quarta-feira, 31 de julho de 2013

Noites românticas (5)

Hotel Aquapura ( Foto da Net)
No coração do Douro este hotel- onde infelizmente nunca passei uma noite romântica- é uma verdadeira pérola.

Já não há canções de amor? (13)



Então não há canções de amor portuguesas?- perguntam os leitores/as. Claro que há e este senhor tem várias que marcaram verões nos anos 80 e 90. Poderia ter escolhido quase todas do álbum Mingos e Samurais ( a começar pelo Anel de Rubi) mas optei por esta, porque (quase) toda a gente  se lembra ainda do primeiro beijo. Ou não?

terça-feira, 30 de julho de 2013

Apertem os cintos.

Poucos minutos depois do acidente de Santiago de Compostela, a população acorreu aos hospitais para dar sangue, ou deslocou-se para o local do  acidente  disponibilizando-se para ajudar. Foi a tradicional solidariedade dos países do sul – a solidariedade dos pobres -  a funcionar. 
Situação bem diferente ocorreu dias antes em França, país rico da Europa  civilizada e fraterna.
Refiro-me ao descarrilamento de um comboio ocorrido em meados de Julho nos arredores de Paris, onde morreram seis pessoas e se registaram vários feridos. 
Minutos após o acidente, algumas dezenas de jovens correram, igualmente, para o local do acidente. A diferença é que não foram para lá no intuito de ajudar, mas sim de roubar: telemóveis, carteiras e bagagens, não escaparam à pilhagem perpetrada  pelos jovens. 
Quando chegaram os primeiros socorros, os jovens receberam as ambulâncias à pedrada e alguns dos  elementos das brigadas de socorro foram igualmente roubados. Foi necessário chamar a polícia de choque para acabar com a pilhagem.
Os autores deste saque mórbido eram todos jovens africanos desempregados. Gente pobre e sem esperança, cujos pais  foram acolhidos de braços abertos na Europa quando esta era próspera e precisava de mão de obra barata, mas que em tempos de penúria é descartável e apontada como perigosa e indesejável, porque está a roubar emprego aos europeus...
Tal como este artigo do Miguel Sousa Tavares no Expresso, este post também é perigoso, por se prestar a más interpretações. A diferença é que  este post fala de pretos.

Já não há canções de amor ? (12)

Um grande sucesso de Verão. E não me importava nada de estar lá, podem crer...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Da causa das coisas ( e suas consequências)

