sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Visita de estudo

O nosso curso está quase a terminar e pareceu-me bem fazer uma visita de estudo. O exercício que vos deixo é o seguinte:
1)Explicar o significado de , pelo menos, três dos pratos deste Cardápio da Márcia ( não não é mulher do Catroga)
( Quem não conseguir acertar em pelo menos três respostas, chumba!)
2- Onde foi tirada esta foto? Para facilitar o exercício, digo-vos que foi tirada numa terra por onde passei nas férias de Setembro. Podem ir ver a cábula

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Estou cada vez mais chinês!


Talvez seja da idade, mas tenho de admitir que começo a ficar intolerante com certas práticas do ser humano. Geração após geração o Homem, em vez de ficar mais civilizado, solidário e cooperativo, está a ficar cada vez mais bruto, idiota e egoísta. 
Vejam este video ouçam a notícia e depois talvez concordem comigo: estou a ficar farto das mais amplas liberdades, por isso estou cada vez mais chinês e começo a defender alguns métodos radicais. Um tipo  que fosse apanhado a fazer isto, nem precisava de ir a julgamento. Comparecia diante do juiz para tomar conhecimento da data  do fuzilamento e a família teria de pagar todas as despesas. Inclusive, o telefonema a avisar a data da execução. 
Penso que só assim os pais voltarão a assumir a sua responsabilidade de educadores  e a perceber que crianças não são ervas daninhas que nascem de geração espontânea e se deixam crescer livremente. A bem das crianças é preciso responsabilizar os pais. Estou farto de ouvir jovens, na casa dos 25-30, lamentarem o facto de os pais não terem sido mais exigentes com eles. Sabem o que isso significa? Que estes jovens vão ser, a breve prazo, defensores de regimes autoritários e críticos da democracia.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Há-des ver, hádes!




Prontus, caros alunos, o curso está quaise a acabar. Já só faltam duas aulas.
Ficam todos desde já avisados que na sexta-feira haverá uma Visita de Estudo,  de participação obrigatória, com teste de avaliação no final. É a um sítio muito bonito  no Norte de Prutugal  que todos de certeza vão gramar à brava e onde vão aprender uma série de palavras e frases sobre CULINÁRIA!
Os homens  num pensem que vão ficar prejudicados. Bem pelo contrário! Havedes de ver  que   não vos estou a enganar.
No dia treuze  serão entregues os certificados a quem tiver aproveitamento os quais, como informei logo no início do curso, poderão ser trocados no boteco  do Crato  pelo  certificado de  um curso superior “à Relvas”, mas sem a  possibilidade de obter a equivalência ao domingo.
Hoje a aula vai terminar mais cedo, porque eu tenho de ir alia ao stander  de automóveis de um amigo que está a precisar de fazer fracturação,  a ver se arranjo um carrito novo  barato,  porque num tenho fé nenhuma que me saia algum naqueles concursos semanais das finanças, que começam já em Janeiro.
Como voz mesmos falasteis, eu sou um tipo cum  azar do camandro!
Inté sexta-feira e não faltem, tá bem?  Ides ver que vai ser a aula mais divertida do curso!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Breakfast talks




Habitualmente tomo o pequeno almoço em casa. Uma maçã reineta, pão e chá ( sumo pelo menos nos dias quentes de Verão) estão sempre presentes na ementa. O resto são variações  que dependem do tempo disponível e do apetite do momento.  Ao fim de semana, sempre que se proporciona,  junto  duas  refeições numa só e preparo um brunch que, por vezes, até proporciona situações divertidas como esta.
Vem isto a propósito de, há uns dias, ter ido fazer umas análises, o que me obrigou a tomar o pequeno almoço fora de casa. Estava no café a ler o jornal, enquanto esperava ser servido, quando entra uma  colega minha da editora.  Sentou-se à minha mesa e, ainda antes de me servirem, já ela tinha o galão e o pão à sua frente.
Ao ver-me arregalar os olhos, riu-se e esclareceu:
- Não te espantes. Venho aqui todos os dias eles já sabem que como sempre o mesmo e logo que entro é só tirarem o galão, porque o pão  já está preparado.
Dissertámos um pouco sobre o assunto e facilmente concordámos  que a maioria das pessoas que diariamente tomam o pequeno almoço fora de casa, comem sempre a mesma coisa.  Basta entrar com regularidade  nos centros comerciais do Saldanha ( onde em alguns estabelecimentos  as pessoas fazem enorme fila para o pequeno almoço)  ou num qualquer café, para perceber que é assim.
Há uma coisa, no entanto, que me leva a colocar-vos uma questão. A maioria das pessoas  varia, diariamente, a ementa  ao almoço e ao jantar.  Sendo o pequeno almoço a refeição mais importante do dia, por que razão as pessoas  repetem diariamente a ementa e, pior ainda, comem menos e pior do que deviam?

