sexta-feira, 30 de maio de 2014

Já não há praias debaixo da calçada



Maio chegou ao fim e, pela primeira vez desde que ando na blogosfera, não li um único post sobre o Maio de 68 - apesar de ter sido neste mês de Maio de 2014 que Cohn Bendit  anunciou a sua retirada da vida política.
Não sou  saudosista. Muito menos em relação àquele mês que a geração de 60 içou ao altar do mito. Mas, porque hoje ao almoço tive uma conversa sobre esse mês que perdura na memória de muitos, decidi que o post de hoje lhe seria dedicado.
O  “movimento libertador de Maio de 68” acabou com uma gigantesca manifestação de apoio a De Gaulle e isso diz quase tudo acerca dos seus resultados em termos políticos. Poder-se-á dizer que, acima de tudo, Maio de 68 foi uma revolução cultural. Igualmente discordo, pelo menos enquanto português. Os efeitos do Maio de 68 só se sentiriam muito levemente em Portugal no ano seguinte e a liberdade cultural que trouxe a Portugal foi rapidamente cerceada com um conjunto de medidas legislativas de Marcelo Caetano, que culminaria com a publicação do Decreto-Lei 520/71.
O nosso Maio de 68 foi o PREC, sete anos mais tarde. A minha revolução foi o 25 de Abril de 74. Do Maio de 68 preservo a estética. Não tanto pelos cartazes ( fez-se por cá muito melhor durante o PREC e alguns murais são autênticas obras de arte), mas sim pelas fotografias. (As duas que eventualmente mais me marcaram foram as que servem de abertura a este post e retratam Caroline de Bendern – o verdadeiro espírito da revolução- e Cohn-Bendit- o símbolo da irreverência).
Quanto ao resto, estou do lado de Cohn-Bendit. “É preferível esquecê-lo, a lembrá-lo”, escreve ele em “Forget 68”.
Não poderia estar mais de acordo. Ao recordar Maio de 68 parece haver uma tendência para adulterar a realidade e conferir-lhe uma dimensão que nunca teve. Na verdade nunca houve “ uma praia debaixo da calçada”. Houve apenas uma amálgama de irreverência e devaneios juvenis, com consequências que não merecem muito a pena ser lembradas, salvo se pretendermos “dourar a pílula”.
Querem apenas um exemplo? Então aqui vai. No Maio de 68, gritavam-se “slogans” sobre a liberdade sexual. Quarenta anos mais tarde, é mais fácil acabar com a carreira de um político ( ou uma figura pública) denunciando a sua infidelidade amorosa, do que acusando-o de corrupção.
Pensar sobre o que se terá perdido, entre duas gerações, é o desafio que vos deixo para o fim de semana.
(Aproveitem, porque vai estar sol e calorzinho!)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cada um é p'ró que nasce...

Estupefacto com a conta astronómica de fraldas que lhe foi apresentada, questionou a coordenadora do Lar.
- O nosso negócio não é fraldas, é prestar cuidados a idosos- respondeu-lhe ela com sobranceria
- Pois… eu  tenho um bar e o meu negócio  é vender copos, não é vender cafés- retorquiu-lhe
Ela esbugalhou os olhos, atónita, perante a resposta. Não percebeu a subtileza.
Da próxima vez, quando  levar as fraldas que comprou no Continente, talvez ele lhe explique. Ou lhe sugira que vá tomar um café ao seu bar... Com aulas práticas, talvez ela perceba melhor.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

Está nos livros (6)



"A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. Surge... ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são migalhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes, aquele que está mesmo no cimo e parece sustentado por todo o montinho, é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física, retira o grão que aparentemente não sustentava nada e esboroa-se tudo, a areia desliza, espalma-se e resta-te apenas traçar uns rabiscos com o dedo, contradanças, caminhos que não levam a lado nenhum, e continuas à nora, insistes no vaivém, que é feito daquele abençoado grão que mantinha tudo ligado... até que um dia o dedo resolve parar, farto de tanta garatuja, deixaste na areia um traçado estranho, um desenho sem jeito nem lógica, e começas a desconfiar que o sentido de tudo aquilo eram as garatujas."