Imagem roubada aqui

Estava a terminar os preparativos para o jantar, quando a notícia irrompeu  na sala com a força de um murro certeiro no estômago. O AVE  tinha descarrilado em Santiago e havia  mortos e feridos.  As primeiras notícias apontavam para 25 mortos.  Debiquei um pouco do atum da salada russa e afastei o prato com repulsa. 
Colei-me ao televisor.  Fiz zapping e vi as primeiras imagens via CNN. Alguém colocava a hipótese de se tratar de um atentado, com base em testemunhos de populares. O número de mortos  e feridos ia-se  avolumando a uma velocidade assustadora.   Ligo-me à internet . Espiolho todos  jornais espanhóis e mantenho-me atento às notícias  debitadas  na RTP Informação. A hipótese de atentado é afastada. Ganha força a ideia de excesso de velocidade. O próprio maquinista teria confessado ir  a 190 km/h. Numa curva onde a velocidade máxima era de 80.
Deito-me com a raiva a crescer-me no peito. Como (quase) sempre acontece nestes casos, invoco a sabedoria chinesa  ( “Deixa sempre passar uma noite sobre a injúria da véspera”) e resisto a escrever um post.
No dia seguinte  leio notícias  aludindo ao gosto do maquinista pelas altas velocidades. Ele próprio o testemunha no FB (essa consciência virtual onde expomos e  gravamos para a eternidade  os nossos delitos)  exibindo uma foto do velocímetro durante uma outra viagem  a 200 kms/hora. Leio os comentários jocosos à proeza de Garzon Amo.
Durante o dia, a comunicação social acentua a faceta velocista do maquinista, apontando-lhe sibilinamente o dedo acusador.  Em mim, como em milhares de pessoas, cresce  a revolta  contra o inconsciente, avolumada pelas imagens  captadas por uma câmara, que são exibidas à exaustão pelos canais de televisão, sequiosos de encontrarem um culpado. ( Culpar alguém, seja um terrorista, ou um cidadão comum, alivia a consciência da opinião pública. Sem culpados,  todos os crimes permanecem envoltos numa áurea de mistério especulativo. Como em Camarate. É por isso que  toda a gente procura encontrar rapidamente  um bode expiatório  que possa ser alvo da nossa ira. Garzon Amo é o alvo a abater)
Almoço tardiamente com algumas pessoas numa esplanada. Nas mesas circundantes, o acidente é tema de conversa acalorada, tendo um ecrã mudo como testemunha.
Ao final da tarde tenho de ir a uma vernissage do croquete O acidente vem à baila, impulsionado por uma senhora  em traje de gala, debroado a pechisbeque, luzindo como ouro. 
Devia ser condenado e internado numa clínica psiquiátrica para toda a vida. Assassino!”-  garante num tom de voz  esganiçado que lhe foge das cordas vocais e fere os tímpanos de quem a rodeia.  Olha em volta à procura de aplausos e consenso. As pessoas  procuram  desviar a conversa para outro tema : uma série televisiva a que sou completamente alheio.
Saia um canapé de caviar das Berlengas. Para acelerar a viagem até ao estômago, acompanho com um pouco de porto tónico. E dou meia volta, rumo a outro círculo de profissionais da vernissage, que estão como peixe na água, esgrimindo conversa sobre proezas golfistas.
Quando regresso a casa não me apetece escrever sobre o acidente. Deixo para o dia seguinte. Na manhã de sexta-feira  ligo-me à Internet para ler as notícias.  Ainda mal  começara a prospecção logo leio esta. 
Engulo em seco.  Vou ter que reinventar a crónica e o título  - pouco criativo, diga-se - que engendrara: o erro fatídico de um Fittipaldi dos comboios.  
Parece que afinal existe um problema mecânico, negligenciado por quem tinha o dever de garantir a segurança dos passageiros.  O meu culpado deixa de ser aquele a quem todos apontam o dedo. Se os sistemas de segurança fossem adequados àquela situação, Garzon Amo não teria conseguido entrar naquela curva a 190 kms/hora. Não ficaria para história como um criminoso inconsciente e não teriam sido ceifadas dezenas de vidas.  Alguém irá culpar  - ou no mínimo co-responsabilizar- os responsáveis pela falha nos sistemas de segurança?
Não creio. É muito mais fácil culpar um homem. É importante que a opinião pública tenha confiança nas instituições e um culpado de carne e osso para apontar. Assim, o mudo gira muito melhor. 
Em tempo: Já depois de ter escrito e agendado este post, Garzon Amo saiu em liberdade. Circula por aí um video que não consegui reproduzir, mas lança grandes dúvidas sobre as culpas exclusivas do maquinista.

Noites românticas (4)

Pestana Palace Lisboa

Há muitos hotéis em Lisboa e arredores propícios a noites românticas. Escolhi este, porque já lá fui muito feliz e é, sem dúvida, um dos mais belos hotéis portugueses.
Uma noite neste hotel é proibitiva para a generalidade dos portugueses, mas vale a pena fazer uma visita.
Comece pelos jardins  subtropicais, classificados como monumento nacional. Todas as árvores e plantas foram trazidas para Portugal pelo Marquês de Valle Flor e segundo me contou a sua neta- Lili Caneças -  numa noite de entrega dos Prémios Gazeta de Jornalismo, foi uma tarefa arrojada e ciclópica, que talvez mereça um post daqui a uns dias.
Ainda no jardim, visite  a Casa do Lago, um pavilhão oriental onde pode tomar uma bebida ou comer um snack, mas aconselho-o a ficar-se pelas vistas e optar por uma bebida no bar interior.
Uma vez aí chegado,  visite as partes comuns onde se destacam belíssimas peças de arte e de mobiliário, os vitrais e os pormenores decorativos de uma beleza rara. 



sábado, 27 de julho de 2013

Balanço da semana


Resumindo, foi assim... ( via FB)

Sim, é verdade que houve um gravíssimo acidente ferroviário, mas sobre isso escreverei na segunda-feira.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Já não há canções de amor? (11)

Anos 80, regresso  temporário a Portugal , uma  já extinta discoteca no Monte Estoril onde a noite durava até às tantas... e mais não digo!
Tenham uma bela noite de sexta-feira e um excelente fim de semana.

Jet set

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Esta semana, deveres profissionais obrigaram-me a conviver longamente com algumas figuras do jet set. Aquilo que era uma  certeza  deu lugar a uma  (quase) dúvida.
Algumas destas figuras fazem-se mais fúteis e ignorantes do que realmente são, quando dão a cara nas revistas cor de rosa. Será uma questão de marketing?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A hora do cuco (Conclusão)