Hoje, no Palácio Galveias




Hoje, às 19h30m, o meu amigo António Manuel Venda vai lançar a  terceira reedição do seu livro de contos com o curioso título " Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade"
Será na Biblioteca do Palácio Galveias estando a apresentação a cargo do jornalista Fernando Alves.
Soube de fonte segura ( confesso, do próprio autor)que haverá deliciosas iguarias, providenciadas pela Confraria da Empada e pela Junta de Freguesia de Monchique (o local de nascimento do António) que as fará chegar a Lisboa hoje mesmo.
Se não conhecem a obra do António, têm hoje uma boa oportunidade para estabelecer o primeiro contacto. Se já conhecem, vão lá conhecê-lo pessoalmente e confirmarão que é uma simpatia.
Infelizmente não poderei estar presente, por motivos de saúde, pelo que envio daqui o grande abraço que gostaria de lhe dar ao vivo. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Um dia em forma de "Assim"

Hoje, finalmente, movido pelo solinho e devidamente autorizado pelo médico  lá me “alevantei” , mas não fui autorizado a ir à rua por causa do “briol”. 
Não digam nada a ninguém, mas  não dei ouvidos ao "stôr" e saí mesmo durante uns minutinhos, porque isto de ficar em casa  a ver o sol ser partilhado por todos e eu não poder aproveitar, deixa-me num estado de nervosismo tão grande que “inclusiver” tenho medo que me provoque uma coisinha má.
No café encontrei a D. Micá, que já está “disvorciada” do TóJó.  Ela anda muito triste, porque gostava muito dele, mas para  se consolar lá vai  confessando “pelo menos  não apanho porrada quando o Benfica perde, ou deixei queimar o arroz, ou não passei a ferro a camisa que ele queria vestir naquele dia"
Eu tenho um azar que nem imagina! A camisa qu’ele  "cria"  vestir era sempre a qu’eu ‘inda num  engomei”- ouvi a D. Micá dizer à D. Lurdinhas, enquanto tomavam café e o Bentinho ( o jeco da D. Micá) se entretia com um osso de latex.
“Despois” do café fui à caixa do multibanco “alevantar” uns  “Êros” mas só tinham notas de 50 e tive de voltar ao café para pedir à Laidinha que me “destrocasse” uma nota.
Prontus,  como vêem, o meu dia não teve grande animação, mas a vida “é assim” e eu tive um dia em forma de “assim”, o que não quer dizer nada, mas vos deve dar uma ideia de que o meu dia podia ter sido pior do que o que foi, mas também podia ter sido melhor, se não tivesse sido assim. 
Entenderam? Óptimo! “Então, é assim”… a próxima aula é amanhã, ou depois … ou quando Deus quiser.
Fiquem bem!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Palém donde?



Esta foto, que saquei da Net, deve ter sido tirada "palém do sol posto!"
Estas coisas das anestesias têm que se lhe diga... não é que hoje me deu para ler "A Bola"? Em boa hora o fiz, pois encontrei lá uma nova palavra que desconhecia em absoluto. 
Segundo aquele desportivo, o novo acordo ortográfico introduziu algumas medidas de austeridade, com o objectivo de poupar papel, tempo e letras. Assim, a expressão "Para além de" passou a ser "palém" . Com essa medida, os acordistas prevêem poupar, anualmente, 1127 árvores em todos os PALOP, excepto Portugal, onde não se poupa nenhuma árvore, porque aquelas que não forem para papel ardem durante o Verão.
Confesso que, ao deparar-me pela primeira vez com esta palavra, tive muita dificuldade em perceber o significado, mas depois lembrei-me que já recebi alguns SMS onde a palavra aparece. Trata-se, por isso, de mais uma palavra acolhida no novo acordo ortográfico, via novas tecnologias.
Devo confessar que ainda estou a ressacar da anestesia e hoje até tencionava dar uma aula prática, mas a máquina fotográfica avariou e impediu-me de concretizar o desejo.
" Palém" disso, estou com imensa vontade de "Amandar" ( signf: atirar com força e convicção)com um calhau ao televisor. Não é que, desde que despertei da anestesia, só vejo cenas surrealistas? Eu nem vos conto o que tenho visto, senão vocês ainda pensam que endoidei. Podem estar descansados... eu só "Entropecei" ( signif: tropeçar duas vezes seguidas)aqui nos fios do televisor e dei com a cabeça na "Parteleira" que é o sítio onde as pessoas finas põem  livros ( que nunca leram) com capas  fixolas  para impressionar as visitas.
E agora vou-me, porque este fim de semana tenho de descansar. Curtam bué, tá?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

E se lhe dissessem que ia encolher 30%? Não acreditava, pois, não?


