terça-feira, 4 de março de 2014

Do destino dos livros ( depois de lidos)




Não pertenço àquele grupo de pessoas que, depois de lido um livro, lhe traçam como destino o caixote do lixo mas, de quando em vez, sou obrigado a desfazer-me de livros, porque as casas não esticam. 
Sempre que  faço uma limpeza à minha biblioteca, passo por um grande sofrimento.  Faço uma selecção cuidada daqueles com que quero ficar mas, invariavelmente, tenho de fazer uma segunda e terceira triagem, porque na primeira são poucos aqueles de que prescindo.
A primeira vez que decidi abdicar de uma boa parte dos meus livros, procurei que eles ficassem disponíveis para, em qualquer altura, eu poder recorrer a eles para uma consulta. Decidi, por isso, oferecê-los à junta de Freguesia, mediante a promessa de que fariam uma pequena biblioteca aberta à população. Escusado será dizer que a biblioteca nunca viu a luz do dia e eu  nunca mais vi os cerca de 500 livros.
Alguns anos passados voltei a ter de me desfazer de livros mas, dessa vez, optei por oferecê-los a uma instituição que me bateu à porta perguntando se eu tinha livros para oferecer. Segundo me informaram, os livros destinavam-se a uma associação que pretendia criar uma biblioteca para os seus associados. Com a maior das boas vontades abri-lhes a porta e disse “sirvam-se à vontade”, embora tenha tido o cuidado de supervisionar a escolha, para que os meus livros “indispensáveis” continuassem comigo. Cerca de 300 livros saíram de minha casa para a sede da associação que teve a amabilidade de me convidar a visitá-la, para me mostrar onde iria ser instalada a biblioteca. Razões nunca explicadas foram sucessivamente adiando a inauguração da biblioteca, até perceber que, mais uma vez, o destino dos meus livros seria muito diferente daquele que lhes prometera quando me desfiz dele.
Ontem, confiava a uns amigos que tinha de me desfazer de mais umas centenas de livros, mas não sabia o que lhes fazer. Um deles sugeriu-me que os vendesse a uma pessoa que compra livros usados.
Esta manhã  entrei em contacto com essa pessoa. Amavelmente, dispôs-se de imediato a ir a minha casa ver os livros.  Uma hora depois ofereceu-me um montante considerável que me permitiu, contas por alto, concluir que me estava a pagar cerca de 3€ por livro. Não regateei, mas perguntei sobre o destino dos livros. Fiquei a saber que eram para os PALOP. Mais concretamente, bibliotecas escolares.
Expliquei-lhe que não tencionava vender os livros mas, dadas as minhas anteriores experiências, decidi que seria a melhor solução e, com o dinheiro, podia ajudar algumas instituições. Ele sorriu e respondeu: pois, nós costumamos comprar os livros a juntas de freguesia e associações que recebem ofertas de pessoas como o senhor! Nunca compramos a particulares.
Depois de o homem sair pensei para os meus botões. Queres ver que quando chegarem aos PALOP vão ser vendidos e entram de novo no circuito?
Seja como for, a receita que obtive com a venda dos meus livros irá permitir-me ajudar duas associações com algumas centenas de euros. Pelo menos vou apoiar duas associações cujo trabalho aprecio, sabendo assim que o dinheiro é bem aplicado.
E os meus caros leitores, o que costumam fazer aos livros quando se desfazem deles?
Aviso aos leitores: Com este post está de regresso o On the rocks. Não prometo a assiduidade diária dos primeiros tempos, mas estarei aqui sempre que tenha histórias para contar e tempo para as verter em posts. Espero voltar a receber neste espaço as/ os leitoras/es que, durante mais de um ano, foram  clientes habituais e se mostraram tão participativos. Sei que nem todos voltarão mas, certamente, outros irão agora descobrir o On the rocks.
Espalhem a notícia, tá?
Fotos roubadas na NET

20 comentários:

  1. FINALMENTE QUE VOLTOU AQUI, CARLOS!!!

    Agora estou na biblioteca, comento sobre este delicado tema quando chegar a casa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Aqui há muitas possibilidades de dar livros, só que eu não consigo desfazer-me deles para a arrelia da minha família, que acha que a nossa casa se afunda em livros.

      Gostei de ler esta crónica e do seu regresso aqui, onde me sinto mais à vontade para comentar, porque os temas no CR não são a minha praia, ou melhor, estamos em margens diferentes: eu não quero modificar as suas ideias, Carlos, como também não modifico as minhas. Até acho piada à alcunha de "tuga"!!!

      Abraço da amiga de longe.

      Eliminar
    2. Detesto a alcunha de "tuga" ! Bastante depreciativo! : )))

      (acrescentei ali uns "sorrisos" para nao "soar" tao brusca!!!

      Eliminar
    3. O Carlos também usa o termo "tuga" em tom MUITÍSSIMO DEPRECIATIVO!!!