Muito se poderia romancear em torno deste episódio que aqui vos contei ontem. Quer  sobre as razões que levaram JK Rowling a escrever sob pseudónimo - e os pormenores que rodearam a revelação- , quer  sobre a verdadeira identidade do autor. Não vou por aí.
Limito-me a relembrar o que  no CR já escrevi - dezenas de vezes ao longo destes anos - sobre a forma acéfala como os consumidores se deixam manipular pelo marketing e pela publicidade. Nunca saberão onde está o erro nesta história  mas, na verdade, também não acredito que estejam interessados. Engoliram o que lhes foi vendido pela comunicação social e foram atrás de um nome, não de um livro. Como vão atrás de uma marca e não da qualidade.Como vão atrás de um sonho, para fugir da realidade.
Se um dia destes se viesse a saber que afinal Richard Galbraith existe, foi ele mesmo o autor de “ The Cuckoo’s Calling” e JK Rowling  só emprestou o seu nome para dar visibilidade ao livro, as pessoas  reagiriam com a  mesma indiferença com que reagem quando lhes dizem que estão a comprar peças de vestuário  de grandes marcas, fabricadas à custa da exploração do trabalho infantil. 
 O que move os consumidores em todo o mundo  é a atracção pela última novidade- mesmo que seja apenas uma velharia recauchutada  pelo marketing – e a sensação de proximidade e partilha com as vedetas.  Por isso correram a comprar um livro até ali ignorado e condenado a ganhar pó nos escaparates; acampam de véspera para conseguir um bom lugar no concerto do seu ídolo; fazem longas filas para serem os primeiros a comprar o último gadget, ou o último livro de um autor conceituado. Tudo o que seja apelo material ou idolatria, faz mover multidões. (E se vier acoplado a uma boa dose de motivação onírica, ainda melhor...)
No entanto, protestam se têm de perder uma manhã na repartição de finanças, ou o médico se atrasa uma hora para a consulta de rotina, porque em matéria de cidadania não há ídolos nem vedetas. Há funcionários públicos mais ou menos dedicados, de carne e osso como eles, com os mesmos problemas, os mesmos defeitos e virtudes. Tudo gente que não os ajuda a sonhar, porque lhes mostra a realidade crua da vida.
A sociedade de consumo infantilizou as pessoas. Tornou-as acríticas e por vezes acéfalas. As pessoas reagem cada vez mais com espírito gregário a um ídolo - seja ser humano ou objecto- criado pelas multinacionais do marketing, do que a um modelo social.  ( Claro que me refiro à generalidade que conta para as estatísticas e estudos sociológicos ou  de mercado e  não à totalidade dos consumidores
Isso explica, em boa parte, termos chegado a um modelo de sociedade pouco consentâneo com a democracia e civilidade e deixar-mo-nos atrair, facilmente,  por fenómenos populistas. Como aconteceu recentemente em Itália com Beppe Grillo, por exemplo.
E há ainda o outro lado...
Nas sociedades hodiernas  as pessoas manifestam o seu descontentamento de forma cada vez mais violenta.  Isso acontece porque são cada vez menos a protestar nas ruas e a combater a indiferença generalizada dos cidadãos. A violência é uma forma de se fazerem ouvir. É, também, uma forma cultural de se expressarem, que tem como matriz o modelo da indústria do lazer ( particularmente norte-americano, mas também oriental)  assente na violência  gratuita. Não me refiro apenas a filmes e séries onde impera a violência, mas também à indústria do lazer, com especial incidência nos brinquedos e na banda desenhada. Eu não vejo muitos jovens empolgados a ler a Mafalda. E vocês?
Este episódio em volta do livro de JK Rowling também me reportou ao momento político que se vive em Portugal mas, como aqui não se fala de política, limito-me a lembrar a trilogia  de Haruki Murakami (IQ 84) e invocar o dilema de Tengo quando lhe fazem a proposta de reescrever, em segredo, o livro de Fuja Eri, com o objectivo de garantir uma vitória num concurso literário.  Quem leu o livro sabe que Tengo acabou por aceitar e, assim, mudou o rumo da história. E, quiçá, da História...


Noites românticas (3)

Pousada de Estói


Na sua esmagadora maioria, as pousadas são locais propícios a noites românticas. Com elas preencheria esta rubrica, mas resisto à tentação e ao longo desta série vou apenas fazer referência a três: uma no Norte, outra no Centro e outra no Sul.
É precisamente pelo Sul que começo. A pousada de Estói, a funcionar num velho palácio de estilo rococó, tem tudo o que é preciso para uma noite romântica: vista deslumbrante, interiores fascinantes e jardins exuberantes . Vitrais , esculturas e pinturas que prendem  a nossa atenção  pela beleza e pelos pormenores, fazendo-nos sentir como se estivéssemos de visita a um museu. Acrescente-se a tudo isto uma cozinha excelente e estão reunidos os ingredientes necessários para uma  ( ou mais) noite romântica.
Nota adicional: numa das vezes que lá estive, havia visitas de estudo organizadas por escolas algarvias, duas vezes por dia. Lembro isto, porque reforça o valor arquitectónico e histórico desta belíssima unidade das  Pousadas de Portugal.  Acrescente-se, também, que as visitas são muito bem organizadas, não perturbando minimamente o bem estar de quem lá está hospedado.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Já não há canções de amor? (10)

E chegou a hora de recordar "The King". Esta é, para mim, a melhor canção de Elvis. Dancei-a muitas vezes e já nos anos 80, azucrinei muita gente em Macau, quando tentava cantá-la em animadas noites de karaoke.