( Antonio Tabucchi in Tristano Morre)

Provérbios do mundo (17)





"Ser pedra é fácil. Difícil é ser vidraça"
(Provérbio chinês)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A culpa morreu solteira?

Estas duas fotos, que roubei a uma amiga no FB, parecem querer dizer que afinal os fenómenos antisociais não são culpa das novas tecnologias...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O anti-ciclone das emoções

Foto da Net ( Meteo)


Hoje levantei-me cedo. Quando através da janela vi um céu  azul imaculado, pensei que a chuva  decidira partir para outras paragens. Sorri! Liguei a televisão. Desenganou-me. Uma senhora anunciava, com voz triste de proboscídeo no Jardim Zoológico, que Portugal está a ser atravessado por uma depressão e, lá para a tarde, a chuva desabará novamente sobre Lisboa. 
Depressão! Conheço- a desde miúdo, graças ao Anthímio de Azevedo. Percebi que não era boa peça, quando o ouvi dizer que, associada a um anti-ciclone, determinava o estado do tempo em Portugal. Depressão e anti ciclone tornaram-se vocábulos tão familiares, cujos efeitos misteriosos não me cansava de querer desvendar, que me dava ao gozo de anunciar frequentemente aos amigos que a previsão do Anthímio de Azevedo estava errada,já que pelos meus conhecimentos de Meteorologia, adquiridos entre leituras do José Mattoso e sebentas do Soares Martinez, poderia adivinhar, sem receio de erro, que o estado do tempo, no dia seguinte, seria contrário aos que as previsões meteorológicas anunciavam.
O mundo deu muitas voltas desde então. A partir de determinada altura a depressão passou a fazer parte do nosso léxico como uma doença dos tempos modernos, o anticiclone ( nos anos 60 de localização previsível, de acordo com as estações do ano) iniciou-se nas danças dos Alunos de Apolo e passou a vaguear pelas estações do ano, como qualquer meretriz passeia pelos bordéis da vida.
E eu? Eu, feito andarilho, passeei-me pela vida, prevendo o futuro em Londres entre “draughts e fish and chips” com a “Lucy in the Sky with Diamonds” a tiracolo, em “brunches” em Washington, “dulces de leche” ingeridos gulosamente aos sons do tango tocado nas ruas de Buenos Aires, ou na mira de encantar sereias nos “fjords” na Escandinávia. Ainda tive tempo para pressentir “in loco”, entre dois "cevapcici" degustados com avidez pelas ruas de Ljubliana, o descalabro dos Balcãs, os efeitos da queda do muro de Berlim, ou prever o sucesso do “porco preto” em terras lusas, enquanto subia de piroga o rio Sepik, na Papua Nova Guiné.
O meu erro foi pensar que este meu sentido premonitório duraria a vida inteira. Assim fosse, e ainda hoje estaria a passear pelo Camiñito ou no doce remanso de Macau, usufruindo os prazeres do Oriente, entre poemas de Pessanha e o doce convívio com uma chinesa que me falava de Confúcio ( personagem que à época alguns portugueses aí residentes confundiam com uma marca de preservativos).
Mas errei e, recorrendo ao privilégio de que apenas os incautos podem usufruir, decidi regressar a Portugal, num fim de tarde em que o panorama que desfrutava da esplanada do Bela Vista se tornou, subitamente, demasiado curto para mim. Ao princípio, confesso, o prazer de reviver locais noutros tempos frequentados, foi atenuando a mágoa do regresso.  Num átimo, porém, descobri que Portugal já não era mais do que “ um país inventado” que fui construindo ao longo do tempo.
E, de um dia para outro, descobri outro significado da palavra “depressão”.
Hoje em dia, significa um País onde impera a Lei do “salve-se quem puder”. Quando olho o Atlântico a partir das praias do Guincho, já não vislumbro caravelas em busca de novos mundos, mas um mar triste e sem segredos, esventrado por barcos a abarrotar de turistas e baleeiros predadores, ou emporcalhado por petroleiros que se aliviam nas suas águas, com a mesma desfaçatez com que uma prostituta abre as pernas ao camionista na berma de uma estrada.
Aquele meu “País Inventado” a partir das leituras de Isabel Allende, já não existe porque nele se acotovelam, como num mar esquálido, a lixa e a lixinha -da –fundura, lado a lado com o galhudo e a sapata, num frenesim de auto destruição. Como acontece no fundo daquele mar, neste País que reinventei a partir das lonjuras do Oriente e de um passado andarilho, acotovelam-se oportunistas, carreiristas, dirigentes de vão de escada e políticos feitos à pressa com créditos bonificados, circulando em “limousines”, ou acumulando milhas no Qualiflyer, e uma massa imensa e disforme de pequenos irmãos Metralha apenas preocupados em enriquecer a qualquer custo e desprovidos de qualquer lisura ou noção de cidadania que vá para além daquela que lhes confere o cartão de crédito Gold.
O consumismo atascou-os em contos de Aladino com lanternas mágicas por inventar, em Botas de Sete Léguas sem solas para caminhar ou em “Casas de Chocolate” que se derretem no momento em que o dardejar dos primeiros raios solares da inveja atinge as suas janelas.
Percebi, depois de várias voltas ao mundo, que quis regressar a um País de Contos do Fantástico, onde mais vale ser Tio Patinhas dos analistas económicos , Cinderella de revistas cor de rosa, ou Capitão Gancho nas primeiras páginas dos tablóides, do que um dos honestos Três Porquinhos.
Descobri isso ao acordar e percebi o verdadeiro significado da palavra “depressão”. Aguardo, ansiosamente, a chegada do anti-ciclone.