      Eliminar
    4. Eu sei! Por isso comentei! : )

      Eliminar
    5. O nosso amigo Carlos gosta de usar termos muito fortes para a atacar os seus INIMIGOS POLÍTICOS, mas o problema é dele, não é meu!!!

      Eliminar
  2. Até hoje só me desfiz de alguns livros infantis que pertenciam aos meus filhos. Entreguei-os à escola de ensino básico que frequentaram. Mas ainda tenho livros infantis meus. Não consigo desfazer-me deles. No entanto não tenho tantos livros como o Carlos. :)

    ResponderEliminar
  3. Não consigo desfazer-me de livros... A falta de espaço vai sendo contornada, ficam em casa dos meus país que têm uma casa maior que a minha.
    Bem-vindo!

    ResponderEliminar
  4. A única vez que me desfiz de livros foram para Timor...penso eu!
    É que com a sua narrativa fiquei com dúvidas!
    Gostei do regresso das Crónicas!

    ResponderEliminar
  5. Para já, apenas me desfiz dos livros infantis da minha filha (ela não os quis) e foram para a biblioteca da escola onde ela andou.

    Nunca daria livros para fora de Portugal, pois tenho a certeza que nunca chegariam ao destino.
    Gosto de dar e ajudar, mas saber a quem e de preferência aos nossos que tanto precisam.

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  6. sem querer parecer abusada,

    na minha estante ficariam muito bem cuidados e até lhe oferecia um chá sempre que viesse revê-los cá a casa ;)

    ResponderEliminar
  7. Não me desfaço dos meus livros. Aqui há uns 8 anos resolvi fazer uma estante de 54 prateleiras, de parede a parede no "escritório", de modo que ainda tenho espaço suficientes para os alojar. Quando por acaso tenho livros repetidos, uma vez entreguei num bookcrossing na biblioteca de Telheiras e da última dei a uma amiga que ia a uma troca de livros. Mas já rejeitei livros "herdados", porque embora deteste deitar livros fora, não há espaço para tudo, menos ainda para obras t´+ecnicas do tempo da maria caxuxa e outros que tais... :)

    Que bom que esteja de regresso a este espaço! :)

    Beijocas

    ResponderEliminar
  8. Muito dificil desfazer-me de livros, apesar de sérios problemas de falta de espaço. Até agora, consegui...dois - libertei-os num centro comercial...lembrei-me entretanto que repetidos, ofereci a irmãs e amigos e dois que não gostei dei a uma das minhas irmãs que os levou para a biblioteca da sua faculdade.

    ResponderEliminar
  9. Também não precisei de dar livros mas conheço algumas pessoas que se mudaram para casas mais pequenas depois dos casamentos dos filhos e que tiveram muita dificuldade em oferecê-los, tentaram escolas mas ninguém manifestou interesse...:(
    Acabaram numa Igreja com a promessa de que iriam para África.
    Bem aparecido!

    ResponderEliminar
  10. Nos últimos anos tenho lido livros da biblioteca e poucos tenho comprado. Também não teria tantos livros assim que me permitisse doar 400 ou 500!
    Mas daqueles que sabia que não queria ler de novo, levei-os para um hospital e os outros vou dando aos poucos a uma organização de beneficência que mos vem buscar a casa juntamente com roupas e outros artigos. Deixamos os sacos e as caixas lá fora no dia designado e depois vem buscá-los quando passarem pelo bairro nesse dia. Muito conveniente para mim.

    ResponderEliminar
  11. Com a casa dos meus pais, em Portugal, e a casa aqui de Macau, ainda não tive que me desfazer de livros.
    Quando tiver que o fazer, vou doá-los a quem saiba que os vai ler ou fazer ler.

    ResponderEliminar
  12. É um real problema, o que expões. Eu compro muitos livros e recorro até algumas vezes a livros em segunda mão. Mas o problema do espaço é real e eu não sei como fazer, mas a hipótese de me desfazer de ama parte deles cada vez é mais premente; o problema primeiro, para mim, é selecionar os "eleitos" para a saída...

    ResponderEliminar
  13. Amigo Carlos, não consigo desfazer-me dos meus livros :) vou colocando-os na casa dos meus pais e dos meus sogros, os meus filhos logo lhes darão destino .


    beijinho

    ResponderEliminar
  14. Não sei se seria capaz... sou muito apegada às minhas coisas todas. Todas elas me trazem memórias, que se há de fazer?!

    Estou com a Catarina: também não gosto da conotação que recai sobre a expressão «tuga». Mas cada um tem as conotações que lhe quadram, não é? Tudo bem. A maior tolerância ...

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O "tuga" não me irrita, Graça!

      Já o "filho da p..." fere a minha sensibilidade, porque nenhuma mãe deve ser insultada pelos os actos dos filhos.

      Eliminar