terça-feira, 25 de junho de 2013

RM 40:Vender sonhos, em troca de pesadelos

Kim Phuc, fugindo das bombas de napalm americanas (Vietname)


Dos EUA chega a notícia de que o mundo da fantasia, criado por Walt Disney, tem um novo parque de diversões em Orlando.
Ao ganhar sete medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Munique (1972) Mark Spitz entra para a lenda olímpica e para a História da sociedade de consumo. Troca a competição por chorudos contratos publicitários.
Durante o ano é posto à venda o videogravador, e a televisão continua a fabricar ídolos. O mais recente é negro,chama-se Michael Jackson e tem apenas 14 anos. Uma série dedicada aos direitos dos animais, cujo tema musical interpreta, é a razão do sucesso. Para contabilizar os dólares que ganha, é provável que os pais lhe tenham oferecido a máquina electrónica de calcular portátil, que acaba de ser comercializada no Japão. Muitos outros pais, intrigados com a crescente popularidade de ídolos de palmo e meio, entre os seus jovens rebentos, pensam recorrer ao TAC cerebral -este ano foi usado pela primeira vez- na tentativa de descortinar as causas do fenómeno. Não será preciso, a escalada da sociedade de consumo é suficientemente esclarecedora: para vender sonhos a uns, compra os pesadelos de outros.
Na Ásia, em 1972, milhares de crianças trabalham duramente em condições precárias, para realizarem os sonhos dos meninos ricos do Ocidente. Afinal, nem todas as crianças têm direito ao sonho... a sociedade de consumo não é perfeita. Nesse mesmo ano a imagem de uma criança nua, a arder, percorre o mundo inteiro. Trata-se de Kim Phuc, uma miúda vietnamita fugindo das bombas de napalm lançadas pelos americanos sobre uma aldeia do Vietcong.
Enquanto foge, a milhares de quilómetros de distância, em Estocolmo, os delegados dos países membros da ONU discutem os problemas do Meio Ambiente e condenam os EUA pela destruição ecológica provocada pela guerra do Vietname.

2 comentários:

  1. Ainda hoje esta é uma das imagens mais poderosas que alguma vez vi.
    Arrepiante ao fim de todos estes anos.

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  2. O horror oculta os "sonhos".

    Beijinhos.

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