Aprendi no liceu – e acreditei até ontem- que o calor dilata os corpos.  Uma regra irrevogável, onde não cabiam excepções.
No final  da conferência de Varsóvia sobre alterações climáticas, fiquei a saber que há mesmo excepções. Quem o garante, são especialistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Perante a possibilidade de a temperatura subir, até 2100, cerca de 5ºC, os especialistas alertam que os mamíferos  correm o risco de encolher( quando, segundo a regra que todos aprendemos, deviam aumentar).
Antes que comecem a torcer o nariz, lembro-vos que  a maior parte das teorias  que estes peritos vêm publicitando desde os anos 70 do século passado,  se têm vindo a confirmar. É o caso, por exemplo, do aumento do número de tornados e de outros fenómenos atmosféricos extremos que os cientistas previam em 1987, que se tornariam cada vez mais fortes e devastadores, especialmente a partir de meados da primeira década deste século.
Ora os cientistas que admitem a possibilidade de os mamíferos  poderem encolher, baseiam-se em dados históricos e alertam que o fenómeno já aconteceu , pelo menos  duas vezes, em períodos pré-históricos  distintos. Nessas duas ocasiões, cavalos e algumas espécies de primatas encolheram 30%.!
Eu sei que isso não nos afectará grande coisa, mas ver a Terra transformada num planeta de anões era algo  cuja possibilidade nunca me ocorrera. A partir de agora, quando alguém me vier lembrar que o calor dilata os corpos, vou responder:
- Está bem, mas há excepções... E acendo um cigarro, para confirmar  a minha tese de que, no mínimo, algum tipo de calor encolhe os cérebros, como aqui se demonstra

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Aperitivando, tasse bem!


Fui procurar nos meus arquivos e confirmei: o DN foi  percursor  ao dar o devido destaque a um novo verbo da língua portuguesa. O verbo “tar”, durante muito tempo reduzido à expressão oral, passou para a linguagem electrónica, vulgarizou-se nos SMS e, um dia, irrompeu nas páginas do DN, gerando grande clamor indignativo.
Como acontece em muitas outras ocasiões, a indignação foi silenciada e o verbo “tar” passou a ter presença assídua naquele que, em tempos, foi considerado um diário de referência.
“Tava” eu nestas cogitações junto à piscina, em final de tarde de estio,  quando  o empregado do hotel onde me hospedara se abeirou de mim e perguntou:
- Deseja tomar alguma coisa?
Pedi um whiskey e uns aperitivos para fazer lastro.
Minutos volvidos o empregado regressou:
- O senhor gosta de  “Pitaxio”?
Respondi na mesma terminologia:
-Preferia  “ mindoíns”, se tiver…
O meu pedido foi rapidamente satisfeito e enquanto via o sol esconder-se atrás das serras de Basto,  confidenciei à minha companheira:
“ Tásse bem  aqui”
Tásse, tásse! Pena é não terem aqui a minha bejeca preferida”
E qual é? – perguntei
“A  Sagris mine”

Eu nunca entrei no IKEA...

... mas o CR 7 é cliente habitual.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O desplante da plebeia!

O mundo está virado do avesso e as redes sociais andam num virote, porque uma plebeia empregada numa farmacêutica usou um vestido igual ao da princesa Letízia. Onde anda a dignidade da realeza, santo Deus? Querem ver que as meias ( ou as cuecas, sei lá) do príncipe Felipe são iguais  às de um dos marmanjos que está na foto? 
João César das Neves já veio reclamar: estão a  ver como eu tenho razão quando digo que aumentar os funcionários da ralé é criminoso? Onde é que já se viu uma afronta destas?
Pois é, Pató das Neves, a monarquia caiu na lama por causa de um vestidito de 629€, apenas mais uns euritos do que o salário mínimo entre nós.  
As redes sociais andam frenéticas e as revistas do coração vão esforçar-se ao máximo para escrever artigos críticos, de grande profundidade, sobre o fim da luta de classes e a banalização do jet set.
É claro que o facto de a casa real espanhola ter publicado a foto no site oficial, vem tirar um bocado de interesse a tão bastarda polémica, mas as revistas cor de rosa saberão certamente explorar até ao tutano a situação. Até lá, contentem-se os leitores do "On the rocks" com isto

Foto DN







segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mas ca ganda númaro!


