quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Parabéns à prima!



Novembro  de 2011. A empresa onde Aduzinda ( nome fictício) trabalhava declarou falência.   Sem direito a indemnização e com o marido desempregado desde o Verão,   Aduzinda  viu a vida familiar desmoronar-se em  pouco mais de três meses. Apesar de  trabalhar desde os 22 anos, a sua experiência como economista era  escassa, pois apenas estivera empregada  em duas modestas empresas  durante os 25 anos de trabalho. A idade ( 48 anos) também não ajudava mas a sorte bateu-lhe à porta. 
Um primo, proprietário de  uma pequena empresa, ofereceu-lhe emprego em Janeiro de 2012. A financeira despedira-se para acompanhar o marido que arranjara bom emprego em Angola e ele precisava de a substituir.
Por essa altura, Aduzinda já tinha tratado da papelada para o subsídio de desemprego e recebera  o aviso de que começaria a receber nesse mesmo mês.  Informou o primo da situação e terá ficado surpreendida quando viu um invulgar brilho nos seus olhos.
“ Espera lá! Isso é excelente!  Não desistas do subsídio. Continuas a receber  e eu pago-te a diferença . E ainda te arredondo o ordenado por fora porque, como vais receber  menos e eu vou fazer menos descontos, a empresa pode  dar-te esse bónus”.
Aduzinda ficou um bocado acabrunhada com a proposta mas, grata que estava ao primo por a ter tirado de um grande sarilho, não teve coragem de  recusar.  E assim estão há quase dois anos. Ela a receber um subsídio a que não tem direito e ele a aproveitar-se da situação para fazer menos  descontos.
Ambos roubam o Estado, mas estão felizes da vida. Ou melhor… estavam, porque  o subsídio de desemprego está a acabar e Aduzinda foi perguntar como era a partir do próximo ano.
O primo coçou a cabeça, explicou-lhe que a empresa estava em dificuldades e se quisesse continuar não poderia pagar-lhe mais do que  estava a pagar: 750€.  E olha que estou a ser amigo, porque não faltam aí economistas a 500 e 600 euros!
Aduzinda – que remédio- lá disse que aceitava a proposta. O primo foi para casa e no final do jantar, enquanto bebia um whiskey, sentado no sofá da sala diante do televisor, deve ter agradecido os parabéns de Pires de Lima. Ou terá sido de Paulo Portas?

5 comentários:

  1. Ai, meu amigo, ao que Portugal está a ser reduzido...só falta legalizar a escravatura novamente

    Bom serão

    ResponderEliminar
  2. Um retrato perfeito dos nossos empresários.

    beijinho amigo Carlos

    ResponderEliminar
  3. E assim vai o mercado de trabalho. Assim e, no que toca ao emprego jovem, com forte crescimento de uma nova profissão: estagiário ( de preferência não remunerado).

    ResponderEliminar
  4. Ao que chegámos e aonde nos quererão levar????

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  5. Era o lema de alguém com quem trabalhei, Carlos - roubar ao Estado, não é roubar.
    Pois, o problema é que uns roubam outros terão que compensar.
    E assim se fazem "milagres económicos"

    ResponderEliminar