quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

12 sugestões para atravessar o ano em segurança

Cansado das tradições das 12 passas com 12 desejos, ou de subir escadas com uma nota na mão, este ano deixo-vos uma sugestão nova.
Para atravessar o ano em segurança, escolham uma destas passadeiras. Enquanto ouve  as 12 badaladas atravesse tranquilamente a passadeira comendo passas e pedindo desejos. 

Os amantes da gastronomia podem atravessar o ano  com a sua comida preferida...



Para os metrossexuais, ter um pente à mão faz sempre jeito...


  e no caso de  um percalço com o fecho éclair, esta é a passadeira ideal...


 Pode também atravessar o ano numa escada rolante ou...



optar pela linha férrea....


Para os apreciadores de banda desenhada....



Ou para os narcisistas que querem deixar a sua pegada


 Os amantes da música também têm várias escolhas



 Se for romântico que tal umas velinhas?



 Mas se busca alegria, então opte por uma passadeira colorida




Seja qual for a sua opção, desejo-lhe um
MARAVILHOSO ANO 2015 com uma grande pescaria de  desejos cumpridos.
Façam o favor de ser felizes!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Saia um café para o vizinho do lado.

Não me chateia absolutamente nada que uma pessoa entre no metropolitano com um café numa mão e uma sandocha ou um bolo na outra. 
O único problema é quando essa pessoa se senta ao meu lado e, no momento em que o telemóvel toca, se esquece que tem um copo de café na mão, larga-o para atender a chamada e o café se esparrama em cima do meu sobretudo e das minhas calças. Aí deixo de ser condescendente.
Se a pessoa reage com um simples desculpe e continua a falar ao telemóvel, então deixo mesmo de ser educado. Viro fera e sou capaz de coisas que nem eu próprio imaginava possíveis. Pecebi hoje até onde posso ir, mas palpita-me que ainda não atingi os limites. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A minha descoberta literária de 2014


Não sei quantos livros li este ano. Sei que razões profissionais me obrigaram a ler  alguns livros históricos e técnicos que não entram para a contabilidade, pelo que 2014 não foi dos anos mais profícuos em matéria de leitura de romances . Sei, também, que para além de  ter lido Murakami, Kawakami, Zimmler, Sepúlveda, Kadaré, Tchekov,  Lobo Antunes, Patrícia Reis, os dois últimos prémios Leya, Avilez Ogando, Brandão, Lídia Jorge, Ana Sofia Fonseca e relido "O Livro de Areia" de Borges, alguns contos de Garcia Marquez  e outros livros que não deixaram a sua impressão digital na minha memória, descobri dois livros de uma escritora portuguesa que me fascinaram.
Já a conhecia e admirava como jornalista, que conheci pessoalmente no dia em que recebeu o Prémio Gazeta de Jornalismo. Pela prosa escorreita e cortante vertida em reportagens ou crónicas, pela sua forma diferente de mostrar a realidade, pela capacidade de transmitir emoções,a escrita de Alexandra Lucas Coelho sempre me empolgou.
No princípio do ano li o seu primeiro romance (" E a Noite Roda") que lhe valeu o prémio da APE e o reconhecimento de muitos portugueses pela frontalidade com que dardejou Cavaco, no dia da cerimónia

" E a Noite Roda" é um livro sobre o amor e a guerra. Sobre encontros e desencontros, mas também sobre os acasos que acabam por ser mais determinantes nas nossas vidas do que os planos que fazemos.  E é assim que  o leitor descobre que aquilo que parecia ser uma história de guerra (Alexandra Lucas Coelho tem alguma prosa publicada nessa matéria) acaba por ser uma história de amor com um cenário de guerra em pano de fundo. 
Ao contrário da história, a estreia de ALC na ficção teve um final feliz.   Mas se- como ela própria escreve- " as histórias felizes são relâmpagos" a escrita de ALC é uma trovoada  tropical que abala os alicerces convencionais da linguagem literária.
No final do ano, o  segundo livro de Alexandra Lucas Coelho chegou-me em forma de presente de Natal. 

