domingo, 29 de setembro de 2013

Para uma amiga muito especial

Gostaria de estar aí hoje a dar-te um beijinho de parabéns, ao pé da casa do teu pai, mas há muito mar a separar-nos e as viagens de avião são caras.
Quero que saibas que tenho saudades tuas. Converso muitas vezes contigo, tenho várias fotografias tuas espalhadas pela casa, mas o meu desejo hoje era mesmo dar-te dois beijinhos repenicados nessas bochechas e tirar uma fotografia ao teu lado.
Finalmente fizeram-te justiça. Bem a mereces. Sempre apreciei a tua inteligência, o teu humor, a tua assertividade e a tua faceta verrinosa. Não gostas de sopa? Mas como é que uma contestatária pode gostar de sopa? Seria tão contraditório como a MFL elogiar o Sócrates!
Contigo aprendi que o humor pode ser educativo e útil na denúncia das injustiças do mundo. Sabes, melhor do que eu, que muitos dos que se riem com as tuas histórias, se comportam como alguns dos teus amigos. Há cada vez mais Manelinhos obcecados pelo dinheiro que acreditam que o bem estar no mundo depende dos bancos e de paióis bem equipados, que garantam a democracia à força. Uma democracia bem temperada com exploração dos trabalhadores, uma justiça que perdoa os banqueiros corruptos e persegue os pilha-galinhas e onde os grandes empresários constroem as suas fortunas à custa da exploração de quem trabalha.
Tiveste sorte. Se tivesses nascido nesta década, terias provavelmente acabado colada a um electrodoméstico , a fazer publicidade ao MEO, a incentivar os jovens ao consumo de marijuana, ou como comentadora política num qualquer canal de televisão. Escapaste de boa! 
Também tiveste sorte por não nascer em Portugal. Não foste militante do MRPP, nem correste o risco de acabar em Bruxelas a fazer companhia ao Durão Barroso. Assim, aos 49 anos, continuas “firme e hirta” na recusa do mundo tal como ele é, como diz o nosso amigo Umberto Eco.
Por isso não cairás na tentação de posar nua para a “Playboy”, depois de fazeres um implante mamário e um "lifting", recusarás participar no episódio nº 153467 dos “Morangos com Açúcar”, não andarás atrás dos colunistas sociais para te tirarem uma fotografia na companhia do Cristiano Ronaldo, não acreditarás nas patranhas que o governo envia para os jornais, nem te desiludirás  com o jornalismo de investigação "à La Manuela Moura Guedes".
Continuo a gostar muito de ti e, no dia do teu aniversário, quero enviar-te um grande beijo de agradecimento pela companhia que me tens feito ao longo da vida. Dá também um grande abraço ao teu pai e amigo Quino que sempre soube cuidar tão bem de ti.
Obrigado, querida Mafalda. Que tenhas um aniversário muito feliz. Até Janeiro, aí em Buenos Aires.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Derniers baisers (5)