Olá amigos!
  Muito obrigado aos que se inscreveram neste curso rápido de “Português segundo o novo acordo ortográfico”.
Se eu fosse antiquado, dir-vos-ia  que  o número de inscritos não chegou a  uma dezena. No entanto, para respeitar o acordo ortográfico e dar provas de que estou na onda e sou um formador de excelência, devo seguir as instruções do CM e esclarecer que o “númaro de inscritos foi de oito”.  Noutra versão do acordo ortográfico a expressão correcta seria o “númbaro de inscrições foi de oito”.
 Os números- como todos sabem- dividem-se em pares e impares, devendo também assinalar-se a existência dos números primos. O novo acordo ortográfico estabelece, porém ( proposta do Bloco de Esquerda) que é necessário respeitar a igualdade do género, pelo que a partir de agora passará também a haver númaras prima.
A APRE ( Associação dos Pensionistas e Reformados) já entregou na AR uma petição para que haja também números avós, mas a petição ainda não deu entrada, porque os serviços administrativos da AR ainda não decidiram se devem atribuir à petição um númaro, ou um númbaro.
Resumindo: são poucos mas bons os que querem aprender as novas regras. Espero que o curso seja frutuoso e no final todos póssamos ( segundo a terminologia do professor Paços de Cuelho) dar por bem empregue o nosso tempo.
Até à próxima aula. Fiquem bem!

domingo, 17 de novembro de 2013

Má língua

-  Ai minha filha, que vergonha! Ouvi as vizinhas  dizer que andas a deitar-te com o teu noivo!
- Ai, mamã, esta gente é muito maldizente ... Uma pessoa  deita-se com um qualquer e dizem logo que é noivo, caramba!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Tamém vou 'screver sobr'o acordortográfico, prontus!

Quando comecei a escrever na blogsofera, fiz questão de elaborar dois dicionários que disponibilizei aos leitores do Crónicas do Rochedo. Um referente ao signficado de algumas palavras que uso nos meus posts e outro com termos nortenhos, que intitulei Pronúncia do Norte.
Há já algum tempo que venho pensando em repescar esses dicionários para o "On the rocks". Não sei se vai ser desta mas, por agora, vou criar uma nova rubrica com neologismos que tenho descoberto na nossa imprensa e me fazem acreditar que o novo acordo ortográfico tem variantes que desconheço em absoluto.
Tasse mesmo a ver que, palém das descobertas da imprensa, recorri a outras fontes, mas isso vocês vão descobrir com o tempo.
As aulas começam na próxima segunda feira e as inscrições tão sujeitas a númaro clausus.
No final, oferecerei um certificado a todos os participantes que tiverem aproveitamento, que pode ser trocado, no ministério da educação, por um daqueles mini cursos criados pelo Crato, à vossa escolha

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Alma Minha Gentil que te partiste(...)


Já vos disse que tive um professor de português  no liceu que, apesar de ser um bocado louco, tornava as aulas fantásticas.  Interpretava a  História de Portugal à sua maneira,  sempre muito diferente do que líamos nos livros oficiais. Enquadrava obras literárias no contexto histórico e punha-nos a representá-las. Era, ainda, um fanático por Camões. Lembro-me de ver as lágrimas correrem-lhe pela face quando dizia, de cor, longas estrofes de “Os Lusíadas” e declamava os  sonetos de uma forma teatral, que nos deixava abismados.
Lembro-me de um dia nos ter deixado completamente estupefactos quando, numa aula, afirmou que o poema “Alma minha gentil que te partiste” não fora dedicado  a Dinamene … nem sequer a uma mulher.
Do alto dos seus quase dois metros de altura, o professor Gamboa asseverava que Camões o escrevera para um jovem  fidalgo por quem se apaixonara.  O problema- segundo Gamboa- é que também D. João, pai de D. Sebastião, se apaixonara pelo jovem, o que levou os pais  a mandá-lo combater para o norte de África, onde viria a falecer. 
Roído pela paixão, Camões partiu  para o Extremo Oriente, onde viria a saber da morte da sua paixão. Terá sido a dor provocada pela notícia, que motivou o poeta a escrever o tão badalado poema.
Perante o nosso ar estupefacto, o professor Gamboa rematou: Não pensem que Camões era maricas! Ele apaixonou-se por várias mulheres, era um boémio, mas tinha um coração onde cabia  o amor por toda a beleza, fosse ela masculina ou feminina. Só os bissexuais podem aspirar a ser poetas, porque  a sensibilidade dos seus corações recebe o amor, sem especificação do género.
Claro que, nesse dia, todos concordámos que o Gamboa era mesmo maluco e, durante muito tempo, esse episódio não deixou de ser tema de conversa entre nós.
Durante uns dias, aproveitei as viagens de Metro para ir lendo o “Botequim da Liberdade”.  Nem imaginam a cara de espanto que fiz quando, a páginas tantas, Fernando Dacosta relata uma noite épica no Botequim, em que este assunto foi amplamente discutido, tendo provocado em Natália Correia, também ela estupefacta, a seguinte reacção:
“ Merece uma peça de teatro, um poema épico, uma sinfonia!”.
Voltei a sentir a mesma surpresa daqueles tempos dos bancos do liceu ao ler, pela pena de Dacosta, que  Carolina Michaelis ( uma referência sempre presente no professor Gamboa) foi a primeira a sugerir a versão sobre a homossexualidade em "Alma Minha", tendo sido secundada pelo dramaturgo Mário Sério, pelo historiador Oliveira Martins e por Teixeira de Pascoaes.
Eu aprendi muita coisa nas noites de tertúlia do Botequim, mas não tive oportunidade de assistir a essa acalorada discussão, caso contrário, não me teria espantado com a revelação, quase cinco décadas depois.  Nem com outras que Fernando Dacosta faz ao longo das mais de 300 páginas, numa escrita escorreita  que nos prende a atenção.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Da frigidez