Fazendo jus ao título,( "O meu amante de domingo")  comecei a lê-lo domingo à tarde e acabei-o ao final da noite. São 170 páginas de uma crueldade amorosa  implacável, onde a gargalhada e o nó na garganta vão acompanhando o ritmo da protagonista, uma mulher de 50 anos que se quer vingar de uma traição amorosa. Um verdadeiro western amoroso, onde não falta um cáuboi e os cavalos trotam o asfalto alentejano dentro da armadura de um Lada.
Numa linguagem desbragada e  sem tabus onde o palavrão surge com  naturalidade, alternando  com descrições de uma beleza e sensibilidade  tocantes, ALC intoduz-nos no mundo de uma mulher de 50 anos  que se quer vingar de uma traição amorosa. E fá-lo sem contemplações. Em capítulos curtos vai-nos servindo o veneno com  que urde as tramas da vingança, enquanto faz uma incursão a Nelson Rodrigues  e se envolve numa relação dominical com um mecânico.  Quando acabei de ler, ainda influenciado pelo vernáculo da sua escrita, saiu-me  um " Puta que pariu! Esta gaja escreve bem cumó ca#@£#o!"
Se virem por aí uma mulher loira de estatura meã, revisora literária, que trocou o Canidelo natal pelo Alentejo e viaja todos os domingos para Lisboa no seu Lada para dar de comer ao cão de uma amiga, fazer umas piscinas e ter sexo com um mecânico, tenham cuidado. Essa mulher é perigosa! 
Quanto à leitura... é imperdível. Sem reticências, nem pontos de exclamação. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Memórias de um Natal perdido




Nasci no seio de uma grande família. Numa só rua, cinco casas contíguas albergavam oito tios, um par de avós e um número infindável de primos e primas que todos os dias se viam, cumprimentavam, brincavam e brigavam e todos os domingos se reuniam em casa do pai/ avô. Era como se o Natal acontecesse todas as semanas.
Em Dezembro, terminadas as aulas dos mais velhos, todos se deslocavam para uma outra casa, fora do Porto, para celebrar em comunhão absoluta o período natalício. 
Quando era criança, Natal significava por isso, para mim, apenas uma mudança de lugar, mais tempo e ainda mais espaço para brincadeiras e tropelias. Apercebia-me da chegada do Natal, quando entravam lá em casa pessoas carregadas de malas, falando com um sotaque estranho, e outras cuja língua não entendia, que me eram apresentados como família, mas que não via como tal, porque apenas os encontrava uma vez por ano. Sentavam-se à nossa mesa, o meu avô cobria-os de atenções, e naqueles dias parecia ter o ar mais desanuviado e prazenteiro. Ria. Ria muito. Às vezes falava numa língua que eu não entendia e eu pensava ser língua só para adultos. Por vezes também chorava, mas isso era só quando “eles” chegavam e depois partiam, despedindo-se até ao ano seguinte.
Nessa altura aumentava a azáfama das empregadas na confecção das iguarias e as consumições resultantes da necessidade de apaziguarem as disputas entre a catraiada. Quantas vezes as vi zangadas umas com as outras, porque cada uma saía em defesa acérrima dos "seus meninos"!
Quando a árvore de Natal, montada na cave, subia até ao segundo andar , sabia que o Pai Natal devia estar a chegar, o que significava brinquedos novos, mais dias de traquinice, risadas, choros, na companhia dos primos com quem convivia diariamente e mais aqueles que falavam com sotaque uma língua estranha. Foi no meio desta confusão que um dia descobri que não havia Pai Natal. Os meus irmãos e primos encarregaram-se de me mostrar quem punha os presentes em redor da árvore que via gigantesca. Tinha quatro ou cinco anos e fiquei triste. Não pelo facto de não haver Pai Natal, mas porque fui obrigado a aceitar a tese de uns primos que defendiam com tenacidade que os presentes eram dados pelo Menino Jesus. E eu sempre detestei perder, não fiquei com esse jeito só quando cheguei a adulto…
Um certo ano, aquelas pessoas de sotaque e linguarejar estranho, não vieram no Natal. Nesse ano os meus avós choraram muito, os meus pais escondiam de nós as lágrimas, mas uma noite dei com eles e os meus tios a chorar baixinho numa sala, onde se costumavam reunir a seguir ao jantar para tomar café, fumar e jogar às cartas. Nesse ano também tive menos presentes. No ano seguinte a cena repetiu-se e, no outro ano, a minha irmã casou e não veio passar o Natal connosco porque, disseram-me, tinha ido com o marido para África passar o Natal. 
Nesse ano fui eu quem chorou muito com saudades da minha irmã que só voltaria no ano seguinte. Mas nesse ano, por decisão do meu avô, cada um passou a organizar o Natal na sua própria casa e o Natal ficou mais pequenino. Quer dizer… com menos espaço, menos gente e durou apenas uma noite e o dia seguinte. A minha irmã e o meu cunhado falavam de guerras, de fome de África, de terroristas e de um sítio qualquer que alguém nos tinha roubado na Índia. Desde que soube dos terroristas, o Natal passou a ser diferente. Não foi por culpa dos terroristas, mas por saber as consequências da guerra. Por descobrir que nem em todo o mundo as mesas de Natal eram fartas e que havia gente a morrer nessa noite que me tinham dito ser uma Noite de Paz. Nunca mais acreditei na Graça, a minha catequista.
Nos anos seguintes o Natal voltou a crescer. O meu irmão mais velho também tinha casado e vieram os sobrinhos, que eu via como irmãos mais novos.