A hora do cuco



Era uma vez ... um militar cansado de guerras.
 Farto de disparar sobre inimigos imaginários, trocou a metralhadora pelo teclado de um computador. Tanto teclou, que um dia descobriu que tinha escrito um romance. Levou-o a um editor. Ao fim de uns dias, recebeu a notícia: o seu romance ia ser um livro.
Após o lançamento, a crítica desdobrou-se em elogios. Romance  notável . Estreia brilhante. Uma nova estrela a despontar no firmamento da literatura mundial. 
Os panegíricos que inundaram a imprensa generalista ou especializada não foram, porém, suficientes  para convencer os leitores.  O  livro não vendia. Em três meses, apenas 1500 exemplares saíram dos escaparates.  Editores estrangeiros não se interessaram pela obra.
Até que ao final de uma tarde  de Junho,  o telefone tocou num escritório de advogados, que representam o autor.  Era o editor de “ The Cuckoo’s calling” (O Apelo do Cuco) a lamentar-se do prejuízo   que  o livro  estava a dar. Sugeria por isso aos advogados que fizessem valer os seus conhecimentos junto da imprensa para dar mais visibilidade ao livro e ao autor - Robert Galbraith. 
No dia seguinte, o advogado convida  o crítico literário de um jornal britânico para um almoço.  Fala-lhe do livro. Das boas críticas que mereceu na imprensa especializada. Do fracasso das vendas.  Pede-lhe conselhos.  O crítico encolhe os ombros. Reconhece que o livro é bom, mas nem sempre isso chega. Lembra que os leitores gostam de conhecer os autores. Se o advogado conseguisse  arranjar uma entrevista exclusiva  com  Galbraith, talvez pudesse  voltar a dar visibilidade ao livro no jornal.
O advogado suspira fundo, bebe mais um trago de whiskey, puxa uma fumaça do “habano” e responde:
- Vou falar com a JK Rowling!
O crítico literário franze o sobrolho e pergunta:
- Mas a que propósito é que  ela entra nesta história? É amiga de Galbraith?
- Eu falei em JKRowling? Desculpe lá… foi distracção. Estava a pensar num telefonema que ela me fez esta manhã a propósito dos direitos do Harry Potter ...
- Espere aí… você não me está a sugerir que…
- Não estou a sugerir nada… não me interprete mal… mas agora que fala nisso, talvez não fosse má ideia…
E foi assim que no dia seguint, um jornal britânico revelou  a identidade do autor de “ The Cuckoo’s Calling”.  Richard Galbraith era apenas um pseudónimo de JK Rowling.
 A descoberta - revela o crítico literário-  foi fruto de um aturado trabalho de investigação que envolveu outros especialistas literários. Uma descrição demasiado pormenorizada da indumentária de uma personagem feminina terá traído JK Rowling. O crítico não explica como, nem porquê, mas isso também "não era importante"... 
 Dias depois, a própria  criadora de Harry Potter veio admitir ser ela a autora do livro. Na altura  lamentou que a revelação tivesse sido resultado de um descuido dos seus advogados. Obviamente omitiu  que  o objectivo  estava alcançado: assim que a notícia foi conhecida, dispararam as vendas  e o livro alcançava em poucas horas o segundo lugar no top de vendas da Amazon.
( Conclui amanhã)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Rapidinhas (Rewind)



Alguns leitores não se mostraram muito convencidos com a  proposta de Noite Romântica que ontem aqui deixei.
Atento a essa questão, lembrei-me de um post cuja leitura recomendo, na esperança de que  mudem de opinião. Experimentem esta Rapidinha e depois digam-me se gostaram ou não, valeu?

Já não há canções de amor? (9)

Quem nunca dançou isto com a paixão a transbordar por todos os poros, que atire a primeira pedra.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Noites românticas (2)

Vidago Palace Hotel

Este hotel está ligado à minha juventude. Durante alguns anos, no mês de Setembro, passava lá uma curta temporada com os meus pais que "iam a Termas". Com o tempo foi-se degradando, mas um processo de recuperação (quase) irrepreensível, devolveu-me o prazer de o visitar.