A  Shyznogud (Jugular) e o Porfírio Silva ( Machina Speculatrix) manifestaram o seu desagrado e  largaram alguma bílis por causa desta expressão de Eduardo Cabrita.
Lembro a ambos que a expressão pessoa frígida  sempre significou, para mim ( homem  do norte) uma pessoa insensível e não o significado relacionado com a sexualidade, que ambos lhe atribuiram.
Em defesa do meu  argumento, fui procurar o significado de FRÍGIDA aos dicionários e eis o que encontrei:
Frígida (Adjetivo): Pessoa que toma postura indiferente às situações; que não sente compaixão; fria; insensível; pessoa que não se envolve.
 Peço-vos desculpa, caros amigos, mas desta vez não têm razão. Se Marilú não é FRÍGIDA, o que será uma pessoa FRÌGIDA?
 Apenas escrevo este post pelo respeito que o Eduardo Cabrita-  que conheci bem em Macau- me merece. Admito que  tenha jogado com o duplo sentido da palavra, mas a verdade é que a reacção ao seu escrito é manifestamente exacerbada.

Parabéns à prima!



Novembro  de 2011. A empresa onde Aduzinda ( nome fictício) trabalhava declarou falência.   Sem direito a indemnização e com o marido desempregado desde o Verão,   Aduzinda  viu a vida familiar desmoronar-se em  pouco mais de três meses. Apesar de  trabalhar desde os 22 anos, a sua experiência como economista era  escassa, pois apenas estivera empregada  em duas modestas empresas  durante os 25 anos de trabalho. A idade ( 48 anos) também não ajudava mas a sorte bateu-lhe à porta. 
Um primo, proprietário de  uma pequena empresa, ofereceu-lhe emprego em Janeiro de 2012. A financeira despedira-se para acompanhar o marido que arranjara bom emprego em Angola e ele precisava de a substituir.
Por essa altura, Aduzinda já tinha tratado da papelada para o subsídio de desemprego e recebera  o aviso de que começaria a receber nesse mesmo mês.  Informou o primo da situação e terá ficado surpreendida quando viu um invulgar brilho nos seus olhos.
“ Espera lá! Isso é excelente!  Não desistas do subsídio. Continuas a receber  e eu pago-te a diferença . E ainda te arredondo o ordenado por fora porque, como vais receber  menos e eu vou fazer menos descontos, a empresa pode  dar-te esse bónus”.
Aduzinda ficou um bocado acabrunhada com a proposta mas, grata que estava ao primo por a ter tirado de um grande sarilho, não teve coragem de  recusar.  E assim estão há quase dois anos. Ela a receber um subsídio a que não tem direito e ele a aproveitar-se da situação para fazer menos  descontos.
Ambos roubam o Estado, mas estão felizes da vida. Ou melhor… estavam, porque  o subsídio de desemprego está a acabar e Aduzinda foi perguntar como era a partir do próximo ano.
O primo coçou a cabeça, explicou-lhe que a empresa estava em dificuldades e se quisesse continuar não poderia pagar-lhe mais do que  estava a pagar: 750€.  E olha que estou a ser amigo, porque não faltam aí economistas a 500 e 600 euros!
Aduzinda – que remédio- lá disse que aceitava a proposta. O primo foi para casa e no final do jantar, enquanto bebia um whiskey, sentado no sofá da sala diante do televisor, deve ter agradecido os parabéns de Pires de Lima. Ou terá sido de Paulo Portas?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bafejado pelos deuses



