terça-feira, 18 de junho de 2013

RM 36: Make Love, not war



Enquanto Jim Morrisson canta "We want the world now", John de Carlos e Tommy Smith protagonizam a manifestação do Black Power nos Jogos Olímpicos do México ( 1968) e o movimento hippie desponta com flores na cabeça, sob o signo do "Make Love Not War", em Portugal os jovens embarcam para África com armas nas mãos, instruídos para matar.
Deixam no cais famílias lavadas em lágrimas e levam consigo, como recordação, a fotografia da namorada, guardada entre as páginas da Salut Les Copains, a revista preferida dos jovens melómanos portugueses.
Estamos em 1968. Jane Birkin e Serge Gainsbourg acicatam a sensualidade nos bailes com "Je t'aime moi non plus" e Zeca Afonso desperta as consciências em convívios universitários com "Eles Comem Tudo".
Em França vivem-se tempos empolgados, devido à crescente contestação dos estudantes. No meio do coro de protestos emerge um nome: Cohn Bendit. Ficará conhecido pela geração de 60 como "Danny le Rouge", mas o símbolo da rebeldia do Maio de 68 deixar-se-á seduzir anos mais tarde pelas maravilhas do sistema e irá ocupar um assento no Parlamento Europeu, onde passará a ser mais conhecido como "Danny le Vert". O seu exemplo será seguido por toda uma geração que hoje ocupa lugares de destaque nos governos de países europeus e nas instituições europeias.
Os símbolos de rebeldia da geração de 60 acabam nas Administrações de Bancos e  multinacionais a fumar charutos, beber whiskey e a falar ao telefone com amigos bem colocados na cena política. Um grande exemplo para os filhos que hoje acusam de não terem valores. Mas que valores podem defender os filhos da geração de 60, quando vêem o exemplo dos país?
Voltemos ao tempo em que a utopia permitia sonhar e a luta estudantil - que se autoproclamava como sua fiel intérprete e depositária - rapidamente alastra aos trabalhadores, propagando-se pela Europa. Incluindo Portugal, onde Marcelo Caetano sucede a Salazar, apeado do poder por uma cadeira abençoada.
Enquanto na Checoslováquia tanques soviéticos derrubavam Dubcek e punham fim à "Primavra de Praga", em Portugal inicia-se outra Primavera: a marcelista. Não se usam flores na cabeça, apenas jeans coçados comprados nas docas a marinheiros americanos.
Do outro lado do Atlântico, uma Revolução de contornos bem diferentes se inicia, com a plantação de vegetais de maturação rápida- A "Revolução Verde". Polansky bem avisava na Alemanha que se tratava da “Semente do Diabo”, mas só Stanley Kubrick compreende a mensagem. Responde com "2001-Odisseia no Espaço", um estrondoso sucesso de bilheteira.

7 comentários:


  1. Nesta altura andava a minha mãe a mudar-me as fraldas... :)

    E esta música, enquanto houver apaixonados, será sempre actual:
    http://www.youtube.com/watch?v=GlpDf6XX_j0


    Bisous
    (^^)

    ResponderEliminar
  2. O blogue está muito mais bonito e a foto do cabeçalho é linda.

    Gostei de recordar Zeca (de quem fui aluna de História Universal), The Doors , Cohn Bendit. Dos dois filmes já não gostei assim tanto.

    Amigo, que tudo esteja como desejas.

    ResponderEliminar


  3. E assim foi... e agora?

    Beijo e obrigada

    Laura já quase recuperada :)



    ResponderEliminar
  4. Será que a Europa acorda bem humorada???
    (gostei da mudança do visual)

    ResponderEliminar
  5. Em 68 andava no magistério e fazia o 1-º ano em Coimbra (o meu pai estava de licença graciosa).
    Visitei uma república.(A dos Galifões)
    Às escondidas, ouvia "Je t'aime moi non plus" .

    Zeca Afonso continua actual...

    Enfim...uma época em que VIVI!!!

    P.S. Fico à espera do artigo em que fui recordada...

    Beijinhos.


    ResponderEliminar
  6. Mais uma vez, a música e o cinema a destacarem-se pela positiva num panorama muito, muito negro

    ResponderEliminar