Já não há canções de amor? (8)

Esta canção de Alain Barrière ainda hoje ( ou melhor: hoje ainda mais) me provoca grandes formigueiros pelo corpo todo, apesar de ter sido lançada num ano (1960) em que eu ainda não sabia o que eram os bailes de garagem e me entusiasmava mais com dinky toys,corridas de bicicleta, ou pistas de automóveis eléctricas, do que com a possibilidade de ter uma menina nos meus braços, com a cabecinha encostada no meu peito.
O seu sucesso em Portugal é bastante mais tardio ( 1963), mas até os jovens que se declaravam irremediavelmente convertidos aos sucessos anglo-saxónicos, reconheciam que esta era uma canção com qualidade suficiente para entrar nos bailes de garagem.
Estranhamente, porém, este não foi o maior sucesso da sua carreira. Lembram-se qual foi a sua canção de maior sucesso que o catapultou para a ribalta? 

domingo, 21 de julho de 2013

Por terras alentejanas










Legendas para quê? Quem não  identifica aqui o Alqueva, Aldeia da Estrela, Monsaraz, ou Portel com o seu castelo altaneiro?
Talvez apenas valha a pena esclarecer que estas cegonhas estavam a desfrutar da paisagem na torre da igreja da Aldeia da Estrela.
Foi no fim de semana passado. Neste, estarei no Norte...

sábado, 20 de julho de 2013

Já não há canções de amor? (7)

Parece que já oiço alguém a dizer "Olhós Bigis"!
Claro que não podiam faltar. Quanto mais não seja para homenagear aquele belíssimo álbum "Odessa" Lembram-se?
Não é desse álbum a canção de hoje, mas  foi um estrondoso sucesso de Verão que se prolongou durante muito tempo e aqueceu muitos bailinhos de Inverno

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Para o seu fim de semana

Molti Baci da me

Tenham um EXCELENTE fim de semana.
Eu estou com imensa preguiça, não sei se terei forças para vos trazer aqui umas fotos, umas canções e umas noites românticas. Vou tentar...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Taxi das Memórias



O dia tinha-se escoado em burocracias, inventadas para dar vida às salas de espera das repartições públicas.
Quando, ao final daquela soalheira tarde primaveril, dei por encerrado o expediente, com a amarga certeza de que teria de voltar no dia seguinte, não me apeteceu passear pela baixa portuense, nem regressar a casa de Metro. Dei-me ao luxo de apanhar um táxi na praça D. João I.
Não pedi que me levasse directo a casa, porque queria parar na Primazia para comprar uns bolos, adoçantes circunstanciais da aspereza permanente da minha mãe.
Quem conhece o Porto sabe, pois, que o meu destino foi a  Praça de Velasquez.  Paredes meias com a rua que me viu crescer.
O motorista era bem disposto e tentou puxar conversa mas eu, esgotado e vergado ao peso dos despojos da burocracia, que nem para forrar paredes servem, ia respondendo com monossílabos e rezando para que a conversa não resvalasse para a política, inevitavelmente condutora de discussões acaloradas, ou respostas secas.
Quando o táxi chegou ao destino  puxei de uma nota de 10 euros para pagar. O taxista pegou na nota, deixou-a suspensa no ar e arremeteu com aquelas que eu pensava seriam as palavras finais. No entanto, aquele gesto precedeu uma frase que motivaria uma longa conversa
- Quando vim viver para o Porto  estudar parava muito por aqui. Tinha aqui boas amigas. A S., a L, a B…  O senhor conhece-as?- perguntou-me na esperança de uma resposta afirmativa
- Conheci-as quando era adolescente, sim.  Foram conhecimentos de fins de semana roubados a Lisboa, pouco mais… Não posso dizer que fossemos amigos.
- Eu era muito amigo delas. Bons tempos! Depois  a S. e a B casaram, o grupo desfez-se e raras vezes as voltei a encontrar. A S, como era de esperar, divorciou-se ao fim de pouco tempo, tinha a filha pouco mais de um ano e vive agora em Angola.
- E a L. que é feito dela?- perguntei antes de dar a conversa por terminada.
- Essa, coitada, meteu-se na droga. Uma desgraça! O senhor mora aqui na praça?
- Não.  Vivo em Lisboa. A minha mãe é que mora naquela rua ali…
- Ah! Vou  muitas vezes levar duas amigas que moram na Constituição à sua rua. Vão lá almoçar com uma prima delas que eu não conheço, mas sei que é uma velhota  que gosta muito delas e elas vão lá fazer-lhe companhia de vez em quando.
- Coincidência! As suas amigas  são do Porto?
- Não. São de Santo Tirso, como eu, mas vieram para cá viver há muito tempo. O irmão é que ainda vive lá. É meu amigo de infância. Às vezes, ao fim de semana, vou lá almoçar para matar saudades.
-  As suas amigas são de  Santo Tirso? Por acaso não se chamam M e T? E não têm um irmão que se chama C?
- É isso mesmo! Não me diga que as conhece!!!
- Conheço, pois, são minhas primas! Filhas de uma prima da minha mãe. Eu também costumava ir muitas vezes para casa deles em Santo Tirso, mas o que mais gostava era de ir para a quinta deles. Conhece?
- Se conheço? Como a palma das minhas mãos! Se lhe começasse a contar aqui histórias nunca mais acabava.  Éramos uns índios!
- E que índios! Nunca me esqueço de um dia em que andávamos a brincar com canas da Índia, o C. ter acertado em cheio na cara do meu irmão e rebentar-lhe um lábio. Foi na altura das vindimas e estávamos a passar lá uns dias. A minha mãe ficou tão furiosa que nesse mesmo dia voltámos para o Porto…
- Espere aí… eu lembro-me perfeitamente disso! Éramos uns ganapos com 13 ou 14 anos. O seu irmão não era um tipo que andava sempre a tocar guitarra e queria ser cantor?
- Era… mas acabou pintor, veja lá como as coisas são. Não me lembro de si. Como se chama?
- Eu era o F., filho da L. e do M, os caseiros. O seu irmão tinha um nome esquisito,  não tinha?
- O nome era normal, o diminutivo é que era esquisito: M….
- Como o mundo é pequeno, carago! O seu irmão também vive em Lisboa?
- Não. Já morreu há mais de vinte anos, ainda jovem.
- C’um caneco! A sua mãe deve ter sofrido muito…
- É verdade! Mas já estava habituada, porque antes dele já tinham morrido outros dois. Não se lembra da minha mãe?
- Não. Lembro-me de uma senhora de que todos tínhamos muito medo, porque era muito severa, mas não sei se era a sua mãe...
- Pela descrição que me faz, era de certeza!Olhe, F. vamos combinar o seguinte. Vou telefonar às minhas primas para irem almoçar lá a casa no domingo e você também vai. Combinado?