(Continuado daqui)
S. Pedro não atraiçoou. A neblina, porém, permanecia no horizonte. Quando saí do quarto para respirar o ar da serra, senti a falta daquela aragem fresca das manhãs nortenhas do Buçaco, Mondim ou Cerveira. Quando respirei fundo, não senti aquela sensação única de estar a inspirar a Natureza para dentro dos pulmões. Tomei o pequeno almoço ao ar livre, com a Figueira em pano de fundo.
Tive pouco tempo para desfrutar desse prazer. Tinha de ir dormir a Lisboa nesse dia, porque as férias tinham chegado ao fim. Dispensei o passeio matinal e fiz-me à estrada.
Já não conduzo com aquele desprendimento dos dias anteriores, porque hoje o final da etapa está pré determinado. Deixo a costa e enfio-me na A17. Saio  na Nazaré e espanto-me com a imensidão de turistas que ainda por lá andam. Não páro. Sigo pela serra até à Praia dos Salgados para o primeiro café do dia. Logo de seguida mais uma pequena paragem em S. Martinho do Porto, para a Baixinha admirar a paisagem a partir da serra.
Almoçamos na Foz do Arelho.Chega o robalo. Não tenho apetite. Outra vez a força nostálgica do Outono. O anúncio de fim de ciclo.
Vendo o robalo quase intacto, a empregada pergunta-me se há algum problema. Não há problema nenhum. Eu é que tenho um problema com estes dias que me provocam sentimentos contraditórios. Animo-me quando penso que o paredão do Estoril vai voltar às suas manhãs felizes. Que vou poder voltar a percorrer o caminho entre o Estoril e a Casa da Guia, sem estar constantemente a tropeçar em gente. Sem ouvir gritos de crianças em birra. Sem me arriscar a apanhar com uma bola, enquanto leio o jornal ou folheio um livro.
O meu Rochedo ganha mais encanto com a paisagem desanuviada. Animado, acabo o robalo e peço a conta.  Um curto passeio  junto à praia antes de retomar a viagem. Não vou continuar junto à costa. Daqui em diante a costa é-me sobejamente familiar e a Baixinha também já a conhece. 
 Já suspiro pelo meu Rochedo. Pelo Guincho. Vou regressar à auto-estrada e fecho a capota do carro.Acabaram-se os cabelos ao vento. Apenas a música de outras férias, noutras paragens, continua a ribombar nos meus ouvidos. Como a que escolhi para título destes posts.
Quando chegar ao Guincho, espalharei beijos pelo areal. Recordarei estios que ficaram selados com um beijo** e promessas de amor eterno.
(...)
Cheguei. Afinal o Guincho está cheio de gente. A Baixinha surpreende-me de olhar fixo no Rochedo. Parece adivinhar-me os pensamentos.
Amanhã a vida volta ao seu ritmo normal mas, logo pela manhã, tenho de levar a Baixinha  a Santa Apolónia. Tem de regressar ao Porto, porque no dia seguinte vai atravessar o Atlântico. Rumo ao sul, onde a Primavera está prestes a chegar, cruzando-se com o Outono do hemisfério Norte. São assim os ciclos da vida. Foram assim os meus quatro últimos dias de férias. Em Janeiro voltarei a encontrar-me com o Verão no hemisfério sul. 

** O título da versão inglesa era “Sealed with a kiss”

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Derniers baisers (4)



(Continuado daqui)
Nada melhor para começar o dia, do que um passeio matinal em moliceiro pela Ria. Depois, cumprido o ritual da compra de ovos moles, partida para a Barra onde faço a caminhada matinal.
Paragem seguinte na Costa Nova. Para as fotos e para o primeiro café do dia. Lanço um aceno a Mira – onde ainda há pouco estive em trabalho- e sigo pela estrada florestal. Viro em Quiaios. Não há vivalma na praia. Um ciclista dirige-se-nos em inglês a pedir uma informação. Vai andar por ali a treinar durante uma semana. Sozinho.
Prossegue a viagem pelo Cabo Mondego e depois, serra adentro, em direcção a Buarcos. As indicações são quase nulas mas, desta vez,  a situação não me irrita. Uma placa indica miradouro para a direita e Bandeira em frente. Nem hesito. P´ro miradouro é o caminho. Ficamos sem respiração perante a paisagem que se nos oferece e deixamo-nos ficar longos minutos, para que as nossas retinas retenham bem aquele cenário de quilómetros de areal estendendo-se até perder de vista. Volto a disparara  máquina fotográfica, não sem lamentar uma neblina negra que anuncia mudança de tempo.
Volto à estrada de terra batida. Às apalpadela. Uma tabuleta partida indica um qualquer local. Imperceptível. Sigo o instinto e, metros adiante, uma outra tabuleta indica Casa Pinha. Sigo e ao entrar no portão da casa, o deslumbramento! Nunca tinha visto a Figueira da Foz assim! A paisagem é  esmagadora, mas a neblina impede a captura na máquina fotográfica para memória futura. Mesmo assim, tiro algumas fotos. A pensar nos leitores, para os aconselhar a desfrutar desta visão paradisíaca, muito mais vasta do que alcançada pela máquina. ( Chego à conclusão que tenho de comprar uma máquina a sério...)