Numa noite de princípios de Novembro de 1973, hesitava entre vir a Portugal ou ficar em Inglaterra a passar o Natal com o meu irmão e as nossas namoradas, o telefone tocou. Era a minha mãe em alvoroço. Aqueles familiares de linguarejar estranho( agora sabia viverem no hemisfério sul) que a morte ainda não tinha levado, iam passar o Natal ao Porto. E ia também a minha cunhada alemã e a minha tia sueca, que confeccionava um arroz de pato gabado em toda a família. Pronto, já agora íamos também nós com as nossas namoradas inglesas, sempre era mais uma nacionalidade . E os meus avós e os meus tios voltavam a juntar-se, mas agora no espaço mais reduzido da nossa casa do Porto. Quase 60 pessoas. Bandeiras de várias nacionalidades enfeitando as mesas, num prenúncio de globalização. Dois Pais Natal em vez de um, para ajudar na distribuição dos presentes à miudagem. 
Foi o meu último Natal. 
Nos cinco anos seguintes a família era dizimada. Desapareceram avós, tios, o meu pai, cunhados e irmãos. Os Natais começaram a ser vividos com nós atravessados na garganta, quando olhava para os lugares vazios, e a ânsia de que o tempo passasse depressa. Decidi internacionalizar o meu Natal. Deixei de ir ao Porto e passei-os na lonjura das Maldivas, Vanuatu, Tailândia, Argentina, Singapura, Macau Goa ou Malaca, acompanhado por ninfas, boas doses de álcool e gargalhadas tão falsas como o Natal que hoje em dia o mundo celebra.

Vi Pais Natal, fardados a preceito, chegarem de barco a uma ilha das Maldivas, debaixo de um calor tórrido, ou desembarcarem nas noites frias de Ushuaia. Vi, na Tailândia e na Malásia, empregados de hotéis e restaurantes,a distribuir aos turistas ocidentais máscaras carnavalescas, para celebrarem a noite de Natal. Ateei fogo ao espantalho da Ditadura em Pinamar e no rio Tigre. Vi o consumismo mascarar-se de Menino Jesus em Singapura ou Hong- Kong. Revivi o verdadeiro espírito de Natal em Goa e em Malaca, fui José numa ilha deserta de Vanuatu, onde rumei na companhia de uma namorada vietnamita para um Natal a dois ( onde o bacalhau foi substituído por delicioso peixe fresco pescado por um guia que se encarregou de nos preparar a ceia ) e dormimos ao relento, sob a vigilância de uma Lua Cheia que nos acariciava os corpos nus e penetrava as nossas almas.

Vi e vivi Natais para todos os gostos. Até cansar.

Hoje, o meu  Natal é a noite de ceia com os sem abrigo. A noite de 24? Três pessoas, de gerações diferentes, à volta de uma mesa onde abundam os lugares vazios repletos de memórias por preencher, crianças, jovens e adultos que voaram para o hemisfério sul percorrendo, quase meio século depois, o caminho inverso dos seus bisavós, fardas de Pai Natal arrumadas numa arca, à espera de alguém que as reclame. O meu Natal deixou ser vivido em família. Sem entusiasmos consumistas, nem iluminações, mas com as indispensáveis iguarias da época. E com muitas saudades do hemisfério sul...

Aviso: esta crónica foi  publicada pela primeira vez no dia 18 de Dezembro de 2009 na rubrica " Crónicas de Graça" que animou as sextas feiras da blogosfera entre 2009 e 2011. Um  desafio croniqueiro de que também já guardo muitas saudades, com a minha boa amiga Patty Ferraz. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Hoje sinto-me assim...