Aos leitores: Texto reeditado e actualizado. O original foi publicado no Crónicas do Rochedo em 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Cascais, uma vez e nunca mais



A expressão parece remontar ao tempo da monarquia, quando Cascais era a praia preferida dos nobres e da família real. 
Cascais era então um lugar caríssimo, reservado a pessoas com grande poder económico. 
A este propósito, escrevia Fialho de Almeida em "Os Gatos" que "havia ali um regabofe que o descaramento e o dinheiro  folgadamente permitem só a dúzia e meia"
Que escreveria hoje Fialho se lhe fosse permitido voltar a Cascais numa tarde de domingo?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Está nos livros (5)




" Olhe à sua volta- disse ela.- Vê felicidade? Vê alegria? Os americanos nunca foram tão prósperos, as pessoas nunca estiveram tão seguras.Nunca viveram tantos anos, em tão boa saúde, nunca em toda a história. Para alguém que tenha vivido há cem anos, nem precisamos de recuar mais, este mundo seria o próprio Paraíso.Voamos. Os nossos dentes não apodrecem.Os nossos filhos não morrem repentinamente com uma febre.Não há estrume no leite.A Igreja não nos pode assar vivos devido a pequenas diferenças de opinião. Os anciãos não podem apedrejar-nos até à morte por adultério.Nunca perdemos as nossas colheitas.Podemos comer peixe cru  no meio do deserto, se assim o desejarmos.Mas olhem para nós.Somos tão obesos que precisamos de lotes maiores nos cemitérios.Os nossos filhos de dez anos andam a consumir heroína ou a matar crianças de oito anos, ou ambas as coisas. Divorciamo-nos mais depressa do que casamos.Tudo o que comemos tem de ser selado,caso contrário alguém poderia envenenar a comida e, à falta de veneno,usaria alfinetes.Um décimo de nós está na cadeia e não temos tempo suficiente para construirmos todas as cadeias de que precisamos.Bombardeamos outros países simplesmente porque nos põem nervosos e a maioria de nós é não apenas incapaz de identificar esses países no mapa, como nem sequer dizer em que continente ficam.Vestígios dos retardadores de combustão que usamos nos estofos e nos tapetes começaram a surgir no leite materno.Por isso, diga-me, acha que isto está a funcionar?Acha que devemos continuar por este caminho?
- Pois, pois, mas não há nada como um belo Big Mac - disse o Corpulento.Limpou uma unha com a unha do polegar oposto."

( Michael Cunnigham in Dias Exemplares)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Terminou o tempo!