Na casa há um restaurante e bungallows. Um grupo de turistas de várias nacionalidades, transportado por duas carrinhas, almoça com a  Figueira em  fundo. Falam quase em surdina, para não estragar a paisagem.
Ainda bem que não são espanhóis!- comento com a Baixinha.
Enquanto deambulo, descubro uma outra casa  que adivinho destinada ao mesmo fim. Devem ser escassos 200 metros, pelo que o caminho até lá é feito a pé.
Uma magnífica vivenda debruçada sobre  a praia de Buarcos. A vista não é tão esplendorosa, mas a casa muito mais acolhedora. Cá fora uma roulotte de matrícula francesa. Portas adentro dois carros e uma mota. Todos com matrícula francesa, também.
Alguém me pergunta com sotaque o que quero. Olho em volta, mas não vejo ninguém. Aproximo-me da piscina e, lá em baixo, vejo um jovem. Digo ao que venho e vou ao seu encontro. Fico a saber que a casa foi adquirida por franceses que ali vivem e alugam. Para dormir uma noite, ou para casamentos e festas. Os preços são razoáveis para aquela vista: 55€ por casal, com direito a pequeno almoço. Pensamos em almoçar ali, mas os preços são proibitivos. Feitas as contas de cabeça, um almoço para dois ficaria no mínimo por 60 a 70 euros. Estou a viver acima das minhas possibilidades, mas nem tanto.
Regresso à Casa Pinha. Os preços são bastante mais convidativos, mas já não servem almoços àquela hora. Pena!
Despedimo-nos da vista magnífica e seguimos serra adentro em direcção a Buarcos e  Figueira da Foz. Paragem para almoço.
Aquela paisagem não nos sai da cabeça. Fazemos a digestão numa caminhada ao longo da marginal. Quando estamos no final olhamos para cima e a casa Serra e Mar acena-nos de lá de cima.
-Deve ser fantástico acordar ali não achas, Baixinha?
- Talvez… mas só experimentando te sei responder…
Regressamos ao carro. Não rumo para sul. Inverto a marcha e dirijo-me para a serra da Boa Viagem. Vamos lá fazer a experiência. Que S. Pedro não nos atraiçoe com um nevoeiro matinal. Felizmente almoçámos bem e o jantar pode ser levezinho, para não pesar na bolsa.
( A viagem continua amanhã)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Derniers baisers (3):



(Continuado daqui)
Levanto-me cedo. Quero passear um pouco pelo meu território. Percorro a pé algumas ruas que foram "minhas"  na infância. Ruas por onde andava de bicicleta, fazia corridas de automóveis dinky toys no passeio, jogava à bola, negociava cromos ou apenas conversava.
Ao final da manhã atravesso a ponte e sigo pela marginal de Gaia rumo a Espinho. Não posso deixar de admirar a obra de Luís Filipe Meneses. Endividou a câmara a níveis incomportáveis que condenarão as gerações futuras, mas desnudou a  orla costeira e ofereceu-a, com toda a sua beleza, às populações.
Paro na "minha" praia de Miramar para tomar um café. Passo pela Aguda e, na Granja, detenho-me no local  daquela que foi outrora a casa de Sophia. Lembro-me de "A Menina do Mar", onde ela dizia ser a Granja o sítio do mundo de que mais gostava.
Em Espinho derivo para o interior. Destino: S. João da Madeira. É altura de mostrar à Baixinha uma outra casa da minha infância. Almoço na sala de jantar onde fiz  muitas birras, porque era preguiçoso para comer. Tomo café na sala onde a família se reunia após o jantar.Na altura não havia televisão. As pessoas conversavam, contavam histórias e liam. Por momentos pressinto a presença do meu avô e apetece-me sentar-me ao colo dele. Vou ao quarto onde tantas vezes dormi. Desço à sala onde aprendi a jogar bilhar e onde ainda permanecem, nas paredes, algumas das fotografias tiradas pelo meu avô. Cada fotografia tem uma história. Que eu conheço. 
Passeio um pouco pelo jardim. Sento-me no caramanchão a fumar uma cigarrilha e a rebobinar o filme com episódios da minha infância, numa fita já demasiado gasta.
 A tarde está quente, mas sigo a pé até à fábrica, como noutros tempos em que era levado pela mão do meu avô. Mais uma vez pressinto a sua presença. Entro na Torre Oliva, falo com uma funcionária que me recebe com simpatia e me convida a visitar o Museu da Chapelaria, onde repousam mais algumas das memórias da família.
Já tenho muitos nós na garganta. Despeço-me de S. João da Madeira com saudade. A paragem seguinte é Vila da Feira onde vou comprar a "verdadeira" fogaça prometida à Baixinha. Uma visita ao Castelo,entro na estrada rumo a Arouca, mas sou detido por um incêndio. Regresso a S. João da Madeira. Tiro mais uma fotografia à casa e sigo para Aveiro, onde decidimos passar a noite. Estou a precisar de uns ovos moles que me adocem as memórias.   
( Continua amanhã)



