quarta-feira, 2 de outubro de 2013

RM : O mundo começou a ensandecer, mas uma boazona anima as noites de sábado


Terminadas as férias, regressa o Rochedo das Memórias  e retomo a viagem pelo século XX. Se bem se lembram, tínhamos ficado no cubo de Rubik... Continuemos então a viagem. 
Os leitores que só cá chegaram no Verão ( e ainda forma alguns) e não seguiram esta rubrica, podem ler os 43 episódios anteriores seguindo aqui o link para a etiqueta Rochedo das Memórias

Retomemos então a viagem em 1981, ano em que se estreia em Londres Cats-  musical de Lloyd Weber. O seu sucesso dura muito mais tempo do que o casamento real de Carlos e Diana que, ao contrário do que rezam os contos infantis, não serão felizes para sempre. Cats permanece em cena durante mais de duas décadas, com lotações quase sempre esgotadas. O casamento das histórias de fadas foi sendo minado entre arrufos e traições e terminará, da forma trágica que todos sabemos, sob um túnel de Paris, em 1997.
Antes, porém, o autocarro espacial dá os primeiros passos com o vai-vem Columbia e na Terra anda-se de patins em linha. Em cima dos carris, acelera o TGV. Mas só em França e no Japão, porque por cá só no século XXI vai começar a discussão em torno deste meio de transporte. Alguns afirmam que, apesar de tudo, ainda é cedo...


O Prémio Nobel da medicina é entregue a um americano, pelos seus estudos sobre a função cerebral. Debalde. Há cada vez mais loucos por todo o lado: Ronald Reagan e o Papa João Paulo II são vítimas de atentados, Sadat assassinado por extremistas muçulmanos e a viúva de Mao condenada à morte. Hollywood talvez já tenha percebido que isto é “Gente Vulgar” , por isso atribui quatro Óscares ao filme de Robert Redford.
Enquanto em Portugal o "Cavaquinho" de Júlio Pereira está na moda, como que anunciando dias futuros, na vizinha Espanha, assiste-se a uma tentativa do golpe militar em 23 de Fevereiro e rebenta o escândalo do óleo de colza que mata 60 pessoas e afecta outras 50 mil.
Na Califórnia são detectados os primeiros casos de SIDA . As vítimas pertencem à comunidade gay , por isso em Portugal não se dá grande importância ao assunto. Somos todos muito machos e perdemos as noites de sábado a ver a série Dallas e a guerra da família Ewing onde se confrontam JR ( o mau), casado com a bruxa Sue Ellen e Bob ( o bom) casado com uma boazona chamada Victoria Principal.
A televisão vai mudar de canal , perdão, de estratégia. Em vez das imagens reais, passa a vender-nos, diariamente, longas horas de ficção. Um aperitivo para os reality shows que provocarão vómitos numa grande percentagem de portugueses. Luís Filipe Meneses, um médico de Gaia que se alcandorará a presidente do PSD em 2007, é sensível a esta nova vaga televisiva. Por isso propõe-se matar a televisão pública, que escapa à intoxicação telenovelística. Resistirá pouco tempo. Mas isso já faz parte do século XXI. Façamos rewind e regressemos aos anos 80. Mais exactamente, a 1981.
Enquanto o Banco Mundial avalia (por baixo) em 750 milhões, o número de pessoas no Planeta que padecem de fome e vivem abaixo do limiar de pobreza, a CEE destrói um milhão de toneladas de frutos e legumes. O estranho é que há quem consiga encontrar razões plausíveis para isso!

5 comentários:

  1. Que bom retomares as crónicas.

    Vi o Cats aqui em Lisboa.

    O desperdício alimentar e a fome continuarão...infelizmente!

    Beijinhos.

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  2. Não vi Cats, o musical de Lloyd Weber, em Londres, mas sim, em Edinburgh no fim dos anos 90.

    Claro que um musical é muito mais interessante do que estar casada com o Carlos, que ama uma outra, ou estar casado com uma beleza chamada Diana.

    A vida da Diana não terminou da forma trágica sob um túnel de Paris, porque assim ainda ficou conhecida como a "princessa dos corações" em todo o mundo.

    Se vivesse e continuasse a mudar de amantes como de calças anteriores, o fim dela tinha sido muito mais trágico e vergonhoso.

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  3. Gosto destes resumos ainda bem que voltaram!

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  4. Eu tenho saudades dos anos 90.....

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  5. 1981, foi um ano de grande viragem para mim. No "Limbo" falarei mais tarde sobre os 80s. Por enquanto ainda ando pelos 70s. Em relação a "Dallas", recordo-me que havia quem dissesse que aos sábados à noite, os portugueses não saíam, porque ficavam a "Dallas". O casamento real foi marcante e a "descoberta" da fome no mundo também. Daria entretanto, o mote ao grande sucesso solidário musical "We Are the World", que ainda hoje gosto de ouvir.

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