No dia de S. Martinho, o comum dos mortais limita-se a comer castanhas e bebee água pé. Aqueles que, como eu, convivem com os deuses, arriscam-se a ser convocados ao Olimpo para serem  ungidos com a sua bênção.
Ontem, uma deusa abençoou-me  com estas quadras que  tive a oportunidade de partilhar com amigos que por cá passaram.  
Para aqueles que  faltaram à chamada e não comeram as castanhas da Vodafone, aqui as reproduzo.
Obrigado, deusa! Um dia ainda te convido para dançar o tango

À borla ou a pagar
Lembrei-me agora da Ivone
"Isto é que vai uma crise"
Que o diga a Vodafone!

São Martinho é milagreiro
Traz calor e alegria
Generoso e verdadeiro
Faz-nos sorrir neste dia.

Castanha assada e bom vinho
Hoje não podem faltar
Do Algarve até ao Minho
Em terra ou em alto mar.

As tradições faz o povo
Esforço para as manter
Seja velho ou seja novo
Castanhas deve comer.

E se a festa estiver rija
Quero saltar a fogueira
Não é coisa que se exija
Mas entro na brincadeira

As rimas estão a acabar
Despeço-me com carinho
Um abraço te vou dar
Em honra de São Martinho

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Em Dia de S. Martinho


A Vodafone está há uma semana a patrocinar uma vendedora de castanhas no Saldanha. Diariamente, à hora do almoço e a partir das 4/5 da tarde, a fila chega a ter cerca de 50 pessoas. Ininterruptamente, durante várias horas ao longo do dia as pessoas esperam pacientemente e em amena cavaqueira,  a sua vez de receber a meia dúzia de castanhas à borla.
Lembrei-me logo de uma amiga que costumava dizer:
"Desde que seja à borla, os portugueses  aceitam tudo sem pestanejar.Até injecção na testa!"

sábado, 9 de novembro de 2013

Olá! Olá!


Acordo em sobressalto, pouco depois das  8 da manhã. O telefone toca com insistência. Estremunhado e cambaleante, corro para  o aparelho, temendo ouvir a notícia que pode ocorrer a qualquer momento. 
Do lado de lá, uma voz de cana rachada, revelando  boa disposição, cumprimenta-me:
Olá! Olá! Fala da PT e temos uma mensagem para si. (Pausa)
Olá! Olá! Vimos informá-lo sobre o novo serviço… ( a partir daqui corto, porque não vou fazer publicidade gratuita à PT)
Aquela malta na PT não se enxerga? Pensa que toda a gente trabalha das 9 às 5 e às  8 está pronta para sair de casa? Não lhes passa pela moleirinha  que  haja gente, como eu, que esteve a trabalhar até às 5 da manhã e precisa de descansar e se está marimbando para a publicidade?
Sabem que mais, senhores da PT? ÓI!

Coisas cá do meu bairro

 Carlota entrou na loja de reparações com  um micro-ondas.
Solícito, o empregado perguntou:
- Está avariado?
- Não! Anda é  muito cansado e decidi dar-lhe uns dias de férias. Isto aqui é uma casa de repouso, não é?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nada como experimentar...


O jornal Metro noticiava ontem, com grande destaque, que Paul Mac Cartney-  em entrevista a um programa da BBC - revelou a existência de um som no álbum Sgt Peppers  que só é captável pelos cães. 
A revelação é apresentada pelo jornal como bombástica, mas a verdade é que  isso ficou a saber-se poucos meses depois do lançamento do mítico álbum, mas nunca  nenhum dos elementos da banda explicou em que faixa do álbum ele se encontra.
Sugiro a quem tenha um canito que faça a experiência, para ficar a saber. Na altura eu tinha vários cães em casa e fiz, mas não vos vou dizer agora qual foi o resultado, para não vos estragar a surpresa. 

