sexta-feira, 2 de maio de 2014

Continente Selvagem


Lembrei-me de vos recomendar a leitura deste livro de Keith Lowe. Para que a memória não se apague.
No rescaldo da II Guerra Mundial, cidades como Varsóvia, Hamburgo ou Colónia ficaram praticamente reduzidas a cinzas.  
Desapareceram milhões de judeus, mas houve outros holocaustos que praticamente são ignorados. Por exemplo, na Croácia, 592000 sérvios, muçulmanos e judeus foram mortos numa tentativa de limpeza étnica; os búlgaros massacraram as comunidades gregas e os húngaros fizeram o mesmo aos sérvios, na Jugoslávia. Finda a guerra, vários milhões de alemães foram expulsos da Prússia Oriental, da Silésia e da Pomerânia. 
Houve um turbilhão das expulsões étnicas, como nunca se vira.
Morreu-se de fome às centenas de milhar na Grécia. Mesmo os que não viveram a guerra sofreram sérias restrições, caso da Espanha e da Suíça. A Holanda foi devastada pela fome no inverno de 1944/1945. Há uma declaração tocante de alguém que estava na ajuda humanitária, e isto na Alemanha: “É difícil acreditar que algumas latinhas brilhantes de paté de carne e sardinhas quase podiam dar início a um motim de campo, que os saquinhos de chá Lipton, latas de café e barras de chocolate vitaminado podiam deixar os homens quase loucos de desejo. Mas é assim. Faz tanto parte da destruição da Europa quanto aquela lúgubres ruínas de Frankfurt. Só que isto é a ruína da alma humana. É mil vezes mais doloroso de se ver”. 
Para sobreviver recorre-se à pilhagem, ao roubo, ao mercado negro. A prostituição alastrou por toda a parte, tudo parecia estar a transformar-se em bestial e cruel. No entanto, ressurgiam assomos de heroísmo e apelava-se à fraternidade e à unidade, enquanto a vingança se  misturava com o terror, deu-se a libertação dos campos de concentração, os trabalhadores escravos também se vingaram. 
Multiplicaram-se actos de vingança sobre mulheres e crianças nascidas de relações com o ocupante, as limpezas étnicas foram aterradoras, os judeus que regressavam às suas terras encontravam os seus bens confiscados ou alienados.
Esta é apenas uma súmula da descrição que Keith Lowe faz do pós guerra, que se prolongou durante décadas, em "Continente Selvagem". Um relato que nos permite compreender melhor a Europa em que vivemos hoje. Há feridas por sarar e ódios adormecidos, que a qualquer momento se poderão reavivar. Parece que já estivemos mais longe desse momento.




4 comentários:

  1. E o Vaticano serviu de fuga a inúmeros criminosos de guerra.

    O que me aflige é o silêncio pesado e lúgubre sobre tudo quanto aqui focas e a sobrexaltação dos judeus, eles próprios sem uma palavra de memória sobre os larguissimos milhões de vítimas do nazismo .

    Como se não bastasse, Israel foi e é um Estado de massacres e praticando um Apartheid ainda mais feroz do que o da África do Sul.

    Aliás ,para meu gosto, o sionismo e o nazismo têm demasiados pontos semelhantes!!

    Como dizes, as feridas estão a reabrir-se e deve-se isso ao facto de os banqueiros sionistas quererem implantar a Nova Ordem Mundial pelo que causaram a presente crise e o banco judeu Goldman -Sachs já colocou os seus cães de fila em lugares cruciais em toda a Europa.

    Vou tentar comprar, obrigada pela sugestão,amigo.

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  2. Tenho a mesma opinião.
    A purificação da raça vai começar nos hospitais...isto se já não tiver começado!

    Os aposentados, onde me incluo, são outro alvo a abater.

    Temo pelo nosso futuro!

    Vou anotar, pois tenho que o ler.

    Obrigada pela partilha.

    Beijinhos.

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  3. Nas palavras de Keith Lowe, «de certa forma, tenta o impossível – descrever o caos».

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  4. As altas indemnizações exigidas à Alemanha no Tratado de Versalhes, na sequência da I Guerra Mundial, são tidas por muitos historiadores como uma das causas da II Guerra Mundial...

    A darmos crédito à súmula de Lowe, trata-se mesmo de um Continente Muito Selvagem!

    Beijocas

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