Adiei o meu regresso a Lisboa para segunda-feira e passámos a tarde de domingo  a recordar episódios da infância, para gáudio da minha mãe que se ia lambuzando com jesuítas e limonetes que o F. fora propositadamente buscar à Moura, em Santo Tirso, confeitaria que serviu de cenário a muitas histórias estivais na juventude dela.
Enquanto conversávamos, a minha mãe ia folheando álbuns de fotografias, memórias registadas em imagens que completavam a conversa.
Quem é este? Lembram-se desta? A identificação era sempre acompanhada por uma história alusiva, corroída pela memória dos tempos.
A determinada altura apontei para um miúdo de calções que posava entre mim e os meus irmãos e perguntei:
- Quem é este?
A minha mãe puxou pela cabeça, mas não se conseguiu lembrar. Uma das minhas primas aproximou-se para ver melhor  a fotografia e soltou uma gargalhada. Este é o F!
Surpreso, o F aproximou-se, mirou a fotografia por uns instantes e finalmente disse:
- Acho que nunca me tinha visto em miúdo, carago! Vocês têm a certeza que este sou mesmo eu?
 Rimos.
Já a noite ia avançada quando nos despedimos. Cada um de nós parecia estar mais preenchido e a minha mãe, orgulhosa, repetia:
- Eu sou a enciclopédia da família. Quando quiserem saber alguma coisa está tudo aqui ( e apontava  primeiro para a cabeça e depois para as dezenas de álbuns de fotografias que se acomodam na sala, guardando as memórias de 98 anos de vida).
Quando já estávamos só os dois, perguntou:
- Quem era aquele senhor que veio com as tuas primas?

Noites românticas (1)

Hotel do Bussaco

Há lugares bem mais românticos  e confortáveis do que as Ilhas Selvagens, para passar uma noite inesquecível. Durante o Verão, vou deixar aqui umas dicas. Para já, serão 20. Depois, logo se vê.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Martinha e o buraco de ozono


A capa de hoje do JN incendiou a blogosfera e as redes sociais. Como aqui não se escreve nem fala de política, deixei a minha opinião sobre o assunto lá na sede ( podem ler seguindo o link).
De qualquer modo, lembrei-me de um post que a Martinha escreveu em tempos lá no CR sobre um outro buraco e decidi partilhá-lo convosco. Espero que gostem.
 Olá caros leitores!
Tenho muito gosto em estar aqui para conhecer os leitores deste blog do Carlos. Creio que  a maioria de vocês não me conhece, mas se quiserem saber quem sou, terei muito prazer em me apresentar, se me visitarem aqui. 
E agora vamos ao que interessa...