Para os mais preguiçosos ( como eu) e para os mais esforçados que tentaram adivinhar os provérbios, mas ficaram com dúvidas em relação a alguns, venho informar que já podem consultar as soluções aqui
Obrigado à mmm's.

Uma loucura global



No comboio que me leva de regresso a Lisboa, ligo o ipad  e o Google informa-me que hoje se comemora o 40º aniversário da criação do cubo de Rubik.
Lembro-me da loucura que este brinquedo provocou nos anos 80. O Mundo inteiro  andava de cubo na mão, a ver se encontra uma cor para cada face.  Este quebra cabeças em três dimensões , criado pelo húngaro Erno Rubik, demonstrou a minha azelhice e falta de paciência para quebra cabeças deste género.  Momentos houve, confesso, em que me senti frustrado por não conseguir resolver o intrincado problema. Depois,vim a saber que até o seu criador teve grandes dificuldades  para encontrar a solução, tendo demorado mais de um mês a resolver o problema e fiquei mais descansado.
Apesar de tudo ainda estive cerca de meia hora a tentar resolver o problema, na versão electrónica criada pela Google para assinalar a data. Sem sucesso, obviamente… 
Se quiserem tentar, vão à pagina da  Google. Divirtam-se!

domingo, 18 de maio de 2014

Boas e más notícias

Seis alentejanos carregam um piano pelas escadas de um prédio.
Já desorientados pelo esforço, perderam a conta e, quando chegaram ao 4º andar, um deles resolve ir ver quantos ainda faltam.
 Volta e diz:
- Tenho duas notícias, uma boa e uma má.
Um deles responde:
- Conta só a boa, a má contas quando chegarmos!
- Está bem, faltam 6 andares.
Continuam a subir e quando chegaram ao 10º andar, um deles pergunta:
- Qual é a má notícia?
- O prédio não é este!

sábado, 17 de maio de 2014

Porque hoje é sábado (6)

Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que foi arredores.
Os antigos que não nos decepcionarão mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O Oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos, com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.


Jorge Luís Borges

sexta-feira, 16 de maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Praia da Luz



Creio já aqui ter contado que o meu Algarve favorito se situa entre Lagos e Sagres. Nem sempre foi assim, mas hoje em dia, é nesse espaço que me reconcilio com o  Algarve. Gosto especialmente da pacatez da praia da Luz e do conforto de saber que, estando para aí virado, encontro a meia dúzia de quilómetros o bulício nocturno na  noite de Lagos. 
Por outro lado, gosto de passear de barco entre Lagos e Sagres, para desfrutar a costa, ponteada por pequenas grutas. E gosto de ficar a olhar para as estrelas nas noites límpidas, pois em mais nehuma região algarvia é possível contemplar o céu com tanto brilho estelar.
Nos primeiros dias de Maio fui até à Luz, reviver bons tempos que por lá passei nos finais dos anos 60. Uma noite, tagarelando com umas inglesas na esplanada do Luz Bay Club, comentávamos a pacatez da aldeia, onde apenas o esporádico latir de alguns cães e as risadas alcoolizadas de alguns estrangeiros noctívagos perturba o silêncio.  
Entretanto, uma outra inglesa ainda teenager,  se juntou ao grupo. Depois de uns minutos em silêncio para se inteirar da conversa, decidiu dar a sua opinião:
- É verdade, isto é magnífico! Parece um resort gigante!
Entreolhamo-nos em silêncio, mas creio que todos teremos pensado o mesmo: mais valia estares calada, miúda!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sorrisos orientais



Dois turistas brasileiros estão de férias em Portugal quando vêem uma loja com o seguinte anúncio:
- Calças: 5,00 euros;
- Camisas: 3,00 euros;
- Fatos: 8,00 euros.
 Um dos turistas vira-se para o outro e fala:
 - Poxa! Isso é muito barato, nós podemos comprar e levar para o Brasil para vender lá. Vamos ganhar um bom dinheiro.
 O segundo concorda e diz:
 - Você tá certo. Vamos lá. Mas deixa eu falar, porque meu pai é português e eu sei imitar o sotaque com perfeição. Se notarem que somos brasileiros pode ser que não vendam para nós.
 Então, os dois  entram na loja e pedem cem camisas, cinquenta calças e cinquenta fatos, com um sotaque impecável. 
O empregado pergunta :
 -  Vocês dois são brasileiros, não são?
 Assustado com o “flagra”, o filho do português fala:
 - Sim, mas como você descobriu?
 - Foi simples. Isto aqui é uma lavandaria…

NÃO PRECISA CORTAR...


