quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Roda da Sorte

Ontem à noite, enquanto arrumava uns livros que andavam a passear pela casa há tempo de mais, tropecei  em "Elogio do Passeio Público"  livro de  Filipa Martins  que venceu o prémio da Associação Portuguesa de Escritores em 2008.
Fiquei por uns segundos  com o livro na mão, enquanto recordava umas palavras de Filipa Martins no lançamento do livro, na Biblioteca Nacional
Dizia ela que uns anos  antes ( poucos, presumo, porque ainda é muito jovem) enviara um manuscrito para apreciação a um jornalista-escritor e recebeu uma crítica avassaladora que a desmotivou. Pensou mesmo  nunca mais voltar a escrever.
Tempos mais tarde repensou a sua posição e enviou-o  para o concurso da APE, que viria a vencer.
Ironia do destino: a apresentação coube a Baptista- Bastos -que lhe teceu rasgados elogios. Por coincidência, era ele o jornalista-escritor que anos antes lhe fizera uma crítica duríssima!
Creio que a primeira apreciação do BB estava correctíssima. Confesso que não consegui acabar de ler o livro e as críticas que me lembro de então ler não eram muito favoráveis. 
No entanto, as recordações são como as conversas, que por sua vez são como as cerejas.  Assim me lembrei de um post que demorou anos a ver a luz do dia, mas que suscita algumas questões que submeto à vossa consideração:
"Grande parte dos meus posts são escritos com base em cenas da vida real – o que não é novidade para ninguém- ou surgem enquanto estou a trabalhar. Outras vezes, uma ideia que me assalta de repente, vinda de não sei onde, obriga-me a interromper o trabalho e a escrever sobre temas que normalmente não estão relacionados com o trabalho que estou a fazer mas que me (a)parecem (como) uma espécie de revelação. Às vezes resisto à tentação, tomo umas notas no meu inseparável Mouleskine e dias mais tarde faço uma operação de repescagem, Muitos perdem-se nesta tarefa.
Desta maneira de alimentar os blogs  tirei uma conclusão: há muitas histórias ( que considero) boas que nunca chegam a ver a luz do dia. Até nesta coisa da escrita, tudo é uma questão de oportunidade. Quantas palavras ficaram por ser ditas, pela simples razão de não ter tido tempo de as passar para o meu Mouleskine, ou de as juntar dando-lhes forma e vida? E, se calhar, muitas delas mereciam mais essa oportunidade, do que outras que aqui vêm parar.
Tudo isto para vos dizer que, na minha modesta opinião, o mesmo se passa na vida de cada um de nós. Quantas oportunidades perdidas, quantos talentos por descobrir, apenas porque ninguém lhes deu ensejo para isso? Ou porque alguém fez uma avaliação errada? Ou porque lhes faltou rasgo para as apresentar a quem podia contribuir para lhes dar forma? 
E quantos "talentos" descobertos que não são capazes de agarrar a oportunidade de um "casting" que os lançou para a ribalta e se perdem na voragem do tempo?" 
Será mesmo tudo uma questão de sorte?






5 comentários:

  1. Não sei se será sorte.

    Penso que há um momento para tudo.
    Por vezes, quando surge essa oportunidade não a podemos agarrar pois "valores mais altos" nos impedem.
    Quando esses "valores" têm asas para voar, o tempo ,implacável, findou!
    Ficam as saudades dos sonhos não vividos...

    Beijinhos.

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  2. Não é TUDO.
    Mas é sempre necessária.
    Em TUDO.

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  3. Desconheço se a palavra apropriada será 'sorte, mas que fica tanto por dizer ou escrever...na certa.

    Beijos

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  4. A sorte não pode tudo. A ela junta-se o talento, o trabalho e a oportunidade do momento.

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  5. Não é só uma questão de sorte mas, por vezes ela interfere... concordo com este post em tempos pensei em fazer um post parecido- não passou de intenção. Mas, colocava a questão por outro lado: quantos são os que quando lêem, vêem, ouvem... algum talento se dão ao trabalho de o elogiar? Antigamente os profissionais (de qualquer área) faziam gosto em encontrar e encaminhar novos talentos para a sua profissão. Por vezes bastava uma conversa com alguém a quem reconheciam talento para que se sentissem obrigados a encaminhar essa pessoa, podiam dar-se o prazer de apadrinhar alguém, sentiam-se bem com isso. E, agora?

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