Confesso-vos que em miúda não dava importância a essas coisas do ambiente e achava que eram histórias para nos assustar, até um dia em que me disseram que os sprays iam ser proibidos por causa de um senhor chamado Ozono que eu não conhecia de lado nenhum,  mas que vi logo que só podia ser americano porque só os americanos é que têm poder para dar ordens ao mundo.
Vocês imaginam como sofri só de pensar que ia deixar de gozar todas as manhãs o prazer de sentir as cócegas provocadas pelo desodorizante spray? E tudo por causa de um tal de Ozono que deve ser amigo do Bush?
Fiquei furiosa e pus-me a pesquisar sobre esse tal de Ozono para lhe enviar um mail a protestar, mas nunca consegui encontrar o endereço dele. Só fiquei a saber que o problema dele era estar a alargar um buraco qualquer que, segundo percebi, devem ser as narinas, porque um dia quando passei numa celulose perto de Aveiro, que cheirava muito mal, o Carlos disse-me “Isto é horrível para o buraco de ozono” . Bem, não sei se foi assim que ele disse, mas foi mais ou menos  e eu fiquei ainda mais furiosa e perguntei-lhe mas porque é que eles não fecham essa porcaria em vez de proibirem os sprays que tanta falta me fazem? O Carlos olhou para mim com aquela cara de zangado que vocês nunca viram mas eu sei como é e só não me chamou estúpida porque a minha mãe ia connosco. Mas eu é que não me fiquei e quando cheguei a casa fui fazer mais pesquisas e descobri esta notícia do meu país que me deixou preocupada:
“Milhões de chineses ficaram bloqueados com sucessivas e violentas tempestades de neve que cortaram estradas e linhas férreas em mais de metade do país. No princípio da semana havia 1,8 milhões de desabrigados, bloqueados em estações de comboio, como em Guanzhou, quando queriam voltar às suas terras para celebrar o Ano Novo Lunar chinês. O caos provocado pelo pior Inverno dos últimos 50 anos causou pelo menos 60 mortos e prejuízos de 5 mil milhões de euros;232 mil imóveis foram derrubados pelos peso da neve e 862 mil ficaram danificados. Para manter a ordem, Pequim destacou 306 mil soldados, um milhão de milicianos e 65 mil médicos”.


Apesar de já ter vindo para Portugal há muitos anos, as notícias do meu país ainda me deixam muito preocupada, por isso falei com o Carlos que me voltou a falar do tal de ozono. Foi então que lhe perguntei quem era esse gajo e o Carlos, desta vez, cheio de paciência, explicou-me tudo muito direitinho. Foi então que percebi que o Ozono não era um homem , mas uma espécie de protector da atmosfera que impede que os raios de sol nos queimem a pele quando vamos à praia. Desde esse dia comecei a pedir ao ozono, que passei a tratar por senhor embora não seja um homem , nem amigo do Bush , até parece que não gosta nada dele, para me proteger dos raios ultravioletas, para eu continuar a poder ir à praia.
Também foi a partir desse dia que comecei a querer saber tudo sobre quem andava a tratar mal o sr Ozono e que era responsável pela desgraça que ia na minha querida Pátria que é a China. Aprendi muita coisa, fiquei a saber que também nos Estados Unidos, na Índia e até na Europa, ( e se calhar em Portugal, mas não li nada sobre isso) toda a gente o trata mal. Só fico um bocadinho mais descansada, por viver em Portugal, porque parece que por aqui toda a gente trata bem o sr. Ozono, a única excepção são aqueles senhores da celulose lá de Aveiro.
O Carlos falou-me também de uns PIN que estavam a destruir o ambiente mas eu a princípio julguei que ele tivesse comido cogumelos mágicos, como é que os PIN iam sair dos chips dos cartões multibanco para fazer mal ao sr. Ozono alguém me explica? Só quando fui investigar é que percebi que os PIN afinal eram uns negócios de Interesse Nacional que o Sócrates criou para salvar a economia, não sei se salvam, mas fiquei a saber que tratam mal o sr. Ozono e fiquei chateada, mas não posso fazer nada, por isso prontos, só espero que não façam um PIN em frente à minha janela e me tirem a minha vista do quarto para o rio Trancão que dantes cheirava sempre muito mal, mas agora tem dias em que anda mais lavadinho e fica logo com outras cores.
O meu medo é que um dia o sr.Ozono se zangue de vez e enterre a Humanidade nos escombros do seu progresso assente na desigualdade, no livre arbítrio, na indiferença e nessa tremenda vaidade de querer ter sempre mais e melhor ( ai, nem sei como consegui escrever esta frase tão bonita, deve ser dos livros que ando a ler sobre ambiente, mas adiante…).
Pronto, isto tudo para vos dizer que foi graças à proibição dos sprays que eu me comecei a interessar pelo ambiente. Fiquei a saber, por exemplo, que os turistas tratam muito mal o Ozono e que por isso esta crise mundial até vem mesmo a calhar. Soube muitas outras coisas, mas agora não vos quero aqui maçar, apenas dizer que agora sou uma pessoa muito consciente.Diz o Carlos que me tornei uma cidadã, mas na verdade eu continuo a viver na província e acho que quando ele diz isso está a gozar comigo, mas prontos, finjo que fico muito contente. Só quero é que não aconteçam mais desgraças no mundo e na China e por isso venho pedir-vos para tratarem o sr. Ozono muito bem. Prometem?