Um sujeito casado volta de uma viagem de negócios na China onde  aproveitou para conhecer algumas garotas de programa. Quando volta seu pênis está todo verde. Esconde isso da mulher do jeito que pode e vai consultar um médico. O médico olha o órgão do sujeito e diz debochando: 
- Ahaha! Você foi para a China! 
- É verdade. 
- E conheceu umas garotas de programa! 
- É verdade! 
- Infelizmente, isso não tem cura. Vamos ter que cortar!
 O sujeito nem acredita no que ouve. Pede a opinião a outro médico, mas o diagnóstico é o mesmo. O sujeito está super deprimido, e vai consultar um urologista que também confirma o diagnóstico. Decide então confessar suas escapadas à mulher que, depois de uma boa descompostura, o aconselha a ver um médico chinês, um legítimo, lá na China. 
O sujeito volta então à China e marca uma consulta com um médico de renome. Ao examiná-lo, o médico dá uma risadinha:
 - Heheheh! O senhor esteve na China recentemente! 
- É verdade.
 - E o senhor andou a divertir-se  com as garotas?
 - É verdade. 
- E o senhor foi ver um médico brasileiro? 
- É verdade.
 - E o médico brasileiro lhe disse que teria que cortar?
- É verdade. -
- Médico brasileiro não sabe nada! Não precisa cortar. 
O sujeito nem acredita! Seu pesadelo acabou! 
- Então existe um tratamento para isso? 
- Não, mas não precisa cortar. Cai sozinho.

terça-feira, 13 de maio de 2014

By Oliv(i)er



Há dias, as autoridades de saúde pública londrinas ( uma espécie de ASAE lá do sítio) encerraram o talho Barbacoa, do chef Jamie Oliver, proprietário do famoso restaurante com o mesmo nome.  Entre outras preciosidades, os inspectores encontraram  fezes de ratos, carcaças de animais bolorentas e carne estragada. Presume-se que estes produtos serviam para confeccionar as  apreciadas iguarias servidas no restaurante que fica no andar de cima  e é um dos mais famosos de Londres.
No melhor pano cai a nódoa.  Jamie Oliver tem desenvolvido uma grande campanha em defesa da educação alimentar, baseada no consumo de produtos naturais. Graças à sua tenacidade,conseguiu alterar radicalmente a dieta alimentar nas escolas inglesas, substituindo as refeições à base de fast food por ementas à  base de produtos naturais, ricas em fibras e verduras.
A ousadia granjeou-lhe inúmeros inimigos, nomeadamente na indústria alimentar, mas James Oliver respondeu com outra iniciativa que deu brado em Inglaterra: a criação do muito badalado restaurante Fifteen, que funciona como escola de culinária, para jovens desfavorecidos.
Recentemente, ficou célebre a sua guerra com a poderosíssima Mc Donald's. Num programa de televisão, Oliver mostrou  como a Mc Donalds  confecciona os seus produtos, o que resulta numa pouco saudável mistura de carne com amoníaco. A multinacional do fast food , embora refutasse a acusação, acabou por mudar o processo de fabrico dos hamburguers, o que foi visto como mais uma vitória de Oliver na sua guerra contra a junkfood.
Daí que haja quem suspeite que as persistentes visitas da polícia sanitária londrina aos estabelecimentos de Jamie Oliver não são propriamente inocentes...
Como a maioria dos leitores saberá, por cá temos um chef  com um nome parecido: Olivier Costa. Proprietário de vários restaurantes muito badalados, Olivier Costa também teve a ASAE à perna, mas por outros motivos: desobediência.  O caso aconteceu em 2011, quando a ASAE o obrigou a encerrar o restaurante da Barata Salgueiro, por não ter licença para dança. Olivier Cosat resistiu, manteve o espaço aberto e acabou por ser absolvido, mas não evitou alguns danos colaterais.
Recentemente abriu no Monumental o pronto a comer Assador by Olivier.  
Esta ideia de proletizar o seu conceito de restauração não está a correr lá muito bem. O serviço é deficiente, e a qualidade do produto um totoloto. Nomeadamente o roastbeef, que alterna os dias em que se mostra suculento, com outros em que a secura afastam qualquer cliente. 
Algo a rever pelo chef, urgentemente, para evitar males maiores. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Da preguiça

