quinta-feira, 17 de outubro de 2013

RM 54: Da morte em directo à Globalização

A década começa com a libertação de Nelson Mandela. Terminava o apartheid. Bom augúrio. Mas como o mundo não sabe viver sem problemas...vai buscar um à terra das "Mil e Uma Noites". Chama-se Saddam Hussein, nome difícil de pronunciar. Quando invade o Koweit, arranjam-lhe um nome de guerra: "Carniceiro de Bagdad". Sempre dá mais jeito...
Com a queda do Muro de Berlim, a Internacional Consumista tem largo terreno para se expandir. De Mc Donalds em riste, aterra em Moscovo e depõe Lenine. Gorbatchov recebe o Nobel da Paz. Começava uma nova era, iniciada em 1989. A Internacional Consumista assentava arraiais e começava a inebriar o mundo com as suas promessas de “viver o Paraíso na Terra”.


Em Junho de 1989 o mundo assistira, em directo, aos acontecimentos de TIAN AN MEN. O regime não caiu, o ocidente lamentou-se, ameaçou exercer represálias, mas pouco tempo depois lá estava a exportar os seus produtos, porque o mercado chinês não se pode desprezar.
Seis meses mais tarde caiu o muro de Berlim, Ceausescu foi assassinado perante as câmaras de televisão. O ocidente anima-se mas permanece expectante, seguindo os acontecimentos.
Agosto de 1991. O ocidente exultou. As beatas entraram em transe.Algum clero organizou vigílias. Depois dos sobressaltos, as angústias terminavam e as dúvidas dissipavam-se: a Rússia convertera-se!
Que importância têm os aspectos contraditórios do desmembramento do Império Soviético, se afinal o grande bastião do comunismo, o génio do mal que punha barreiras às exportações dos produtos ocidentais, está subjugado e não tardará a estender a mão em busca de auxílio? O delírio foi tão grande, que até permitiu esquecer que o fundamentalismo islâmico estava prestes a triunfar numa Argélia que fica a dez braçadas da Europa e que se vivia ainda o rescaldo da guerra do Golfo.
O verdadeiramente importante para Internacional Consumista - que se preparava para assaltar o poder ao colo da democracia – é que do Atlântico aos Urales, todos os europeus possam ver, especados diante da pantalha, noticiários lidos pelo Rambo, ou seguir atentamente as peripécias de seriados protagonizados por Gorbatchev ou Imelda Marcos, enquanto bebem coca- cola e trincam amendoins.
O importante, verdadeiramente importante, é que os nossos irmãos do Leste Europeu possam, em breve, tal como nós, desfilar sob a bandeira da Internacional Consumista e desaguar, felizes, nos hipermercados do supérfluo e do desperdício, cujas portas lhes serão franqueadas por magnânimos empresários ocidentais.
O verdadeiramrente sublime é que de S.Francisco a Moscovo, passando por Lisboa, Praga ou Budapeste todos, sem excepção, possam confraternizar nos espaços standardizados dos “Pizza Hut”, “Mc Donalds” e quejandos, verdadeiros laços de comunicação entre os povos.

3 comentários:

  1. Efeitos da Globalização, onde o M de Macdonald´s é mais conhecido do que a Cruz de Cristo ...

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  2. A década começa com a libertação de Nelson Mandela

    Esta é uma das grandes notícias não da década, do século!

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  3. O "Ícone" da década foi sem dúvida Nelson Mandela!

    Como disse Pedro Coimbra...do século!

    Dificilmente haverá outro Mandela!

    Beijinhos.

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