terça-feira, 30 de julho de 2013

Apertem os cintos.

Poucos minutos depois do acidente de Santiago de Compostela, a população acorreu aos hospitais para dar sangue, ou deslocou-se para o local do  acidente  disponibilizando-se para ajudar. Foi a tradicional solidariedade dos países do sul – a solidariedade dos pobres -  a funcionar. 
Situação bem diferente ocorreu dias antes em França, país rico da Europa  civilizada e fraterna.
Refiro-me ao descarrilamento de um comboio ocorrido em meados de Julho nos arredores de Paris, onde morreram seis pessoas e se registaram vários feridos. 
Minutos após o acidente, algumas dezenas de jovens correram, igualmente, para o local do acidente. A diferença é que não foram para lá no intuito de ajudar, mas sim de roubar: telemóveis, carteiras e bagagens, não escaparam à pilhagem perpetrada  pelos jovens. 
Quando chegaram os primeiros socorros, os jovens receberam as ambulâncias à pedrada e alguns dos  elementos das brigadas de socorro foram igualmente roubados. Foi necessário chamar a polícia de choque para acabar com a pilhagem.
Os autores deste saque mórbido eram todos jovens africanos desempregados. Gente pobre e sem esperança, cujos pais  foram acolhidos de braços abertos na Europa quando esta era próspera e precisava de mão de obra barata, mas que em tempos de penúria é descartável e apontada como perigosa e indesejável, porque está a roubar emprego aos europeus...
Tal como este artigo do Miguel Sousa Tavares no Expresso, este post também é perigoso, por se prestar a más interpretações. A diferença é que  este post fala de pretos.

3 comentários:

  1. Essa reação dos jovens africanos é completamente assustadora. Quando o desespero prevalece sobre sentimentos tão básicos como o de solidariedade e de ajuda ao próximo, algo se perde na humanidade...

    Concordo: MST devia ter perguntado, antes de acusar os portugueses de viverem à sombra do subsídio de desemprego! :P

    Beijocas!

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  2. A Europa, ao abrir as suas fronteiras, sem qualquer critério, correu inúmeros riscos, Carlos.
    E fez engrossar a massa dos deslocados, dos pobres, dos miseráveis.
    Que deixaram de o ser nos países de origem para passarem a sê-lo na Europa rica e cara.

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  3. Infelizmente, a diferença racial e não só, pois o fosso entre classes aumenta a olhos vistos, existirá sempre, tendendo a aumentar!

    Estamos a voltar à era das extremas (direita ou esquerda). Ambas são iguais!!!

    Beijinhos.

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