Confesso que ando um bocado preguiçoso, pelo que vou aproveitando o contributo dos leitores para preencher os posts da rubrica " Da Sabedoria Popular".
Hoje, creio ter sido particularmente feliz, ao escolher esta pérola publicada no blog Lavar a Cabeça da leitora mmm's e aqui reproduzida com a devida autorização.
Assim, hoje, em vez de ser eu a explicar a origem de uma expressão, sugiro aos leitores que descubram os provérbios correspondentes aos 15 enigmas do quadro.
Não é nada fácil, mas é muito divertido. Espero que tenham mais sucesso do que eu e me ajudem a decifrar os 4 que ainda me faltam.

domingo, 11 de maio de 2014

Associação de ideias

Conchita Wurst

Ouvi dizer que a vitória de Conchita Wurst no Festival da Eurovisão ( que eu não vi, não podendo por isso opinar sobre a qualidade da canção) está a levantar grande celeuma e a despoletar acesas discussões nas redes sociais. Parece que a forma de pensar de alguns está a ser vista como homofóbica. Vai daí,  lembrei-me outra vez do Joãozinho

A professora pergunta aos seus alunos :
- Se existem 5 passarinhos num ramo e vocês atirarem e matarem um, quantos sobram ?
- Nenhum - responde o Joãozinho.
A professora fica surpresa com a resposta :
- Nenhum ?
- Claro... com o barulho do tiro todos levantam vôo !
- Bem, não era essa a resposta que eu esperava, mas gosto da tua maneira de pensar !
- E agora, posso fazer-lhe eu uma pergunta ? - Pediu Joãozinho.
- Pode, Joãozinho.
- Estão 3 mulheres sentadas num banco a comer sorvete. Uma está lambendo, outra está chupando e a terceira está mordendo. Qual delas é a casada?
A professora fica vermelha, mas responde, timidamente :
- A que está chupando?
- Não, a casada é a que tem a aliança no dedo, mas eu também gosto da sua maneira de pensar ...

E já agora, também me lembrei desta...

Ao entrar na sala de aula, a professora vê um pénis desenhado no quadro.
Sem perder a compostura, apaga rapidamente o desenho e começa a aula.
No dia seguinte, o mesmo desenho, só que ainda maior.
Ela torna a apagá-lo e não faz nenhum comentário.
No terceiro dia, o desenho já ocupa quase o quadro inteiro;
Por baixo ela lê a seguinte frase :
'Quanto mais esfregar, mais ele cresce !

sábado, 10 de maio de 2014

Porque hoje é sábado (5)

Recado aos amigos distantes

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Cecília Meireles

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sem palavras

Este cartaz da campanha pelas meninas nigerianas, vale mais do que 1000 palavras!
Tenham um excelente fim de semana

quinta-feira, 8 de maio de 2014

As habilidades do Joãozinho

O Joãozinho aprendera há pouco tempo a andar de bicicleta, mas rapidamente se aprestou a fazer algumas habilidades.
Seguro das suas  capacidades, decidiu mostrar à mãe os seus números circenses. Montou na bicicleta e, passados alguns segundos chamou a atenção da progenitora:
- Mamã, olha p'ra mim a andar de bicicleta sem selim!
- Muito bem, Joãozinho, mas tem cuidado, não te magoes
- Mamã, mamã, agora só com uma mão!
- Cuidado, Joãozinho, olha que isso é perigoso!
- Mamã, mamã agora sem mãos!
-  Joãozinho, tem cuidado! Olha que ainda te magoas
Ainda mal acabara de pronunciar a frase, quando o catraio se espatifou contra um muro do quintal.
Sem querer dar o braço a torcer, Joãozinho  vira-se para a Mãe e diz:
- Mamã, mamã, agora sem dentes!
A que propósito foi ele rebuscar esta história velha e relha do Joãozinho? Estarão a perguntar alguns leitores neste momento.
 Lembrei-me dela, por causa de uma saída limpa e sem rede de que muito se tem falado nos últimos dias, mas cujo desfecho pode ser igual ao desta história: um estampanço que nos deixará sem dentes!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Está nos livros (4)




