sexta-feira, 21 de março de 2014

Dias Exemplares



Raras vezes releio um livro na íntegra.   Um trabalho académico  obrigou-me,  recentemente, a reler   “Dias Exemplares”, de Michael Cunningham, o autor do aclamadíssimo “As Horas” vertido para a tela por  Stephen Daldry e  tendo como protagonistas  Nicole Kidman, Julianne Moore, e Meryl Streep. Um elenco de luxo, para um filme fantástico!
Em “Dias Exemplares”, Michael Cunningham faz uma viagem pela América desde os tempos da revolução industrial até um futuro onde seres humanos convivem com alienígenas. Sempre ancorado na obra poética de  Walt Whitman (Folhas de Erva)  e com Nova Iorque como palco, Cunningham divide “Dias Exemplares” em três histórias distintas, mas que têm como elo comum as mesmas três personagens.
Em “Dentro da Máquina” o autor leva-nos aos tempos da Revolução Industrial e,  embora de forma mitigada, estabelece uma analogia entre o século XVIII e a revolução tecnológica que estamos a viver, ao fazer o enfoque nas questões do emprego, no trabalho quase escravo e no poder do dinheiro.
A segunda história-  "A Cruzada das Crianças" - decorre em pleno século XXI, após os  atentados às Torres Gémeas. Explorando a paranóia securitária que se instalou em Nova Iorque após o 11 de setembro, Cunningham desenvolve uma história com contornos policiais, onde uma psicóloga negra, a trabalhar na polícia de Nova Iorque, procura ajudar os agentes a deslindar uma rede de jovens bombistas suicidas, sendo apanhada num torvelinho de emoções que conduzem a um epílogo inesperado.
Finalmente, em “Uma Espécie de Beleza”,  somos transportados para um futuro em que as preocupações ambientais estão no centro das atenções. Nesse tempo, seres humanos conviverão com  androides  e alienígenas que se refugiam na Terra para fugir a um tirano, passando a ser a classe mais baixa e desfavorecida da pirâmide social.
Mais do que reflectir sobre o futuro dos EUA, nesta última história Cunningham leva-nos a pensar sobre a evolução do mundo e, sub-repticiamente, coloca-nos a questão:  será que estamos mesmo a evoluir como seres humanos? 
Terminada a releitura, fiquei com a sensação de que gostei  mais  de “Dias Exemplares”  agora, do que  quando o li pela primeira vez, mas isso talvez se explique, porque o li com  objectivos  precisos, que vão para lá do entretenimento e prazer da leitura e me ajudaram a ver este livro por um outro prisma.

6 comentários:

  1. Sou leitora compulsiva e , na minha vida toda, nem cinco livros reli por inteiro. Por vezes , agarro num e leio certas passagens , mas não mais do que isso

    Tenho tanto para ler e compro livros como se ainda só tivesse vinte anos e todo o tempo à minha frente,,,

    Vi "As Horas", mas não li nada dele ainda.

    Sonhos poéticos, amigo, neste Dia da poesia, rrss

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  2. Adorei o filme "As horas", não tendo lido nada do autor.

    Com o teu minucioso resumo fiquei curiosa.

    Beijinhos.

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  3. Bom, as duas primeiras partes ainda vá, agora quando entra nos ETs, dráculas ou lobisomens eu passo completamente! :)

    Beijocas

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  4. 3 vidas que se abrem num único dia de Junho.
    Nova Iorque no fim do século XX.
    Um subúrbio de Londres em 1923.
    Los Angeles em 1949.

    Gostei do best-seller e do filme.

    Fiquei interessada em ler “Dias Exemplares” de Michael Cunningham pelo facto de estar ancorado na obra poética de Walt Whitman, um dos meus poetas preferidos, tendo Folhas de Erva em cima da minha secretária.

    Um fabuloso fim de semana com folhas de erva, mas sem relvas!

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  5. Está na minha lista; e para mim "estar na lista" é tê-lo aqui no "monte" de livros a ler...

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