A (minha) última noite de Lisboa



Sempre fui ave nocturna. Aprendi, desde cedo, que a noite é melhor conselheira.Pelo  silêncio que nos permite trabalhar com mais serenidade e convida a meditar e a encontrar-nos, mas também pelo bulício, tão diferente e tão mais diversificado, do rotineiro zumbido diurno dos transportes, dos automóveis ou de gente apressada entrando e saindo dos  empregos, onde consome os dias.
Gosto de ver circular transportes públicos quase vazios. Das ruas quase despidas de automóveis e de gente. De tentar decifrar o enigma de homens procurando prostitutas de rua. Dos bêbados  com assento fixo em bares, de onde são enxotados depois da saída do último cliente.
Tempos houve em que a noite- já  madrugada- terminava num convívio entre jornalistas nas tascas do Bairro Alto. Uma ou outra vez no Parque Mayer entre coristas de revista, whiskeys e alguma boémia.
Nunca fui  amante de discotecas. Para dizer a verdade, só lá entrava empurrado por namoradas de ocasião. Foi assim que me tornei frequentador do Stones ou do Ad Lib, únicas discotecas onde ia com algum prazer. Mais pelo convívio, do que pela dança. Sempre gostei de tertuliar à volta de um copo e, já adulto, gostava de prolongar o trabalho, até os primeiros raios  de sol dardejarem as janelas de Lisboa.  
Não tendo em Lisboa uma casa com um amplo espaço onde receber os amigos, acabei por me tornar co-proprietário de um bar perto do Marquês de Pombal,  onde desaguavam figuras do teatro, do cinema, da televisão e das letras que por ali ficavam  a  fazer horas até que os primeiros assomos do dia os conduzissem  aos braços de Morfeu.
A partida para os Estados Unidos  - e outras razões que agora não vêm ao caso – ditaram o fim da minha relação com aquele bar que, poucos anos mais tarde, acabaria por encerrar.
Alguns dias depois de regressar a Portugal, Fernando Ferreira da Costa- príncipe de uma tribo são-tomense-  desafiou-me a integrar um grupo que nessa noite ia ao bar de uma sua amiga.

O bar era na Graça, chamava-se Botequim e a sua proprietária era… Natália Correia! Eu não a conhecia, a não ser dos discos de poesia que havia em  casa dos meus pais e de a ver uma ou outra tarde na SMARTA mas, assim que entrei naquele espaço, percebi que tinha encontrado o meu poiso noturno, no  regresso a Lisboa.
O Botequim era, já por essa altura, um local de culto. Espaço exíguo onde apenas cabiam duas ou três dezenas de pessoas, mas que em algumas noites albergava uma centena ou mais. Nessas noites o ambiente de fumo quase não permitia ver o piano de onde se soltavam notas ora melodiosas ora em fúria, tricotadas por Maria João Pires ou António Vitorino de Almeida.
Por essa  altura Natália já não era a mulher de beleza esplendorosa que deixava os homens loucos e  levava muitos estudantes a ir à SMARTA só para…lhe verem as pernas!  Muitos  ainda iam lá só para lhe apreciar a beleza física, mas a maioria pretendia partilhar uns momentos de convívio com a mulher desbragada,  excessiva, controversa,  por vezes  petulante a que ninguém ficava indiferente.
O que mais me fascinou de imediato naquele espaço- para além da personalidade vincada de Natália -  foi  o facto de ali se reunirem pessoas dos mais diversos quadrantes políticos e das mais diversas áreas.  Militares de Abril, actores, músicos, editores, jornalistas, poetas, escritores, pintores e políticos para ali convergiam  atraídos por uma estranha magia que  Natália espalhava em seu redor ou, em alguns casos, em busca da sua protecção para se projectarem.
Durante  três anos fui frequentador assíduo do Botequim. Depois voltei a partir mas, sempre  que vinha a Portugal , não deixava de passar por lá.  Estava em Macau quando Natália morreu.   Hoje, não tenho dúvidas que com ela morreu a última  tertúlia de Lisboa. O Botequim foi  o último espaço em Lisboa onde se reuniam para conversar e discutir abertamente, pessoas tão diferentes como Arnaldo de Matos e Ramalho Eanes, Lurdes Pintassilgo  ou Eunice Muñoz, Henrique Neto ou Maria Lúcia Lepecki e muitas outras figuras conhecidas que seria fastidioso aqui enunciar. Em comum, apenas uma admiração enorme por Natália. Embora, nem sempre, fosse uma admiração desprendida ( mas isso, são contas de outro rosário)
Foi por isso com  muita curiosidade  que assisti na terça-feira, na biblioteca José Saramago, à apresentação do livro de Fernando Dacosta ( O Botequim da Liberdade) de que vos falo aqui. 
Lê-lo é fazer uma viagem pela Lisboa dos anos 70 e 80. Um regresso ao passado, ou a descoberta de episódios que Fernando da Costa retirou das páginas do seu Moleskine e, em boa hora nos deu a conhecer. Uma bela homenagem a Natália, mesmo quando discordemos dela.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Recebi prendas de uma deusa