Hoje sinto-me como aquelas crianças que dão uma pequena queda e começam num berreiro desgraçado, para chamarem a atenção dos adultos. Há sempre alguém  que se aproxima, dá um beijinho no local da pretensa ferida e diz. Pronto, já passou!
Pois. Felizmente o Natal já passou.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal

A todos os que ainda têm paciência para passar por aqui desejo um Natal Feliz e que 2015 vos traga a realização dos vossos desejos.
Bem hajam!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal na sala de brinquedos




Sou do tempo em que os brinquedos tinham género. Os rapazes recebiam carrinhos, artefactos de guerra e bolas de futebol, as meninas bonecas, máquinas de costura e trens de cozinha. 
Já adulto, alinhei ao lado dos que reclamavam brinquedos p'ró menino e p'rá menina e a proibição dos brinquedos de guerra.
Neste Natal, ao constatar que um dos brinquedos da moda é um drone para crianças, que faz videos e tira fotografias, educando as crianças para a coscuvilhice e a violação da vida privada do vizinho, tenho saudades dos inocentes soldadinhos de chumbo e interrogo-me: que geração de merda foi a minha, para criar filhos tão idiotas, que oferecem drones aos nossos netos? 
Que geração é esta que educa os filhos na espionagem, na devassa da vida alheia, na violação da privacidade, com a maior das naturalidades?
Pela minha parte deixo aqui uma jura: se um dia apanhar um destes  drones brinquedo a sobrevoar a minha cabeça, tentarei imediatamente destruí-lo. E se os drones brinquedo se  multiplicarem , tripulados por agentes da PIDE de palmo e meio,, sou bem capaz de começar a abatê-los com uma arma. Aos drones, obviamente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Memórias de um bolo rei


Muitos dos que lerem este meu desabafo, lembram-se dos tempos em que, com propriedade, me chamavam bolo rei. Na altura em que vocês eram crianças eu era realmente o rei da  doçaria  de Natal e por isso merecia lugar de destaque na mesa de consoada. O tempo foi passando, vocês foram crescendo e eu perdendo protagonismo e importância. 
Longe vão os tempos em que todos os pasteleiros e padeiros me tratavam com desvelo, procurando ser "o rei do bolo-rei". Agora desprezam-me tanto, que até me enfiam na Bimby! 
Como se isso não fosse humilhação bastante, também  a rainha veio reclamar a Igualdade de Género. Resultado: decidiu fazer-me concorrência desleal e agora também tem o seu bolo, que muitas vezes me substitui à mesa dos portugueses.
Ainda me chamam bolo rei, mas já não me sinto como tal.
Deixaram de olhar para mim com a curiosidade e o respeito dos bons tempos em que eu era o centro das atenções e colocado em lugar de destaque na mesa de Natal. 
A cada facada que me davam, cravavam-se em mim os olhos das crianças, na expectativa de um brinde. Os adultos, por sua vez, olhavam para mim desconfiados e respeitosos. Tinham  medo que eu lhes escondesse a fava na fatia que lhes coubera em sorte, porque isso significava que me tinham de substituir por um novo e, naquela época, eu até cobrava bastante pelos meus serviços.
Hoje as crianças olham para mim com enfado e trocam-me facilmente por rabanadas, cuscurões, filhoses ou outras iguarias de Natal, porque eu já não lhes dou brindes. Eram coisas pequeninas, desprovidas de valor, mas que as crianças encaravam como um prémio. 
Os adultos também se estão marimbando se lhes sair a fava, porque a maioria já não cumpre as regras que a tradição mandava.
Para me consolarem, muitas iguarias de Natal tentam confortar-me dizendo que é o sinal dos tempos, mas que um dia voltarei a ser o rei das mesas de Natal. Finjo que acredito, mas sei que não é verdade. O meu reinado terminou quando uns senhores decretaram que os brindes que eu oferecia eram perigosos para as crianças. 
Eu sei que algumas crianças morreram sufocadas com os meus brindes. Ninguém mais do que eu lamenta essas mortes, mas não me conformo com a imposição do tamanho que decretaram, para me impedir de exercer o meu papel. Como é que eu podia albergar brindes daquele tamanho, sem denunciar onde eles estavam?  Optei, por isso, por não dar mais brindes. 
Não quero, porém, deixar de fazer um reparo a quem me condenou a viver o resto dos meus dias sem poder voltar a ver o sorriso das crianças. 
Ainda argumentei, perante as autoridades, que seria melhor fazerem uma campanha de informação junto dos pais, para que tivessem cuidado e avisassem os filhos que me deviam saborear e não comer sofregamente, arriscando-se a engolir os brindes que tão generosamente eu lhes oferecia.
Ninguém me deu ouvidos. É mais fácil proibir.   Na minha opinião deveria ser proibido proibir. É mais importante educar e informar as pessoas para poderem viver em segurança, do que proibi-las de fazer alguma coisa de que gostam,  só porque é perigoso. Se agissem sempre assim, não havia desportos radicais!. Vejam as piscinas, por exemplo. Todos os anos morrem crianças a desfrutar das águas que elas albergam, mas ninguém proibiu as piscinas, pois não? Então por que razão me proibiram de dar brindes? Certamente, foi porque não queriam que eu continuasse  a captar a atenção e os sorrisos das crianças, na mesa de Natal. Invejosos!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mistérios de Buenos Aires

