sexta-feira, 1 de novembro de 2013

RM 62: O que será, que será?



No último ano da década, o mundo aguarda com ansiedade as doze badaladas do dia 31 de Dezembro. Que mistérios insondáveis reservará o século XXI? Será mesmo o fim do mundo?- perguntam alguns.
Nesse anoo FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes... inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão Euro.
Em Abril, é autorizada a extradição de Pinochet para Espanha, a fim de ser julgado pelos crimes cometidos durante a ditadura chilena. No entanto, graças a uma daquelas manobras em que a justiça é fértil, nunca virá a ser julgado.
Os moedinhas já andam de telemóvel e as taxas de juro vão subir. Já pouco se fala das vacas loucas, mas da Bélgica chega a notícia que as rações para animais contêm dioxinas, um produto cancerígeno que pode afectar os humanos. As preocupações, porém, são outras: o “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as cosas não correrem bem no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”. ( Ver abaixo adenda de 2013)
Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, um provérbio antigo corre de boca em boca: "Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.
A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem. Preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê.
FIM

Adenda em 2009
Viu-se. Ainda não terminou a primeira década do século XXI, mas muitas das previsões já se confirmaram. O preço da gasolina está imparável, a Europa social regressou ao século XVIII, os alimentos escasseiam, para delírio dos especuladores.
A Igreja – que levou 50 anos a perceber que os males do mundo não estavam nos salões de dança, proclama que poluir é pecado. Tarde piáste! O mundo está de pantanas a contorcer-se com convulsões sociais, o aquecimento global e catástrofes naturais. O degelo já é uma realidade de consequências imprevisíveis, mas “ no pasa nada”.
Por cá as lamentações do costume. Alapados em automóveis, os terráqueos lusos vão falando ao telemóvel, discutindo tacadas nos sobreiros em Benavente, a destruição da costa alentejana e o crescimento imparável de países como a China e a Índia.
A vida está má? Não parece...em Portugal só se pensa que o melhor é ir consumindo, porque já não há volta a dar-lhe. E lá volta a sabedoria popular a animar o tuga “ Morra Marta, morra farta” .
Será que vão ser felizes para sempre?

Adenda em 2013
As coisas estão cada vez pior. O bug global que não ocorreu  na viragem do século, bateria à porta dos países do sul uma década mais tarde.  No país dos tugas, o "Bug" chama-se Coelho. Aquilo que a informática não nos tirou, foi roubado por um grupo de ladrões encartados que apresentaram como credenciais um banco (BPN) e um cartão laranja com setinhas a apontar para o céu.
Coelho, o chefe do gang, cumpriu a promessa que fez ao deus do dinheiro e empobreceu-nos a todos, para engordar a conta bancária de apenas alguns.
Muitas pessoas conheceram pela primeira vez o desemprego e a fome. Muitas famílias ficaram sem casa. Sem reforma. Sem vida. Sem esperança. No entanto, parece que nada se passou. Convocados para protestar contra o roubo, os tugas optam por ficar em casa ou aproveitar o sol de Outono.
Os tugas afinal não foram felizes para sempre. Os culpados riem-se baixinho. Da nossa cobardia. 

2 comentários:

  1. O século XXI trouxe, sem dúvida,"fim do mundo" para Portugal!!!

    Beijinhos.

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  2. Que 2014 chegue rapidinho...ou melhor, não dá prá irmos direto prá 2015?
    Quem sabe lá será melhor :o)

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