quinta-feira, 4 de julho de 2013

Até amanhã


Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade

5 comentários:

  1. Fiquei a saber que gostas de Eugénio de Andrade, como eu e que voltaste !

    Uma escolha soberba!

    Beijinhos.

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  2. Como não sou grande apreciadora de poesia, nem de Eugénio de Andrade, deixo um beijinho e... até amanhã! :)

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  3. Uma excelente escola Carlos.

    beijinho e uma flor

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  4. O dia 13 de Junho de 2005 é uma data que nunca mais vou esquecer: a morte de dois homens que admiro muito, o poeta Eugénio de Andrade e o político e poeta Álvaro Cunhal.

    No ano seguinte, assisti a uma homenagem ao poeta na Casa da Música.

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