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Derniers Baisers (2): Mixed feellings

                                             Ao segundo 52 vão perceber porque escolhi esta canção para ilustrar este post

( Continuado daqui)
Acelero em direcção a Ofir,  onde ficaram enterrados alguns amores de Verão, nos longínquos anos 60. O vento é agora mais forte e mais frio. Embrenho-me pelo pinhal em direcção à casa onde fui tão feliz, mas acabaria por ser o início de uma estória de muitas tristezas e desgraças.
Os meus sentimentos dividem-se. Por um lado, recordo os dias felizes que vivi naquela praia; por outro, lembro o dia de angústia e sofrimento de há quase 40 anos, quando naquele local perdeu a vida um dos meus irmãos.
O cenário é agora muito diferente daquele dos anos 60. O  espaço é hoje em dia reserva natural e as pessoas parecem interessadas em preservar aquele recanto do litoral minhoto que permanece um paraíso para muitos escondido. Deixo a casa nas minhas costas e sigo para o Hotel Pinhal, cenário de casamentos, onde desenferujava o alemão com a minha amiga Petra W. Está encerrado. Estugo o passo em direcção ao mar. Lá permanece o Hotel Ofir que me lembra tardes de bowling, uma discoteca famosa e a final de  66 do mundial de futebol, onde torci furiosamente pelos alemães, mas vi os ingleses vencerem 4-2. 
Já não há dunas mas, em frente ao mar, a ganância de alguns, conluiada com interesses políticos, ergueu três torres monstruosas que destruiram a paisagem e- certamente-  retiraram muita paz nos meses de Verão.
 Sem querer, deixo-me invadir pela força nostálgica do Outono. Olho em volta. É de praias quase desertas que eu gosto mas, neste momento, preferia que estivesse cheia de gente. Tenho sentimentos contraditórios em relação ao Outono. Gosto dos tons acobreados do meu Douro, da luminosidade dos seus dias de sol. Não gosto do anúncio de fim de ciclo, que culminará no Inverno. Não gosto dos dias chuvosos em que anseio a noite. Já não sinto tristeza. É mais uma sensação de amargura, de quem se despede de um amigo, sem ter a certeza se o vai voltar a ver.
Já passa das seis. O sol acelera em direcção ao horizonte, mas não é ali que me quero despedir dele hoje.  Ainda tenho mais de uma hora. Meto-me no carro, sigo pela marginal para a Apúlia  e paro na praia de Santo André, junto à pousada onde também fui muito feliz. Resisto a subir ao monte de S. Félix para de lá desfrutar o pôr do sol. Continuo pela estrada  marginal. Passo com um aceno por A Ver o Mar, Póvoa de Varzim, Caxinas e Vila do Conde. Já não há o Bom Doce dos docinhos conventuais, mas existe um sucedâneo que não me deixa saudades.  Seguem-se as praias de Árvore, Azurara e Mindelo Finalmente, Labruge. É ali que fico a ver o pôr do sol de tons vermelho-alaranjados. Acompanhado por um Portotonic.
Quando o sol desaparece no horizonte, regresso ao carro. Sigo para o Porto, que devia ser o fim da viagem para a Baixinha. Ela quer continuar até Lisboa. Pela costa. Seja feita a sua vontade!
(Continua)