Como é possível um tipo escrever um livro de 200 páginas sobre Buenos Aires, onde não ocupa mais do que uma dúzia de páginas sobre a capital argentina?
Como é que, sendo o protagonista  um espião  que viveu por lá entre 1985 e 2005, não faz uma única referência ao período pós  ditadura, nem ao  Corralito e colapso económico argentino? 
Das duas uma: ou o espião andou a apanhar bonés, ou o autor pensa que Buenos Aires é aquela rua para as bandas da Estrela. 

Happy birthday!



Os Simpsons fazem hoje 25 anos mas, na verdade, nasceram em 1987. Confusos? Eu explico.
As primeiras aparições da perversa família ocorreram em 1987, mas só em 1989 surgiu a série. São esses 25 anos que hoje se celebram.
Parabéns ao barrigudo Bart e restante família Simpson e obrigado pelos momentos de boa disposição que durante todos estes anos me têm proporcionado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quem não viu levante o dedo


Fez ontem 75 anos que se estreou "E Tudo o Vento Levou", um filmão à moda antiga, que nos dias de hoje daria para uma telenovela durante seis meses. Pelo menos...
Quem não viu, levante o dedo e faça o favor de ver estas imagens, tá?

Bora lá xurdir? (ACTUALIZAÇÃO)

Entre as 10 palavras selecionadas pela Porto Editora como  candidatas a palavra do ano, eu votei em “xurdir”.  Foram várias as razões da minha escolha:

1-Tem uma sonoridade que me agrada;
2- Ao contrário deo que acontece com metade das palavras candidatas, "Xurdir" é uma palavra genuinamente portuguesa;
3- Trata-se de um verbo que poucos terão utilizado ao longo do ano e menos ainda saberão o seu significado; 
4- "Xurdir" é um belíssimo exemplo de simplificação da língua, pois permite traduzir um conceito numa só palavra;
5- “Xurdir” significa aquilo que a maioria dos portugueses anda a fazer, mesmo sem saber, nem nunca ter pronunciado ou escrito tal palavra.

Alguns leitores perguntarão: o que significa então Xurdir?  
Nada mais, nada menos, do que “fazer (lutar) pela vida”. É isso mesmo que a maioria dos portugueses anda a fazer há pelo menos três anos sem saber. 
Eu xurdo, tu xurdes, ele xurde, nós xurdimos, vós xurdis, eles xurdem” é bem mais fácil de conjugar, do que “ Eu faço pela vida; tu… ele… não vos parece?

E agora vou xurdir que se faz tarde!
Informação adicional: as 10 palavras candidatas a palavra do ano são “Banco, basqueiro, cibervadiagem, corrupção, ébola, gamificação, jihadismo, legionela, selfie e xurdir” A votação pode ser feita no site da Infopédia.pt , até 31 de Dezembro.

Em tempo: Ter leitores atentos é das coisas mais recompensadoras da blogosfera.Permite-nos, por exemplo, corrigir erros.
Agradeço por isso ao Paulo Freixinho que  me corrigiu a conjugação do verbo Xurdir. Com efeito, trata-se de um verbo regular terminado em ir, pelo que a conjugação não podia ser a que ontem aqui escrevi. Fica pois a correcção, com os meus renovados agradecimentos ao Paulo Freixinho:
Eu xurdo, tu xurdes, ele xurde, nós xurdimos, vós xurdis, eles xurdem

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Felicidade é...

Reunir 11 amigos para um jantar de Natal e abolir os telemóveis durante mais de três horas.
( Sim, este ano ainda tivemos direito a jantar, por imposição da maioria. Em 2015 logo se vê se  ganha o almoço. E se ainda estamos todos por cá...)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sobre a preguiça

Encontrei isto hoje, no FB de uma amiga e roubei, porque vai mesmo com a minha cara. Ideias sobre posts não me faltam mas, quando penso escrevê-los, dá-me cá uma preguiça... 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

domingo, 7 de dezembro de 2014

Domingo à tarde...

Foto: Jacques Henri Lartigue

Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre - a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o

serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos - dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde se esconde
os mais escondidos medos e anseios.

Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez que o queria.

Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã - as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.

maria do rosário pedreira
a casa e o cheiro os livros
gótica
2002

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Uma pequena pérola


Já escrevi há tempos sobre a ansiedade com que aguardava a estreia deste filme em Portugal. 
As expectativas confirmaram-se. Valeu a pena esperar  para ver este filme que durou 12 anos a filmar. 
Richard Linklater, que já nos havia presenteado com a magnífica triologia "Antes do Amanhecer", "Antes do Anoitecer" e "Antes da Meia Noite", decidiu ser ainda mais arrojado e fazer um filme  que acompanha a vida de uma criança desde os 6 anos, quando entra para a escola primária, até  aos 18, quando vai para a universidade.
Sempre com os mesmos actores, o filme  foi  construído com filmagens de uma semana por ano, ao longo de 12 anos, tornando assim ainda mais real a história de uma vida que o realizador/argumentista ensaiara na triologia  a que fiz referência.
Um belo presente de Natal num ano em que os êxitos não abundaram, "Boyhood" promete ser um sucesso de bilheteira.
A não perder.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Querida, já pus o Botox!




Há dias, quando olhei para a factura de uma ida ao dentista, senti-me como uma peça de museu:
-Restauração directa definitiva em resina composta de uma face;
- Restauração definitiva  de duas faces...
E assim continuavam as parcelas seguintes, descrevendo as obras de restauração a que fui sujeito .
Quando cheguei a casa  anunciei:
- Querida, já pus o Botox!
Ela olhou para mim e, com um sorriso condescendente, disse-me aquilo que eu inicialmente pensara:
- Nada disso! Agora és uma valiosa peça de museu restaurada, de que vou cuidar com muito amor, para não se partir.
- OK!, obrigado pelo galanteio, mas prometes-me que se estiveres em dificuldades não me vendes num leilão?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Postal de Helsínquia





No Verão até nem se está mal por aqui. Apesar de as temperaturas serem relativamente baixas, é dia quase até à meia noite.

Agora no Inverno, além de  às duas da tarde ser noite cerrada, ainda há aquele problemazinho da neve. Por isso...




...concordo em absoluto com este amigo


Aviso: a foto do simpático equídeo foi descaradamente gamada ao blog " Vem para Finlândia".

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Viver a vida por um funil *






Naquele dia, Matilde estava visivelmente nervosa. Pensando que o nervosismo estivesse relacionado com o jantar que iriam ter em casa dos pais dela no dia seguinte, Frederico tentou sossegá-la, afiançando que tudo iria correr bem e que já estava mentalizado para o facto de não poder fumar após a refeição.
Na verdade, não era esse o problema de Matilde. O que se passava é que estivera num julgamento em que os pais de um jovem deficiente motor– que ela defendia- acusavam o Metropolitano de Lisboa de ser responsável pelo acidente do seu filho, devido ao facto de a empresa não ter colocado elevadores para deficientes na estação de metro do Campo Grande. Tentaram descer com a cadeira de rodas pelas escadas rolantes, mas um pequeno percalço fez deslizar a cadeira que tombou e se virou, tendo projectado o jovem.
-Já imaginaste a desgraça que poderia ter acontecido?- perguntou Matilde em alvoroço.
- Sim, em Portugal os direitos dos deficientes são quase letra morta. Claro que eles foram condenados a pagar uma indemnização, não?- inquiriu Frederico
- O juiz ainda não proferiu a sentença, mas o que mais me irrita, é que a defesa deles assenta no facto de poder ter sido utilizado o transporte de serviço especial da Carris ou uma das estações que já têm elevadores instalados!
- Essa é boa! Se calhar não sabem que a Carris apenas dispõe de quatro carrinhas que podem transportar, no máximo, quatro deficientes em cadeira de rodas cada uma.




-E olha que utilizar uma das estações com elevadores, também não é fácil. São poucas e os elevadores nem sempre funcionam....
- E há estações onde as escadas rolantes não funcionam e as instalações sanitárias para deficientes estão encerradas.
- Pois.... mas este julgamento tem-me feito pensar durante todo o dia nos problemas que os deficientes são obrigados a enfrentar diariamente neste país. Se querem ir a um museu, por exemplo, estão tramados, porque a maioria deles não dispõe de acessos para deficientes motores e poucos são os que têm informação para invisuais.
- Agora que falas nisso lembro-me de um amigo, com um filho deficiente motor, que há tempos, o quis levar aos Jerónimos e desistiu da ideia porque ninguém se tinha lembrado de instalar uma simples rampa de acesso. Ele apresentou uma reclamação à Direcção geral dos Monumentos Nacionais, mas não sei se o assunto já está resolvido.
- E já reparaste, Frederico, que se um deficiente motor quiser ver um filme, tem que esperar que seja exibido na televisão, ou seja editado em vídeo, porque as salas de cinema não se preocupam com esses pormenores?
- E porque razão se haveriam de preocupar, se continuam a construir-se em Lisboa prédios sem uma simples rampa de acesso para deficientes motores e os elevadores também não estão preparados para deficientes invisuais? A rampa que vês instalada lá no meu prédio só existe, porque foram os condóminos que decidiram mandá-la fazer. Além disso, só há poucos anos é que Faculdades como a de Letras ou Direito dispõem de rampas de acesso...