Já não há canções de amor? (6)

Mais do que a canção, foi a interpretação que marcou o meu verão de 1977 em Washington, onde vivi uma paixão tórrida.  Não havia discoteca, bar ou restaurante em Georgetown, onde esta canção não passasse meia dúzia de vezes por noite. 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Férias escolares.

( Quando não havia computadores)

Joãozinho está de férias e anda a gastar tempo pelo jardim em brincadeiras solitárias. A determinada altura entra em casa vai directo ao frigorífico para comer um sorvete. A mãe entra na cozinha e dá aquela bronca:
- Nada disso, Joãozinho. Agora não é hora de comer sorvete. Está quase na hora do almoço... Vá lá para fora brincar!
- Mas mamã, não tenho ninguém para brincar comigo!
A mãe entra no jogo dele e diz:
- "Tá" bem, então eu vou brincar contigo. A que é que nós vamos brincar?
- Quero brincar ao papá e à mamã.
Tentando não mostrar surpresa ela responde:
- "Tá" certo. O que é que eu devo fazer?
- Vá para o seu quarto, vista o baby-doll e deite-se.
Pensando que vai ser bem fácil controlar a situação, a mãe sobe as escadas. Joãozinho vai então à sala e pega num velho chapéu do pai. Encontra ainda uma beata num cinzeiro e coloca-a no canto da boca. Sobe as escadas e vai até ao quarto da mãe. Esta, levanta a cabeça e pergunta:
- E o que eu faço agora?
Com um jeito autoritário, Joãozinho diz:
- Desce imediatamente e dá o sorvete ao miúdo!

Já não há canções de amor? (5)



Nos meus verões de infância e adolescência a Europa ainda  não se deixara colonizar pela música anglo-saxónica ( quer dizer, se fosse só a música não estaríamos mal de todo...) as rádios passavam muita música europeia e a música francesa e italiana dominava os tops. A nossa referência musical era a Salut Les copains e as nossas estrelas davam pelo nome de Françoise Hardy, Sylvie Vartan, Adamo, Johny Haliday, Domenico Modugno ou Gianni Morandi Hoje, lembrei-me desta sardenta italiana que fez derreter muitos corações. Principalmente o seu suceso hiper romântico " Come te non c'é nessuno"
 Canção lançada em 1963, "Cuore" foi outro estrondoso sucesso desta italiana. Por se comemorar agora o seu cinquentenário, é essa a canção que aqui vos deixo.
Quanto a Rita Pavone, comemora este ano 68 primaveras. Vejam só como o tempo a mudou, neste apontamento retirado do You tube, de 2008. Tinha então 63 anos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Já não há canções de amor? (4)


A maioria dos leitores saberá que sou francófono desde pequenino e que muitas das canções de românticas da minha adolescência/juventude são francesas.
Estaria um ano inteiro a publicar posts diários de canções francesas que, por esta ou aquela razão, marcaram as minhas férias de Verão.
Assim, no rescaldo do 14 de Julho, hoje trago aqui um grande sucesso de Verão da música francesa. Propositadamente, não escolhi um cantor francês, mas sim uma canção criada e interpretada por um americano!
Não é a melhor canção francesa de todos os tempos (longe disso...) mas é certamente uma canção que todos conhecem e, muito provavelmente, vos trará boas recordações.


domingo, 14 de julho de 2013

Pela Cidade das Artes

Há muitos anos que não ia a Valência, cidade de que sempre gostei bastante
Em 2012 estive lá e descobri

A Cidade das Artes

Um espaço fantástico
 Onde cultura e lazer andam de mãos dadas


Depois descobri muitas outras belezas de Valência

como a renovada estação ferroviária

                             Antes de me vir embora...
 Voltei à Cidade das Artes


Tomei um copo numa esplanada e...






 ... ainda fui ao mercado comprar uma fruta para o caminho, porque a viagem continuaria por mais uns dias, até à Costa Brava

sábado, 13 de julho de 2013

Pelos castelos do Loire












Escolhi Chambord, Chevriny e Chennonceau para visitas mais demoradas, depois um salto a Saumur, Amboise ( onde Leonardo da Vinci viveu durante três anos, num magnífico castelo em cujos jardins é possível admirar algumas das suas obras ) e a estadia em França a terminar com uma visita à abadia de Fontdevrau, domínio de Saint Lazare.