Amores à portuguesa (12)

Quando cheguei a Ofir lembrei-me de uma canção destes cromos.  Logo à noite, vão perceber melhor porquê...mas por agora, recomendo-vos que reparem bem na postura do Sérgio Borges. Imperdível.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Derniers baisers (1)


“Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage
L'amour va se terminer comme il a commencé
Doucement sur la plage par un baiser
Le soleil est plus pâle mais nos deux corps sont bronzés
Crois-tu qu'après un long hiver notre amour aura changé ?...”
(Derniers baisers- Les Chats Sauvages)

Despeço-me de Vila Nova de Cerveira e inicio o regresso a Lisboa a meio da manhã. O dia está magnífico e decido fazer o percurso pela costa, revisitando praias da minha juventude e descobrindo caminhos agora alcatroados que dão acesso a outras onde só se chegava a pé, ou num 4x4.
A primeira paragem é na Foz do Minho, em Caminha. Praia quase deserta, apesar da temperatura convidativa, mas parque de campismo bem preenchido. Caminho pelo passadiço que liga a praia de rio à do mar. São escassas centenas de metros mas, quando me aproximo do mar começo a sentir  a nortada e a temperatura esfria de forma considerável Um casal joga raquetes, outro passeia de mão dada à beira mar. Mais adiante, vislumbro um guarda sol que protege dois corpos femininos. Dois casais com aspecto nórdico irrompem no meu campo de visão. Devem andar na casa dos quarenta. Usam  gangas e t-shirts. Avançam em correria alegre em direcção ao mar. Molham os pés durante uns segundos e voltam para trás em passo lento. Caminham em direcção a um restaurante.
Na esplanada e lá dentro, alguns turistas. A maioria franceses e alemães. A luminosidade, a cor do céu e do mar, não indiciam que o Verão está a chegar ao fim. A temperatura teima em nos confundir nesta dança de estações, cada vez mais mescladas.
Volto ao carro e continuo o caminho para sul. Ínsua, Moledo, Vila Praia de Âncora ( um incêndio de grandes proporções expele fumo negro sobre a praia), Afife, Gelfa, Bico, Paçô, Montedor, Areosa e, finalmente, Viana do Castelo. Depois da  Praia Norte, o Cabedelo, com um piscar de olho a Santa Luzia. Respiro aquele ar fresco e aparentemente despoluído. Começo a sentir vontade de comer um belo peixe.Volto a meter-me no carro e acelero em direcção à praia da Amorosa, recordando as belas sapateiras e o arroz de marisco que noutros tempos me faziam deslocar propositadamente do Porto até lá.  O restaurante está encerrado para descanso do pessoal. É o primeiro sinal de que o Outono está a chegar. São duas e meia da tarde e aconselha o bom senso que não prossiga a viagem antes de aconchegar o estômago, mas sigo para a Foz do Neiva, onde a memória de um outro restaurante me aviva o palato.
Está aberto, mas a oferta de peixe fresco é escassa. 
" Os turistas já se foram embora, agora peixe fresco com abundância só ao fim de semana"- explica-me o proprietário.
Optamos por um arroz de marisco que ali vem sempre precedido de uma bela sapateira. 
Olho em volta. Aparentemente, não há ninguém que me possa acusar de  estar a viver acima das minha possibilidades. 
Como com vontade, enquanto saboreio o cheiro a maresia e me abrigo do vento que agora sopra forte.
Satisfeito o estômago damos um passeio pela praia, arrostando com o vento frio que, apesar de tudo, nos aquece a alma.
Já são quase quatro e meia. Decidimos ficar a pernoitar no Porto. Até lá, ainda há muita coisa para eu  recordar e a Baixinha ver pela primeira vez. Estamos os dois maravilhados, por razões diferentes. Eu porque recordo, ela porque descobre. 
A narrativa continua amanhã, com o relato do resto do dia. Agora é tempo de ir dormir.
PS: Então não há fotos? - perguntarão alguns. Há e muitas, mas só daqui a uns dias. Por agora, sugiro-vos que sigam o link da letra no topo do post e se deliciem com outras imagens e outros sons

