçador de corações é ocupado por Tony de Matos.
A guerra em África amputa as famílias dos seus varões, a emigração não pára de aumentar e a Televisão de canal único oferece televisores, como prémios mais apetecidos em concursos de sucesso. Arde o Teatro Nacional D. Maria II e o DN comemora o seu centenário.
Em 1965, um ano depois de “Zorba, o Grego”, se ter dado a conhecer ao mundo pela mão de Anthony Quinn, os EUA intensificam os bombardeamentos no Vietname, dando o mote a filmes fabulosos como "Apocalipse Now" ou "O Caçador", que encherão anos mais tarde as salas de cinema.
Malcolm X- o celebrado dirigente negro é assassinado em Nova Iorque. Salazar não quer deixar os seus créditos por mãos alheias e dá “um ar da sua graça”. Manda a PIDE comprar caramelos a Badajoz e, de caminho, o agente Casaca aproveita para assassinar Humberto Delgado. Já naquele tempo, o que mais incomodava os governantes eram as pessoas.  Salazar mandava-as matar... agora usam-se métodos mais sofisticados. As pessoas morrem de fome ou falta de tratamentos de saúde e o governo justifica com a desculpa piedosa de que "não há dinheiro para tudo".
Já no século XXI , o semanário “Expresso” tratará de reabilitar o assassino. O Correio da Manhã e a revista “Sábado” tratarão de recuperar Salazar. A imagem do Estado Novo não será limpa com “OMO”, mas sim com uma campanha publicitária degradante baseada na “Estética da Violência” que Glauber Rocha estreara em 1965.
Nesse mesmo ano  os Beatles ficam a conhecer o significado da palavra concorrência. Dá pelo nome de “Rolling Stones” e destrona dos tops os “guedelhudos de Liverpool” com o super-êxito “ (I can’t get no) Satisfaction”.
A rainha de Inglaterra entra na guerra de audiências e faz “jogo sujo” condecorando os Beatles com a Ordem do Império Britânico, perante o ar reprovador da aristocracia.
Os mais velhos, indiferentes a esta luta, preferem encher as salas de cinema na companhia de “Dr Jivago”, protagonizado por Omar Shariff, um actor que se revelará exímio jogador de bridge.
Quem não quer guerras nem honrarias nestas coisas de cultura é Salazar que não está com meias medidas e manda encerrar a Sociedade Portuguesa de Escritores.
A Igreja também procura renovar-se. João XXIII convocara o Concílio Vaticano II em 1962, que será concluído em 1965 por Paulo VI. A Igreja abre-se ao mundo, mas lida mal com a rebeldia da juventude- impulsionada pela beatlemania- e com os cantores de intervenção.

5 comentários:

  1. Continuo a sonhar, recordando os bailes de garagem, onde era "princesa"...bons e saudáveis tempos!!!

    A política apenas mudou de nome...

    Beijinhos.

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  2. Parece que tudo aconteceu ontem.
    Comprava regularmente Salut les Copains, apesar disso me deixar quase com as algibeiras vazias.
    Do resto já nem falo, pois eu trabalhava no prédio por onde entravam alguns agentes da PIDE, pois apesar do prédio ser na Rua António Maria Cardoso, uma parte deles entrava pela Rua dos Duques de Bragança. Coisas que ninguém sabia.
    Abraço amigo Carlos

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  3. Nunca uma guerra, todas as guerras, foram tão retratadas como em Apocalypse Now, Carlos.
    FENOMENAL!!!

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  4. Este post é um resumo dos meus tempos!!!
    Cantei e dancei nas festas de garagem, fui ao cinema com os nervos em franja por não saber se me deixariam entrar nos filmes para maiores de 17!!!
    As revistas francesas os filmes...
    Boas recordações.
    xx

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  5. Grandes filmes, grandes concertos no Monumental e sobretudo um grande Papa, o melhor Papa da minha vida - João XXIII!

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