"Não tardará muito terei cumprido setenta e tantos anos; continuo a dar aulas de Inglês a uns poucos alunos. Por indecisão, ou por negligência, ou por outra razão, não me casei, e agora estou só. Não me dói a solidão;bastante esforço é tolerar-se a si própria e às suas manias. Noto que estou envelhecendo; um sintoma inequívoco é o facto de que não me interessam ou surpreendem as novidades, talvez porque noto que que nada essencialmente novo há nelas e não passam de tímidas variações. Quando era jovem atraíam-me os crepúsculos, os arrabaldes, a desdita; agora , as manhãs do centro e a serenidade. Já não faço de Hamlet"

( Jorge Luis Borges in "O Livro de Areia" , O Congresso)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Machismo, ou acto falhado?



A comunicação social é um espelho da sociedade. Não raras vezes, os títulos deixam perceber que quem escreve está imbuído de preconceitos que julgávamos ultrapassados, mas persistem em vastos sectores da sociedade. 
Vem isto a propósito do título de uma notícia de hoje do JN:
"Apanhada a ter relações sexuais em voo da Virgin"
A minha reacção imediata, foi lembrar-me do tempo em que  os maridos infiéis eram desculpados pelas próprias mulheres, que acusavam a rival de ser, no mínimo, uma "cabra" que lhe seduziu/roubou o marido. 
O homem, coitado, dado às fraquezas da carne, nunca era culpado por trair a mulher.Era uma vítima. A culpada era sempre a "galdéria" que o desencaminhou.  
O título da notícia do JN segue o mesmo padrão. Embora as relações sexuais entre dois adultos presumam o consentimento de ambas as partes, o/ (a?) jornalista do JN terá partido do princípio que foi a jovem a desencaminhar o seu parceiro para a casa de banho do avião. Daí que tenha optado por escrever "Apanhada" em vez de "Apanhados". Ela é que quis ter relações sexuais e engatou o gajo, estão a perceber?  
Quando o/a jornalista se denuncia através de um título, não reflecte apenas a sua forma de pensar, mas também a do círculo onde se move. Quando um (a) editor(a) deixa passar um título destes, a situação torna-se ainda mais clara. 
A liberdade sexual foi uma conquista das mulheres no 25 de Abril, mas há preconceitos que continuam enquistados  e não dão sinais de desaparecer, 40 anos depois. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Feira da Ladra

FOTO CM

O nome da Feira da Ladra em Lisboa não tem nada a ver com ladras ou ladrões, como muitos ainda pensam.
 A Feira da Ladra remonta ao século XIII (ou mesmo antes), quando a língua árabe era ainda familiar em Lisboa, apesar das barbaridades cometidas pelos cruzados (supostos cristãos), que a conquistaram aos  Mouros.  A conquista "cristã" de Lisboa em 1147 foi um desgraçado desastre para a cidade. Diz-se que o nosso primeiro rei, impotente perante o assalto assassino à população de Lisboa, que vivia civilizada e em comunidade com os cristão arabizados, sofreu por ver que os seus aliados do Norte da Europa, não distinguiam as pessoas, e para eles todos eram infiéis e inimigos, que se deviam matar desapiedadamente. Afonso Henriques queria conquistar a cidade, mas não queria um genocídio. Enfim, entre mortos e feridos, alguns escaparam e a feira passou a ter o seu nome:
Feira da Ladra, que realmente quer dizer Feira da Virgem (a Mãe de Jesus), pois "A Virgem" em árabe diz-se "al-aadraa" (العذراء).
Esta palavra, ouve-se repetidamente na "Nursat", o canal televisivo dos Maronitas (Católicos) do Líbano.
( Enviada pelo leitor BS que se declara fã da rubrica "Da sabedoria popular" Muito obrigado.)