domingo, 22 de setembro de 2013

O regresso


As férias estão a chegar ao fim. Devia levar um dia a chegar de Vila Nova da Cerveira a Lisboa, mas já percebi que vou levar pelo menos três. Férias são férias, não é? Não abandonei nenhum Bobi, mas reencontrei-me com a costa portuguesa, vista do alto das serras. 
Reconheço que abandonei um pouco o On the rocks mas... férias são férias, não é?
A vida blogueira está quase a voltar à normalidade.
Regressarei profundamente desiludido com um povo, mas reconfortado com a beleza de um país. As férias também servem para isso.

sábado, 21 de setembro de 2013

Amores à portuguesa (11)

Não será uma daquelas canções de amor para arrebatar corações, mas não podia deixar de a incluir nesta colectânea

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

De France

No domingo, a proposito do post que publiquei no CR, alguns leitores perguntaram onde era aquele local. Só para os leitores mais fieis desvendo que aquela casa fica num local chamado France, mesmo junto a Vilar de Mouros.
As fotografias não foram tiradas por mim (saquei-as da net) mas quando regressar a Lisboa prometo mostrar-vos algumas tiradas por mim.

Amor à portuguesa (7)

Nestas noites românticas de férias, lembrei-me desta. E lembrei bem, não vos parece?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Uma lastima

Percorrer o norte por estes dias e uma dor de alma.Do Caramulo ao Parque Natural do Alvao( um dos meus refúgios preferidos) a paisagem de terra ardida, substituindo-se ao verde característico destas regiões deixa-me com uma  sensação terrível de impotência e de raiva. Como e possível que as pessoas que nos governam não percebam que há coisas muitos mais importantes do que ter dinheiro nos cofres e não preservem uma da nossas maiores riquezas, que e a floresta? O cenário que vou vendo por estes dias e desolador e macula o prazer de estar em ferias.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Pão de forma



Os leitores que me seguem há mais tempo sabem que já fui muito feliz dentro de uma Volkswagen "pão de forma" como esta. Foram quase cinco meses a percorrer a Europa e o Norte  de África numa carrinha igual a esta. Tempos que nunca mais esquecerei. Pelo que pude descobrir do mundo e pelo que aprendi sobre a solidariedade.
Há dias soube que, 63 anos depois,  as "Pão de forma"  vão deixar de ser produzidas. Senti uma enorme saudade, mas depois também uma grande felicidade ao saber que, hoje em dia, estas carrinhas estão a ser utilizadas por jovens para a instalação de negócios itinerantes. Da venda ambulante a bibliotecas, estas carrinhas servem hoje em dia de suporte à sobrevivência de muitos jovens. É bom saber que continuam a ser uma esperança de um mundo diferente para muitos. Vou tentar comprar uma quando regressar a Lisboa.  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Amores à portuguesa (4)

Por razões que desconheço, não consegui descarregar esta canção. Sugiro-vos que vejam aqui e depois dêem as vossas opiniões.
Na altura considerava-o pimba, mas o homem tinha uma belíssima voz!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