- Pois é, em Portugal as coisas demoram um bocadinho a fazer-se...
- Principalmente quando as leis prevêem, como é o caso, a necessidade de coordenar e articular as políticas sectoriais dos diversos departamentos governamentais.-
Pois é, mas tens alguma solução?
- Eu não. Ou melhor, tenho. Vamos ao cinema que preciso de desanuviar um bocado. Se continuamos a falar deste problema, nunca mais encontramos o fio à meada.
E lá foram os dois até a uma sala de cinema próxima. Pelo caminho, tiveram que descer do passeio e caminhar pela rua, ao longo de muitos metros, sujeitos a buzinadelas de cada automobilista que passava, porque os carros estacionados em cima dos passeios impediam a passagem de peões.
- E depois é isto! –vociferou Matilde. As pessoas estão-se nas tintas para quem quer andar a pé. Pensa só se um deficiente em cadeira de rodas ou um invisual quer passar. Como faz? Atira-se para o meio da rua e pede a Deus que não lhe passe um carro por cima?
- Pois é, Matilde, estas situações deixam-me um bocado apreensivo. De que vale a pena reclamar com a inoperância das entidades, se os automobilistas – e as pessoas em geral- são incapazes de respeitar os direitos dos outros? Assim é complicado, não concordas?

Esclarecimento aos leitores: Escrevi este artigo, baseado num caso real,para a revista Tempo Livre em Dezembro de 2002. Algumas coisas melhoraram desde então, mas continua a haver um desrespeito muito grande pelos deficientes, incluindo serviços públicos.
* Assinala-se, amanhã, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dezembro sentido


Desde há uns anos que é assim que me sinto quando começa Dezembro. Só consigo extinguir o incêndio  no dia 26, mas fico em fase de rescaldo até Janeiro. É nos primeiros dias do ano que volto a aceitar a ideia de que  não vou recuperar as pessoas com as quais fazia sentido celebrar o Natal.

Envelhecer é...

Perceber que as coisas boas da vida estão nos pequenos pormenores que desvalorizamos nas outras fases da nossa caminhada rumo à morte.

domingo, 30 de novembro de 2014

I'm sorry! (Começou o Natal)


Uma boa parte do post que aqui publiquei na sexta-feira ficou invisível, tornando-o incompreensível. Não sei explicar a razão de isso ter acontecido, mas peço desculpa aos leitores  pelo incómodo causado. 
Assim, decidi fazer a republicação do post, com o link que também não funcionava e cuja leitura é fundamental para perceber a mensagem que pretendi passar aos leitores. Continuo sem conseguir resolver o problema, pelo que renovo as minhas desculpas e, enquanto tento resolver o problema, desejo-vos  um bom domingo. 

Num ano qualquer em Lisboa



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Reciprocidade

A vantagem de ter uma professora de mandarim, com a metade da nossa idade, é a reciprocidade. Enquanto ela  me ensina a língua de Confúcio, eu ensino-lhe coisas que sei sobre a vida. Mas há um problema... é que ela ensina-me algo comprovadamente certo, enquanto eu lhe ensino coisas que podem estra distorcidas, porque a vivência é ainda mais subjectiva do que a interpretação da História. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Lonely nights