domingo, 4 de maio de 2014

Dia da Mãe

Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei,
tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Continente Selvagem


Lembrei-me de vos recomendar a leitura deste livro de Keith Lowe. Para que a memória não se apague.
No rescaldo da II Guerra Mundial, cidades como Varsóvia, Hamburgo ou Colónia ficaram praticamente reduzidas a cinzas.  
Desapareceram milhões de judeus, mas houve outros holocaustos que praticamente são ignorados. Por exemplo, na Croácia, 592000 sérvios, muçulmanos e judeus foram mortos numa tentativa de limpeza étnica; os búlgaros massacraram as comunidades gregas e os húngaros fizeram o mesmo aos sérvios, na Jugoslávia. Finda a guerra, vários milhões de alemães foram expulsos da Prússia Oriental, da Silésia e da Pomerânia. 
Houve um turbilhão das expulsões étnicas, como nunca se vira.
Morreu-se de fome às centenas de milhar na Grécia. Mesmo os que não viveram a guerra sofreram sérias restrições, caso da Espanha e da Suíça. A Holanda foi devastada pela fome no inverno de 1944/1945. Há uma declaração tocante de alguém que estava na ajuda humanitária, e isto na Alemanha: “É difícil acreditar que algumas latinhas brilhantes de paté de carne e sardinhas quase podiam dar início a um motim de campo, que os saquinhos de chá Lipton, latas de café e barras de chocolate vitaminado podiam deixar os homens quase loucos de desejo. Mas é assim. Faz tanto parte da destruição da Europa quanto aquela lúgubres ruínas de Frankfurt. Só que isto é a ruína da alma humana. É mil vezes mais doloroso de se ver”. 
Para sobreviver recorre-se à pilhagem, ao roubo, ao mercado negro. A prostituição alastrou por toda a parte, tudo parecia estar a transformar-se em bestial e cruel. No entanto, ressurgiam assomos de heroísmo e apelava-se à fraternidade e à unidade, enquanto a vingança se  misturava com o terror, deu-se a libertação dos campos de concentração, os trabalhadores escravos também se vingaram. 
Multiplicaram-se actos de vingança sobre mulheres e crianças nascidas de relações com o ocupante, as limpezas étnicas foram aterradoras, os judeus que regressavam às suas terras encontravam os seus bens confiscados ou alienados.
Esta é apenas uma súmula da descrição que Keith Lowe faz do pós guerra, que se prolongou durante décadas, em "Continente Selvagem". Um relato que nos permite compreender melhor a Europa em que vivemos hoje. Há feridas por sarar e ódios adormecidos, que a qualquer momento se poderão reavivar. Parece que já estivemos mais longe desse momento.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

Está nos livros (3)



"Num prado próximo da tua casa ou da minha vivia uma colónia de caracóis, convencidos de que estavam no melhor lugar possível. Nenhum deles  tinha viajado até aos limites do prado ou, menos ainda, até à estrada de asfalto que começava justamente onde cresciam as últimas ervas. Como não tinham viajado não podiam comparar e assim ignoravam que , para os esquilos, o melhor lugar ficava na parte mais alta das faias, ou que para as abelhas, não havia sítio mais aprazível do que as colmeias de madeira alinhadas na outra extremidade do prado. Não podiam comparar e nem se importavam com isso pois, para eles, aquele prado onde , alimentados pelas chuvas, cresciam com abundância os dentes -de-leão era o melhor para se viver"

( Luís Sepúlveda in "História de um caracol que descobriu a importância da lentidão")

"A tartaruga procurou, com mais calma do que a habitual, as palavras para responder e contou-lhe que durante a sua permanência entre os seres humanos tinha aprendido muitas coisas. Assim, explicou-lhe que quando um humano fazia perguntas incómodas do género " é preciso ir tão depressa?"  ou "a sério que necessitamos de tudo isso para ser felizes?" era apelidado de REBELDE"

( idem, ibidem)