The Bling Ring



Fosse  este filme de Sofia Coppola  pura ficção, eu não estaria aqui a escrever sobre ele.  Infelizmente é baseado numa história real, cujo guião o filme segue quase religiosamente.
O que mais me  impressionou  em Bling Ring não foi a sofreguidão pelo estrelato dos miúdos. Nem o alheamento do mundo  real, a naturalidade com que assaltam as casa  de estrelas de Hollywood para as roubar,  ou temporariamente se apropriam de automóveis topo de gama.
Também não me impressionou a futilidade da vida daqueles cinco jovens ( quatro raparigas e um rapaz totó). Nem tampouco me surpreendeu a forma como desvalorizam o dinheiro, ou a ligeireza com que exibem nas redes sociais, o produto dos roubos.
O que mais me impressionou foi ver como uma das miúdas se safa ( ou melhor… como a seita religiosa a que pertence a isenta de culpas, através de um ardiloso enredo) ou Rebecca, a líder do gangue,   tenta  safar-se e entalar o amigo. É isso que diferencia – e muito- os jovens de hoje dos do meu tempo. Na minha geração éramos  solidários, para o bem e para o mal. 
Os jovens  de Bling Ring não são únicos por terem feito algo  impensável, com a maior  naturalidade do mundo. Para eles roubar é tão natural como comer. Vivem constantemente num reality show que os alucina.
Ao contrário do que muitos dizem, não são excepção. São uma amostra muito representativa dos jovens atuais, no que respeita aos valores.  Além de não terem qualquer tipo de  solidariedade,  são fúteis,promovem o culto do Eu, idolatram as celebridades e procuram recriar-se à sua imagem e semelhança
Também me impressionou a forma como as mães desculpabilizam as crias, um fenómeno a que aqui em Portugal  assisto demasiadas vezes.
Impressionou-me, enfim, o facto de a maioria das estrelas roubadas ( e só Paris Hilton foi várias vezes assaltada), não ter sentido a falta de nada. Um retrato da sociedade superficial e do supérfluo que o casamento entre a publicidade e a televisão ajudou a construir e o comportamento imbecil de muitos pais ajudou a cimentar.
Estamos há muitos anos a construir uma sociedade nihilista, desprovida de referências e de valores , onde a única coisa que parece ter valor é o tempo imediato. Uma sociedade onde o virtual se sobrepõe à realidade.
Sofia Coppola  procura chamar a atenção para isso. Acredito que poucos se tenham importado.

domingo, 8 de setembro de 2013

Fazer um esforço para estar vivo

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajecto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar. Estejamos vivos, então!"

(Pablo Neruda)

Caros leitores amigos
Como sabem estou de férias, por isso, não estranhem a minha ausência. Aparecerei de vez em quando. Deixei-vos umas musiquinhas e talvez venha cá publicar umas crónicas de vez em quando.
Férias são férias e eu estava mesmo a precisar. Se quiserem saber onde estou, vão ver na rubrica das  noites românticas.
Desde sexta feira estou  na primeira escolha...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Troca de malas



Só a mim! Então deixo a mala na recepção do hotel, porque insistiram em levar-ma ao quarto, e quando o "garçon" lá chega entrega-me isto?
Será que devo mudar de hotel urgentemente?

Amores à portuguesa (3)


O álbum Mingos e Samurais tem uma grande variedade de canções de amor. Escolhi esta , do tempo dos amores  inocentes... Grande Carlos Tê!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Amores à portuguesa

Começa hoje a edição das canções de amor à portuguesa.
Esta até é bem mexidinha....mas não deixa de ser uma canção de amor. Espero que gostem.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Pêndulo de Foucault