Na véspera de fazer 40 anos, soube que a fábrica onde trabalhava desde os 20 ia fechar. Antes de regressar a casa deambulou pelas ruas, pensando no que seria o seu futuro. Com aquela idade, sabia que a possibilidade de encontrar um novo emprego seria nula. Tinha apenas o 9º ano, a única coisa que sabia fazer era a tarefa rotineira da lida com a máquina que lhe caíra em sorte e a quem até arranjara um nome: Leopoldina.
Sabia que o marido lhe preparara uma festa surpresa e, por isso, não lhe disse nada sobre o que a atormentava. No dia de aniversário fingiu-se surpreendida e feliz. Esperou pelo fim de semana para dar a notícia. Ele tentou animá-la. Haviam de se arranjar com o salário dele.
Na segunda-feira, quando saiu da  empresa,  foi à agência de viagens. Apesar de saber que todo o dinheiro lhes faria falta, decidiu compensá-la da amargura  do desemprego, com a viagem a Paris com que ela sempre sonhara.
Quando chegou a casa, anunciou-lhe que partiriam no sábado seguinte. Ela respondeu com um sorriso triste e enlaçou-o num longo abraço.
Passaram  cinco dias felizes em Paris. Dois dias depois de regressarem ela queixou-se de uma dor na barriga. Nos dias seguintes a dor persistiu. Foram ao médico. Muitas análises  e exames  radiológicos depois, o veredicto: tumor no pâncreas. Seis meses de vida.
O funeral foi na primeira terça-feira de Outubro .
Ele está agora  sentado, sozinho, na mesa do restaurante onde jantavam todos os sábados. Pede o Balchão de camarão do costume e meia garrafa de vinho. Faz um brinde no ar. Com o café, pede um whiskey. Tira da carteira uma fotografia, onde os dois posam com a Torre Eiffel por fundo. Olha-a durante uns momentos. Beija-a e pousa-a sobre a mesa. Quando termina o whiskey pede a conta. Paga, volta a meter a fotografia na carteira e sai em passo lento, como se carregasse o mundo às costas. Os empregados despedem-se com um “até sábado, senhor engenheiro”.
Ele responde algo imperceptível e desaparece na calçada da rua quase deserta.
Coitado, está só à espera da morte, para ir ter com ela”- diz-me o empregado.
Peço um café e um Bushmills e deixo-me transportar até Península Valdez. Da próxima vez, trago a tua fotografia.

Adenda: Alguns leitores já terão lido esta história, que publiquei no CR em Março de 2012. Hoje, durante o lançamento do livro do Henrique Antunes Ferreira, algo que não vem ao caso me fez lembrar dela e decidi partilhá-la com quem ainda não a tenha lido. É que eu também sou um velho incorrigível, que gosta de histórias de amor. Mesmo quando são trágicas.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Está nos livros (especial)


(1845-1900)

O homem que tem medo de pecar por causa do fogo do inferno tem medo não de pecar, mas de queimar-se. 
( Eça de Queirós em Os Maias)   

Eça nasceu a 25 de Novembro de 1845, mas o legado que nos deixou continua tão presente nas nossas vidas, que parece ainda estar entre nós.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Vítima de doença prolongada...

Sempre tive especial apreço pela imprensa regional. Em dois períodos da minha vida, a minha actividade profissional obrigou-me ( com grande prazer, diga-se) a percorrer o país de lés a lés e a viver em vários distritos.  Lia por isso com especial atenção a imprensa regional, que me ajudava a perceber melhor os terrenos que pisava. Foi um hábito que me ficou e ainda hoje, a viver entre Lisboa e o Porto, procuro manter-me a par das notícias de âmbito regional. Deveria, aliás, ser obrigatório a quem dirige o país, a partir dos gabinetes ministeriais, uma leitura da imprensa regional, para melhor perceber os problemas que afectam as várias regiões. 
Na imprensa regional colhi muitas histórias interessantes que, se tiver engenho e saúde, talvez um dia  verta para o papel. Como esta que passo a contar.
Até há bem pouco tempo, havia bastante pudor em escrever " Fulano de tal morreu de cancro". Recorria-se ao eufemismo " Vítima de doença prolongada, faleceu..." e toda a gente ficava a saber que a pessoa tinha morrido de cancro.
Obviamente, a imprensa regional seguia o mesmo receituário. 
Estava eu um dia numa simpática vila transmontana. Era inverno, nevava abundantemente e enquanto hesitava entre arrostar com a intempérie para ir comer a um restaurante afamado pela sua boa gastronomia, ou ficar no hotel e contentar-me com a sua insípida cozinha, peguei no jornal da terra.  Em grande destaque, uma notícia sobre a morte de uma pessoa considerada  um benemérito da terra. Estava doente há bastante tempo,mas a sua morte ocorreu inesperadamente durante um fim de semana, depois de uns dias em que revelara algumas melhoras. 
O jornalista, talvez por desconhecer as causas da morte, recorreu ao jargão habitua e escreveu:
"Faleceu este fim de semana, vítima de doença prolongada ( mas não foi cancro) ...." ( sublinhado meu) a D. Fulana de Tal...
A gargalhada foi inevitável, deixando certamente consternado o recepcionista, que se terá interrogado sobre as razões que me levaram a soltar uma gargalhada enquanto lia o jornal, num dia tão triste para a terra...