Entre os humanos, é   normalmente o aniversariante a receber presentes. No entanto, no mundo dos deuses, onde há mais sabedoria e a  generosidade é feita de afectos, o aniversariante oferece em vez de dar.
Foi isso que fez AFRODITE no dia do primeiro aniversário do seu blog. Não só ofereceu a todos os leitores  este lindo selo personalizado, como ainda nos presenteou com  flores e canção. 
Possuidora de uma intuição notável,a deusa  AFRODITE  mostrou também toda a sua sabedoria ao escolher as flores e a canção que me assentam como uma luva. Querem saber quais? Então façam o favor de ir lá ver  

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A máquina do tempo




Não sei se seria uma boa ideia podermos recuar no tempo para emendar os erros que cometemos. Se toda a gente tivesse esse poder,  provavelmente o mundo seria ainda mais confuso.
Richard Curtis, realizador de Quatro Casamentos e um Funeral, Notting Hill e O Amor Acontece teve no entanto uma boa ideia ao escrever o argumento de Dá Tempo ao Tempo.
Uma comédia romântica e muito divertida que, durante duas horas, nos faz esquecer as agruras destes dias e mergulhar numa onda de boa disposição, maior do que as mediáticas vagas da Nazaré.
Quando o desajeitado Tim Lake sabe que tem o poder de recuar no tempo e reescrever a sua história, tudo muda na vida do jovem que encontra em Mary - a lindíssima e ternurenta Rachel Mc Adams- a sua companheira para a vida.
Uma deliciosa história sem grandes motivos para reflexão, mas que dispõe bem e nos deixa com um sorriso nos lábios para o resto do dia.
Aqui fica o trailer, para os interessados

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

RM 62: O que será, que será?



No último ano da década, o mundo aguarda com ansiedade as doze badaladas do dia 31 de Dezembro. Que mistérios insondáveis reservará o século XXI? Será mesmo o fim do mundo?- perguntam alguns.
Nesse anoo FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes... inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão Euro.
Em Abril, é autorizada a extradição de Pinochet para Espanha, a fim de ser julgado pelos crimes cometidos durante a ditadura chilena. No entanto, graças a uma daquelas manobras em que a justiça é fértil, nunca virá a ser julgado.
Os moedinhas já andam de telemóvel e as taxas de juro vão subir. Já pouco se fala das vacas loucas, mas da Bélgica chega a notícia que as rações para animais contêm dioxinas, um produto cancerígeno que pode afectar os humanos. As preocupações, porém, são outras: o “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as cosas não correrem bem no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”. ( Ver abaixo adenda de 2013)
Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, um provérbio antigo corre de boca em boca: "Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.
A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem. Preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê.
FIM

Adenda em 2009
Viu-se. Ainda não terminou a primeira década do século XXI, mas muitas das previsões já se confirmaram. O preço da gasolina está imparável, a Europa social regressou ao século XVIII, os alimentos escasseiam, para delírio dos especuladores.
A Igreja – que levou 50 anos a perceber que os males do mundo não estavam nos salões de dança, proclama que poluir é pecado. Tarde piáste! O mundo está de pantanas a contorcer-se com convulsões sociais, o aquecimento global e catástrofes naturais. O degelo já é uma realidade de consequências imprevisíveis, mas “ no pasa nada”.
Por cá as lamentações do costume. Alapados em automóveis, os terráqueos lusos vão falando ao telemóvel, discutindo tacadas nos sobreiros em Benavente, a destruição da costa alentejana e o crescimento imparável de países como a China e a Índia.
A vida está má? Não parece...em Portugal só se pensa que o melhor é ir consumindo, porque já não há volta a dar-lhe. E lá volta a sabedoria popular a animar o tuga “ Morra Marta, morra farta” .
Será que vão ser felizes para sempre?

Adenda em 2013
As coisas estão cada vez pior. O bug global que não ocorreu  na viragem do século, bateria à porta dos países do sul uma década mais tarde.  No país dos tugas, o "Bug" chama-se Coelho. Aquilo que a informática não nos tirou, foi roubado por um grupo de ladrões encartados que apresentaram como credenciais um banco (BPN) e um cartão laranja com setinhas a apontar para o céu.
Coelho, o chefe do gang, cumpriu a promessa que fez ao deus do dinheiro e empobreceu-nos a todos, para engordar a conta bancária de apenas alguns.
Muitas pessoas conheceram pela primeira vez o desemprego e a fome. Muitas famílias ficaram sem casa. Sem reforma. Sem vida. Sem esperança. No entanto, parece que nada se passou. Convocados para protestar contra o roubo, os tugas optam por ficar em casa ou aproveitar o sol de Outono.
Os tugas afinal não foram felizes para sempre. Os culpados riem-se baixinho. Da nossa cobardia.