Neste post em que escrevia sobre livros que não se lêem até ao fim, mencionei um dos raros livros que retomei, depois de ter abandonado a sua leitura: O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco.
Não desisti de o ler apenas uma ou duas vezes, foram pelo menos três as tentativas falhadas. Até que um dia, de férias na Tailândia, encetei a tarefa de o ler, ou abandonar definitivamente. E consegui! Mais... adorei ter conseguido, porque é um livro magnífico, apesar de as primeiras 60 ou 70 páginas serem intragáveis. A solução foi mesmo passar por cima delas.Não fazem falta nenhuma à compreensão do livro e ao prazer de o ler, embora perceba porque lá estão.
Além deste feito, queria assinalar outro pormenor que merece destaque em relaçãoàquele  post. Na caixa de comentários, a maioria das leitoras declarava também ter abandonado a leitura do Pêndulo. Apenas a Luísa parece ter tido a mesma experiência que eu tive e, curiosamente, com o mesmo resultado: adorou!.
Que concluo daqui? Que por vezes vale a pena insistir na leitura de um livro que repelimos à primeira. Provavelmente é uma conclusão precipitada e néscia, porque o tempo que perdemos com a insistência, pode ser  aproveitado para ler outros livros que nos dêem prazer...
É que, apesar de ter adorado "O Pêndulo", reconheço que não teria sido uma grande perda na minha vida não o ter lido.

Já não há canções de amor' (35)

Mais um daqueles clássicos intemporais....
Penso que fica bem a encerrar este ciclo. Amanhã, começam as canções de amor à portuguesa.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Rentrée



Quem não tem por hábito tirar férias em Agosto, interioriza e vive com outra dimensão a "rentrée", porque percebe melhor a diferença da vida na cidade, com o regresso do ramerrame diário.  A primeira segunda-feira de Setembro é sempre assim:
Voltam a abarrotar –se os transportes; regressam as filas intermináveis caracoleando nos acessos à cidade; os balcões das pastelarias voltam a animar-se em refeições rápidas de come em pé, num menu “standard” SFB ( sopa, folhado e bica). Corpos tisnados cruzam-se connosco, deixando no ar resquícios de verão, alguns  restaurantes estão de novo bem compostos, estabelecimentos que  reabrem, reencontro com pessoas que deixámos de ver durante um mês e trazem estampados no rosto os efeitos revigorantes das férias.
Este ano, porém, notei algumas diferenças em relação a anos anteriores. 
A maioria das pessoas regressou com o mesmo ar fechado que levou para férias, porque o período foi mais curto ou o regresso não deu lugar à esperança. Não houve tantos estabelecimentos a reabrir, porque não houve tantos a encerrar para férias como habitualmente e alguns fecharam as portas definitivamente.
Quando chegou ao escritório, o Pires não discutiu a melhor manchete do dia; o Mendes não falou com a Sofia  que continua com os auscultadores enfiados nos ouvidos e a menear a cabeça ao som da música, enquanto prepara o café, mas já não liga pêva ao Mendes.
A Marina continua a oferecer à cobiça dos homens um pedaço de coxa entre a racha da saia, ou um peito descoberto pela generosidade do decote, mas já não namora com o disc jockey. A boîte fechou, ele ficou desempregado, deu em dealer, foi dentro há três meses e quando saiu emigrou em busca de um futuro mais risonho.
O Abreu já não grita com o estagiário, porque na empresa já  não há estagiários.  O chefe Lopes deixou de falar em  política, já não usa galicismos desde que levou com os pés da amante, e  o uísque que traz na mão é agora "temperado" com uma generosa dose de água. 
Este ano o almoço de "rentrée" com todo o pessoal vai ser numa tasquinha simpática, porque a empresa está em dificuldades. Já todos sabem de cor o discurso do Lopes, repetido ano após ano, com crise ou sem ela, mas no final do repasto darão graças a Deus por ainda terem emprego.
O Pires lembrou-se finalmente da fórmula do convite à Marina, mas levou uma nega e uma reprimenda pelo atrevimento, porque agora é do Bloco e não tolera piropos.
A seguir ao almoço, o Pires  voltou a sentir-se indisposto, mas este ano foi para casa sem avisar ninguém
( Em 2007, a rentrée´foi mais divertida, não vos parece? Já não se lembram? Então podem recordar aqui...)





Já não há canções de amor? (34)


Esta é um clássico!
Quem não a dançou, não sabe o que perdeu...

domingo, 1 de setembro de 2013

Lá vai Lisboa...

 Já passou bastante tempo desde que subi ao Arco da Rua Augusta, mas estava a dever-vos as fotos.


Boa semana!